Contagem regressiva para Silas

Alguém contou quantas vezes o Grêmio esteve a ponto de marcar um gol contra o poderoso Prudente?

O time titular (sim, o titular) de Silas foi bisonho. Perdeu por 2 a 0, mas poderia ter levado mais um ou dois gols que não seria injustiça. Ah, e jogou mais da metade do segundo tempo com um jogador a mais, mas foi como se o adversário estivesse com onze também.

Victor voltou a ser o grande goleiro que conhecemos.

É possível que alguém lembre que o Grêmio teve um pênalti a seu favor, mas que o juiz marcou fora da área. Os comentaristas de rádio referiram esse lance, quase no final da partida.

Mas é muita mediocridade exigir que o juiz acerte quando o time todo foi um erro só, erros individuais e, o principal, o erro coletivo de um sistema que não funciona porque simplesmente não tem um comando competente.

Um aparte: alguém ouviu algum dirigente ou algum jogador protestar contra a arbitragem? Foi de vergonha? Ou foi porque não tem ninguém no vestiário para erguer a voz e ao menos registrar seu protesto em nome da instituição?

O Grêmio de Silas, de Meira e de Duda é isso. Perdido e desorientado em campo, sem rumo, sem comando fora dele.

Alguém aí perdeu seu tempo ouvindo as vozes do vestiário gremista? Silas chegou a dizer que é preciso também ver o outro time, que jogou muito bem e foi melhor. O outro time deve ter sido o Chelsea, o Barcelona, não o modesto Grêmio Prudente.

O sr Meira manteve inalterado seu tom de voz. Na alegria e na tristeza sempre a mesma coisa. Lá pelas tantas admitiu pressão interna para trocar o treinador, mas observou que está difícil encontrar alguém para o cargo e insinuou um pedido de sugestões. Algo assim: não adianta só pedir a saída de Silas, precisa indicar um substituto.

E eu que pensava que o diretor de futebol é que deveria ter essa resposta, porque está ali justamente para enfrentar esse tipo de situação.

Se ele não sabe, não seria o caso de encontrar alguém de saiba e colocar no lugar?

Silas na semana passada projetou dez pontos em 12. No primeiro jogo, conquistou apenas um. Neste domingo, zero.

Agora, a minha projeção: o Grêmio vai conquistar dois pontos em 12. Tem o Vasco e o Cruzeiro pela frente.

O Grêmio chegou à zona de rebaixamento mais rápido do que eu havia projetado há uns dois meses, quando fui criticado por alguns botequeiros, chamado de pessimista, ave agourenta, e sei lá mais o quê.

Eu escrevi que o Grêmio se continuasse com Silas depois da Copa seria candidato ao rebaixamento. Se insistir com ele, a queda será inevitável. Penso que agora isso já é unanimidade.

O pior é que não sei se só a saída de Silas vai adiantar alguma coisa.

SAIDEIRA

Para agravar o quadro febril do Grêmio, temos o Inter acumulando seis pontos em dois jogos e já se aproximando da zona da Libertadores.

E não apenas isso, o que já é muito, porque o negócio é somar pontos, o time de Roth está jogando um futebol convincente. Ainda não entusiasma, mas joga para o gasto e vai subindo, enquanto o Grêmio cai.

Agora, os fãs de Pato Abondanzieri devem ter perdido um pouco de seu entusiasmo juvenil em relação ao goleiro. Ele falhou no gol do Ceará, faltou-lhe agilidade e reflexo.

Imaginem se isso acontece contra o São Paulo…

FECHANDO A CONTA

Tite seria o treinador ideal, mas sem Meira no comando. E teria de mudar também a preparação física, imagino eu. Então, descartado. Ou não?

Adilson Batista não me entusiasma, mas é melhor que o Silas. Dorival Jr é outro ofensivista.

O velho Moura

Um dos maiores orgulhos de Paulo Moura era contar que ninguém sabia qual a cor do seu time.

– O Petry (Rudi, um dos mais importantes dirigentes do Grêmio nos anos 60 e 70, e sempre muito influente) nunca descobriu qual o meu time. Ele dizia que sabia o time de todos os repórteres, menos o meu -, lembrava, todo orgulhoso.

Esse curto relato ouvi dezenas de vezes ao longo de mais de 20 anos de convívio com o Moura na redação do Correio do Povo, desde os tempos do ‘jornal grande’, tamanho standard, ao atual.

Moura trabalhou quase cinco décadas na Caldas Júnior. Começou na antiga Folha Esportiva, na curva dos anos 50 para os 60.

Moura era um grande profissional, uma formiguinha para trabalhar. Sentava e já dedilhava sua Remington, ou Olivetti. Lembro da transição da máquina de escrever para o computador, isso há uns 20 anos.

– Eu nunca vou aprender a trabalhar com isso. Tenho que largar – resmungava.

Mas Moura aprendeu, assim como eu e outros dinossauros.

Moura não era de muita brincadeira no trabalho. Era compenetrado, mas aos poucos era envolvido pelo clima ruidoso da editoria de esportes. Outras vezes, reclamava de uma risada mais espalhafatosa (claro, do Chico Izidro), das broncas do Possas, das piadas, das conversas paralelas em tom elevado, das brigas do Chicão com o Possas, etc.

– Vocês não trabalham, não tem o que fazer?

Reclamava também do Agenda Negativa, apelido que dei ao Carlos Corrêa, que sempre vinha com notícia ruim dos clubes.

Agora, se derretia para a Mariana, a dama do esporte. A primeira a se firmar na editoria depois de décadas de domínio de cuecas.

Conquistador inveterado, distribuia balas para as gurias da redação. Só para as mais belas. A Vivian, então na diagramação, o explorava. Todas as noites se encostava ao lado do Moura, com um sorriso sedutor e voz melosa.

Moura já sabia. Abria sua gaveta discretamente e entregava balinhas com um olhar safado que ficava acompanhando a Vivian se afastar feliz.

Enciumada, a Mariane, que só comia alface e tomate quando se incorporou à nossa equipe, também aderiu às ‘balinhas do Moura’.

E eu ali, ao lado do Moura, esse tempo todo, sempre lançando umas pegadinhas para ver se ele se traía em relação ao seu time do coração.

– Moura, um dia a gente vai te dar um porre e tu vai se abrir – eu o provocava.

Ele sorria e garantia que nunca seu segredo seria revelado. De vez em quando ele se traía, o que gerava meia hora a mais de bagunça na editoria.

A gente brincava também com o saudosismo dele no futebol. Ele não se cansava de citar craques do passado, normalmente do Grêmio, como o Gessy, o Juarez, o Airton. Por que será?

– Hoje é tudo japonês -, repetia.

Foi o que ouvi do Moura quando o vi pela última vez num churrasco de confraternização, há uns 20 dias, quando conversamos rapidamente sobre a Copa do Mundo. Ele dizia que só tinha visto seleção ruim.

Logo que me viu, ele reclamou que eu saí do jornal sem me despedir. Respondi que foi uma decisão repentina, que não deu tempo…

Moura brincou muito com a gente aquela noite. Bebeu muita cerveja, não como nos velhos tempos, em que ele era dos últimos a deixar a mesa. Perguntou como eu me sentia depois de deixar o CP. Só sinto falta de vocês, das nossa amizade, nossas brincadeiras, respondi.

Moura parecia mais cansado, mas estava animado como sempre, brincalhão. Rimos muito.

Moura saiu mais cedo do que de costume. Colocou o seu boné. Eu o abracei com força. Sabia que ele estava meio doente. Ele sorriu quando nos separamos. Percebi uma sombra de melancolia naquele sorriso, naquele olhar.

Foi a última vez que vi o Mourinha.

A despedida final, mesmo, será daqui a pouco, neste sábado chuvoso e triste. Estou indo para o velório do meu velho parceiro, no São Miguel e Almas, junto ao estádio Olímpico.

Já não verei o sorriso generoso e amigo do velho Moura.

'Um dia o Grêmio ganha fora'

Ainda com os dedos congelados, arrisco teclar. Além dos dedos congelados, virando picolé, fiquei de cabelos em pé depois de ler que o sr Meira, o brilhante estrategista e condutor da política de futebol do Grêmio, declarou que ‘um dia o Grêmio vai vencer fora de casa’.

Na era PS (Pré-Silas), o Grêmio vencia em casa e perdia fora. Hoje, tanto faz, perde ou empata em casa e também fora.

Eu cheguei a acreditar que o Silas daria uma boa resposta depois de acampanhar um pouco seu trabalho no Avaí. Concordei com sua contratação. Errei, mas erros no futebol podem ser corrigidos assim que detectados. A direção insiste em manter o erro.

Adilson Batista está desempregado. Sei que muita gente no Olímpico gosta dele. Mas quem manda é o poderoso sr Meira, diante da omissão do presidente do clube.

O Dorival Jr, prioridade do clube anteriormente, está a perigo no Santos. Sofre contestações das principais estrelas.

Talvez os doutos do Olímpico estejam esperando sua queda, pode ser.

Ou talvez acreditem em milagres, ou seja, que Silas tem condições realmente de armar um time em condições de brigar por vaga na Libertadores. Claro, título do Brasileiro nem pensar.

Noite de 'terrir' no Olímpico e o (des) comprometimento

É fácil prever o que vai acontecer nos jogos do Grêmio. Antes do jogo contra o Vitória, disse a um amigo que se preparava para ir ao Olímpico na noite gélida:

– Será um filme de terror, não vai.

Depois, me ligou de dentro do estádio. Estava apavorado. Posso imaginar o quanto ele sofreu, ele e todos que foram ao jogo ver que o Grêmio, depois de 40 dias de pausa, com todo o tempo para treinar e se entrosar, voltou ainda pior.

Eu vi o jogo pela TV, enrolado em cobertores, tomando sopão e degustando um vinho tinto que trouxe de Jaguarão.

Aconteceu tudo conforme eu imaginava. Foi um filme de terror, misturado com comédia pastelão. Antigamente se dizia um filme de ‘terrir’.

O Aprendiz quanto mais treina, mais piora o time. Sem contar o que já escrevi aqui: ele perdeu o comando.

Ele começou com Leandro. É possível que Leandro quando puder jogar cinco partidas seguidas sem sofrer lesão possa dar uma resposta melhor, é possível. Técnica ele tem.

Agora, é inegável que Maylson com sequência correspondeu. Mas Maylson sabe, e o Aprendiz faz questão de deixar isso claro, que ele não passa de um tapa-furo. Por mais que jogue e faça gols, irá para a reserva assim que Leandro estiver apto a jogar.

Vocês conseguem imaginar o quanto isso é ruim para qualquer profissional, principalmente para um oriundo da base ver os medalhões sempre privilegiados?

Situação assim serve apenas para tirar a confiança do jogador, no caso, de Maylson.

Por que não começar com Maylson e colocar Leandro no decorrer dos jogos até que ele prove de uma vez por todas que tem condições de resistir?

Coisas de Aprendiz, ou de técnico comprometido com os medalhões e com a diretoria que quer ver seus contratados jogando de qualquer jeito.

Nos últimos anos, nunca o Grêmio se mostrou tão frágil em sua casa, seu templo, como agora. Depois de mais de um ano acumulando vitórias no Olímpico, o Grêmio hoje já não mete tanto medo em seu estádio. Conseguiu perder para o Pelotas, imaginem.

O Aprendiz e essa diretoria estão fazendo ruir a mística gremista, que ainda sobrevive graças a jogadores como Adilson e à torcida.

Em contraponto, o Inter bateu o Guarani fora de casa. Vi partes do jogo. O Guarani é mais fraco que o Vitória, sem dúvida, mas jogava em seu estádio. O que importa é que vi um Inter organizado, que conseguiu trocar passes, que marcou bem e atacou com velocidade. É cedo para avaliar se é resultado do trabalho de Roth.

SAIDEIRA

Recuperando uma palavra muito usada por Dunga: comprometimento. Não vejo comprometimento do sr. Silas com a história, a tradição, a grandeza do Grêmio.

E isso desde a primeira vez em que ele foi vaiado e declarou que isso não importava porque havia outros grandes clubes interessados em seu trabalho.

SAIDEIRA II

Tenho que trabalhar com o que tenho, disse o Aprendiz. Ele tem um grupo de 4 milhões de reais mensais nas mãos.
O que ele tem é insuficiente? Como terá repercutido essa avaliação entre os jogadores? e entre os dirigentes que fizeram as contratações?
A casa está caindo. Pena que os doutos irão sobreviver.

Sindicato dos Jogadores perde ação para virada de mesa

‘O juiz Carlos Alberto May, titular 20° Vara do Trabalho de Porto Alegre, decidiu não acolher o pedido de antecipação de tutela solicitado pelos advogados do Sindicato dos Jogadores Profissionais do Rio Grande do Sul. Com isso, os atletas transferidos de clubes do Exterior devem aguardar a abertura oficial da janela de transferências internacionais. A decisão atinge em cheio as pretensões do Inter. Paulo César Tinga, Renan e Rafael Sobis, agora, dependem da autorização direta da CBF para serem inscritos e jogarem a Libertadores da América e o Brasileirão. O presidente da entidade, Ricardo Teixeira, deve se pronunciar hoje. A tendência é que antecipe a janela e autorize os clubes a efetuarem as inscrições de seus jogadores, como quer o Inter.’

Esta notícia é do sempre atento Fabrício Falkowski, mais conhecido como Bito Fura-Fura.

O Sindicato dos jogadores se quebrou nessa. Ainda bem, porque se existe um regulamento ele deve ser cumprido. Se fosse o SP reivindicando a inscrição de jogadores, não o Inter, como estaria reagindo a mídia isenta do RS?

Não precisam responder.

Aliás, o Sindicato sempre tão preocupado com a saúde dos jogadores gaúchos em relação a jogar com excesso de calor não vai entrar com ação judicial para vetar o jogo desta noite no Olímpico?

A previsão é de sensação térmica inferior a zero grau. Se o calor faz mal, o frio muito mais, conforme se pode ver nas emergências hospitalares, mais do que superlotadas.

Ah, como um país tão carente de coisas básicas pode se dar ao luxo de sediar uma Copa do Mundo, gastando bilhões só para atender exigências dos velhinhos da Fifa, beneficiando empreiteiros de todas as grandezas?

Dinheiro para construir e reformar estádio tem. Para leitos hospitalares, consultas médicas, procedimentos cirúrgicos, exames, etc, aí não tem.

Os otimistas do Olímpico

Ainda me recuperando da ressaca de Copa do Mundo, agravada com a derrota da ‘minha’ seleção, a da Holanda, não a do Brasil, busco forças para me empolgar com o capeonato brasileiro.

Não é fácil. Imagino que esse recomeço é difícil pra muita gente. Acho que até os jogadores vão demorar um pouco para cair na realidade dura e espinhosa o Brasileirão.

Os colorados voltam com um olho no brasileirão e outro na Libertadores. Imagino que isso ocorra também com o time colorado.

Já os gremistas retornam preocupados. O time que foi tão bem na Copa do Brasil – exceção das finais contra o Santos, mas aí por culpa do Aprendiz -, com o aproveitamento maior da gurizada da base, foi parcialmente desmontado.

Ninguém sabe qual é o time titular.

A pausa provocada pela Copa só fez mal ao Grêmio. Os resultados foram péssimos, culminando com a lanterna no torneio de Floripa. Mas o pior é a incerteza e a insegurança em relação ao time.

Vislumbro, além da onda de frio que avança prometendo congelar nossos ossos, nuvens sombrias pairando sobre o Olímpico.

Sei que vão dizer que sou pessimista, mas estou com José Saramago. Para ele, os pessimistas é que movem o mundo. Os otimistas sempre acham que está tudo bom e deixam como está.

Desconfio que os doutos do clube, Duda/Meira são otimistas.

Roth e Silas: a arte de perder o comando

O técnico Celso Roth vem a público informar que deu uma carraspana no bad boy do Beira-Rio, o D’Ale, pivô da queda do grande treinador Tite.

Roth disse que disse para o argentino rebelde que essa era a última vez que ele, D’Ale, sairia da linha (aquela encrenca com um jogador do Cerâmica no meio da semana). Que ele, Roth, não toleraria mais esse tipo de reação, que poderia se repetir num jogo e aí complicaria todo o trabalho.

Está certo o Roth em conversar com o jogador a respeito disso. Ele erra ao divulgar sua cobrança aos quatro ventos, ou seriam cinco ventos, ou seis, sei lá.

Qualquer manual de RH ensina que o chefe deve cobrar o subordinado discretamente, sem estardalhaço. Já conheci chefes, ou chefetes, que gostam de mostrar poder, de humilhar seus subordinados. Existem aos montes, inclusive na imprensa.

Roth gosta de mostrar que ele manda, que ele não deixa por menos.

Na minha opinião, a conversa com D’Ale, se realmente ocorreu, foi em outro tom, não da maneira impositiva como Roth deixa transparecer.

Acho que foi algo mais ameno. Algo como ‘Dalezinho, você não deve mais fazer esse tipo de coisa, cair na provocação do adversário. Você precisa se controlar, tá bem? Eu falo pro teu bem e o bem do time, não leve a mal, tá?’.

Desconfio seriamente que foi mais ou menos assim. É claro que posso estar enganado.
A favor da minha versão tem uma historinha.

Certa vez, no Grêmio, um treinador metido a turrão, homem de poucos sorrisos, cara fechada, pegou um jogador no meio do campo, depois de um treino. O jogador havia criado um problema e precisava levar uma dura.

Ele chegou no jogador (cujo nome esqueci) e disse baixinho que iria gesticular como se estivesse furioso, fazendo de conta que o cobrava com veemência, e coisa e tal.
O técnico ficou ali fazendo o seu teatrinho perante o restante do grupo, que estava mais afastado. O pessoal da imprensa viu aquilo e também pensou que a coisa era séria.

Depois, no vestiário, adivinhem: o jogador revelou aos parceiros que tudo não tinha passado de um teatro. É óbvio que o treinador perdeu o moral com os jogadores e não demorou muito para cair.

Treinador que é treinador de verdade se impõe de outra maneira.

Há duas semanas o técnico Silas quis dar uma de galo ao declarar que M. Fernandes não jogaria mais na zaga, que disputaria posição na lateral.

Não resistiu uma semana.

É por essas e outras (como falar primeiro pra imprensa antes do jogador) que um técnico perde o comando do grupo, onde o que não há é anjinho.

Para refletir:

Essas dores musculares que afastam titulares do time, como Borges (de novo) e Jonas, serão mesmo verdadeiras?

Insisto: Silas perdeu o comando, já não tem o respeito do grupo. Isso para não falar de parte dos dirigentes, dos conselheiros e dos torcedores.

SAIDEIRA

Silas teria proposta do futebol árabe. Pode ser a salvação da lavoura…

ESPAÇO POLICIAL

Dias atrás escrevi que em breve o presídio de MG ou do Rio seria reforçado por um grande goleiro. Hoje, o site do Globo publica foto do Bruno no time de um presídio mineiro, aos 16 anos. A diferença é que era o time dos funcionários do presídio, não dos clientes. Ironias da vida.
Agora, falando sério, dá uma tristeza ver um jogador que sofreu tanto para chegar aonde chegou cair dessa maneira, cometendo um crime tão cruel, tão hediondo. Tudo isso é muito triste.
Tenho convicção de que se as punições em todas as instãncias fossem mais rígidas (como pena de morte) essa gente pensaria melhor antes de cometer tais barbaridades.
A impunidade (e penas brandas para todos os tipos de infrações) é o grande mal deste país.

Chico Xavier e a Copa de 2014


A foto estampa as páginas dos jornais em todo o País. O presidente deste país do ‘nunca antes’, o Teixeira e o Blatter de mãos dadas. Querem passar a impressão de que estão unidos para a Copa de 2014.

Nem precisava. A gente sabe que eles estão muuuuuito unidos. Afinal, vai girar muuuuuuuita grana, e onde tem dinheiro jorrando como no cofre do Tio Patinhas com seus trilhoes de moedas eles estão por perto.

A Copa não passa de um grande negócio. Eles vêm com a balela que o País sede ganha muito. Se gasta os tubos do dinheiro público para reformar e ou construir estádios para meia dúzia de jogos.

Alguns dos estádios que sediaram jogos na África não são melhores que o Beira-Rio ou o Morumbi. Bastaria uns retoques e os estádios estariam aptos a abrigar jogos. Mas a Fifa é exigente. Não sairá do bolso dela o dinheiro. Ao contrário, a Fifa só ganha, não bota pra perder. A cada quatro anos fatura milhões. Para onde vai o dinheiro?

Não precisam responder.

Outra leitura que faço da foto com os três poderosos é que, como cada um conhece o outro muito bem, tiveram o cuidado de prender as mãos em conjunto. Ninguém solta.

Agora, devo admitir que fiquei mais tranquilo depois que o presidente que descobriu o Brasil afirmou que haverá total transparência em relação aos recursos que serão aplicados nas obras da Copa.

Uma afirmação como essa, vindo de alguém que meses atrás atacou órgãos fiscalizadores, como o Tribunal de Contas da União, por emperrar as obras do PAC só porque encontrou pontos obscuros nas licitações, é realmente tranquilizador.

Posso dormir tranquilo que ninguém vai desviar dinheiro.

Por isso, passo a apoiar a realização da Copa. Meu temor era que acontecesse o mesmo que aconteceu no Pan do Rio, mas agora diante da garantia dada pelo presidente fiquei mais tranquilo. Tudo será muito transparente. Ah, que bom!

Só resta aguardar o clássico mundial Gana x Coréia no Beira-Rio (ou talvez no Banhadão do Humaitá?).

SAIDEIRA

O numerólogo que previu Alemanha campeã com base em alguns cálculos que acredito são conhecidos de todos os botequeiros ficou desmoralizado. Se alguém souber de alguma explicação dele, por favor me informe.
Resta agora desmoralizar o polvo, que aponta a Espanha campeã.
No buquimequi cravei Holanda. Mas tudo pode acontecer, porque são equipes parelhas. A melhor de todas, a Alemanha, caiu.
Então, até não sei se não é de cancelar o jogo e dar logo o título para a Espanha. Afinal, o polvo parece que não erra mesmo. Já poderíamos perguntar quem será o campeão de 2014.

SAIDEIRA II

Não gostei da logo do Mundial de 2014. As cores não foram as melhores (em vez de vermelho deveria ser azul na data), mas também o desenho deixa a desejar.
Vocês repararam que parece o Chico Xavier psicografando? Observem a parte verde no alto (seriam os cabelos do grande Chico), a cabeça debruçada sobre a mão.
Sem dúvida, será uma Copa do outro mundo…

SÓ MAIS UMA DOSE

No post anterior o botequeiro Marcelo Panna escreveu perguntando sobre o 13 salário, que estaria sendo extinto em Brasília. Não é verdade. Mas não duvido que um dia acabe. Grandes empresários estão mobilizados nesse sentido.

FECHANDO A CONTA

Categoria de base do Grêmio conquistou sete títulos na temporada. É bom festejar título, até de peteca e cuspe à distância, mas o principal é formar jogadores. E, depois, aproveitá-los. Não fazer como fizeram com o Mithyuê.

A voz do polvo é a voz de deus

Na briga entre o polvo e o numerólogo, ganhou o molusco marinho. O polvo apontou com seus tentáculos melequentos a Espanha como vitoriosa contra a Alemana, enquanto o estudioso do números garantiu que a Alemanha seria campeã.

Não foi só o numerólogo que se quebrou. Eu também. Eu e muita gente mais depois do que os alemães fizeram com os argentinos, naqueles 4 a 0 memoráveis que me deram muita alegria.

Entrei num estágio de euforia extrema, a ponto de escrever que finalmente surgia uma grande equipe na Copa, a Alemanha, por supuesto.

Enxerguei no time alemão meia dúzia de talentos. Hoje, descobri talentos no time espanhol, que começou fazendo fiasco, mas acabou chegando à final (pela primeira vez em sua história) da Copa com esse 1 a 0 sobre os germânicos.

Minha terra, Santa Cruz do Sul, está de luto.

Vamos agora à final. Duvido que alguém tenha acertado que a decisão seria entre Holanda e Espanha, que pariu uma bigorna incandescente para vencer o Paraguai, enquanto a Alemanha goleava um dos grandes favoritos, a Argentina.

Mas isso é o futebol.

Eu apontei duas seleções como minhas candidatas mais fortes ao título, isso quase um mês atrás: Argentina e Holanda.

Uma delas está na final. Entre Holanda e Espanha, ainda fico com a primeira. Vou torcer pela Holanda, que já disputou duas finais e perdeu injustamente, em especial aquela decisão de 74, com o poderoso carroussel.

Aposto na Holanda, mas vou esperar para ver o diz o polvo.

Afinal, o polvo sempre tem razão. Ou ‘a voz do polvo é a voz de deus’.

Lanterna da Hora e a falta de comando

O ‘campeão da hora’ virou o ‘lanterna da hora’. Isso significa que minha previsão segue valendo, ou seja, a de que o título do Gauchão seria o único do Grêmio na temporada.

O time milionário formado pelos doutos do Olímpico com a ajuda do Aprendiz e suas indicações terminou lanterna desse torneio mixuruca.

Se tivesse vencido, o sr. Duda estaria exultante, talvez providenciasse um DVD. Como perdeu, saiu-se com essa frase vergonhosa:

– Nunca foi a do Grêmio jogar amistoso. O Grêmio é um time de competição, de torneio, de Copa do Brasil, já ganhou quatro, de Campeonato Brasileiro, já ganhou duas, de Libertadores, já ganhou duas. É o único time do sul que já ganhou a Libertadores duas vezes, que isso fique bem claro.

O presidente gremista enumerou títulos que ele viu das cadeiras ou da tribuna de honra, não do comando do clube. Esqueceu de dizer que o último grande título foi a Copa do Brasil de 2002, se não me engano, com o técnico Tite.

São oito anos de secura. E o sr. Duda ainda se acha no direito de destacar que o Grêmio é o único do Sul que ganhou duas Libertadores, provocando o Inter, que está na iminência de chegar lá de novo.

Não é hora de provocações, é hora de trabalhar, assumir o posto de presidente do Grêmio, um dos maiores clubes de futebol do planeta, em toda a sua plenitude, não permitindo que subalternos assumam total controle do vestiário e adjacências.

Minha crítica é construtiva.

Aqui de longe, na minha trincheira, o balcão do boteco, percebo que o Aprendiz perdeu o controle do vestiário. Já registrei isso aqui dias atrás. Reafirmo. No amistoso contra o Vasco, no gol de Borges, Edílson fez a jogada, chutou e Borges pegou o rebote. Edílson saiu caminhando como se estivesse na rua da Praia. Não esboçou qualquer reação. Estava indiferente, talvez até arrependido de ter chutado.

Agora, depois de cair vergonhosamente diante do Avaí, a direção e o técnico pouca prática anunciam dispensas. É uma forma de intimidação. Tentativa de retomar o vestiário. É a leitura que faço.

Aquela frase do Mário Fernandes continua saltitante na minha cabeça:

– Ele (o Silas) sempre fala antes pra imprensa.

Referia-se aquela bobagem de anunciar que o guri não jogaria mais na zaga e disputaria posição na lateral, decisão que não resistiu uma semana. Não tenho dúvida de que Mário não falou apenas por si mesmo. É um sentimento também de outros jogadores.

SAIDEIRA

Sobre o Bérgson. Estive com ele no Cadeira Cativa há oito dias. Eu disse, no ar, para o guri e seu procurador que Bérgson estava sendo torrado jogando como primeiro atacante, que eu e a torcida já tinhamos dúvidas sobre suas qualidades, e que ele, Bérgson, deveria pedir uma chance como segundo atacante, caso contrário comprometeria sua carreira. Ele concordou comigo. Ontem, ele jogou na dele e foi melhor, até fez gol, seu primeiro como profissional.

FECHANDO A CONTA

O Aprendiz está anunciando que Maylson será reserva de Leandro no jogo contra o Vitória, dia 14.

Cada vez mais firmo a convicção de que em pouco tempo o Grêmio estará beirando a zona de rebaixamento.