O melhor da entrevista de Felipão no final da tarde desta sexta-feira não mereceu sequer uma nota de rodapé dos sites, emissoras de rádio e de TV. E duvido que tenha destaque nos jornais de sábado.

Para o pessoal da imprensa, o principal foi o técnico gremista escalar o time do Gre-Nal com dois dias de antecedência, abrindo mão do mistério. Por um lado é bom, por outro, pra quem precisa preencher espaços com esporte, é uma droga, porque acaba com especulações e elucubrações.

Neste aspecto, resta apenas o Inter agora, já que Diego Aguirre dificilmente vai abrir mão desse trunfo. No caso de Aguirre, as opções são muitas e mais variadas. Mas eu acho que ele vai com o time titular, talvez com duas ou três mudanças. Afinal, para quem tem o Atlético Mineiro pela frente na Libertadores, melhor é garantir um troféu agora, por via das dúvidas.

Foi um Felipão pleno de bom-humor, o que não é muito comum, ainda mais numa véspera de Gre-Nal decisivo. Acredito que a alegria de Felipão se deva ao estado de saúde do seu amigo Fábio Koff, que melhorou depois de um momento realmente muito crítico, conforme o técnico destacou em meio ao fogo cruzado. Era um Felipão aliviado, descontraído, como poucas vezes se vê.

Felipão até brincou quando alguém perguntou quem ele gostaria de ver fora do time colorado se tivesse esse poder. Ele respondeu: o goleiro. Gostaria de enfrentar o Inter sem goleiro. Brincou também sobre a escalação do Inter, dizendo que de certo mesmo é que o presidente Píffero não vai jogar.

Felipão, acima de tudo, passou confiança, otimismo.

Ele só se alterou quando comentou sobre Yuri Mamute. E agora eu chego ao que considerei mais importante na entrevista.

Felipão disse que Mamute está fora do clássico porque foi vítima de uma verdadeira agressão no jogo contra o Juventude, na Arena.

– O Mamute levou um pontapé e nem falta foi marcada – protestou o treinador. O pontapé a que se refere Felipão afasta Mamute do primeiro Gre-Nal e talvez do segundo.

O árbitro Jean Pierre, ao desprezar a agressão, conforme destaquei na postagem anterior, segue assim o modelo de arbitragem ensinada pelo Leandro Vuaden, que mesmo sendo reprovado em teste da CBF, está confirmado para apitar o jogo decisivo. Vuaden faz escola. Agressão violenta em jogador do Grêmio pode ser ignorada. Foi assim com Mário Fernandes naquele Gre-Nal de 2012. Ali o Grêmio começou a perder o campeonato. Todos sabem disso, mas poucos fazem questão de lembrar e colocam tudo como ‘choro dos gremistas’.

Nesse aspecto, o único choro liberado é o dos colorados, principalmente os da mídia, que a todos instante lembram o Brasileirão de 2005 e aquele lance do Tinga contra o Corinthians. Ali não houve o tal ‘erro humano’.

Ao destacar esse erro clamoroso de Jean Pierre no lance de Mamute, Felipão deu o recado que lhe importa neste momento: atenção com a arbitragem. É o mestre.

O TIME

Felipão confirmou o time que vem jogado. É o mais natural.

Mas ainda acho que o melhor seria reforçar o meio-campo no aspecto de marcação e virilidade no combate, na disputa de bola.

Não duvido que ele reforce o setor. Afinal, como se sabe, Gre-Nal se ganha é no meio-campo.

ARBITRAGEM

No sábado, ouvi o diretor de arbitragem anunciar Vuaden e Daronco. Na segunda-feira, já se falava em sorteio com a presença de Jean ‘Damião’ Pierre.

Fiquei confuso. No final das contas, deu o que o diretor antecipou. Curioso sorteio.

Repito: o melhor seria arbitragem de fora.