O Grêmio vive uma situação muito estranha. Tudo é motivo para alvoroço nas redes sociais. 

O crédito pelo título nacional já se esfarelou para a maioria dos torcedores.

Nem a alegria de ver o clube que nunca cairia estreando no sábado muda o estado de espírito de boa parte dos gremistas.

O técnico Renato Portaluppi que conduziu o time ao PENTA (a cerveja – propaganda subliminar) é questionado porque não conseguiu levar o Grêmio à final do Gauchão – título que esses mesmos críticos, em sua maioria, desprezavam – mas se vê agora que era da boca pra fora. Eles queriam MUITO o ruralito. Eu também queria MUITO o título regional para evitar o hepta vermelho.

Se não queriam o regional, ao menos usam o insucesso para destilar veneno contra Renato, a direção e alguns jogadores -os mesmos de sempre.

Bem, a três dias da estreia no Campeonato Brasileiro, o presidente Romildo e seu vice de futebol Ico Roman, além do diretor Saul Berdichevski, foram ao vestiário conversar com os jogadores. Objetivo: remobilizar e conscientizar o grupo de que está começando um período em que todos serão exigidos ao máximo, e que a torcida espera que os jogadores deem o seu ‘melhor’ – eles gostam de dizer isso nas entrevistas – em cada partida. E isso vale para o Brasileiro, a Libertadores e a Copa do Brasil.

Depois, se reuniram com jornalistas. Passaram essa mensagem, destacando que este mês de maio tem muitos desafios.

Realmente, não será nada fácil. E qualquer torcedor sabe disso. Mas em caso de resultado negativo haverá uma avalanche de críticas, nem todas equilibradas e pautadas na boa educação.

Domingo, jogo contra o Botafogo. Jogo difícil, mesmo na Arena. Como joga em casa, se exige que vença. Não importa se o time estará desfalcado de dois de seus principais jogadores, Maicon e Bolanos. Não importa. O pau vai comer em caso de derrota e até de empate. Outra ausência importante: Edílson.

São três jogadores titulares, jogadores de forte participação na conquista da Copa do Brasil. Mas muitos não vão levar em conta isso se o Grêmio fracassar na estreia.

Além do mais, se não vencer, o time estará descumprindo já na largada a ideia do presidente Romildo de que a meta é vencer em casa e empatar como visitante, um objetivo que conduz a uma proposta de jogo equivocada de jogar pelo empate fora, o que pressupõe uma retranca e raras estocadas no ataque, buscando o tal golzinho fora.

Já se sabe que essa fórmula é inexequível, embora, se acontecesse por algum milagre, realmente levaria ao título.

O melhor no Brasileirão, e isso também é conhecido, é jogar sempre buscando os três pontos, em casa e fora. 

Então, o presidente Romildo errou ao fazer tal manifestação. Pode até pensar, mas não diga.

São tempos estranhos, de sensibilidade à flor da pele. 

É preciso pensar bem antes de fazer qualquer tipo de declaração.

E quando falar, que seja de forma muito clara e positiva.

De qualquer modo, eu saúdo a iniciativa da direção em ir ao vestiário e depois convocar a imprensa, uma forma, ainda que um tanto tímida, muito oportuna para tentar compensar a agenda positiva vermelha estampada diariamente na mídia.

RENATO

Sobre o time que enfrenta o Botafogo. Minha sugestão ao Renato é que ele comece com Arthur no lugar de Maicon.

Não importa se ele pense que Arthur talvez não tenha maturidade para ocupar função tão importante, centralizador do jogo, organizador do time e articulador. Não importa.

Renato, comece com Arthur, não apenas porque realmente é jogador de muita qualidade, mas pra não dar armas aos teus inimigos.

Acredite, eles existem e não são poucos.

O fogo amigo pode ser muito mais nefasto que o fogo adversário, porque este a gente conhece e não pode nos surpreender.

SÉRIE B