Tragédia

Tragédia

ATENÇÃO

FECHADO POR MOTIVO DE LUTO

Três dias de foco total na Copa do Brasil

Decidi aliviar minha mente por uns dias. Mais exatamente até perto da meia-noite de quarta-feira.

Até lá, meu foco, minha concentração, estará destinada a conquistar o título da Copa do Brasil. Estarei na Arena.

Pouco me importa se o Grêmio foi goleado pelo Santa Cruz e tem chances reduzidas de levar uma das ‘duzentas’ vagas à Libertadores/2017.

Engraçado, a mídia gaudéria dá uma importância tremenda a isso. O que interessa essa vaga?

O Grêmio não está nem aí para essa vaga. Já deixou isso muito claro.

Mas o pessoal da agenda negativa insiste em destacar essa ‘perda’ até para caracterizar um fracasso da gestão.

A meta tricolor é a Copa do Brasil, e ponto!. É confirmar o favoritismo alcançado com a bela atuação em MG e garantir o título.

Então, que se dane a sétima vaga ou outra vaga qualquer.

Até porque nada no mundo irá compensar ou atenuar a imensa frustração que seria perder (toc-toc-toc) a Copa do Brasil dentro da Arena, depois de obter uma vantagem de 2 a 0 no jogo de ida.

Bem, quando essa angústia terminar, quando as lágrimas secarem e minha voz voltar ao normal depois de tanto festejar esse que será meu primeiro título nacional como torcedor – nos outros eu estava mais preocupado com o meu trabalho jornalístico -, aí sim voltarei a exercitar a arte da secação.

Até lá, o que interessa é o Grêmio e a conquista da Copa do Brasil.

O resto é o resto.

MOLEZA

Qual seria a motivação do Santa Cruz para correr tanto e lutar tanto para vencer o time reserva do Grêmio?

Haveria uma mala branca de algum concorrente a uma das ‘duzentas’ vagas à Libertadores?

Atribuo esse empenho do grande Léo Moura e seus colegas a algo que muita gente esquece: a dignidade.

Quando nada mais se tem a perder, joga-se pela dignidade. Joga-se pela alegria de jogar futebol e de sair de campo vitorioso, aplaudido pela torcida.

Então, não acredito nessas histórias de que time A ou B irá facilitar por isso ou por aquilo.

O Fluminense, por exemplo, deixar de correr por que nada tem a perder.

Alguém realmente acredita que os jogadores do Flu não irão se empenhar?

A torcida não irá aceitar esse tipo de comportamento. Pelo contrário, vai reagir.

Portanto, que ninguém espere moleza na última rodada do Brasileirão.

DRONE

Essa da torcida colorada partir para a violência por causa de uma brincadeira envolvendo o fantasma da série B mostra o quanto se tornou doentia a paixão de alguns torcedores. 

Eu pensava em lançar uma cerveja em ‘homenagem’ ao Inter, mas desisti. Não quero ser a próxima vítima.

 

Grêmio faz 3 a 1 com jeito de campeão

“O Grêmio tem um time maduro, capaz de enfrentar qualquer adversário em qualquer lugar.

Há problemas em duas ou três posições, mas nada que não possa ser superado com o time jogando a 110%, sem temor e com ousadia.

Mais ou menos como era Renato jogador. Destemido e ousado.”

Foi com essas palavras que encerrei meu texto anterior, projetando o confronto Grêmio x Atlético Mineiro.

Nesse comentário manifestei minha confiança num resultado positivo e defendi a presença do jovem Pedro Rocha, um atacante moderno, que aparece na área, dribla, faz gols e ainda ajuda a marcar com muita abnegação.

O Grêmio, na verdade, nem precisou jogar a 110%. Jogou o que sabe, o que pode, o que se mostrou suficiente para encaminhar a conquista do título de campeão da Copa do Brasil.

A superioridade do Grêmio enquanto esteve com onze jogadores foi constrangedora para o atleticanos.

Foi com absoluta justiça que o Grêmio chegou ao primeiro gol. Bola metida por Maicon – aliás, atuação espetacular, pra calar aqueles que não cansam de criticar sua contratação -, que Pedro Rocha, outro muito questionado, recebeu, livrou-se da marcação e mandou para a rede.

Quer dizer, dois jogadores questionados pela maioria dos gremistas abrindo o placar em calando o Mineirão. Futebol é bonito também por isso. Nada pode ser definitivo.

Vejam Marcelo Grohe, execrado por um número absurdo de gremistas. Ele fez uma defesa num momento chave do jogo, impedindo o empate atleticano. Grohe, além de grande goleiro, é um baita gremista. 

No segundo tempo, quando o Atlético começava a levar algum perigo, Pedro Rocha mostrou outra jogada de ser repertório. Arrancou de trás, passou por três adversários e chutou para fazer 2 a 0.

Seu erro foi tirar a camisa na comemoração. Levou o cartão amarelo. Como recriminar um jovem que vinha sendo alvo de muita crítica e acumulava gols perdidos?

Minutos depois, ele foi expulso pelo juiz, uma expulsão justa. 

O Grêmio estava tão bem estruturado e o Atlético tão confuso que não cheguei a me assustar. Acreditava que era possível resistir e garantir ao menos um empate, na pior das hipóteses.

A zaga gremista estava implacável. A dupla de volantes exagerando na arte de marcar e jogar.

Não via como o time mineiro virar o jogo em menos de 20 minutos.

Aí, eis que o juiz inverte um escanteio e no mesmo lance deixa de marcar falta sobre Ramiro. Escanteio cobrado, gol do Atlético.

Foi um gol achado, porque o Atlético nada fazia por merecer esse gol, apesar do esforço.

Um pouco antes havia entrado Éverton no lugar de Douglas, já muito extenuado.

Aplaudi a escolha de Renato. Sei que muitos devem ter torcido o nariz, querendo um defensor para garantir a vantagem.

Pensei: Éverton vai ajudar a marcar e será uma saída em velocidade para o ataque. 

A saída para o ataque não foi dele, mas de Geromel, que, quase ao final do jogo, saiu da defesa pela direita, avançou e viu Éverton entrando pelo meio. Cruzou na medida para o guri desviar do goleiro Victor: 3 a 1.

Um placar clássico para um clássico do futebol brasileiro. Noite memorável para o Grêmio.

Atuação digna de um campeão.

Como símbolo dessa vitória aponto Geromel: raça, talento e resiliência.

Destaco também o trabalho de Renato Portaluppi, que, além de armar o time para marcar e agredir com destemor no Mineirão lotado, mostrou por que ganhou o grupo de jogadores ao abraçar Pedro Rocha, jogador que ao ser expulso de modo infantil colocou em risco a vitória.

Renato abraçou o guri, que depois foi flagrado chorando no corredor de acesso ao vestiário.

Isso também ajuda a explicar o sucesso desse time montado por Roger Machado e aperfeiçoado por Renato Portaluppi.

 

Renato

Um Grêmio como Renato: destemido e ousado

Este final de ano tá me saindo melhor que a encomenda. Ok, nada está ganho. Nem o Inter está realmente rebaixado (já descrevi meus temores no comentário anterior), nem o Grêmio é campeão da Copa Brasil, interrompendo 15 anos de uma seca típica dos piores tempos do sertão.

Mas só essa sensação de ser de novo centro das atenções, com o nome Grêmio ecoando mundo afora, ver a torcida comprando todos os ingressos para o jogo do dia 30 em pouco mais de 24 horas, ver o sorriso dos gremistas de orelha à orelha, ver o clube a 180 minutos de um título condizente com sua grandeza. Tudo isso já me anima, me conforta e, confesso, me faz mais feliz.

Não sei se o Grêmio vai chegar lá, lá onde merece, no topo. Só sei que estou com a alma lavada e enxaguada – como diria um personagem famoso da Tv – com a alegria dos gremistas e também, admito, com o desespero e o desânimo dos colorados.

Digo isso tranquilamente, porque os colorados viveram os últimos anos acometidos de uma soberba e de uma arrogância que parecem ser inspiradas em seu atual presidente, hoje uma figura tão patética como certos analistas da crônica esportiva gaúcha. Um pessoal que já não disfarça a dor com o virtual rebaixamento colorado e com a possibilidade de o Grêmio retomar a hegemonia no Estado e ser o único representante do futebol gaúcho na Série A/2017.

Bem, o destino do Grêmio na CB começa a ser definido neste noite de quarta-feira. Espero que Renato arme seu time não para garantir o empate, resultado mais próximo da derrota.

O Grêmio já provou que, compenetrado, forte na marcação e insistente no ataque, é um time poderoso. O próprio Atlético já sentiu o peso desse futebol que por vezes encanta, inclusive fora de casa. 

Concordo com Renato, que mantém o time e a estrutura que o levou à fase final da CB. Sim, Éverton merece ser titular. Mais ainda o Bolanos, de grande atuação no domingo. Mas se Renato mantém Pedro Rocha é porque tem seus motivos, um deles é de ajudar a fechar o meio de campo, a tal de recomposição. 

Só espero que o Grêmio não se encolha, não se intimide, ou se acadele, como dizem alguns. Não há motivo pra isso.

O Atlético não é melhor, embora tenha alguns nomes reluzentes, como Robinho, sempre perigoso com a bola nas imediações da área ou dentro dela.

A ausência do rápido e insinuante Luan, sim, é algo positivo. Luan, o deles, claro.

O Grêmio tem um time maduro, capaz de enfrentar qualquer adversário em qualquer lugar.

Há problemas em duas ou três posições, mas nada que não possa ser superado com o time jogando a 110%, sem temor e com ousadia.

Mais ou menos como era Renato jogador. Destemido e ousado.

O medo do ‘jogador mal inscrito’

Tudo indica que o Inter vai mesmo cair. A goleada do Vitória coloca o clube que terceirizou o futebol na obrigação de vencer o Corinthians, em São Paulo. Um Corinthians que tem todos os motivos para ver o Inter e a suati liderada por Fernando Carvalho chafurdando na lama da segunda divisão.

Já tem corintiano prometendo um DVD contando a história da queda vermelha. 

Até eu já estou meio que acreditando no rebaixamento colorado. 

Mas ainda tem muita gente na trincheira dos seguidores de São Tomé. Aqueles que só acreditam vendo. Ou seja, só irão crer quando os números finais sentenciarem o Inter de forma definitiva ao inferno da segundona.

Terminada a rodada deste domingo, com resultados desfavoráveis ao Inter, recebo uma ligação de telefone de um velho gremista, um sobrevivente dos anos de chumbo.

De tanto apanhar na década de 70 e agora nos anos 2 mil, meu amigo ainda não se dá por vencido. Ele duvida que o Inter caia.

Não esquece o ‘caso Paysandu’, o caso ‘gol de Dunga de cabeça sobre o Palmeiras’.

Meu amigo, com a alma calejada de tantas frustrações na vida e no futebol, sussurrou-me ao telefone:

“Tenho calafrios sempre que o ‘deus’ (FC) diz que tudo só irá se definir na última da rodada”.

Ele explicou: tem muita coisa que pode acontecer na última rodada para impedir a queda colorada.

Citou arbitragens, mala preta, mala branca, gaveta de jogador, tapetão, etc.

Não adiantou retrucar que hoje é mais difícil de fazer certas coisas. São milhões de fiscais nas redes sociais, por exemplo – eu disse.

Claro, não é impossível ocorrer algum tipo de fraude, tive de reconhecer.

São outros tempos, não esquenta – reforcei, citando a lava jato, as prisões de gente graúda.

Não adiantou. Antes de desligar o telefone ele ainda disparou:

“Nem depois da última rodada, com eles supostamente rebaixados, vou ficar tranquilo. Vou aguardar pelo menos 24 horas”.

Por que?,, perguntei já cansado de tanta paranoia e teoria da conspiração.

Ele nem vacilou:

“Vai que apareça um jogador mal inscrito do Vitória…”.

Bem, não seria a primeira vez. Lembram do caso Portuguesa?

Por via das dúvidas já estou com a barba de molho.