Grêmio para no goleiro e na arbitragem

Dizer que o o árbitro Bráulio Machado foi mal-intencionado seria para ele um elogio, porque partiria do pressuposto de que ele, sendo bem-intencionado, poderia ter uma atuação digna, correta, eficaz.

Não, esse árbitro catarinense não poderia ter uma atuação boa pelo simples fato de que seu problema é mais grave. Trata-se de uma questão de ser competente ou não.

Neste empate por 1 a 1 com o Santos, na Arena, o sr. Bráulio foi incompetente, sem qualificação para comandar um jogo entre dois clubes que ainda podem ameaçar, mesmo remotamente, o título do Corinthians.

Esse juiz vai ter de conviver com sua incompetência, e eu vou dormir com minha raiva, minha revolta.

Coincidência ou não, o empate foi ótimo para o clube paulista, que, aliás, também foi prejudicado pela arbitragem. Teve um gol legítimo anulado. Quem foi o beneficiado? Outro queridinho, o Flamengo.

Não é fácil para qualquer juiz apitar o duelo entre os dois queridinhos. A quem beneficiar?

Nesse jogo na Arena, onde mais uma vez o Grêmio se impôs e criou inúmeras situações de gol, chamou minha atenção o conivência do juiz com as faltas cometidas pelos santistas, muitas delas ele deixou passar em branco.

É o tipo de arbitragem que favorece o time que se contenta com um empate.

Edílson, por exemplo, esquentou a cabeça. Acabou expulso por uma bobagem faltando alguns minutos para o jogo terminar.

Tolerante com os santistas, o sr. Bráulio – que Deus o mantenha longe da Arena, o Grêmio não se dá bem com juízes catarinenses – foi enérgico e rigoroso com os gremistas. O capitão Maicon levou amarelo por reclamação.

O volante Yuri, que deveria ter sido expulso por uma entrada por trás no início do segundo tempo, e deveria ter levado o segundo amarelo, foi deixado livre. Esse tipo de decisão realmente incomoda o time prejudicado, no caso, como na maioria das marcações do juiz, o Grêmio.

Nem vou comentar um pênalti sofrido por Éverton, num lance em que o juiz talvez não tivesse a melhor visão para ter certeza de falta.

Fez bem o técnico Renato Portaluppi em não reclamar da arbitragem. O corporativismo dessa categoria é grande. Gostei também do recado dele, que seu time não é de freiras ou de padres, que não vai se encolher diante de um adversário mais preocupado em bater, como foi o Santos.

Tanto o Santos não conseguiu jogar que Marcelo Grohe não fez nenhuma defesa. Os anti-grohistas podem repetir a cantilena: de novo, uma bola em gol, um gol. Não importa o grau de dificuldade.

Aqueles que criticaram Grohe por defender uma bola para a frente certamente vão criticar Vanderlei, goleiro destaque do Brasileiro, que também defendeu uma bola para a frente, não para os cantos como deve ser quando possível. Não sendo possível, defende de qualquer jeito. Para Vanderlei vale a defesa de qualquer jeito, para Grohe, não.

Mais uma vez o Grêmio parou no goleiro. A arbitragem atrapalhou, mas Vanderlei atrapalhou muito mais, foi decisivo. Assim como tinham sido Cássio e Douglas, do Avaí.

Neste jogo contra o Santos flagrei um defeito do ataque gremista: a insistência em buscar o gol bonito, com tabelas curtas e dribles  pelo meio, buscando a jogada consagradora.

Um pouco mais de simplicidade talvez o Grêmio tivesse vencido. A gurizada do Grêmio parece contaminada com essa história de futebol mais bonito do país. Não entrem nessa, que é o primeiro passo para perder.

No mais, foi uma atuação muito boa, ainda mais considerando-se o adversário, altamente qualificado.

Misto mantém padrão e bate o Atlético

A vantagem alcançada pelos 4 a 0 na Arena era mesmo muito difícil de ser desmanchada. Mas há exemplos apontando que no futebol tudo pode acontecer.

Por isso, quando o Atlético PR fez 1 a 0, logo aos 15 minutos, saí do modo cruzeiro para entrar no ‘apertem os cintos’.

Ainda não me acostumei com esse time do Renato, porque sou assombrado por duas décadas de martírio. Já devia saber que esse Grêmio do Renato é capaz de atravessar nuvens carregadas com serenidade e destemor.

Não demorou muito e lá estava Pedro Rocha, que agora deu pra imitar os cortes que Renato deu no zagueiro do Hamburgo na conquista do Mundial. Ele recebeu pela esquerda, armou para chutar e cortou para dentro, batendo forte no canto oposto do goleiro, um golaço! Já havia feito pelo menos uma jogada assim.

No intervalo, o Atlético voltou decidido a fazer um milagre, empilhar gols e evitar outro gol do Grêmio.

Não conseguiu nem uma coisa nem outra. E isso já era previsto. Éverton entrou no lugar de Jailson. Renato já deu provas de que não curte muito trocar volante por volante. Meteu logo um atacante para aproveitar os espaços defensivos fornecidos pelo Atlético.

Pois Éverton fez 2 a 1, um balde de água gelada no adversário. E o passe foi de quem? Do vilipendiado Bressan, que cabeceou consciente para Éverton concluir sem chance para o goleiro.

Depois, Éverton lançou Pedro Rocha que simplesmente driblou o goleiro com uma tranquilidade que ele não tinha e agora tem.

O Atlético ainda fez o segundo gol, nos acréscimos. Uma cobrança de falta que desviou na barreira e deixou Grohe sem ação.(ATENÇÃO, ERREI, A BOLA NÃO DESVIOU, FALHA DO GROHE). É claro, não faltarão críticas ao Grohe, tipo ‘vai em gol é gol’.

Importante destacar que mesmo com um time misto o Grêmio manteve mais ou menos o seu padrão de jogo, mostrando que estamos diante de um time, e um grupo, bem treinado.

Resultado do trabalho do técnico que trocou as areias do Leblon para dar aula de como se arma um grande time sem precisar voltar aos bancos escolares.

SEMIFINAL

Agora, o Grêmio pega o Cruzeiro. Semifinal da Copa do Brasil. São quatro jogos separando o Grêmio do hexa. Passando o Cruzeiro, pega o vencedor de Flamengo e Botafogo. Flamengo que conseguiu a vaga de forma polêmica contra o Santos.

Vuaden marcou pênalti a favor do Santos. Falta de Réver, pênalti a meu ver claro. Mas Vuaden, atendendo ao chamado do quarto juiz, que estava longe do lance, voltou atrás. Um absurdo do juiz da federação noveletiana.

E assim vai o futebol brasileiro…

Grohe, Gumex e os eternos implicantes

O torcedor de futebol é um implicante.

Lembro que não gostava das entrevistas do Tite em sua passagem – vitoriosa – pelo Grêmio. Parecia um autor de livro de autoajuda. Na redação do Correio do Povo eu o chamava de Lair Ribeiro. Pura implicância.

Mas sempre reconheci no Tite um grande treinador. Aliás, tempos depois de sua saída por causa daquela bobagem das ovelhinhas, escrevi que por mim Tite teria contrato vitalício com o Grêmio. Ou quase isso.

Desde, é claro, que mudasse o seu discurso, que hoje está bem melhor.

Então, também sou um implicante. Hoje, por exemplo, implico com quem implica com Renato Portaluppi, o melhor treinador em atividade no futebol brasileiro.

Tem gente que implica com o jeito marrento do Renato, com sua sinceridade, com suas frases provocativas,  com sua mania de dizer a toda hora “meu grupo” (acho que não precisava repetir isso).

Tem até gente implicando quando o Renato não se contém e solta um “sou gênio”, coisa que eu mesmo faço quando tenho uma boa ideia (o que é raro) ou quando elaboro uma frase genial (o que é mais raro ainda). Li que o Paulo Sant’Ana também soltava seguidamente um “sou gênio” na redação da ZH. Quem nunca?

O torcedor implica com qualquer coisa, principalmente quando o alvo é um jogador que ele não gosta.

Hoje, o preferido de nove entre dez gremistas (exagero, claro) é o Marcelo Grohe. Já li nas redes sociais um pessoal implicando com o fato de Grohe ser muito religioso.

Outros implicam com a cara de bom moço do Grohe, o genro que todo pai quer para sua filha.

Quase saí de costas quando descobri que há gremista implicando com o cabelo de Grohe. Um amigo meu é um deles. Tem até um grupo no whats só pra falar do goleiro gremista. E aí dá de tudo.

Mas o que tem o cabelo do Grohe?, perguntei, e logo me arrependi de ter levado a conversa adiante.

Meu amigo (fã ardoso do Danrlei com seu jeito de bad boy, antes de entrar para a política) respondeu, e eu vou resumir:

-O Grohe tem o cabelo engomadinho, todos os fios no lugar. Goleiro não pode ter cara de bom rapaz. Goleiro não pode ser todo certinho. O problema é que o Grohe é tão certinho que até quando quer cometer algum tipo de malandragem no jogo acaba exagerando, como no caso das tentativas de fazer cera pra ganhar tempo. E aí o juiz flagra a falsa malandragem, justamente porque Grohe não é malandro. Esse negócio de enganar a arbitragem não combina com o jeito do Grohe. Pra começar, ele teria de parar de usar Gumex no cabelo.

Esqueci de dizer, esse meu amigo é um sobrevivente dos anos de chumbo do Grêmio, a década de 70. Gumex era um fixador de cabelo dos anos 50, que durou até anos 60/70.

A título de curiosidade. Tem uma frase, criada pelo grande Ari Barroso – autor do clássico Aquarela do Brasil -, que era narrador de futebol. Num determinado jogo lascou uma frase que é repetida até hoje:

– Dura Lex sed Lex, no cabelo só Gumex.

Sei lá se Grohe usa Gumex ou coisa parecida, isso realmente não importa. O fato é que ele tem sido condenado até quando não falha, como aconteceu no empate com o São Paulo. A meu ver, pura implicância.

 

Grêmio consagra mais um goleiro

Enquanto o São Paulo saiu de campo comemorando o empate, o Grêmio deixou o Morumbi lamentando o 1 a 1 e a perda de 2 pontos.

A artilharia ofensiva do Grêmio consagrou mais um goleiro, Renan, que fez algumas grandes defesas e evitou a derrota de seu time. No outro lado, Marcelo Grohe quase não trabalhou.

O maior risco que Grohe sofreu, depois do lance do gol sãopaulino, partiu da estupidez de um torcedor (?), que tentou prejudicar o goleiro com raio laser, fato que precisa ser colocado na súmula, além dos gritos de ‘bicha’ contra Grohe.

Então, num jogo em que merecia ter feito pelo menos mais um gol, o Grêmio só empatou – em circunstância igual o Corinthians, com a sorte atual, teria goleado. Isso significa que será muito difícil impedir que o título fique nas mãos do clube paulista, competente e sortudo.

É claro que o torcedor sempre acredita, ainda mais quando veículos de comunicação insistem em bater na tecla de que o Grêmio pode conquistar três títulos este ano. Não é impossível, mas a chance é quase zero. Até poderia ocorrer se não houvesse um Corinthians com essa campanha extraordinária e sem tantos compromissos quanto o Grêmio.

Em relação ao jogo desta noite, é preciso destacar acima de tudo o lance de força, velocidade e habilidade de Pedro Rocha, aproveitando lançamento de Luan. Foi o melhor momento do jogo, seguido de duas ou três defesas de alto brilho do goleiro Renan.

Penso que ninguém mais tem dúvida sobre a importância desse jogador, que além de levar perigo ao adversário ainda ajuda muito na marcação.

O Grêmio teve maior controle do jogo no primeiro tempo, marcando bem, tocando a bola e explorando contra-ataques, mas levou mais perigo no segundo, já com Fernandinho no lugar de Arthur, que já dava sinais de cansaço.

É importante registrar que Lucas Barrios fez falta. Penso que Renato poderia ter começado com um atacante, Éverton ou Fernandinho, no lugar de um dos volantes. Aliás, Fernandinho, de novo, entrou muito bem e isso aumentou o poder de fogo gremista.

Se dependesse de mim, o time começaria com Éverton e Pedro Rocha abertos com Luan chegando pelo meio. Talvez perdesse em marcação, mas ganharia em velocidade na frente.

A meu ver, Renato respeitou demais o São Paulo. Ainda assim criou mais chances e poderia ter vencido.

TREM PAGADOR

O maior público do Brasileirão foi Grêmio x Corinthians, mais de 54 mil torcedores. O segundo, o jogo desta noite, com mais de 51 mil no Morumbi.

Renato e o despeito de Muricy

Só pode ser brincadeira do Muricy.

Talvez por preservar um coloradismo latente em função do clube que o projetou; talvez por amizade aos  nomes citados; ou talvez por não querer admitir que um profissional que não glamouriza a profissão de treinador de futebol esteja se destacando tanto; ou talvez por tudo isso ‘junto incluído’.

O fato é que o Muricy, hoje comentarista de futebol da SporTV – a mesma que escala outro colorado, o Batista para jogos do Grêmio, irritando dez entre dez gremistas -, simplesmente não relaciona Renato Portaluppi entre os três melhores técnicos do futebol brasileiro no momento – penso que Tite não foi citado por não estar em clube no momento, senão o absurdo seria maior.

Muricy cita Jair Ventura, do Botafogo; Fábio Carille, do Corinthians; e Abel Braga, do Fluminense.

Leiam:

“É  Jair, do Botafogo, está fazendo um trabalho de um time consciente, que sabe o que quer dentro de campo, muito bem treinado, e com muito pouco recurso. O Carille é outro fora de série dessa nova geração porque pegou um time que diziam em São Paulo que era a quarta força, aquela coisa toda, e ele soube saber as limitações do Corinthians. E o outro é o Abel Braga, que está fazendo um time de molecada porque o Fluminense não tem dinheiro, está muito mal financeiramente”.

Nenhuma lembrança, por mínima que seja, de Renato, o vice-líder do Brasileirão, e que só não lidera porque andou perdendo pontos por jogar com time reserva e ainda teve aquele ‘crime’ contra o líder Corinthians.

Renato é ‘só’ o treinador do time mais elogiado do futebol brasileiro na atualidade, mais até do que o Corinthians, que mantém aquele futebol pragmático implantado por Tite, no qual está claro que “o melhor ataque é uma boa defesa”.

Sem contar que Abelão andou levando uma surra atrás da outra do Renato.

Não sei, mas no fundo parece um pouco de despeito. Tem muita gente assim, até entre os gremistas, que não consegue elogiar Renato sem colocar um “mas”, um “porém” ou um “todavia”.

ESPERANDO ABELÃO

Tudo que o Inter queria agora é que Abel Braga estivesse desempregado. É o treinador dos sonhos da direção vermelha.

É só por isso que Guto ainda não foi demitido. A direção considera que qualquer outro nome dos que estão no mercado seria uma loteria.

Inclusive Dunga, que voltou a ser citado e que está mais do que disponível. E nome sugerido abertamente por cronistas colorados.

A direção seca o Fluminense na esperança de Abel ser demitido. O que talvez nem demore muito porque o Flu, que hoje perdeu pro Corinthians, faz campanha muito instável.

 

Roger, minha eterna gratidão

A demissão de Roger Machado era pedra cantada. Apesar de ter ganho o regional mineiro, Roger não conseguiu implantar no Galo, nem de longe, o futebol que o consagrou no Grêmio.

Técnico festejado pela mídia nacional por alguns meses, Roger acabou naufragando em sua primeira experiência longe da Arena. Roger não caiu, na verdade, apenas tropeçou.

Sinceramente, eu já previa que Roger teria muita dificuldade no Atlético. Jamais acreditei que ele poderia incutir em jogadores tipo cobra-criada, como Fred e Robinho, o tipo de futebol que implantou no Grêmio.

Se fosse fácil, outros times estariam jogando como o Grêmio, com muita troca de passes, muita posse de bola e paciência para furar bloqueios e vencer a marcação, que é cada vez mais forte e implacável.

Roger teve a felicidade de encontrar no mesmo time jogadores como Douglas, Maicon e, principalmente, Luan, jogadores cerebrais e muito técnicos.

Não sei se eles compraram a ideia de futebol do Roger ou foi o Roger que comprou a ideia deles. Acho que foi uma construção coletiva, que aflorou ao natural depois do insucesso de Felipão.

Roger teve o grande mérito de extrair o melhor do grupo que dispunha e que Felipão não soube aproveitar, talvez muito ancorado no futebol mais verticalizado e com o time voltado a apenas um jogador, o centroavante, o aipim fincado na área a espera de cruzamentos.

Roger disse que nunca armaria um time para jogar para um jogador, no caso o centroavante cabeceador.

No Atlético, foi o que ele encontrou, um centroavante renomado, decadente mas renomado. Ao lado dele, um Robinho também descendo a ladeira.

Mas o principal é que eles precisariam aderir à proposta de jogo de Roger. Pelo que se vê não aderiram. É um sistema que exige muito de cada jogador, muita dedicação, muito empenho, muito esforço físico.

O fato é que Roger foi demitido, e me surpreendi ao ver que um bom número de gremistas ficaram felizes com a queda do cara que montou essa estrutura de jogo, os alicerces de um time que hoje por vezes encanta.

Tudo começou com Roger, que só não foi adiante porque chegou ao seu limite como técnico iniciante, e de reluzente futuro.

Importante registrar que enquete feita com torcedores do Galo apontou que o grupo de jogadores é o culpado pelo mau momento do time, com 53,15%. Roger e a direção dividem o restante da culpa.

É claro que Roger, agora, precisará tirar um tempo para avaliar exatamente o que aconteceu para poder iniciar outro trabalho com mais possibilidade de sucesso.

Eu estarei aqui torcendo para que ele encontre o caminho certo para seguir em frente. No mais, serei eternamente grato ao Roger pelos momentos felizes que ele me proporcionou como técnico gremista.

Só espero que daqui a pouco ele não acabe no Inter, que, pelo jeito, logo estará trocando de treinador.

 

Sant’Ana, antes de tudo um grande gremista

NOTA DO MOVIMENTO GRÊMIO MULTICAMPEÃO

Paulo Sant’Ana surgiu de repente, como um meteoro. E se foi lentamente, como se fossem muitas mortes, uma para cada uma de suas personalidades.

O Grêmio perde um de seus mais fervorosos torcedores. O Movimento Grêmio Multicampeão lamenta essa perda inestimável.

Desde seu começo lá pelos anos 70 como participante alucinado de programas esportivos na televisão – sempre com o manto tricolor – e, depois, no rádio, no longevo programa Sala de Redação, defendendo seu Grêmio com ardor e paixão, como fez ao longo de toda sua trajetória nos meios de comunicação.

Sant’Ana revelou-se um grande comunicador e, rapidamente, conquistou admiradores e, claro, alguns desafetos, porque não poupava adjetivos para o bem ou para o mal.

Foi um guerreiro isolado, qual um Don Quixote, combatendo aqueles que de uma forma ou de outra, na visão dele, queriam prejudicar o clube do seu coração. São antológicos, por exemplo, seus artigos contra a arbitragem gaúcha.

Quando ganhou uma coluna nas páginas de esporte do jornal Zero Hora, Sant’Ana mostrou que chegava para ficar. Causou alvoroço quando assinou uma coluna, bombástica para a época, revelando quem eram os gremistas e colorados da imprensa gaúcha.

A partir daí, alçou um voo que transcendeu a editoria de esportes e pousou na penúltima página, onde passou a escrever sobre os assuntos mais variados, sempre com talento e perspicácia. Não raro, retomava o futebol como tema, buscando na maioria das vezes contribuir com o Grêmio, ao seu jeito, franco e apaixonado.

O gremista Paulo San’Ana tornou-se o colunista mais conceituado do Estado. Sempre polêmico e por vezes poético. Duro e sensível. Implacável contra desmandos de qualquer ordem.  Muitos leitores adquiriram o hábito de ler o jornal de trás para frente.

Só isso já prova o quanto Paulo Sant’Ana foi marcante em todos esses anos. Exagerado, por vezes, mas sempre autêntico na crítica ou no elogio.

Perdemos um grande companheiro. Mas temos convicção de que lá de cima, ao lado de outros grandes gremistas, como Lupicínio Rodrigues, ele estará sempre com o Grêmio onde o Grêmio estiver!

Fique em paz, Sant’Ana. São os votos do Multicampeão!

Fernandinho deslancha nas mãos de Renato

Fernandinho é a prova (mais uma) de que os deuses do futebol, reunidos em algum conclave celeste, decidiram abençoar e proteger o Professor Renato Portaluppi, concedendo-lhe, entre outras coisas, o poder de transformar água do Dmae (ou da Corsan) em vinho, e do bom.

O escanteado Fernandinho, que só entrava no time pra ver se aparecia algum clube pretendente, sob orientação do mestre Renato cresceu e, por seus méritos e insistência do treinador – contrariando a vontade de 9 entre 10 gremistas – se transformou num jogador importante. Por vezes, decisivo.

Foi assim contra o Vitória, em Salvador. Um time ferido, cambaleante, pode ser muito perigoso. Mas o Grêmio, mesmo sem sua estrela maior, Luan, se impôs na casa do adversário e voltou de lá com uma coruscante (de novo imitando o David) vitória.

Fernandinho sofreu falta na entrada da área. Ele mesmo cobrou, ao estilo Luan, e balançou a rede. Depois, numa jogada marca registrada do Grêmio – ninguém faz igual -, ele recebeu de Pedro Rocha, viu a chegada de Arthur e encostou para o guri com delicadeza, como quem diz ‘faz’. E Arthur, que não é bobo nem nada, fez.

No começo da jogada, a visão e a categoria de Maicon, que enfiou uma bola sob medida para Pedro Rocha.

No segundo tempo, o Vitória descontou e até deu um susto. Na torcida. Porque o time já não se assusta com nada. Thiery entrou tão bem que ninguém sentiu a falta do grande Geromel, que sentiu lesão no vestiário, no aquecimento.

Éverton, que havia substituído Lucas Barrios, lesionado, vislumbrou Ramiro chegando de trás e mandou-lhe a bola. Na risca da grande área, o Pequeno Grande Volante dominou e mandou um torpedo: 3 a 1.

Foi mais um momento mágico do Professor Renato e seus pupilos. O Grêmio segue na cola do Corinthians, bafo na nuca.

É o único time que ainda tem condições de preservar um pouco de emoção na briga pelo título com os paulistas, talvez até as últimas rodadas.

A CBF e a rede Globo devem isso ao Grêmio.

O gol do Inter e a regra 11

Ao ler comentário de um analista de arbitragem – que, aliás, todo torcedor não deixa de ser – de que a regra 11 estaria validando o lance de gol do Luverdense basicamente porque Pottker, em posição de impedimento, não tocou na bola no início do lance.

Quem se der ao trabalho de ler o tal artigo no livro de regras lançado pela CBF, edição 2016/2017, verá que a coisa não é tão simples.

O articulista sonegou, por exemplo, um trecho importante, lembrado apenas pelo ex-árbitro Sálvio Spíndola, que criticou a arbitragem por ter validado o gol do Inter.

A regra diz que o jogador (Pottker) estará penalizado se estiver interferindo em um adversário de alguma maneira, como as duas abaixo que copiei do livrinho:

– Impedindo um adversário de jogar ou de poder jogar a bola ao obstruir
claramente sua linha de visão ou;
– disputando a bola com o adversário;

Tirem suas conclusões. Eu concordo com Sálvio. Gol ilegal.

O que me inquieta, e preocupa, é a análise simplista dos ‘analistas de arbitragem’ da aldeia, que se limitaram a um aspecto, o mais conhecido, da regra, que, por coincidência, é o que beneficia o Inter.

Confiram o vídeo de Sálvio, didático e imparcial:

http://cornetadorw.blogspot.com.br/2017/07/analista-humano-acima-do-mampituba.html

http://espn.uol.com.br/video/711897_salvio-explica-por-que-polemico-gol-do-inter-foi-irregular

Caso Aranha: Grêmio precisa reagir

Há uma campanha sórdida em andamento. Um movimento que busca atribuir ao Grêmio a pecha de clube racista. Mais do que isso, o mais racista do país.

Acontecem atos de injúria racial seguidamente em todos os locais. Um jogador do Inter (Victor Cuesta) foi acusado recentemente. E ninguém fala mais nisso. E se fosse um jogador do Grêmio?

Com certeza seria incluído no programa que a TV Globo anuncia para esta quarta-feira, dia 19, quando volta a abordar o caso Aranha dentro da temática do racismo.

A emissora, em seu site, apresenta assim o programa:

‘O repórter Guilherme Belarmino acompanhou o goleiro Aranha, da Ponte Preta, que no último fim de semana jogou em Porto Alegre contra o Grêmio. Durante o jogo, o goleiro foi vaiado toda a vez que pegava na bola. Há três anos, o Grêmio foi desclassificado da Copa do Brasil depois que a torcida atacou o então goleiro do Santos com ofensas racistas.’

O Grêmio já foi dura, e injustamente, punido. Afinal, respondeu pelo desatino de uma torcedora (não de uma torcida, como faz crer a reportagem). De nada adiantou identificar e responsabilizar a infeliz.

O goleiro Aranha, ciente de que seria destaque do programa sobre racismo, veio preparado. Foi um ator o tempo todo. O cinegrafista estava atento, esperando, por certo, outra manifestação racista. Que não veio. Imagino a frustração da equipe de TV.

No final, fez cara de vítima para os repórteres. Bem diferente daquele Aranha agressivo e homofóbico dessa entrevista de abril deste ano.

ARAPUCA

Foi armado um circo dentro da Arena. Eu diria que foi armada uma arapuca. Vai que no clima tenso do jogo aparece outro torcedor desvairado…

Agora, triste também a postura de certos jornalistas da aldeia, aliás os mesmos que cobraram punição exemplar ao Grêmio naquela ocasião e que hoje se calam sobre o caso Victor Cuesta.

Gente que conhece a história do Grêmio e ainda assim o rotula de clube racista. (Uma história que o jornalista Léo Gerchmann conta em detalhes em seu livro ‘Somos azuis, pretos e brancos’.)

Um clube que tem o negro Everaldo, em forma de estrela, em sua bandeira. Que teve em seu Conselho Deliberativo um negro, Alceu Colares, que acabou governador do RS.

Aliás, o estado mais racista, segundo o goleiro, já elegeu um negro.

Penso que está passando da hora de uma tomada de posição mais firme da direção contra essa tentativa de colocar o Grêmio como referência de racismo no futebol.

Se demorar mais um pouco, será tarde demais.