Sant’Ana, antes de tudo um grande gremista

NOTA DO MOVIMENTO GRÊMIO MULTICAMPEÃO

Paulo Sant’Ana surgiu de repente, como um meteoro. E se foi lentamente, como se fossem muitas mortes, uma para cada uma de suas personalidades.

O Grêmio perde um de seus mais fervorosos torcedores. O Movimento Grêmio Multicampeão lamenta essa perda inestimável.

Desde seu começo lá pelos anos 70 como participante alucinado de programas esportivos na televisão – sempre com o manto tricolor – e, depois, no rádio, no longevo programa Sala de Redação, defendendo seu Grêmio com ardor e paixão, como fez ao longo de toda sua trajetória nos meios de comunicação.

Sant’Ana revelou-se um grande comunicador e, rapidamente, conquistou admiradores e, claro, alguns desafetos, porque não poupava adjetivos para o bem ou para o mal.

Foi um guerreiro isolado, qual um Don Quixote, combatendo aqueles que de uma forma ou de outra, na visão dele, queriam prejudicar o clube do seu coração. São antológicos, por exemplo, seus artigos contra a arbitragem gaúcha.

Quando ganhou uma coluna nas páginas de esporte do jornal Zero Hora, Sant’Ana mostrou que chegava para ficar. Causou alvoroço quando assinou uma coluna, bombástica para a época, revelando quem eram os gremistas e colorados da imprensa gaúcha.

A partir daí, alçou um voo que transcendeu a editoria de esportes e pousou na penúltima página, onde passou a escrever sobre os assuntos mais variados, sempre com talento e perspicácia. Não raro, retomava o futebol como tema, buscando na maioria das vezes contribuir com o Grêmio, ao seu jeito, franco e apaixonado.

O gremista Paulo San’Ana tornou-se o colunista mais conceituado do Estado. Sempre polêmico e por vezes poético. Duro e sensível. Implacável contra desmandos de qualquer ordem.  Muitos leitores adquiriram o hábito de ler o jornal de trás para frente.

Só isso já prova o quanto Paulo Sant’Ana foi marcante em todos esses anos. Exagerado, por vezes, mas sempre autêntico na crítica ou no elogio.

Perdemos um grande companheiro. Mas temos convicção de que lá de cima, ao lado de outros grandes gremistas, como Lupicínio Rodrigues, ele estará sempre com o Grêmio onde o Grêmio estiver!

Fique em paz, Sant’Ana. São os votos do Multicampeão!

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  • wilson santos

    Santana foi um mito, uma lenda.
    Ele me divertiu muito com suas tiradas sádicas, que descanse em paz.

  • Robert Plant

    Um resumo do Santana é o trecho final de uma das suas crônicas mais geniais: “Freud morreu em 1939. Vim a este mundo em 1939. Foi uma mera passagem de bastão”.

    • Ilgo Wink

      Grande frase, mesmo
      Ele era um frasista dos melhores

  • Rezende

    Como émerito tricolor, até na morte, fez sua última provocação ao arqui-rival, subiu PRIMEIRO ao azul do céu deixando o Inter na segunda divisão…

    • Ilgo Wink

      Sant’Ana morreu com o Inter na segundona e nunca mais vai ve-lo na primeira

  • Luis Augusto Waschburger

    Lembro de uma entrevista que ele deu ao Jô Soares onde ele contava sobre o velório do Mario Quintana.
    Segundo Pablo, em homenagem ao poeta morto, as pessoas deixavam seus maços de cigarro junto ao caixão (tanto Pablo quanto Quintana fumavam cerca de 4 maços por dia).
    Lá pelas tantas, acabou o cigarro do Sant’Ana e ele começou a “filar” os maços do velório.
    Tempos depois, em uma sessão espírita, o poeta teria “baixado” e interpelado o jornalista:
    “Pô Sant’Ana, fumaste todos os meus “Charme” e me deixaste só com os Hollywood!”

    Era um grande cronista.
    Certamente o melhor aforista deste Estado.
    Pretendia ser um Nelson Rodrigues.
    Se comparava com Nietzsche, chegou a lançar um livro com o mesmo nome de uma obra do filósofo: Eis, o Homem (Ecce Homo).
    Com ele se vai uma geração que não se vê mais nos meios de comunicação de uma maneira geral.
    Resta a nós, que ficamos, tentar nos contentar com espasmos de lucidez em meio a este oceano de mediocridade.
    Sant’Ana vai declamar com Quintana, cantar com Lupicínio e, quem sabe, debater futebol com Cláudio Cabral.

    • Ilgo Wink

      Vai debater futebol com o Foguinho, nunca com o Cabral, ehehehe

  • Walter Luis Borba

    Sou sincero: Nunca li um livro escrito pelo Santana. E raramente lias as colunas, salvo, quando ele escrevia sobre o Grêmio!
    Isso não quer dizer que eu não goste do Santana…
    Pelo contrário, eu sempre me contagiei com o modo dele torcer para o Grêmio, aquele amor incondicional destinado para o Grêmio.
    Se me emociono e choro quando o Grêmio ganha, ou perde naqueles jogos doloridos….é por conta do Paulo Santana…

    Sempre tive comigo…
    Se Paulo Santana chora pelo Grêmio no rádio, na TV, no Estádio….
    Por que eu não posso chorar pelo meu tricolor!!!

    Ps: “….quando é pequeno e você chora por futebol, os adultos chega junto e diz, não chora, não vale a pena, eles nem dão bola para você….”

    Isso acontecia várias vezes comigo, principalmente, na escola.

    Mas Paulo Santana, mesmo nas derrotas se fardava e estufava o peito com a tricolor.

    Isto era um balsamo para mim, especialmente, em 1995 quando tombamos para o Ajax….
    No outro dia, após a derrota, em com meus 15 anos botei minha camisa tricolor, e fui para escola, avalizado por Paulo Santana que não se envergava na derrota.

    • Ilgo Wink

      belo relato

  • Querubini

    Paulo Sant’Ana seria chamado de urubu pelo Copião…

    • Lucas Eduardo Pavão

      Esta briga de vocês parece eterna…….nem os mortos foram poupados.

      • José da Silva – COPIÃO DE TUDO

        Lucas, como diz o Ilgo, os Urubulinos estão de ”tocaia”. Oremos.

    • GremioSempre

      Desnecessário comentario tchê… não cabe neste momento triste,mas pelo que vejo em vez de cavalo a foto é de um jumento.

    • José da Silva – COPIÃO DE TUDO

      Querubini, procure um jeito de ser feliz, meu rapaz, seja um Gremista. O grande Paulo Sant’Ana foi um grande Mito & Gênio, e disso tu não entende, com certeza.
      Quem te batizou de Urubu não foi eu, seja mais inteligente, tente, invente, seja diferente.
      Saudações Tricolores, curta esse momento e bom final de semana, véio.

  • Lucas Eduardo Pavão

    Dia muito triste hoje para todos os Gremistas, nem tem o que falar neste dia. Quis o destino que ele fizesse a passagem num dia de vitória do nosso amado Grêmio.

  • FERNANDO

    Paulo Sant’Ana era o último dos moicanos, o último gremista que botava o dedo na cara e batia de frente com os colorados enrustidos e com os assumidos da imprensa esportiva gaúcha. Há nos dias atuais o Cacalo, que também não deixa barato, mas Sant’Ana partia para a briga com que quer que fosse, sem medo e sem papas na língua. Que falta que ele está fazendo em uma imprensa constituída na sua maioria por jornalistas que se dizem ser “isentos” e “imparSCIais”.

    • Ilgo Wink

      ele foi valente, ia pra cima dos caras

  • Gustavo Medeiros

    Estou a alguns dias sem escrever, só lendo algo aqui e ali.

    Acabei de escutar, no blog do RW, um áudio, intitulado “O melhor início do Sala de Redação dos anos 2000”.

    Eu escutei aquele programa ao vivo. É lendário.

    Como o RW escreveu: “Saudades de um programa que não existe mais”.

    Como a imprensa mudou no RS. Perdemos um ícone, um líder, um raio de sol no meio das nuvens pretas. Grandes textos, grandes jornalistas, se foram ou abandonaram os jornais. E isso te incluo Ilgo. Continuo, e não tenho porque deixar, de gostar muito do teu texto, mesmo não concordando as vezes com ele. E me sinto honrado de teres deixado eu escrever meia dúzia de vezes o post principal do antigo Boteco.

    Descanse em Paz Santana. A imprensa do RS, está cada dia está mais pobre.

  • GremioSempre

    Os lobos em pele de cordeiro hoje se debruçam em luto pelo nosso Imortal Paulo Santana quanta falsidade que escuto e leio.