De gremista para gremista

Estreia hoje a Rádio Grêmio Umbro, 90.3 FM.

Uma grande jogada do clube. Quem for à Arena na abertura do Gauchão, jogo contra o União Frederiquense, pode ficar ligado na emissora. Vale o mesmo para quem ficar em casa ou estiver circulando de carro.

Vamos prestigiar esse novo produto, inédito, e que em breve será imitado, como sempre, por uns e outros.

Dito isso, quero lembrar o Antônio Augusto, que cansou de falar em seus espaços sobre a necessidade de o clube ter uma emissora de rádio para chamar de sua.

O grande plantonista esportivo, o pai deles todos, sugeriu ao multicampeão Fábio Koff a criação de uma emissora azul, branco e preto. Também Haroldo Santos cansou de trabalhar em cima dessa ideia.

E agora está aí a ‘rádio do Grêmio’. Parabéns a todos os envolvidos nesse projeto.

Hoje, narração de Cristiano Oliveski, comentários de quem esteve nos gramados, os campeões Mazaropi e Carlos Miguel.

Reportagens de Luciano Rolla, Rodrigo Fatturi e Márcio Neves. Plantão: Jéssica Maldonado. Na técnica, Carlos Bicudo e Paulo Resém.

FM 90.3. Enfim, uma rádio a cores. As cores do Grêmio.

Por um vestiário rachado, mas vitorioso

Barcos vai começar o jogo de sábado, na Arena, para manter o vestiário fechado e unido. Pode ser, mas ainda acho que é para seguir na vitrine, o que é positivo.

Agora, se for para manter o vestiário unido, aí não.

Cansei dessa história de lideranças positivas que contribuem para o grupo – cansei também essa entidade etérea ‘grupo’ – manter-se unido, homogêneo.

Há anos que leio e ouço essa lenga-lenga e o Grêmio só perde, acumulando decepções, desilusões e frustrações.

Entre um jogador encrenqueiro, mas resolutivo, que divide o vestiário, e um todo certinho como as fotos recentes de Anderson, com jeito de bom moço, prefiro a primeira opção.

Cansei de jogador certinho, bem comportado, que une o vestiário e não resolve jogo algum.

Tenho certeza que o torcedor colorado espera ver o Anderson moleque do Grêmio, não esse Anderson de ‘fatiota’. Não, esse é um Anderson inglês, burocrata. Esse Anderson não vale o que o Inter está pagando – 500 mil mensais e 3,5 milhões de luvas. Um aparte, a contratação de Anderson significa a saída de Alex, ou não?

Esse Anderson com cara de bom genro foi dispensado pelo Manchester United, onde ele virou um volante, esquecendo suas raízes de atacante driblador e atrevido.

O Anderson do passado cairia muito bem no Grêmio, e talvez até contribuísse para rachar o vestiário e terminar com essa história de que determinado jogador precisa jogar porque é uma liderança positiva, que aglutina o grupo.

Ora, quem tem que manter o grupo fechado é o treinador, são os dirigentes. Jogador que não se enquadrar e não estiver correspondendo em campo tem que sair.

Que vá unir grupo em outro lugar!

Quem sabe um choque de desagregação interna não ajude o Grêmio a voltar aos grandes tempos. Se vestiário unido não ganha nada, talvez um vestiário rachado  consiga dar um pouco de alegria ao torcedor gremista.

Estou exagerando, claro, mas o que é intolerável é essa conversa de escalar alguém porque ele é bom para o grupo, etc.

O jogador tem que ser bom para o time.

Ao longo de minha trajetória de repórter esportivo cansei de ver times campeões sem essa propalada união de vestiário.

Sei de estrelas do time que não se conversavam, mas dentro de campo resolviam. Separados fora, unidos dentro de campo.

É essa união que realmente importa.

Se querem manter Barcos, tudo bem, mas sem essa de escalar para manter o vestiário unido. Unido e perdedor.

Esse vestiário ‘unido’ com Barcos como liderança é um vestiário perdedor.

RECOMENDO

https://raulrubenich.wordpress.com/2015/01/26/bola-murcha-no-futebol-americano-2/

Bolas de borracha e os técnico excêntricos

Aos poucos, ‘devagar, devagarinho’, como canta o grande Martinho da Vila, a verdade aparece. A imprensa Abaixo do Mampituba está divulgando que o Inter antecipou R$ 60 milhões das receitas de TV e de patrocínio para para pagar salários e direito de imagem de seu elenco milionário. Uma grana que vai fazer falta em 2015.

Essa informação está saindo hoje. Falta publicar aquilo que a imprensa Acima do Mampituba já divulgou faz dias: o Inter devem quatro vezes mais em tributos que o Grêmio.

Escrevo sobre isso só para deixar bem claro o que venho dizendo faz tempo: nem tudo são rosas no jardim colorado. Pelo contrário, há muito mais espinhos.

Então, não é só o Grêmio que anda com dificuldades financeiras.

A diferença é que o Grêmio por não ter uma Libertadores pela frente adotou a política dos pés no chão, uma política forçada pelas circunstâncias, mas a mais adequada para a realidade do futebol brasileiro, que vai sofrer como qualquer setor da sociedade com a fase difícil da economia brasileira.

Enquanto o Inter agora sonha com Vágner Love, que um dia distante foi um atacante perigoso e atrevido, o Grêmio busca mais jovens de sua base para manter sua política de austeridade, até por falta de opção.

A impressão que tenho é que o Inter tem uma Ferrari para ser pilotada por um motorista de taxi que só dirigiu fusca na vida.

Ontem, Diego Aguirre comandou um treino exótico. Os jogadores só poderiam usar a cabeça.

Não pude deixar de lembrar do técnico uruguaio também, o Juan Mujica, e do preparador físico Steban Gesto.

Eles trabalharam alguns meses no Grêmio, final dos anos 80. Usavam muito treino com bola. Detalhe, bola em tamanho menor.

Eu era repórter do Correio do Povo na época. Fazia o setor do Inter. O setorista do Grêmio era o grande Jodoé Souza, que entrou na redação alvoroçado, falando maravilhas do trabalho comandado por Gesto.

O que me remete para outro treino exótico que vi como setorista. Foi no Inter. O técnico era oriundo do Guarani de Campinas, Zé Carlos -correção: Zé Duarte. Ele gostava de orientar de vez em quando treinos com bolas de borracha.

Excentricidades à parte, o futebol continua praticamente o mesmo, tirando as frescuras como losango invertido, a figura do número 1, etc.

Agora, nada como uma bola ‘oficial número 5’, sonho de consumo de qualquer guri naqueles distantes anos 70/80.

Um sonho que só realizei bem depois, tarde demais para quem cresceu jogando com bola de borracha.

Início preocupante da Dupla

Não vi e não gostei. Não vi o glorioso empate do Grêmio por 1 a 1 com o Cascaval. Muita chuva e campo ruim.

Fora isso, um time em formação, absolutamente inconfiável. Como se não bastasse, Barcos de titular. Ainda. Então, saí de casa.

Vou deixar pra me irritar em jogos oficiais. Irritação em jogo amistoso é demais.

Minha cota para janeiro se esgotou com o time junior ou sub-19.

Agora, quem pagou ingresso e foi ao jogo em Cascavel não suportou. Havia oito mil gremistas no estádio. Lá pelas tantas, início do segundo tempo, saem Douglas e Barcos.

Adivinhe: vaias para os dois. Previsível, infelizmente. O torcedor não perdoa, principalmente quem paga ingresso e sofre com a chuva intensa. Alguém precisa pagar. Sobrou para os dois veteranos, medalhões enferrujados de baixa cotação até no Brique da Redenção.

Tudo indica que a salvação está mesmo nos pés da gurizada. Se eles não corresponderem, até a conquista do Gauchão pode ser uma façanha épica.

O melhor da tarde é que, apesar das péssimas condições do campo e do desentrosamento, Luan, Lucas Coelho, autor do gol de empate, e Araújo foram bem, os melhores pelo que ouvi dos comentaristas.

É fato que não podemos ser muito rigorosos neste momento de preparação física e técnica.

Mas também não podemos deixar de registrar que o início é preocupante.

Os problemas do ano passado persistem. Coincidência ou não, persiste Barcos.

INTER

Se o Grêmio ‘primo pobre’ vai cambaleante rumo ao Gauchão, o Inter ‘primo rico’ não vai melhor. Perdeu ao natural para o Shakhtar, teve dois jogadores expulsos. Seu elenco de jogadores caros perdeu mesmo jogando em casa. O time ucraniano conseguiu assim sua única vitória nesse giro pelo país.

Já tem gente com a barba de molho, recuando no ufanismo. Houve até que já via o Inter campeão da Libertadores.

Nada como 90 minutos de futebol para abalar teses.

Os clubes e suas gestões temerárias

Quanto mais dinheiro um clube de futebol arrecada, mais ele gasta. Vejam o caso do Santos, que nos últimos dez anos faturou pelo menos 300 milhões de reais com venda de jogadores. Hoje, está aí à beira da falência, que seria seu destino, como de outros clubes, se fosse mesmo uma empresa.

Aí, esses clubes se reúnem – e só são unidos para auferir algum tipo de vantagem – e, com apoio de uma tal ‘bancada da bola’, criam um projeto para dar calote. Ou não é um calote a proposta de renegociar a dívida em 20 anos (240 meses), com redução de 70% das multas isoladas, de 30% dos juros de mora e de 100% sobre o valor de encargo legal. Não é exatamente um calote, mas não está longe disso.

É claro que em pouco tempo haveria outro projeto semelhante para aliviar a vida dos clubes. Felizmente, em boa hora o governo federal vetou essa excrescência. O governo quer que os clubes se adequem a parâmetros de gestão financeira e responsabilidade fiscal.

Agora, esse tipo de coisa só irá acontecer quando os dirigentes e seu corpo de conselheiros – em casos em que o CD for chamado a opinar – forem responsabilizados diante de gestões temerárias, pra ficar apenas neste adjetivo.

Como gestão temerária tenho por exemplo imediato o contrato para construção da Arena.

Mas há inúmeros outros casos, principalmente envolvendo jogadores com salários milionários, surreais, que comprometem o orçamento do clube por vários anos, em especial aqueles contratos de longo prazo com jogadores na faixa dos 30 anos. Casos de Kleber e agora de Rever. Isso vale também para treinadores. O que foi o contrato de renovação com Luxemburgo no Grêmio?

Então, está passando da hora de enquadrar os dirigentes e, dependendo do caso, os conselheiros, que algumas vezes são coniventes com ações nefastas aos clubes. Sem contar as votações para aprovação de contas. Um capítulo à parte.

Agiu certo o governo ao vetar esse projeto. Já é um começo.

DÍVIDA

Lamentável que os meios de comunicação do RS praticamente ignorem a reportagem da Folha de São Paulo sobre a dívida dos 12 maiores clubes do futebol brasileiro. O total da dívida com a União a 1,5 bilhão de reais.

O líder do ranking é o festejado Atlético Mineiro.

O Inter, sempre tão elogiado por sua gestão, deve 129 milhões, e é o sétimo colocado.

Gostaria de ler algo assim nos veículos  Abaixo do Mampituba:

Inter tem o triplo da dívida do Grêmio.

Sei que nunca vou ler isso aqui por essas bandas. Então, escrevo eu:

Inter tem o triplo da dívida do Grêmio, que é de 40 milhões.

Vou repetir o link da matéria.

http://www1.folha.uol.com.br/esporte/2015/01/1577960-dividas-de-12-grandes-do-futebol-brasileiro-com-a-uniao-passa-de-r-15-bilhao.shtml

Déficit

Outra notícia que praticamente transita em julgado é a do déficit do Inter em 2014: superior a 50 milhões.

Para um clube que se mostra como o primo rico do futebol gaúcho…

Perguntinha

Sem as ‘genis’ de sempre, Pará, Werley e agora Ramiro, lesionado, quem a torcida irá apedrejar caso o time não acerte logo de cara no Gauchão?

Eu já tenho o meu ‘cristo’: Barcos.

Prefiro o Moreno no ataque ao lado de Luan.

Barcos na reserva, se não for vendido mesmo.