Assim não dá pra falar de futebol!

Não fosse a imprensa, em especial a revista Veja e os jornais Estadão e Folha de SP, grande parte das falcatruas permaneceria ignorada. E falcatruas de todos os partidos, dos governos de plantão. Quem deveria fiscalizar as contas, os procedimentos, e tudo mais, não o faz com eficiência. Ou tapa os olhos e o nariz. E isso acontece em toda nação.

Não consigo acreditar que a fraude no Detran, por exemplo, tenha sido descoberta só depois de mais de quatro anos, e que hoje alguns de seus protagonistas continuem numa boa. O mesmo vale para o mensalão, cujos protagonistas desfilam por aí, nariz empinado, alguns de jatinho pago sabe-se lá por quem. E esses escândalos na Casa Civil? ‘Caraca, o que é esse dinheiro todo na minha gaveta?’.

No âmbito da União as descobertas da imprensa repercutem mais porque sempre envolve muito mais dinheiro, sem contar nomes que ocupam postos elevados na corte. As últimas notícias dão conta que grana alta jorra também em alguns Estados, como Tocantins.

Pois essa imprensa incomoda. E incomoda tanto que alguns setores insistem em tapar sua boca. Elaboraram até um projeto que institui a ‘lei da mordaça’, que tramita no congresso e agora, com a maioria que o tal partido terá, será aprovada talvez ainda em 2011.

Estamos enveredando por um caminho perigoso, seguindo exemplos de nossos vizinhos, em especial de Cuba, onde impera a voz oficial.

E o pior é que ainda há jornalistas apoiando o fim de liberdade de imprensa, ou seja, o fim de democracia. Até sindicatos de jornalistas são a favor de limitar a liberdade de expressão. Sindicatos pelegos, como tanto ouvi nos anos 70.

Escrevo sobre isso depois de ler a notícia que tirei do site do Estadão desta segunda-feira.

“SÃO PAULO – A Polícia Federal teve de ser acionada na madrugada deste domingo para garantir a distribuição dos 8 mil exemplares da revista Veja no Tocantins. Para tentar impedir que a publicação chegasse às bancas, o governo do Estado mobilizou efetivo de 30 policiais militares. Armados de fuzis, os PMs ficaram de prontidão no Aeroporto de Palmas à espera do voo que levava a revista.
Os PMs tinham a missão de localizar e apreender os exemplares de Veja. A revista, no entanto, não faz parte da lista de veículos de comunicação censurados pela liminar do desembargador Liberato Póvoa.
Acionado na madrugada, o procurador da República Álvaro Lotufo Manzano requisitou apoio da PF para escoltar o carregamento do aeroporto até a distribuidora da revista em Palmas.”

SAIDEIRA

Se a gente não reagir, será como naquele poema atribuído ao russo Maiakovski, mas que é de autoria do fluminense Eduardo Alves da Costa, escrito não por coincidência em 1964:

Despertar é preciso

Na primeira noite eles aproximam-se e colhem uma Flor do nosso jardim e não dizemos nada.
Na segunda noite, Já não se escondem; pisam as flores, matam o nosso cão, e não dizemos nada.
Até que um dia o mais frágil deles entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a lua e, conhecendo o nosso medo, arranca-nos a voz da garganta. E porque não dissemos nada, Já não podemos dizer nada.

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