Roger faz mistério para enfrentar o Flu

Depois de um treino secreto para o jogo desta quarta contra o Fluminense, o técnico Roger, como normalmente acontece em suas entrevistas, foi muito feliz  ao comentar a saída de Ronaldinho do clube carioca.

– Ele não é mais fato do jogo.

Uma frase curta, direta e definitiva. Ronaldinho não interessa. Não faz parte do jogo e, ao que tudo indica, não é mais fato do futebol.

Fatos do futebol são jovens como Luan e Wallace, convocados para dois amistosos da seleção sub-23. É o técnico Dunga, que anda batendo boca com seu ex-amigo Romário, desfalcando o Grêmio. Desse jeito, não há grupo que resista. Vale o mesmo para o Inter, que fica sem Valdívia e Vitinho.

Felizmente, Roger conta com esses dois talentos para superar o Fluminense na Arena e dar um passo importante rumo ao título da Copa do Brasil. Se passar pelo time carioca o Grêmio estará a 360 minutos de comemorar mais uma Copa do Brasil.

Por isso é importante que a torcida compareça e apoie o time. O Fluminense tem uma equipe de qualidade e, como se sabe, é um dos queridinhos da CBF. A Arena lotada inibe – um pouco – qualquer tentativa de favorecer o adversário.

Mas o que interessa é bola rolando. Geromel segue fora. É um prejuízo. Com isso, joga Thyere, zagueiro da casa, com bom potencial. Vamos ver como irá se sair, ao lado de Erazo, contra o malandro Fred, que gosta de rasgar camisa de zagueiro e de dar entradas mal-intencionadas no adversário, como fez em Marcelo Grohe no jogo de ida.

Fred não é mais aquele de outros carnavais, mas se a bola sobrar pra ele é gol. Todo cuidado é pouco.

Maicon é outro que não deve jogar, mas não ficarei surpreso se ele entrar em campo. O time do Grêmio é bastante conhecido pelos adversários. Em princípio, o que Roger teria para esconder? Ele promete anunciar o time apenas minutos antes do jogo. Isso pode significar que ele ainda espera por Maicon.

Se existe alguma chance de Maicon jogar, ele precisa jogar.

O Grêmio vai precisar de seus melhores jogadores para vencer. Nunca esquecendo que empate por 1 a 1 em diante dá Fluminense. 

Se é pra poupar alguém que isso seja feito no Brasileirão, nunca na Copa do Brasil. Claro que Maicon não deve jogar se não estiver em plenas condições, até para não correr o risco de perdê-lo por mais tempo.

Roger aproveita também para fazer um misterinho na frente. Joga Bobô ou Pedro Rocha?

Já cansei de defender que o guri deve sempre sair jogando. Foi com ele que o time conseguiu suas melhores atuações, entre elas – não canso de repetir – a que resultou nos 5 a 0.

Agora, se Roger começar com Bobô é porque tem seus motivos.

Tem como não respeitar uma decisão de Roger? Por tudo que já fez, Roger merece minha total confiança.

A flauta de André Lima e o time sem Douglas

A vitória do Grêmio sobre o Avaí, na Arena, fica marcada pela grande atuação de Giuliano e seus dois gols, o golaço de Maxi Rodriguez – até não sei se ele já fez algum gol comum – e a comemoração de André Lima.

Claro, nada mais importante que a vitória em si, os três pontos que mantêm o clube no G-3, posição consolidada a partir do empate do Palmeiras que somou apenas um ponto ao empatar com o São Paulo, numa falha ridícula de Rogério Ceni. Agora, são seis pontos de vantagem. Dois atrás do Atlético e 9 distante do Corinthians, virtual campeão.

Quer dizer, o Grêmio fica ainda mais tranquilo para enfrentar o Fluminense quinta-feira, pela Copa do Brasil, que é como se sabe, a única chance de título nesta temporada, e um título nacional que lavaria a alma gremista, tão torturada desde 2001. Portanto, será uma noite para lotar a Arena.

Voltando ao jogo de sábado: estou em dúvida para escolher o melhor momento. Uns apontam os dois gols de Giuliano, resultado de entrosamento e qualidade técnica individual na hora da conclusão; outros ficam com o gol de pura arte marcado por Maxi; e tem ainda o André Lima.

Reserva no Avaí, esse centroavante aipim de carteirinha, entrou para dar um susto no Grêmio ao descontar no segundo tempo, quando o jogo estava em 2 a 0. O susto durou pouco porque 12 minutos depois Maxi faria o 3 a 1.

O que restou do susto foi a comemoração de André Lima, autor do primeiro gol na Arena. Ele comemorou de forma contida, mas com os braços erguidos, rígidos, sinalizando com as mãos os 5 a 0 do Gre-Nal. 

Confiram esse momento de inspiração tricolor do camisa 9: 

http://globoesporte.globo.com/futebol/times/avai/noticia/2015/09/pacotao-do-avai-guerreiro-imortal-polemico-pneu-furado-e-cotovelo-alto.html

É claro que essa ‘ousadia’ de André Lima faria desabar sobre ele a fúria de alguns analistas esportivos da praça, sempre tão leves e descontraídos quando a gozação é protagonizada por jogadores colorados. Houve até quem indicasse um psiquiatra ao jogador, conforme pode ser conferido no cornetadorw.

Então, só por esse aspecto, o que irritar um pessoal que deveria exaltar esse tipo de brincadeira que não agride nem ofende ninguém, é que eu escolho como o grande lance do jogo o gesto de André Lima, que nunca escondeu sua simpatia pelo Grêmio. 

VIDA INTELIGENTE

O principal ensinamento do jogo contra o Avaí é que há vida inteligente no time sem Douglas.

A Nasa vai anunciar nesta segunda-feira uma descoberta espetacular sobre Marte. Já se especula que há sinais de vida inteligente no planeta. Em Marte eu não sei, mas o Grêmio sem Douglas tem vida inteligente.

O Avaí vinha de três vitórias, não era uma galinha morta. Mesmo assim, o Grêmio fez o que tinha de fazer, e ao natural, sem dor. No primeiro gol, Giuliano recebeu dele, Pedro Rocha, um passe precioso.

No segundo, uma enfiada de Edinho, que está revelando no Grêmio qualidades inimagináveis. Então, a vitória foi encaminhada sem maiores percalços, indicando que é possível vencer sem o maestro.

Por fim, o golaço de Maxi Rodriguez, bem ao seu estilo. Um drible pra dentro e um chute colocado em diagonal, alto o suficiente para encobrir o goleiro. Uma pintura que Iberê Camargo assinaria.

FRITURA

O técnico Argel está passando por um processo de fritura em pouca banha. A imprensa criou o mito de que o Inter tem o melhor grupo do país. Os resultados foram desmentindo essa afirmativa. Entre recuar em sua conclusão, precipitada e apaixonada, melhor fritar treinador, preparador físico, o que vier pela frente.

A bola da vez é Argel. E é como uma montanha russa. Se vence uma, já se mira o G-4 – até pouco tempo havia quem acreditasse em G-e e até no título. Se perde, aí nada presta, porque frustra uma expectativa criada pela própria imprensa, ou parte dela, a de sempre e por demais identificada.

A derrota diante do Santos na Vila Belmiro é algo mais do que natural. O Santos dificilmente empata ou perde na Vila. Não seria o Inter, desfalcado de titulares de peso e sem reservas à altura – que talvez nunca fardariam em outra circunstância -, é que quebraria essa invencibilidade santista. 

Mas nada disso importa. Sobrou para Argel.

 

Que Roger Machado preserve sua própria obra

A turma do ‘pontinho fora’ está sorrindo de orelha a orelha. O empate contra o Fluminense por 0 a 0 pode ter sido festejado com soquinhos rápidos no ar, sob a mesa. ‘Voltamos vivos’, devem ter dito, em coro, extasiados.

Eu já fui dessa turma. Larguei neste ano. Roger armou um time que me devolveu a confiança, a convicção de que é possível vencer qualquer adversário fora de casa sem mudar a forma de jogar, talvez com um ou outro cuidado a mais. Mas nunca abdicar de buscar a vitória, os três pontos, o que deixa o pessoal do ‘pontinho fora’ em pânico.

Eu sei disso porque eu era assim. Roger Machado afastou de mim o medo. Só espero que agora, depois de conseguir esse milagre de alavancar a auto-estima dos gremistas e devolver a confiança na conquista de título – não apenas de vagas como se fosse um motorista dando voltas no centro de Porto Alegre em busca de um lugar para estacionar -, o técnico tricolor, revelação do ano, não coloque tudo a perder com essa insistência em preterir Pedro Rocha em nome sei-lá-de-que.

Questão de ordem: Pedro Rocha não é nenhum craque, mas provou, dentro das quatro linhas, que com ele o time joga MUITO mais. O guri foi titular no Gre-Nal dos 5 a 0 – não me estendo pra não chorar de emoção de novo -, e jogou também contra o Atlético Mineiro naquela vitória apoteótica. Fora outros jogos. 

Fernandinho entrou bem em alguns jogos e até mereceu a tentativa de Roger de começar com ele. Fernandinho não foi mal, mas foi inferior ao Pedro Rocha.

A tentativa com um atacante tipo aipim como o Bobô, mesmo flexível, não acrescentou nada ofensivamente. Contra o Fluminense, então, nem se fala. Bobô teve pelo menos um lance para justificar sua presença como homem de área. Bola cruzada da linha de fundo, da direita, ele dentro da pequena área, próximo à primeira trave, tentou cabecear, mas a bola roçou sua testa e sumiu da área. Bobô fez o certo, mas mostrou que, assim como o Braian, não é um atacante de sorte.

O Fred, que por momentos parece uma tia velha, não perde esse tipo de gol. Fred, além de bom, tem estrela. Bobô pode ser bom, mas não tem estrela, o que explica os poucos gols que marcou em sua carreira.

Bobô merece novas oportunidades, claro, mas nunca para começar o jogo para não descaracterizar o formato de time que Roger Machado criou e agora, como um artista genial e excêntrico, quer destruir a própria obra.

PROJEÇÃO

O Grêmio foi superior tatica e tecnicamente ao Fluminense. Foi mais equipe, no sentido completo da palavra. Mereceu vencer, embora tenha criado pouco. O Fluminense por vezes parecia um time pequeno correndo atrás da bola.

O Grêmio é muito favorito na Arena. Mas sem salto alto.

INTER

O Inter escapou de perder. O Palmeiras desperdiçou um pênalti.

O técnico Argel perdeu jogadores importantes e tem sido obrigado a colocar jogadores jovens e desconhecidos da torcida e da maioria dos analistas esportivos.

A tendência é eliminação da Copa do Brasil. 

Mas no futebol tudo pode acontecer.

CONVOCAÇÃO

Sócios gremistas, favor comparecer à Arena domingo. Assembleia de associados vai definir mudanças importantes no clube.

Eu estarei lá pra trocar umas ideias.

Confiram:

http://www.gremio.net/news/view.aspx?id=18845&language=0

 

 

Grêmio arma time para brigar pelo título da CB

Planejamento ou coincidência? O fato é que o Grêmio volta a contar com seu time titular – com exceção de Geromel – justamente na Copa do Brasil, a competição a ser vencida.

O zagueiro Thyere é o único reserva, a não ser que Marcelo Grohe, que não treinou, sinta alguma dor minutos antes do jogo. Aí, entra Bruno Grassi, com Léo no banco. Tiago, preservado depois do massacre sofrido, ficou em Porto Alegre.

Ouso dizer que o Grêmio que entra em campo nesta quarta-feira é resultado de planejamento. E só não é força máxima mesmo porque Geromel realmente não tem condições. Nada de coincidência, portanto.

Fica claro, ao menos pra mim, que Maicon poderia ter voltado contra o Palmeiras, mas o Grêmio está determinado a fechar a temporada com um título. E este, como venho dizendo faz tempo, só pode ser o da Copa do Brasil.

Agora, o planejamento inclui também uma participação muito boa no Brasileirão, sempre mirando o título, mas com foco realista numa vaga à Libertadores. Sabiamente o Grêmio não abriu mão de nenhuma das competições, mas chega um momento em que é preciso fazer escolhas.

Com vaga praticamente consolidada no G-4, com boas chances de continuar no G-3, o Grêmio deixa muito claro que seu maior objetivo agora, sua prioridade, é um título. 

Ninguém na Arena quer comemorar vaga, espécie de prêmio consolação para quem não vence de verdade.

A meta é festejar um título de campeão para uma retumbante e histórica retomada da Goethe.

O TIME

Então, se Grohe puder mesmo jogar, o time terá:

Grohe, Galhardo, Thyere, Erazo e Marcelo Oliveira (quer dizer, um sistema defensivo muito mais confiável).

Wallace, Maicon, Douglas e Giuliano (uma meio-campo que impõe respeito);

Luan e Fernandinho (por mim, jogaria o Pedro Rocha, mas Roger deve ter seus motivos).

ROGER

Ao contrário do que foi especulado de forma absurda, o técnico Roger Machado tem total apoio e confiança da torcida gremista – nem poderia ser diferente.

Qualquer afirmação que coloque em dúvida a frase acima é completamente desprovida de fundamento, pra não dizer coisa muito pior e impublicável. 

 

É injusto responsabilizar individualidades na derrota do coletivo

Se alguém espera de mim um texto incriminando o jovem goleiro Thiago e o zagueiro Bressan pela derrota por 3 a 2 diante do Palmeiras, sábado, em SP, melhor parar a leitura por aqui. 

Os dois erraram? Sim. Erraram como muitos outros em vários lances. O problema é que um goleiro quando erra normalmente é gol do adversário. Vale quase o mesmo para o zagueiro. 

Irritado com o gol sofrido, o torcedor em geral costuma ignorar completamente o outro lado. Despreza o fato de que talvez – apenas isso, talvez – o adversário tenha feito uma bela jogada, seja o drible, o lançamento, o cruzamento, a conclusão perfeita. Foi, aliás, o que fez o Palmeiras em todos os seus gols, mostrou muita qualidade na construção e no acabamento.

Então, eu não vou sair por aí pregando a degola desses dois jogadores, até porque considero isso uma profunda injustiça.

Eu também fiquei irritado quando Thiago – que muita gente queria como titular dizendo até que o Grêmio poderia negociar Grohe – saiu mal no primeiro gol. Ele vacilou uma fração de segundo e perdeu o tempo da bola, chegando tarde para evitar o cabeceio do zagueiro Vitor Hugo.

Em outros lances, Thiago foi decisivo, fazendo defesas difíceis. Mas isso não é lembrado pelos caçadores de culpados. 

Os mesmos que exigem a cabeça de Thiago – detonando o patrimônio do clube – costumam repetir que o titular da seleção brasileira também sai muito mal da goleira. Com um pouquinho menos de paixão e achômetro, não será difícil perceber que a grande maioria dos goleiros daqui e e da China saem mal nessas bolas alçadas com peso e no meio do caminho entre o goleiro e o atacante, tendo ainda um monte de gente disputando essa mesma bola ou simplesmente jogando o corpo para um dificultar o trabalho do outro.

No segundo gol, um cabeceio forte do atacante Barrios, que recebeu uma bola na medida para o seu cabeceio, às costas de Bressan. Mas onde estava o lateral-direito nesse lance?

Questão de desentrosamento. É complicado jogar com um sistema defensivo – goleiro, zaga e volantes – muito desfalcado. Thiago, Bressan, Lucas Ramon e Moisés, todos eles jogadores médios e/ou em afirmação.

Nessa condição, é inevitável que ocorram problemas de posicionamento e de entrosamento (um deixa pro outro, por exemplo). Tinha reservas demais, e disso se aproveitou o Palmeiras, que tem o melhor ataque do campeonato. Quer dizer, uma defesa desfalcada contra o ataque mais eficiente.

Houve, ainda, o gol do ótimo Rafael Marques, após falha na saída de bola de um dos titulares. Erazo deu uma bola curta, enforcada, para o pobre do Moisés, e acabou armando um ataque mortal.

Atribuo tudo isso ao excesso de reservas no mesmo setor, o que acaba determinando problemas táticos e individuais. Quem jogou ou joga futebol sabe o quanto é importante ter confiança no companheiro que está ao seu lado, principalmente entre os dois zagueiros e o goleiro.

O lado bom do jogo foi Luan, que brilhou em meio ao pânico estabelecido no sistema defensivo.

Se serve como consolo, não tenho dúvida de que o Grêmio com Geromel e Grohe teria vencido o Palmeiras.

Agora, como se sabe, num campeonato longo como o Brasileirão é preciso grupo, e grupo com qualidade também nas peças de reposição.

É por isso que nunca acreditei que o Grêmio pudesse disputar o título. O Grêmio superou minhas expectativas mais otimistas.

A RODADA

O Corinthians, que bateu o Santos em grande jogo, é o virtual campeão. Apenas o Atlético Mineiro ainda ameaça. O Atlético, com Victor sensacional, bateu o Flamengo, que andava se assanhando e caiu na realidade. 

O Grêmio perdeu para um adversário direto na luta por vaga no G-3. O Palmeiras aproveitou-se do time desfalcado do tricolor e venceu o jogo de seis pontos. Está a quatro pontos do Grêmio.

O negócio agora é tentar garantir ao menos o G-4 e focar muito na Copa do Brasil. O problema ainda é que o Fluminense vem com técnico novo. Saiu o ‘estudioso’ Enderson. Teve gente que defendeu sua contratação pelo Grêmio não faz muito. Futebol é mesmo dinâmico.

Enquanto isso, o Inter mantém sua instabilidade. Conseguiu ficar apenas no empate com o Figueirense em pleno Beira-Rio. E olha que por pouco não perdeu.

Já prevejo balanço de fim de ano na imprensa contabilizando os pontos perdidos pelo Inter em jogos ‘vencíveis’. É sempre assim, porque o Brasileirão é assim. Os pequenos sempre surpreendendo aqui e ali.

Apesar do empate, o Inter segue na disputa do G-4.