Grêmio assolado por noticiário negativo

Trabalhei muitos anos como jornalista esportivo. Sei muito bem o que é essa entressafra de final de um ano e começo de outro. 

Há poucos fatos e muitos boatos.

Há espaços a serem preenchidos no rádio, na Tv, nos sites; e páginas de jornal abertas, em branco, esperando por um texto.

Haja criatividade. Se o ócio é a morada do demônio, a falta de assunto é o portal do inferno.

É por isso que surgem especulações de todo tipo.

Nesta época eu quase ignoro o noticiário esportivo, especialmente o que envolve a dupla Grenal.

Sei que a maioria das ‘notícias’ não passa de especulações, plantação de empresário, que se torna fonte de ‘informação’. Abastece os repórteres enlouquecidos em busca de assunto.

O que está faltando é um filtro maior, uma checagem efetiva antes de colocar no ar ou publicar.

Mas aí o espaço disponível na mídia fica em aberto.

Olha, é complicado.

Até aí é tolerável. 

Agora, o que não é aceitável é o esforço de alguns repórteres em relatar e/0u criar situações negativas apenas em um clube, como tem acontecido com o Grêmio.

Será que os setoristas do Grêmio são mais eficientes, mais furungadores, que os do Inter?

Agora à noite há duas notícias ruins envolvendo o Grêmio: falta de camisas oficiais revolta lojistas e salários atrasados no Grêmio.

Ora, duvido que tenha algum clube hoje no Brasil com salário inteiramente em dia.

E o cheque sem fundo de 5 milhões de reais não significa nada? Não li sobre isso no clicrbs, por exemplo. 

O que eu sei é que o atraso salarial no Grêmio é de 6 ou 7 dias. Mas isso é informação, o que talvez não interesse neste momento em que a ficção supera a realidade.

Houvesse interesse no equilíbrio poderia ser dito que também a remuneração no Inter sofre atraso, até maior que no Grêmio, sendo verdade a informação de salários atrasados na Arena.

Sobre as camisas, quer coisa pior que cobrar 399 reais por uma camisa oficial do Inter, hoje um clube da segunda divisão?

A impressão que dá é que o negócio é buscar fatos negativos na Arena, talvez para desviar o foco do buraco imenso em que se encontra o Inter.

Mais um indicativo disso: Geromel. Não tem um dia em que não se especule a saída de Geromel. As propostas que chegaram são ridículas diante do valor do atleta. Ficam batendo nessa tecla e praticamente ignoram que o jogador tem um contrato a cumprir.

Geromel assinou até 2019 porque quis, e seu empresário, o mesmo que agora azucrina o presidente Romildo, concordou.

Eles poderiam ter feito um contrato mais curto, mas optaram pelo maior. Agora, aguentem.

Por que sempre o clube tem de sair perdendo? Jogador também deve honrar seus compromissos.

Outra coisa: por que não perguntam ao Reizinho Colorado sobre reforçar o time? Essa pergunta é feita somente nas entrevistas com gente do Grêmio.

É claro que o Grêmio precisa de reforços, e o Inter também, mas a direção gremista está muito atuante nesse sentido.

Está encorpando o grupo. Faltam alguns uns dois ou três jogadores para fazem a diferença, mas isso pode ser feito com calma porque o dinheiro realmente está curto. E é pra todo mundo.

Até pro Eike Batista, que está vendo sua fortuna virar pó (sem duplo sentido).

FIFA

O Inter insiste no caso Victor Ramos. Agora, recorre à Fifa.

De minha parte, tenho muita curiosidade em saber o que o Ministério Público do RJ fez até agora em relação à denúncia da CBF de que o Inter teria forjado algum documento para vencer a ação na STJD.

Está aí minha sugestão aos setoristas do Inter. Entrevistar alguém do MP carioca.  

 

Quem precisa de um Diretor-técnico no futebol?

Não consigo entender como tanta gente defende diretor-executivo como importante e até essencial no organograma de um clube de futebol.

Sei que hoje há um inchaço nessa estrutura. Tem de tudo. O custo é elevado e os resultados nem sempre são os esperados.

Para o meu gosto, o Grêmio está muito bem sem um diretor-executivo. Não vejo em que ele possa acrescentar, ainda mais considerando o que se paga esse profissional.

O Odorico Roman está fazendo um trabalho muito bom, dentro de suas prerrogativas e nos limites orçamentário do clube, que, como todos sabem, atravessa dificuldade financeira – no que em nada difere de outros – e se esforça para equilibrar as contas.

Nesse contexto, Roman, um grande gremista com ‘formação’ nas redes sociais, faz o que pode. E nenhum profissional faria melhor.

Rui Costa, por exemplo, teve quatro anos para trabalhar. Não ganhou nada. Fez coisas boas e outras ruins. Também ele trabalhou com limitações financeiras.

Ocorre que esses diretores remunerados – sempre muito bem remunerados – também dependem do presidente do clube, que tem a chave do cofre e é quem estabelece a política. No caso atual, é uma política de austeridade, o que eu saúdo com entusiasmo.

Chega de dirigente querendo se consagrar a qualquer custo!

Aliás, sobre dirigente gastador, tenho para mim – e hoje divido com os botequeiros – que um dos males do Grêmio é que todos os presidentes que sucederam Fábio Koff trabalharam tentando superá-lo. Um em especial. 

Não é o caso do Romildo Bolzan, que, primeiro paga as contas – ou as empurra com a barriga – e depois busca reforços dentro das possibilidades do clube.

Enfim, sou do tempo em que o Grêmio tinha o seu Verardi no departamento de futebol. Um legítimo diretor-executivo, mas com o salário de um funcionário um pouco mais graduado. 

Quem comanda era o vice de futebol. Foi assim que o Grêmio conquistou o mundo em 1983 e duas Libertadores.

O primeiro diretor-executivo do clube foi Mário Sérgio. 

Um dia escrevi uma coluna dizendo que o Grêmio – que vivia numa crise terrível – poderia contratar um jogador de bom nível em vez de gastar com um profissional para comandar o futebol.

Não era nada pessoal, mas MS não gostou e me atacou publicamente. Foi por mim processado por injúria e difamação. 

Não sou contra diretor-executivo, só acho que existe uma valorização absurda desses profissionais, que perambulam por aí ora vencendo, ora perdendo, como qualquer dirigente/conselheiro, ou treinador.

Sinceramente, as vezes me apavoro com os nomes dos profissionais que são sugeridos por torcedores e jornalistas para essa função.

Sem contar que com treinadores que abraçam tudo, como Felipão, Luxemburgo e Renato, eles são prescindíveis.

JAEL

Fiquei feliz com a contratação de Jael. É a garantia que Renato não irá mexer no modelo de atacantes de movimentação.

Fosse algum centroavante de carteirinha com grife, um Barcos por exemplo, o esquema estaria ameaçado.

Seria uma repetição do caso Bobô, que chegou precedido de alguma fama e acabou mexendo com a cabeça do técnico Roger. 

Jael é um ‘aipim’ que vai ficar na dele, sem qualquer ambição.

Assim, no final das contas talvez possa ser útil.

Geromel e a alcateia faminta

Sou contra jogador, empregado do clube, expor publicamente questões da equipe. Não gostei, por exemplo, quando Barcos, que Deus o mantenha distante do Grêmio, deu entrevista coletiva, há uns dois anos, revelando que os salários estavam atrasados.

Fez a alegria de gremistas corneteiros, oposicionistas e, principalmente, imprensa em geral.

Na época escrevi que era caso de afastamento do grupo.

Penso que certos assuntos devem ser tratados muito internamente, não podem vazar de jeito algum.

Por isso, não gostei quando vi Geromel colocando, em entrevista coletiva, que a direção precisa qualificar o time porque o ano é longo, muitas competições, muitos jogos.

(Sei que muita gente salivou de satisfação com essa declaração.)

Primeiro, ele está absolutamente certo. É isso mesmo. Todos concordam que é preciso contratar jogadores de mais qualidade para armar um time realmente capaz de brigar pelo título.

Por enquanto, o que se vê é a contratação de jogadores em nível de grupo – o que também é importante -, mas, conforme Geromel mesmo registrou, é insuficiente. É preciso qualidade.

Segundo,  o problema é que Geromel não precisava dizer isso publicamente.

Penso que ficou mal em termos de grupo. O que estarão pensando aqueles jogadores mais questionados, como o Marcelo Oliveira?

Mas ficou talvez pior ainda junto à direção, que trabalha com orçamento apertadíssimo e que só poderá contratar nome de mais peso (não, não me refiro ao Walter) se algum jogador de destaque da equipe for negociado.

Enfim, a direção, em especial os homens do futebol, pouco podem fazer sem dinheiro. O presidente Romildo está certo em manter sua política de pés no chão. 

Terceiro, Geromel, pela relevância que tem, precisa ponderar melhor suas falas. Trata-se do principal jogador do clube. Tudo o que ele diz alcança outra dimensão.

O fato é que Geromel acabou fazendo a alegria da alcateia faminta por uma crise no Grêmio.

CORNETA

A quem interessar possa:

A expressão IVI foi criada por Ricardo Worthman, combativo titular da cornetadorw, unha encravada nos pés de uns e outros da mídia.  

LUTO

A morte do ministro Teori Zavascki é lamentável para a população de bem deste País.

Relator da Lava Jato. Homem sério. Sua morte – oportuna para muitos – precisa ser muito bem esclarecida.

Fora isso, era um grande gremista.

E assim vai o Brasil…

Contratações preocupantes e o xeque mate

Acompanho com preocupação os movimentos do Grêmio no tabuleiro das contratações. 

Por enquanto, não vislumbro nenhum xeque mate.

É só movimentação com os peões. 

Não fossem o título da Copa do Brasil e o rebaixamento colorado as redes sociais tricolores estariam fervilhando.

Os nomes até agora anunciados e/ou especulados são desanimadores.

Mas reclamar agora tendo um ano inteiro para acompanhar a agonia, o calvário, vermelho?

Então, ficamos todos nós, assim, anestesiados, contemplativos.

Pois eu acho que é hora de pensar grande, avançar os cavalos, os bispos, as torres e soltar a rainha.

Sei que há severas restrições orçamentárias. O que impede grandes investidas, como um Éverton Ribeiro para o meio de campo.

Sei que é preciso contratar em nível de grupo, investir em apostas baratas.

Mas não consigo entender essa insistência em contratar atacantes estrangeiros de escassos gols e altas pedidas salariais.

O Grêmio quer porque quer gastar (sim, não é investir) em jogadores de currículos discretos, mas de fala espanhola. 

Poderia fazer uma lista maior do que a relação dos envolvidos na Lava Jato só com nomes de ‘gardelons’ que fracassaram por aqui, alguns até com bagagem superior a dos jogadores que estão sendo veiculados. 

Não tenho dúvida que os deuses do futebol estão protegendo o clube dos ‘el toros’ da vida.

Agora, surge o nome de outro jogador sem maior expressão, que nada acrescenta aos atacantes atuais.

Angelo Rodriguez, do Tolima. A lista de clubes que ele defendeu é assustadora. Seu passe custa 1,2 milhão de dólares.

O negócio emperrou porque o empresário do negócio quer dez por cento de comissão. O Grêmio quer pagar bem menos.

Espero que ele não ceda. Virei secador de contratações.

E vou continuar assim até que o presidente Romildo Bolzan solte a rainha no tabuleiro e busque jogadores que realmente possam dar a resposta que o time precisa e a torcida espera para o derradeiro xeque mate: o título da Libertadores.

Dirigentes novatos da dupla começam bem

Tem coisas que só acontecem aqui nessa região Abaixo do Mampituba.

Por exemplo, tem gente criticando o Grêmio nesse caso envolvendo a ‘devolução’ de Gabriel Fernández, um aipim de origem uruguaia.

Aliás, como o Grêmio gosta de atacante ‘gardelón’.

Na real, o clube teve até mais sorte que juízo. 

Mas o que importa aqui é a forma como o Grêmio conduziu esse processo. Li e ouvi um pessoal criticando a direção por não ter apurado melhor as condições clínicas do jogador antes de acertar sua vinda a Porto Alegre.

Ora, as informações básicas já eram de conhecimento do departamento médico. Faltava um exame mais detalhado, que só poderia ser feito aqui. 

Aí, foi constatado que o caso era mais grave do que parecia ou era apregoado pela outra parte do negócio.

Por uma questão de sigilo profissional, os médicos do Grêmio não podem de maneira alguma dizer qual o problema que realmente inviabilizou a contratação de Fernandez. Tampouco o clube pode se manifestar a respeito.

Tem jornalista experiente que classificou a ação como um ‘mico’ do Grêmio, o que me parece uma tentativa nojenta de atingir o vice de futebol Odorico Roman.

É muita vontade de criticar, fazer onda.

Pois Odorico, anteriormente um blogueiro ativo, agiu certo. Da mesma forma em relação ao Kayke.

Resta agora focar na busca de reforços que realmente acrescentem para a dura campanha da Libertadores.

WILLIAM

Outro novato na função, Roberto Melo, vice de futebol colorado, deu uma lição de como se trata jogador metido à besta.

O antes festejado e protegido (da imprensa) William caiu em desgraça perante os colorados ao anunciar que tem o sonho de jogar na Europa.

Bah, se eu fosse falar dos sonhos que tive e que o tempo levou…

O fato é que o ‘cotovelo de ouro’ não quer renovar com o Inter.

Em resposta, Melo disse que pode obrigar o jogador a cumprir seu contrato até o final, mais um ano e quatro meses.

Achei exemplar a decisão.

Os jogadores de futebol ganham muito dinheiro, são tratados com o bibelôs, mas poucos são os que reconhecem o que os clubes fizeram por eles.

A maioria acaba virando o cocho, como porcos imundos – com todo o respeito que os porcos merecem.

São muitos os casos da trairagem, nem vale a pena lembrar.

Mas tudo isso para dizer que gostei dessa atitude de Roberto Melo. Está começando bem, assim como Roman.