Grêmio avança rumo ao vice nacional

O time que começou o Brasileirão desacreditado já garantiu presença na Libertadores de 2016, sonho de muitos e realização de poucos.

O Grêmio agora persegue o segundo lugar. Como disse Marcelo Grohe, ironizando, o vice é o ‘primeiro lugar dos últimos’. 

Um passo decisivo nesse sentido foi dado neste domingo na Arena perante 40 mil torcedores. O Grêmio voltou a bater o Atlético Mineiro na competição. Fez 2 a 1 com um percentual de aproveitamento fenomenal dos chutes a gol, confirmando que o time precisa de reforços para o sistema ofensivo se não quiser ser apenas figurante na Libertadores.

Era um jogo de ‘seis pontos’. Na última rodada, domingo, o Grêmio pega o Joinville, fora. Já o Atlético enfrenta a traiçoeira Chapecoense, que já aprontou por demais da conta no Brasileiro. Quem sabe não apronta mais uma.

Se o Grêmio vencer e o Atlético empatar, Grêmio assume o segundo lugar e, se não me engano, embolsa R$ 2 milhões. Não é muito – mais ou menos o dobro do que ganha o sempre prestigiado Rui Costa por ano como dirigente remunerado do tricolor -, mas já é alguma coisa.

Sobre salário de dirigente de futebol, cargo quase tão importante quanto o do presidente, entendo que o pagamento deveria ser por meta atingida, além de um salário básico, mais próximo da realidade do torcedor, que é, no final das contas, quem banca toda essa festa.

Sobre o jogo, o Grêmio voltou a jogar um futebol insuficiente em termos técnicos, mas em comparação com o Gre-Nal foi ao menos mais determinado, mais esforçado, sem esmorecer diante das dificuldades impostas por esse ótimo time mineiro.

O Grêmio abriu o placar com um golaço de Éverton, depois de jogada com Marcelo Oliveira. Éverton fez sua jogadinha de sempre, cortou pra dentro e chutou rasante. Espero que o repertório dele seja mais diversificado. Não um samba de uma nota só.

O empate foi uma bobagem do Geromel, uma bobagem equivalente a do Erazo no Gre-Nal. Aliás, Erazo desta vez não pensou duas vezes para espantar, mandar a bola pra longe ao menor sinal de perigo.

Geromel cometeu um pênalti infantil, inaceitável  para um zagueiro de clube de ponta. Mas ele tem ainda muito crédito. Só fica difícil entender por que ele segurou Datolo de forma tão acintosa.

Aliás, Datolo seria um bom reforço para a Libertadores.

Por sorte, um milagre. Depois de sei lá quanto tempo um gol de falta (gol de escanteio acho que fica pro ano que vem). Luan enganou Victor, metendo uma rasteira no contra-pé do goleiro, que ficou com cara de tacho.

Vale destacar o empenho de Roger e dos jogadores, que exigiram da arbitragem a marcação de falta sobre Ramiro, depois de o auxiliar ter feito uma sinalização equivocada no lance. A arbitragem voltou atrás.

Depois, o Grêmio resistiu à pressão. O goleiro Bruno Grassi, que substituiu Grohe, fez duas grandes defesas, evitando o empate. Antes havia saído mal da goleira, catando borboletas. Felizmente, o cabeceio do zagueiro saiu alto demais.

Do jogo restou a confirmação de que a direção gremista terá muito trabalho para armar um time realmente capaz de brigar pelo título da Libertadores/2016. No mínimo, quatro jogadores para serem titulares absolutos.

Haja dinheiro, competência e criatividade.

INTER

O Inter mais uma vez jogou um balde de água fria no segmento vermelho do Estado. Numa semana empolga, na rodada seguinte, frustra.

Venceu o Gre-Nal e tudo parecia ajustado. Agora vai! Não foi. 

O Inter conseguiu não vencer o Fluminense, que pediu para perder. O time carioca jogou boa parte do tempo com um jogador a menos. Sem contar que estava sem Fred e outros titulares importantes.

Diferente do que aconteceu no Gre-Nal, quando o time de Argel manteve ritmo forte todo o tempo, sábado o segundo tempo foi deplorável em termos físicos, com reflexos no rendimento técnico.

No final, o empate por 1 a 1 saiu justo, mas complicou a vida colorada no Brasileiro, para desespero dos ‘matemáticos’ colorados e suas incansáveis máquinas de calcular.

 

 

A ‘empresa vermelha, colorada’

O boato corria solto nos escritórios, nas ruas, nos becos, nos botecos. Mas ninguém conseguia confirmar a veracidade do que era dito.

O boato era isso, apenas um boato. Já estava virando uma lenda urbana.

Quem haveria de acreditar que numa determinada entrevista o presidente da RBS teria afirmados que a sua empresa seria ‘colorada’, seria ‘vermelha’, expressões usadas por ele.

– Não pode ser, isso não existe -, era a reação de quem ouvia a história pela primeira vez. Mesmo assim, era passada adiante, num ciclo que parecia não ter fim.

Faltava a prova que transformaria o boato em fato.

Pois esse dia chegou. Um garimpeiro de notícias do blog cornetadorw pesquisou e encontrou a tal entrevista.

Tudo verdade. A tal entrevista existe.

Sem entrar no mérito, faço o registro para a posteridade:

http://cornetadorw.blogspot.com.br/2015/11/o-fim-da-mentira-repetida.html

Como dizia Chico Anísio em sua Escolinha do Professor Raimundo:

– Chega de churumelas!

BRASILEIRÃO

O Inter pega um Fluminense desfalcado, parece que só com reservas e alguns novatos.

Lembro que o Corinthians jogou com reservas contra o São Paulo e goleou.

Portanto, não é jogo jogado, como acreditam os colorados otimistas de plantão.

Já o Grêmio pega um Atlético Mineiro motivado para manter o segundo lugar. Certamente, com premiação robusta.

A favor do Grêmio a ausência do Levir Culpi. Time terá técnico interino.

O último a ousar isso foi  o Inter, e a gente sabe como terminou.

Acredito na vitória e na conquista do vice., o que será formidável para um time que começou completamente desacreditado.

Antidoping e os Aflitos

Antidoping e os Aflitos

Decidi escrever algumas linhas sobre a Batalha dos Aflitos depois de ler e ouvir colorados da imprensa e fora dela.

Eles mal conseguem disfarçar irritação pela comemoração dos gremistas. No fundo, é uma baita inveja daquele momento épico, único, inigualável.

O Grêmio venceu com sete jogadores em campo, num jogo marcado pela emoção, tanto para os gremistas como para os colorados, que secaram ardorosamente e no final amargaram profunda frustração, mergulhando nas trevas da inveja e do rancor.

Essa comemoração tricolor nada tem a ver com o ‘título da segundona’. Os colorados sabem disso, mas saem por esse lado para fugir à realidade: o Grêmio tem uma capacidade de irresignação incomparável, não se conforma e não admite a derrota. Por isso, luta, luta e luta.

Este é o Grêmio que nem sempre a gente vê, mas é o Grêmio que todo gremista conhece e admira, e não aceita que seja diferente.

É o Grêmio que todos os adversários respeitam. 

É comum o Grêmio ser citado pelos jornalistas de todo o país como referência de equipe aguerrida, incansável e obstinada, que só descansa após o apito final.

Por isso, é um orgulho ser gremista e poder festejar a vitória épica em Recife, enaltecida em todo o mundo. Menos por setores aqui da aldeia.

A inveja é uma merda!

AFLITOS

Por falar em aflitos, é assim que estão os colorados em função dos dois atletas flagrados no antidoping usando a mesma substância – algo inédito no mundo -, três vezes e em menos de 15 dias.

Na terça-feira, a Comissão Nacional do Controle de Doping esteve no Beira-Rio coletando material de todos os jogadores. 

Se forem encontradas as substâncias clorotiazida e hidroclorotiazida mais uma vez, a punição com certeza atingirá também o clube.

A imprensa do centro do país fala em dois anos de suspensão, com rebaixamento de divisão no Brasileiro.

É claro que vai dar em nada. Até porque essa coleta deveria ter ocorrido imediatamente após a contraprova. Não agora, 20 dias depois.

O curioso é que a direção pensou que poderia manter esse procedimento em sigilo. É muito amadorismo.

O papel aceita tudo

O papel aceita tudo

Nos velhos tempos das laudas e das máquinas de escrever (Remington e Olivetti, por exemplo) era comum um colega provocar o outro, que insistia em especular nomes de reforços para a dupla Gre-Nal. Dizia, rindo de orelha a orelha:

– O papel aceita tudo.

Hoje, seria ‘a tela branca aceita tudo’.

O que tem de gente lançando nomes de possíveis contratações pelo Grêmio. A maioria dos nomes tem origem em empresários loucos pra faturar algum. Lançam o nome com a ajuda do jornalista, que pensa estar dando um ‘furo’ na concorrência. O dirigente preguiçoso ouve aquilo e, de repente, está mantendo contato com o empresário, que leva consigo, claro, um DVD com lances fenomenais de seu jogador.

Hoje mesmo li um blog em que são citados três nomes, nenhum deles de empolgar, até pelo contrário. Mas os jogadores são referidos num texto que tem como ilustração o presidente Romildo Bolzan. Alguém mais distraído vai imaginar que Bolzan pode ser a ‘fonte da informação’. Nos comentários, gremistas dando pau no presidente.

A matéria fala em Rodinei, este sim com contratação encaminhada. Bom jogador. Depois, cita o zagueiro Felipe Trevisan, do Hannover. Esse jogador vive um período de muitas lesões. Quase não tem jogado. E as informações sobre ele, tecnicamente, não são nada estimulantes.

Por fim, Marcelo Toscano, vice- goleador da série B (o que pra não significa nada, quer dizer, significa que é um jogador de série B, onde com certeza existem opções melhores) pelo América MG. Alguém já ouviu falar nesse atleta, que já tem 30 anos?  Outro Vitinho, não.

Esse tipo de notícia cai como um balde de água gelada na cabeça dos gremistas, que esperam ver um time realmente competitivo para disputar a Libertadores. Mas disputar mesmo, pra valer, com chances concretas de título.

Será a quarta tentativa do esforçado diretor Rui Costa, que, pelo jeito, vai continuar dando as cartas.

SUGESTÕES

Bem, como a tela branca aceita tudo, encaminho minhas sugestões, mesmo sabendo que não serão consideradas.

O Grêmio precisa de titulares de alto nível para duas funções: articulador e goleador.

Investimento pesado apenas para contratar um meia que alie técnica com velocidade e movimentação; e um atacante que se movimente, mas que não fuja da área e tenha grande capacidade de finalização.

Depois, completar o time com um lateral direito mais efetivo que Gallardo;

um zagueiro com mais imposição, um xerife, um cara que faça gols de cabeça, algo raro no Grêmio. Ah, que meta o dedo na cara de algum argentino de voz esganiçada;

um volante com mais pegada, mordedor, que suje o calção, que não tenha vergonha de dar chutão quando necessário e que saiba fazer lançamentos como fazia o Dinho.

O restante pode ser completado com boa parte do elenco atual e o aproveitamento de jovens da base.

 

 

Derrota, mais que goleada, ensina muita coisa

Sempre se pode tirar proveito de um resultado negativo, como foi esse diante do Inter no Beira-Rio. Nem tanto pelo resultado em si, mas principalmente pelo desempenho do time.

O time titular do Grêmio caiu diante do mistão colorado.

Pelo retrospecto recente, era jogo para o Grêmio vencer, não com outra goleada porque os 5 a 0 são tão atípicos quanto os 6 a 1 dos reservas do Corinthians sobre o São Paulo – quem gosta de campeonato de pontos corridos pode festejar esse final deprimente, sem empolgação.

A emoção se reduz a disputa por vaga para isso ou aquilo, já que o título mais uma vez foi decidido a muitas rodadas antes do fim.

O Grêmio jogou mal. Foi um pouco do Grêmio empolgante que a gente viu neste Brasileirão só depois dos 30 ou 35 minutos do segundo tempo. 

Até ali o time foi, digamos, comandado por Douglas. Bem, Douglas não acertou um cruzamento decente nos escanteios e faltas. O que não é nenhuma novidade. A tal metida que deixa o companheiro na cara do goleiro não aconteceu.

Desculpe, aconteceu sim. Foi do Maxi Rodriguez, que deixou o aipim argentino em condições de marcar, mas o chute parou nas mãos do goleiro colorado. Sem dificuldade. 

Maxi me parece um jogador doente, fraco, mas penso que ele poderia ter entrado antes no jogo. No lugar de Douglas. Roger optou por Bobô. 

E é por aí que eu começo a mostrar que um resultado negativo dessa magnitude tem aspectos positivos.

Por exemplo, mostrar quem deve continuar no clube em 2016. Bobô pode seguir em frente. Parece que Tite andou interessado nele. Tite é mágico, talvez consiga transformar Bobô num goleador. 

Além de Bobô há muitos outros. Douglas é um deles. Poderia ser reserva, mas é um risco deixar um jogador como ele no banco.

É claro que não podemos basear essa limpa apenas na atuação deste domingo. Tem o conjunto da obra. A média das atuações. 

Erazo, que eu gosto, falhou no gol colorado, na grande jogada de Dourado pela direita. Ele dividiu com elegância, porque ele é elegante e o jeito de jogar do time comandado por Roger é assim, elegante. Dificilmente dá chutão. Tem ganhar a disputa na técnica e sair jogando com qualidade, bola rente ao gramado. A gente sabe que isso não funciona sempre, principalmente na Libertadores.

Erazo só pode ficar se entender que em Gre-Nal é proibido ser elegante o tempo todo.

Gosto desse estilo implantado por Roger, de muito toque de bola, deslocamentos, é bonito, mas quando o adversário marca os jogadores mais criativos a coisa complica. Por isso que de vez em quando uma bola longa ou um chutão pode cair bem.

Douglas, sabemos, sucumbiu. Luan, idem. Mas Luan ainda teve alguns lampejos apesar da forte marcação, inclusive com sequência de faltas. Douglas, salvo engano, não sofreu falta. Não precisou. 

O melhor do time foi Wallace, inclusive pela entrada forte no argentino provocador ainda no primeiro tempo. Em bom nível o Geromel. Giuliano entrou no jogo apenas no segundo tempo. Roger precisa rever essa ideia de deixar Giuliano tipo um ponta direita. Ele cresce quando começa a aparecer pelo meio, mas isso só acontece quando Douglas sai.

Derrota em Gre-Nal ensina muita coisa. Começa por mostrar que a realidade não é nem nunca foi aquela goleada de 5 a 0.

Agora, se o Grêmio entrasse realmente determinado a vencer, sem pensar no pontinho fora que garantia a classificação, acredito que as coisas teriam sido diferentes. 

Por fim, o Grêmio mais uma vez dando uma mãozinha para o Inter disputar a Libertadores. 

ARGEL

Argel tratou de anular a criação do Grêmio. Conseguiu. Houve algumas pancadas, mas o Grêmio também bateu.

O juiz foi bem. Ouvi o Márcio Chagas pedindo cartão amarelo desde o começo para o jogo não fugir do controle. Casualmente, para jogadores do Grêmio que deram duas ou tres entradas mais fortes no início. Mas nada para cartão amarelo. 

É a mentalidade do técnico gaúcho, assustado com o clássico.

Ricardo Ribeiro foi comedido nos cartões e controlou o jogo. Simples.

Juiz de fora sempre. Até no Gauchão, se for possível.