O Chivas e a camisa da Inter

Notícias desse dia siberiano:

O novo ditador amigo do Lula, o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, escapou de atentado em seu próprio país;
Dados de 12 milhões de inscritos no Enem (aquele que também teve provas que vazaram) cairam na rede, ratificando a incompetência da administração do país;
Neve abunda em vários municípios gaúchos e catarinenses, enquanto miseráveis congelam nas ruas e nos abrigos.

Agora, nada supera em termos de importância para os gaúchos a notícia de que o Inter está a um empate de buscar o bicampeonato mundial de clubes. Tudo porque o Chivas (não bebo mais esse uísque) meteu 2 a 0 no Universidad, no Chile, abrindo assim caminho para os colorados irem de novo ao mundial mesmo com o vice da Libertadores.

O Inter vive um momento iluminado.

Metade do RS torce, agora, para que mergulhe na escuridão sendo eliminado pelo São Paulo nesta quinta-feira, no Morumbi.

Sinceramente, não vejo como esse time do Ricardo Gomes (tem um nível de competência talvez até inferior ao de Silas) consiga impedir, por exemplo, que o Inter faça ao menos um gol, o que praticamente encaminha a classificação colorada, colocando os gremistas de vez a arder nas chamas do inferno.

Agora, uma confidência:

Contei aqui que estive em Saudades, há uns 15 dias. Fui ao ponto de vendas da Umbro e da Kappa, uma indústria com milhares de funcionários que produz uniformes de grandes clubes e seleções do mundo.

Havia no mostruário, em promoção, inúmeras camisas. Entre tantas opções, comprei a da Inter de Milão, coleção de 2008 (comemorativa ao centenário do clube), por 50 pilas.

Viram? Terá sido um pressentimento?

Comprei logo a camisa da Inter, que pode ser o adversário do Inter no final do ano.

Se o Inter superar o SP, coloco a camisa em leilão.

Combate ao 'anti-cristo'

O ex-presidente Paulo Odone teve contra si alguns dos principais expoentes do clube na eleição que alçou o filho do patrono Fernando Kroeff à presidência.

As maiores forças do Grêmio (Koff, Dourado,Silveira Martins, Obino, etc) se uniram para impedir que Odone continuasse no poder com seu candidato, Antonio Vicente Martins.

Salvo engano, a então oposição teve dificuldade para encontrar um candidato de peso. Teve de insistir com Duda Kroeff para que ele aceitasse.

Tudo para afastar Odone do comando do clube e da Grêmio Empreendimentos.

Foi um esforço gigantesco, que levou o sr Fábio Koff a entrar em campo como há muito não se via. Ele arregaçou as mangas, calçou as chuteiras. Enfim, foi ao pátio do Olímpico angariar votos para a oposição, chegando a prometer – há entrevistas gravadas – que estaria ao lado de Duda, inclusive no vestiário, se fosse necessário.

Tudo para impedir a continuidade de Odone e seu grupo.

Não entro no mérito da questão. Existe muita fofoca, muita intriga. É difícil discernir a verdade da mentira, da maledicência.

O fato é que ninguém aparece para fazer uma acusação explícita, sem subterfúgios ou insinuações.

Domingo, após o Gre-Nal, o sr Meira disse que seu antecessor, Paulo Pelaipe, não é uma pessoa ‘séria’. E ficou nisso. Por que ele não foi mais claro?

Então, fica assim: um adjetivo aqui, outro ali, deixando transparecer que problemas muito graves ocorreram na gestão passada.

Contra os boatos, existe a aprovação das contas pelo Conselho Deliberativo. Ou estou enganado?

Por outro lado, o ex-dirigente Eduardo Antonini divulgou dados alarmantes sobre a situação financeira do clube: folha de pagamento na ordem de R$ 4 milhões ou perto disso; déficit mensal na casa de R$ 1 milhão, e resultados pífios em campo.

Para Meira, são manifestações oportunistas, que não engrandecem o clube.

O trabalho de Meira no futebol e de Duda na administração engrandece o clube?

Em meio ao bate-boca, que promete baixar de nível nas próximas semanas, a exemplo do que vai ocorrer nas eleições para presidente e governador, temos a equipe ainda indefinida, instável, no oitavo mês do ano.

É difícil que as questões políticas não acabem agravando a situação do time.

Não é exagero, nem pessimismo, projetar que do jeito que a coisa vai o Grêmio irá fracassar na Sul-Americana, onde a direção concentra suas atenções agora pensando na vaga à Copa Libertadores, e também no Brasileiro, com o risco de cair mais uma vez para a segundona.

No final, a maior vítima do combate ao ‘anti-cristo’, da guerra de vaidades, na luta desmedida pelo poder e da lamentável ruptura interna do clube, quem sofre as conseqüências é a instituição Grêmio com toda a sua imensa torcida.

E vocês sabem quem está se divertindo com esse quadro pincelado com as cores da incompetência, omissão e da leniência…

O fim está próximo, irmãos!

O Grêmio jogou como nunca e não venceu como sempre. A frase é exagerada, quase tão exagerada quanto os discursos ufanistas que ouvi do vestiário tricolor após o 0 a 0 no Beira-Rio.

Dos jogadores, passando pelo Aprendiz, até a direção, o que se ouviu, em linhas gerais, é de o time está começando a ficar ajeitado, agora no novo esquema com três zagueiros, e que a partir disso as vitórias irão ocorrer naturalmente.

Tudo isso poderia ser dito, sem qualquer oposição, uns três ou quatro meses atrás, mas não hoje, quando ingressamos no oitavo mês do ano, com o Campeonato Brasileiro a pleno e com o Grêmio na zona de rebaixamento.

Se alguém quiser se iludir, que se iluda. Mas eu repito o que venho pregando qual um desses alucinados pastores de seitas na rua da Praia: o fim está próximo. Por enquanto, o rebaixamento é apenas uma tendência, mas o clube se aproxima a cada rodada do abismo da segunda divisão.

Não resta dúvida – penso que até os colorados menos fanáticos, incapazes de cortar a água do vestiário do time visitante como aconteceu mais uma vez no Beira-Rio neste domingo – de que o Grêmio foi o time que mais chances de gol criou, que mais esteve próximo da vitória.

E não poderia ser diferente: o Grêmio jogou com sua força máxima – ao menos dentro dos (des) critérios do Aprendiz e dos Doutos do Olímpico – contra o time misto do Inter.

O goleiro Renan fez duas grandes defesas (chute do Maylson e cabeceio do Hugo), enquanto Victor fez apenas uma.

A oportunidade mais clara de gol foi do Grêmio: no primeiro tempo, o Centroavante Pigmeu recebeu a bola redondinha, livre na marca do pênalti, implorando para beijar a rede do goleiro Renan. O Centroavante de Futebol de Botão chutou para fora. Era a bola do jogo.

No mais, foi um jogo horrível, truncado, com pequenas faltas de ambos os lados.

O Inter, mais preocupado com o SP, e bem que faz, estava no seu papel. Só não podia perder, mesmo sem seis titulares, diante de sua torcida.

A responsabilidade de buscar a vitória cabia ao time que não vence há horas e que continua na zona de rebaixamento.

O que fez o Aprendiz?

A primeira substituição: Mailson marcava e aparecia na frente sempre que possível, e quase fez um gol. Ele NÃO poderia sair do time. Edmilson entrou no seu lugar (seis por meia dúzia). O certo era sacar Ferdinando, passando Maylson para o meio. O time ganharia qualidade no meio, marcação e chegada à frente.

A segunda substituição: Souza no lugar de Borges. O Pigmeu, apesar de estar mal, até porque a marcação colorada era muito forte, deveria continuar. Souza poderia ter entrado no lugar de Ferdinando (que continuava trombando em campo). É claro que o meio ficaria mais vulnerável, mas nem tanto assim, porque o Inter teria mais preocupação em sua defesa. O Grêmio veria aumentada suas chances de vitória. Mas Silas, assim como Roth, e os técnicos de modo geral, na hora que aperta só pensam em salvar sua própria pele. Então, vamos ousar, mas não muito.

Roth interrompeu sua séria de vitórias seguidas, com atenuante de que escalou time misto, enquanto o Aprendiz garantiu seu emprego sob proteção dos Doutos do Olímpico pelo menos até a próxima rodada, sábado, contra o Fluminense.

Para repetir os pregadores da rua da Praia: o fim está próximo, irmãos.

Causas da crise gremista

Sempre que alguém me pergunta o que está acontecendo com o Grêmio, eu vacilo, olho pro lado, assobio, e tento seguir em frente ou mudar de assunto.

Se insistem, peço mais um chopp e arrisco uma explicação com base na minha experiência como repórter esportivo e observador das coisas que envolvem a dupla Gre-Nal há mais de 30 anos.

Assim, ouso enumerar aspectos importantes e que ajudam a explicar o que está acontecendo no clube já há alguns anos:

1 – um quadro social influenciável por velhos caciques, vencedores no passado e que hoje, em boa parte, estão afastados, só aparecendo em determinados momentos, como em processos eleitorais, a exemplo do que aconteceu na última eleição, para alçar ao comando os seus escolhidos;

2 – um corpo de conselheiros acomodados, em sua grande maioria, e que fazem qualquer coisa para não perderem seus postos, mesmo que isso resulte em prejuízo do clube que dizem amar, que consideram sua religião, etc. São as vaquinhas de presépio, que dizem amém ao que dita a diretoria, embora, muitas vezes, fora das assembléias, se transformem em touros sanguinários criticando (em blogs e programas de rádio e TV) duramente determinados dirigentes, em especial aqueles não afinados com o seu grupo;

3 – um clube dividido em vários grupos, uma colcha de retalhos mal costurados. Gente que se aglutina algumas vezes por interesses partidários (PT, PMDB, DEM, PC, etc), afinidade pessoal, e principalmente em torno de determinados caciques, como ex-presidentes, muitas vezes até por uma questão de gratidão a quem os indicou para o Conselho Deliberativo ou para algum cargo na diretoria;

4 – uma diretoria composta por integrantes de grupos que lhe dão sustentação política, como se o clube fosse um órgão público, onde o comando é loteado para satisfazer a ânsia de poder e de vantagens dos partidos. Então, acontece de existir numa mesma diretoria gente que não se suporta, gente mais preocupada em ocupar espaço e puxar o tapete de ‘colega’. É onde ciúme e vaidade são sentimentos comuns, superando em muito o espírito de doação, de abnegação e de um autêntico interesse de servir. Em função disso, acontece de pessoas despreparadas (por vezes desonestas, o que no futebol até pode ser virtude no futebol dos dias que correm desde que não sejam também incompetentes) assumirem cargos importantes, contribuindo para o fracasso;

5 – o grupo, ou os grupos, que por ventura ficam de fora dessa diretoria ‘frankestein’ ainda tentam disfarçar, mas em alguns casos, talvez na maioria, torcem descaradamente pelo fracasso de quem está no poder, não raro repassando informações à mídia que comprometam a gestão, colocando gasolina no fogo.

6 – é importante frisar também que os clubes de futebol atraem todo o tipo de pessoas, nem todas bem-intencionadas. O volume de dinheiro que gira no futebol é um chamariz e pode seduzir até mesmo indivíduos que nunca cometeram deslize ético ou moral. Ao mesmo tempo, os clubes, em especial os grandes como o Grêmio, podem servir de vitrine e trampolim profissional e político, desde que o indivíduo tenha sucesso como dirigente, é claro. Caso contrário, perde o clube e perde o sujeito que pretendia usar o clube como alavanca profissional, política ou comercial;

7 – agora, tudo o que está referido acima (que existe também no Inter e em outros clubes em maior ou menos intensidade) cresce ou diminui de importância se o clube tiver no comando pessoas realmente capazes, conhecedoras de futebol, aptas a exercer o poder com autoridade, sem desprezar o diálogo, com capacidade de aglutinação e liderança, mas acima de tudo com personalidade e pulso firme diante de situações difíceis. Dentro do regime presidencialista que caracteriza o clube de futebol em geral, quem dá o tom, como o maestro que rege os músicos, é o presidente.

Cabe ao presidente escolher seus comandados, seus músicos. O problema hoje é que cada ‘partido’ da tal sustentação tem nomes a indicar, e ai do presidente que ignorar as indicações.

O clube é sempre o reflexo de quem o preside; se o presidente for apático, sem força e vontade para mudar o rumo das coisas, do tipo ‘laissez faire,laissez passer,le monde va de lui-même’, que significa mais ou menos ‘deixai fazer,deixar passar,o mundo caminha por ele mesmo’, o presente se torna tumultuado e o futuro sombrio.

Um presidente desse tipo pode afundar o mais poderoso dos clubes de futebol.

O que escrevi talvez não explique tudo, mas não tenho dúvida de que ajuda a entender não apenas o atual momento do Grêmio, mas o que aconteceu nos últimos anos e o que ainda pode ocorrer se não houver uma mudança ampla e profunda no clube, que, ainda por cima, vive uma crise de bons nomes para assumir cargos de comando.

Esperança gremista é o famoso pé-frio barbudo

O presidente da República declarou há pouco, no Beira-Rio, que é colorado.

Notório pé-frio ao menos na área esportiva, em especial no futebol, o sr. Lula sem querer devolveu a esperança à torcida gremista, que vê nessa afirmação e no ato em si à beira do Guaíba um sinal de que o bi colorado na Libertadores passou a ficar ameaçado. Na pior das hipóteses, não será tão fácil quanto parece.

A meu ver, a energia negativa emanada pelo estadista do ‘nunca antes’ já se fez sentir ontem, na vitória minguada por 1 a 0.

Eu havia previsto que seria 3 a 0. Errei, mas o resultado mais justo pelo que se viu no jogo seria mesmo o 3 a 0. O Inter foi imensamente melhor que o SP, que praticamente não ameaçou o goleiro Renan.

Aqui um aparte que faço a mim mesmo: foi uma temeridade colocar o Renan, que falhou contra o Flamengo por estar sem ritmo. Para sorte dele, Renan, e dos doutos que sacaram Abondanzieri, o SP não atacou.

O Inter mereceu uma vantagem maior.

A estratégia do SP até que foi a mais adequada: jogar para não sofrer gol e, se der, achar um golzinho. Foi acima de tudo um reconhecimento da superioridade técnica e física do adversário.

Agora, se o técnico Ricardo Gomes fosse um pouco mais audacioso, talvez até sofresse um gol a mais, mas com certeza teria boas chances de fazer o gol fora de casa.

Fernandão, temor do colorados e esperança dos gremistas, foi um fracasso. Por que não colocar Ricardo Oliveira em seu lugar? Por que não colocar Fernandinho muito mais cedo, não quando faltavam seis minutos para terminar? Por que limitar Hernanes à marcação? Na única vez que entrou na área colorada, no final, Hernanes quase fez o gol.

Ricardo Gomes acertou no atacado com a sua estratégia de respeito ao rival, mas falhou no varejo, nos detalhes, na correção de rumo.

No Morumbi, o SP será mais agressivo, muito mais. Mas dará espaço para os contra-ataques, um trunfo do Inter.

Se o pé-frio do presidente não influenciar, o Inter elimina o SP e vai para a final da Libertadores, com a faca e o queijo para ser campeão.

SAIDEIRA

Eu imaginava que a atual direção gremista errava apenas no futebol. Esse ‘apenas’ não cabe, porque o futebol é quase tudo num clube de futebol. Mas vejo agora que a administração toda vai de mal a pior. A direção admitiu antecipação de receita de TV de 2011 na ordem de R$ 10 milhões, e uma folha de pagamento total na faixa dos R$ 4 milhões (no futebol, 3,2 milhões oficialmente).

Então, meus amigos, a coisa está mais feia do que parecia.

Só nos resta cantar ‘tornei-me um ébrio, na bebida busco esquecer…’

Um espinho encravado

Alguém sabe tirar espinho da ponta do dedo?

(Explico: nas minhas andanças pela colônia no oeste catarinense, em Saudades, fui pegar bergamota no pé. Pouca prática, enfiei o dedo num galho e sai com o espinho encravado no dedo indicador da mão direita, o que dificulta o teclar.)

Desde domingo faço essa pergunta aos meus conhecidos. Pesquisei até no google.

A resposta: só extraindo.

Alguém sugeriu que colocasse o dedo numa xícara com água quente e sabão comum. Para fugir da tortura, fiquei uma hora com o dedo mergulhado na fórmula salvadora.

Não adiantou. O dedo murchou, mas o espinho continua lá, sem nenhuma pontinha de fora. Tentei simpatias, benzedura e tudo mais. Rezei pra todos os santos.

Ontem à noite, pedi pra minha mulher extrair o espinho. Foi só ela encostar a agulha pra eu quase urrar de dor (confesso, sou um covarde, um cagão).

O espinho continua ali. A ponta do dedo inchada. Vou esperar que forme um abcesso, que aí sai ao natural.

Quer dizer, a região no entorno do espinho precisa apodrecer. Até lá vou conviver com a dor.

É assim que os gremistas se sentem em relação ao Grêmio.

Tem um espinho encravado no vestiário. Pior, tem dois.

Dói, incomoda, angustia, apavora, e pode causar sequelas.

O presidente Duda Kroef é como eu: espera que a situação se resolva sem a dor maior, que seria fazer a extração do corpo estranho. Ele prefere conviver com a dor, à espera de uma solução milagrosa, como eu com o meu espinho.

Duda não pode esperar que apodreça.

Ele precisa agir rápido, mesmo que doa. Precisa cortar a carne para salvar o dedo, a mão e o corpo todo.

Ah, já se sabe, mergulhar os dois na água quente com sabão no resolve.

E não adianta tirar apenas um espinho. O outro vai continuar incomodando.

O problema é que Duda parece ser como eu: um medrosinho…

SAIDEIRA

Tenho programa para esta noite: vou alugar um filme. Acho que o Massacre da Serra Elética cai bem hoje.

Vou começar na hora do jogo entre Inter e São Paulo (antes irei ao Cadeira Cativa, da Ulbra).

O jogo no Beira-Rio vou acompanhar pelos foguetes. Vou ouvir três foguetórios. Vai dar 3 a 0.

Não gosto de jogo fácil, pedra cantada.

A crise gremista e a lista de Mano

Recolhido para meditação no interior de Saudades, uma pequena cidade fundada por gaúchos lá pelos anos 50, às margens do rio Saudades (incrível coincidência), perto de Chapecó, abandonei o mundo por três dias. Imitei o Raul, que queria parar o mundo para descer.

No domingo (ontem), depois de uma churrascada com a alemoada, amigos e familiares, regada a cerveja é claro, assisti ao jogo do Inter. Isso depois de tirar uma breve siesta que ninguém é de ferro. Assisti ao lado dos parceiros (todos gremistas, porque a região lá é dominada por gremistas). Boa parte do tempo eles trocavam palavras em alemão, e eu ficava boiando mais que o Onofre no vestiário tricolor.

Então, vi o misto quente do Inter conquistar sua quarta vitória seguida no Brasileirão, confirmando o que previ semana passada: o Inter vai ser campeão da Libertadores, do Brasileirão e, de quebra, do mundo. Estou providenciando o visto para o Casaquistão. O Grêmio acompanhei através de relatos do meu cunhado, que se fechou no galpão com um radinho para ouvir o jogo pela Guaíba (ele é guaibeiro fanático).

Lá pelas tantas, o Inter vencedo por 1 a 0, ele chega correndo, olhos esbugalhados, feliz, para anunciar o gol do Borges.

– Sossega, olha o coração, que não vale a pena. Daqui a pouco o Cruzeiro empata – alertei. Ele não gostou muito do que falei e saiu resmungando.

Antes de viajar escrevi que o pessoal da região, os gremistas, estava pensando em suicídio coletivo diante do que acontece de ruim no Grêmio e de bom no Inter. Exagerei, claro. Mas foi eu pisar em Saudades, onde fica a fábrica da Umbro, da Fila e outras grifes, que um grupo de gremistas me cercou.

– Diz aí o que está acontecendo com o nosso Grêmio? -, perguntaram, quase implorando, em coro. Na hora pensei que ao brincar que eles estavam desesperados e que pensavam em se matar até que não errei tão feio.

Diante daquela pergunta assim, de sopetão, logo após os cumprimentos de praxe, fiquei mudo. Pensei alguns segundos:

– Vocês têm muuuuito tempo para me ouvir, ou querem um resumo?

Aconteceu o que eu temia: eles tinham todo o tempo do mundo. O problema é que eu estava cansado. Era sexta-feira. Eu havia saído de POA às 8h. Viajei quase oito horas. Então, depois de garantir o chimarrão nas minhas mãos, sugeri para conversar com mais calma à noite. Ele toparam.

O que falei depois é tema para outro comentário aqui nas mesas do boteco. Só adianto que eles saíram preocupados. E a ideia do suicídio coletivo ganhou corpo. Não sei se não vou aderir.

SAIDEIRA

Mano era pedra cantada. A surpresa foi Muricy ser convidado no sábado e recusar. Passou o cavalo encilhado.

Mano aceitou na hora, não é bobo. Um baita emprego.

Hoje, anunciou a seleção que enfrenta os EUA em agosto. Há muitos nomes discutíveis na lista, o que é natural porque se trata de uma renovação. Gostei de ele ter lembrado do Lucas, do Ganso e do Hernanes(que eu queria no time do Dunga), e também do lateral André Santos (mil vezes melhor que os convocados pelo Dunga, mas dizem que ele tem problema extra-campo). Gostei também que ele chamou o Pato, que tem tudo para ser titular em 2014.

Enfim, é um começo. Não gosto do Mano, mas reconheço que é um técnico equilibrado, que sabe armar um time, e, ao contrário do Dunga, tem experiência de treinador.

Se vai dar certo, é outra história.

Só não gostei que logo de cara o Mano deu uma exclusiva para a Globo. Só pra Globo.

SAIDEIRA II

Os doutos do Grêmio querem passar a imagem de que são firmes e duros contra a indisciplina. Anunciaram multa para Jonas e Rodrigo, que, pelo que soube, brigaram em Minas. Alguém sabe explicar o motivo da briga?

Deve ser aquela multa amiga, tipo a que o Lula e a Dilma recebem do TSE. Sai na urina.

Aposto que o Jonas está do lado do ‘bem’. Vem cá, tomar dois gols de cabeça?

A zaga deve explicação. E também o Silas, porque com ele o Grêmio vive tomando gol de cabeça e/ou por descuido de marcação. Ele não sabe armar uma defesa, entre outras coisas. Pode jogar com quatro zagueiros na área que isso vai se repetir.

Tite, a salvação de gremistas e sãopaulinos

Continuo no aguardo do meu visto para o Casaquistão, onde serei recebido não como um exilado político, mas como exilado esportivo.

Cheguei a pensar em me esconder em Cuba, onde nem à internet teria acesso, mas desisti porque aí estaria em território altamente hostil, sem qualquer tipo de liberdade. Talvez até acabasse numa masmorra como tantos que lutam contra a ditadura da múmia ambulante.

O fato é que a iminência de o Inter ser bi da Libertadores e o Grêmio tri na segundona me apavoram. Tenho amigos colorados que já compraram caixas e caixas de foguete. Um deles, ampliou uma foto do Roth e colocou na parede do seu quarto. Escreveu em cima: “São Roth”.

Outro colorado, que odiava o goleador Alecsandro até mais que o Juremir Machado, agora jura que não o trocaria nem pelo Nilmar.

Tenho amigos gremistas que não sabem mais o que fazer. Foram ao Olímpico quarta-feira, xingaram até a quinta geração do Duda, do Meira e do Silas, sairam do estádio sem voz e sem rumo. Andam como zumbis pela Cidade Baixa. Já passaram por todos os bares e ‘inferninhos’ da João Alfredo.

Estou viajando nesta sexta para o oeste catarinense. Existem muitos gaúchos por lá, a maioria gremista. Entre outras coisas, vou conferir se o Rio Uruguai subiu muito e se é verdade que dezenas de gremistas estão se suicidando por causa do time armado pela dupla Duda/Meia, com influência do Aprendiz.

Prometo notícias.

SAIDEIRA

Com o Inter subindo como o prestígio do Fortunatti depois que abriu a Ramiro bloqueada pelo PT, e o SP caindo como o conceito do Collares depois que abriu voto para o Tarso Genro, só vejo uma saída para impedir o bi colorado.

Claro, tem ainda a esperança de que Roth confirme sua biografia, mas já escrevi que a queda do Roth acontece depois de três meses. Portanto, na decisão da Libertadores ele ainda estará por cima da carne seca.

A minha sugestão é que o SP afaste de uma vez o Ricardo Gomes e contrate o Tite. Essa do Dunga é dose. O Dunga é outro aprendiz. Silas não, por favor. Seria ótimo que ele saísse, mas não para o SP, ao menos agora. Silas treinando o SP apenas aumentaria as chances de o Inter ser campeão.

Minha sugestão, então, é Tite no SP. Ninguém conhece o Inter melhor que o Tite, nem o Fernando Carvalho.

Se o SP quer ser campeão, que contrate o Tite. Além de conhecer o time colorado melhor do que qualquer um, Tite costuma se dar bem contra o Roth, seu freguês de caderno.

Se alguém puder, repasse essa sugestão à diretoria do SP.

Tite, a salvação.

Sigo agora para o oeste catarinense.

Até domingo, ou segunda.

Cinco sentimentos, uma esperança e outra decepção

Sentimentos que tive ao ver o Inter bater o Atlético Mineiro, lá, em Minas:

1 – surpresa ao ver o time tão organizado em tão pouco tempo.
2 – embasbacado pelo futebol moderno, rápido, marcação e velocidade
3 – inveja porque o Grêmio está muito longe disso, embora tenha alguém considerado treinador há meio ano
4 – pavor porque se continuar jogando assim vai ser campeão da Libertadores
5 – pânico porque depois poderá ser campeão do mundo de novo e ainda por cima campeão do brasileirão

Depois de entrar nesse turbilhão de sentimentos angustiantes e assustadores, me senti como alguém se afogando e fazendo esforço para voltar à tona, e em meio a esse esforço para sobreviver me veio um pensamento mágico, que me salvou. Emergi, busquei o ar salvador e senti que enquanto há vida há esperança, e que a esperança é a última que morre e todos os outros chavões nesse sentido.

Mas qual foi o pensamento que me salvou?

A esperança de que Celso Roth mantenha sua biografia. Por enquanto, está tudo como sempre: um começo deslumbrante, fascinante para o seu torcedor. Falta agora a queda.

Ela virá, não tenho dúvida. Mas talvez tarde, só depois da Libertadores.

Será que o clima no Casaquistão é bom?

SAIDEIRA

Musiquinha de campanha enviada pelo parceiro Francisco (que, aliás, de tão apavorado só fala em categoria de base do Grêmio, política e comida), direto de Alagoas:

É LuLLa apoiando Collor
É Collor apoiando Dilma
É os três pelo bem do povo

TROCANDO AS PERNAS

ACRESCENTO O TEXTO ABAIXO APÓS OUTRO EMPATE EM CASA DAQUELE TIME QUE GANHAVA TODAS EM CASA.

‘Nós temos uma gestão séria e responsável aqui no Grêmio’. A frase é do douto sr. Meira explicando por que não contratou Rever e outros após o empate com o Vasco por 1 a 1. Diz ele que Rever custaria 3 milhões de euros para voltar. Será mesmo?

A gestão ‘séria e responsável’ seria por acaso a mesma que paga mais de 200 mil mensais a FR, ao Leandro, e outros?

O ilustre comandante futebol tricolor se mostra indiferente às vaias da torcida. Para ele, uma segmento da torcida quer a sua saída, e também a do Duda e a do Aprendiz. Acredita ele, ou finge acreditar, que é uma parcela pequena que quer essa mudança radical.

Teve também o discurso do presidente e do aprendiz. Segundo eles, o campo encharcado prejudicou a reação do Grêmio. O Vasco, nesse raciocínio idiota e/ou afrontoso à inteligência das pessoas, foi beneficiado pelas condições do gramado.

Arrisco dizer que num campo normal o Grêmio teria perdido.

Enfim, Silas continua, Meira continua e Duda continua.

Como é mesmo o clima no Casaquistão?

Cinco doses ácidas

1ª dose – Informação que obtive de duas fontes absolutamente confiáveis: o vice-presidente Luís Onofre Meira é motivo de chacota por parte dos jogadores.
Se é assim, e não tenho por que duvidar, a situação é mais feia do que parece.
Afinal, o presidente Duda Kroef afirmou que a influência de pressões contra Silas e Meira é zero, que ele está acostumado com isso desde piá.
Vamos ver se a firmeza demonstrada pelo presidente resiste a um eventual resultado negativo contra o Vasco.

2ª dose – Leio declarações do preparador físico Anderson Paixão sobre o momento do time, lesões, etc. Ele diz que em todos os clubes existem jogadores lesionados. Citou, por exemplo, o zagueiro Miranda, que desfalcou o SP por causa de um corte.
O que se questiona é o elevado número de lesões musculares no time gremista desde o começo do ano, nunca contusões resultantes de ação externa.
A propósito, o preparador físico não deveria ser o Paulo Paixão?
Por melhor que seja seu filho, Paixão é insubstituível. É um dos profissionais mais conceituados da área e, pelo que sei, tem forte influência no vestiário.
É inegável que falta pelo menos uma voz forte e impositiva no vestiário gremista.

3ª dose – Soube pelas minhas fontes que alguns jogadores andam abusando da bebida, o que ajuda a explicar o declínio do time – além do despreparo do treinador – após a Copa do Brasil.
No recesso, sem maiores compromissos, o pessoal pode ter passado da conta.
E como aparentemente não há maiores cobranças, o resultado é um time incapaz de se impor ao adversário, mesmo que seja um Vitória, em casa, e o Prudente com um jogador a menos.
Ah, esse pessoal não freqüenta o boteco.
Aqui, se aparecerem, é só água. Da torneira.

4ª dose – A constatação que fiz já faz uns 10 dias sobre a perda de comando do vestiário pelo técnico aprendiz ganhou múltiplas adesões desde ontem. Muita gente da mídia e fora dela está chegando agora à mesma conclusão.
Se nem assim o presidente Duda vê motivo para mudar…

5ª dose – O Grêmio poderia alterar seu estatuto. Sugestão: proibir que o comando do futebol fique nas mãos de empresário que anuncie seu produto na mídia que faz cobertura esportiva.

Qualquer relação com o que está acontecendo não é mera coincidência.