E se o Grêmio não tivesse goleado? Tivesse vencido com um gol, de pênalti – cobrado por Kleber, claro – ou até mesmo empatado? Perdido, não, porque nem o mais enlouquecido ficcionista poderia imaginar uma vitória do lanterna Aimoré sobre os titulares do Grêmio em plena Arena.

A corneta seria inevitável. Os arautos do apocalipse e os portadores de ansiedade aguda estariam profetizando uma hecatombe  tricolor na Libertadores, competição que é prioridade do clube.

Entendo que tanto um eventual resultado negativo como a goleada ocorrida devem ter uma avaliação discreta, cautelosa, sem arroubos. É isso, aliás, que as pessoas de modo geral estão fazendo.

Só não concordo com aqueles que conseguiram ver um time mais ofensivo e com jogadas ensaiadas a partir de um jogo contra adversário inexpressivo.

Em situações assim, tudo parece maravilhoso, as jogadas fluem com mais facilidade e dão a impressão de que ali está um time realmente promissor. Então, tenho muito cuidado e não me deixar levar por manchetes ufanistas, que mais servem para iludir e criar falsas expectativas.

Agora, descontando a fragilidade do adversário, o Grêmio fez uma partida. Fez a sua parte: goleou.

Mas não posso desvincular o que vi do que pretendo ver: um time forte para VENCER a Libertadores. Neste aspecto, falta muito ainda.

Por isso, sou cauteloso em relação ao jovens que estão surgindo e a esse ‘novo’ time titular, comandado agora pelo Enderson Moreira.

Confesso que estou impressionado com algumas análises a partir dos 4 a 0 sobre o modesto time de São Leopoldo, cotadíssimo para voltar à segundona gaúcha.

Houve quem percebesse avanços significativos na estreia do time principal no Gauchão.

Quando leio e ouço análises tão entusiasmadas sinto-me mal, muito mal, por não ter visto tanta qualidade, tantos progressos. Fico quase convencido de que não entendo nada de futebol.

COTAÇÃO

Mesmo desconfiado de que preciso me reciclar como analista de futebol e corneteiro do bem, ouso fazer uma rápida análise do que vi no domingo à noite na Arena. Repito, sempre dando um bom desconto em função do adversário.

Marcelo Grohe fez três defesas espetaculares. Tão impressionantes que o ‘Gênio da Padre Chagas”, como diz o RW – cornetadorw – nem tocou no assunto futebol em sua coluna desta segunda-feira. Tivesse Grohe falhado, não escaparia de uma ‘homenagem’ na tal coluna, que foi ocupada estranhamente por amenidades.

Os dois laterais foram relativamente bem. Pará esforçado como sempre e Wendell mostrou que pode ser titular, mas ainda precisa provar.

A zaga foi eficiente, nada além disso. Destaque para Bressan por sua presença na área rival, inclusive com um gol.

O time ‘ofensivo’ de Enderson recuperou o volantão, figura cada vez mais próxima da extinção, mas que tem sua utilidade em jogos encardidos. Edinho estreou bem, e até fez algo muito raro em sua carreira, um gol. Seu posicionamento para aproveitar o cruzamento me pareceu algo ensaiado. Aí, mérito do técnico.

Edinho teve a companhia de dois volantes, Ramiro e Riveros, este um pouco melhor que o colega de função. O paraguaio fez dois gols, um anulado equivocadamente. O trio teve a ajuda constante de Maxi Lopez, que, melhor preparado na pré-temporada, teve fôlego para ajudar no combate no campo defensivo, articular e chegar à frente. Maxi jogou bem, mas ainda não vi nele condições de ser titular de um time que busca a Libertadores.

Na frente, a dupla Kleber/Barcos. É o que a casa oferece. Barcos fez um golaço e algumas boas jogadas. Kleber esteve um pouco abaixo.

Confesso que estou traumatizado com esses dois. Hoje, afirmo que nada espero deles. Talvez com o tempo eu possa superar esse trauma. Torço por isso.

INTER

O time B do Inter está indo muito bem. Alguns guris estão despontando bem – o mesmo ocorreu com a gurizada gremista. Por enquanto, todos são promessas, algumas mais rutilantes.

É sempre preciso considerar o nível sofrível dos times do Interior.

Mesmo assim, é bom perceber que estão surgindo novos talentos.

CONFRATERNIZAÇÃO

O I Encontro dos Botequeiros e Simpatizantes pode ser realizado na semana que vem. Penso no Box 21, mais discreto; no Wunderbar – na parte baixa da DR. Timóteo; ou no Bar do Beto, o da Getúlio Vargas. O dia pode um sem rodada do Gauchão. Seria em torno das 20h. Que tal convidar o RW, o Demian e o Seu Algoz?