O presidente Duda Kroef pediu desculpas por não ter trocado de técnico antes. Um mês atrás, um pouco mais, ele enalteceu o trabalho do dirigente de futebol que manteve no cargo até a corda no pescoço apertar de forma insuportável. O mesmo dirigente que se agarrou no Silas, a quem chamei de aprendiz desde março/abril. Esse dirigente só não caiu antes, e com ele o aprendiz, porque Duda não quis.

O mesmo Duda que não aceitou Renato Portaluppi na Libertadores do ano passado quando Celso Roth foi demitido. Duda deve muito mais que um pedido de desculpas por não ter contratado Renato antes. O preço de ser tão contemplativo, de deixar o comando do futebol totalmente nas mãos de subordinados, é esse: uma série de fracassos e um título conquistado, o glorioso Gauchão.

De nada adianta qualquer pedido de desculpas. Menos ainda lembrar que recebeu muitos emails de gente criticando quando contratou Renato em agosto. Deve ser o mesmo pessoal que elogiou a contratação de Paulo Autuori. A grande maioria dos gremistas vibrou com a contratação de Renato, até porque não havia opções melhores.

Já o Renato lamenta ter chegado tão tarde. Ele pegou o time na metade final do primeiro turno. O time estava entre os quatro da ponta de baixo, com sério risco de rebaixamento, o que seria inevitável com Silas no comando por mais tempo.

O Grêmio hoje está entre os quatro melhores do campeonato. Tem a melhor campanha do returno, o ataque mais efetivo e o goleador do campeonato.

O Grêmio tem tudo para garantir o quarto lugar. Basta empatar com o Botafogo no Olímpico. O Botafogo de outro treinador milagroso, o Joel Santana. Depois, é só torcer pelo Estudiantes contra o Goiás, zebra na final da Sul-Americana.

Agora, para vencer o Botafogo o Grêmio terá de jogar mais do que jogou em Campinas. Não fosse Victor, o jogo talvez não terminasse com final feliz.

Muitos jogadores estiveram abaixo do que andavam rendendo. Aliás, nos dois últimos jogos o time não jogou bem. Em ambos não teve Gabriel, um jogador que dá importante acréscimo de qualidade, contribuindo para o futebol de Rochemback, Douglas e Jonas, com os quais dialoga em outro patamar, uma linguagem que Ferdinando, por exemplo, não entende.

O importante é que o time mais uma vez venceu. Não me lembro de ver o Grêmio vencendo tantas vezes fora de casa num Brasileirão.

Diego Clementino, antes alvo de ironias e deboches, mais uma vez sacudiu o time e mostrou que é um atacante perigoso, capaz de dar alternativas ofensivas nos momentos mais difíceis.

Ele entrou, fez boas jogadas e cavou um pênalti, que houve mesmo. Era um momento tenso do jogo, em que o Guarani ameaçava o empate. Depois, Clementino recebeu um passe milimétrico do Jonas e fez o seu com muita categoria.

Diego Clementino, outro acerto de Renato, por sua vez o maior acerto do presidente Duda. Pena que ele demorou tanto. E não foi por falta de aviso aqui dos botequeiros, de sócios, torcedores, conselheiros e até dos quero-queros do Olímpico.

O bom dirigente de futebol é o que escuta as pessoas certas, mas para isso precisa ter sabedoria, e talvez um pouco de humildade e menos comprometimentos políticos, para identificá-las.

SAIDEIRA

Anunciei há muito tempo que o Corinthians seria campeão. Estava tudo armado. Me quebrei? Acho que sim. Parabéns aos que apostaram no Fluminense. Temos mesmo um campeonato honesto. Será?

O Heber vai receber o troféu também?

Vamos aguardar a última rodada, só por precaução.