Feliz 2015 a todos os botequeiros!

Aguirre e a (falta de) convicção no futebol

Pau que nasce torto, nunca se endireita. Esse provérbio português se aplica hoje ao Inter. Já coube sob medida no Grêmio.

Iniciar uma temporada com um treinador que não estava nos planos é sempre um erro. E um erro que chama outro e assim sucessivamente.

No Grêmio há o caso recente da contratação de Enderson Moreira para disputar uma Libertadores. Na época escrevi que não era um técnico à altura da competição e menos ainda do clube.

Antes, houve Luxemburgo, praticamente imposto pela torcida ao presidente Fábio Koff, que cometeu ali seu primeiro e maior erro em sua volta ao Grêmio. Ele não queria Luxemburgo. Tudo mais foi consequência.

Pau que nasce torto, até a cinza é torta.

São inúmeros os exemplos de como são nefastos os efeitos de começar um trabalho com um técnico que não tenha muita credibilidade entre os dirigentes, principalmente entre os dirigentes, mas também junto à torcida. As primeiras pesquisas indicam que a torcida colorada, em sua maioria, reprova a contratação de Diego Aguirre.

Pesa contra o uruguaio, sem dúvida, o fato de o Inter ter acenado com Tite, Luxemburgo, Mano e Abel. Nada contra o técnico uruguaio, mas ele não tem a dimensão de nenhum dos quatro citados. Sendo que nos bastidores o Inter ainda sondou Muricy.

Sem contar o fato de que o presidente eleito foi taxativo ao afirmar que não contrataria técnico estrangeiro. Assim como descartou Abel Braga e depois, vendo que as alternativas escasseavam, recuou.

Então, Aguirre é uma alternativa improvisada. Também entre os estrangeiros ele estava em plano inferior de preferência. Aliás, desconheço caso de técnico estrangeiro dar certo no futebol brasileiro na era moderna.

Tem ainda outro ponto curioso: os veículos de comunicação, depois de insistirem demais com Tite – nome que descartei logo de cara e deixei registrado aqui – como quem diz ‘é o Tite que nós queremos’. Parecia até campanha política. Tinha gente no palanque bradando o nome de Tite.

Bem, agora, há um esforço para encontrar aspectos favoráveis a Aguirre. Por exemplo, já jogou no Inter, disputou o Gre-Nal do Século. Assim, já teria alguma identificação. Só que há uma história estranha envolvendo essa passagem do atacante Diego Aguirre pelo Inter, uma briga no vestiário envolvendo até o presidente da época, o Pedro Zachia. Mas isso é o de menos, porque o que vale é o hoje.

Pelo enfoque financeiro, outra vantagem de Aguirre: ele sua comissão técnica vão custar pelo menos que a metade da anterior.

Nada disso, porém, reduz o risco que é começar temporada com um técnico que é bem diferente daquele que se pretendia inicialmente, mandando a convicção – se é que havia – para o espaço.

E fazer futebol sem convicção é o primeiro passo para o fracasso.

Pau que nasce torto vira lenha.

Pancadaria no sub-14 gaúcho

O Gre-Nal sub-14 disputado sábado, em Alvorada, terminou em pancadaria, batalha campal. O mais grave é que um preparador físico do Inter agrediu um ‘de menor’, um atleta do Grêmio. Os dois foram parar na delegacia. O próprio Inter admite que a agressão aconteceu.

O Grêmio havia vencido o jogo anterior e jogava pelo empate para ser campeão gaúcho. Diante do que aconteceu, a Federação tem mais é que encerrar o campeonato e dar o título ao Grêmio.

Lembro que um caso de racismo na Arena resultou em eliminação do Grêmio da Copa do Brasil deste ano.

Então, medida extrema, e nada de cestas básicas como aconteceu no ano passado com Dunga, então técnico colorado. Insultou árbitros e o tribunal desportivo gaúcho. Pena: cesta básica.

Confiram o vídeo amador e a matéria sobre o lamentável incidente envolvendo jovens de 13 e 14 anos e adultos, que deveriam dar um exemplo de uma saudável conduta desportiva.

http://globoesporte.globo.com/rs/noticia/2014/12/testemunha-relata-tensao-em-briga-em-gre-nal-sub-14-descontrolados.html

A base gremista e os falsos brilhantes

O Grêmio vai aproveitar o Gauchão para lançar/testar jovens atletas de suas categorias de base. Um melhor aproveitamento da base é uma unanimidade entre torcedores de todos os clubes, tanto pequenos quanto grandes.

Sempre defendi que entre contratar um jogador médio e aproveitar alguém formado no clube, de custo mais baixo e maior comprometimento, é muito melhor, e recomendável, investir na segunda hipótese.

Agora, se a intenção é boa, nem sempre os resultados são os melhores. Muita gente assiste aos jogos das diversas categorias, em especial a sub-20, e fica apavorada com o baixo nível da maioria dos jogadores. Não há nenhuma novidade. Sempre foi assim.

O time sub-20 do Grêmio acaba de ser eliminado do Brasileiro da categoria pelo Atlético/PR. O Inter havia sido eliminado na fase anterior.

É óbvio que sempre há um ou outro jogador que se destaca e que acaba sendo aproveitado no time principal. Raros são os que realmente brilham e que acabam conquistando a torcida e, claro, os empresários, sempre atentos aos talentos que surgem.

Aliás, hoje as verdadeiras pedras preciosas começam a despontar ali pelos 16, 17 anos. Vejam o caso de Lincoln, o guri do Grêmio que sonha em ser um novo Messi. É a faixa etária também em que surgem mais falsos brilhantes. O clube faz um contrato por 3 anos e o resultado não aparece. Faz parte. O sistema todo é perverso para os clubes, que investem muito dinheiro para bancar tudo isso. Mas todo sacrifício vale a pena quando desponta um jogador diferenciado, um craque. Tudo se paga.

Mas encontrar um guri realmente talentoso é mesmo muito difícil, ainda mais na categoria sub-20. A impressão que dá é quem não estourou antes, não estoura mais. É como pipoca com caruncho. Do sub-20, a maioria, quase a totalidade, não permanece. Isso não impede, porém, que mais adiante o patinho feio se transforme em cisne. Acontece.

Foi pensando nesse projeto do Grêmio de apostar forte na base nesse início de temporada, o que aplaudo com entusiasmo, que recuei um pouco no tempo.

Em 2008 e 2009, o Grêmio foi campeão brasileiro sub-20. Eliminou o Inter nas duas oportunidades. Lembro-me que vislumbrei alguns talentos entre os jovens gremistas.

Defendi o aproveitamento imediato de alguns deles, no que fui acompanhado por outros analistas aqui deste espaço.

Não achei a escalação completa do time de 2008, treinado pelo Julinho Camargo, mas encontrei alguns nomes.

Um dos destaques daquele time campeão sub-20 era Mithyuê. Tinha um volante muito bom, Paulinho, capitão do time. Outro que defendi. Os dois ‘sumiram’ do mapa. Gostei também do volante Bruno Renan, do meia Roberson e do atacante Rafael Martins. Insisti aqui em vê-lo no time principal. Nunca mais ouvi falar dele. E o glorioso Bruno Colaço?

Reproduzo trecho de matéria da ZH, dezembro de 2008:

“Do atual time Sub-20, todos na faixa etária entre 18 e 19 anos, pelo menos cinco jogadores são apontados como potenciais reforços já na pré-temporada: Roberson, o zagueiro Wagner, o volante Paulinho, o lateral-direito Thiaguinho e o meia Mithyuê, o ídolo do futsal de Chapecó e que está tentando a carreira no campo. O volante Thiago Dutra é outra aposta, mas, lesionado, está fora do torneio. Todos têm contratos longos com o clube e multas rescisórias na casa dos R$ 10 milhões”.

Em 2009, o bi campeonato. O time era mais ou menos esse: Busatto; Spessato (Fogaça), Saimon, Neuton e Dener; Felipe, Fernando (Gérson), Bruno Renan e Ricardo Maria (Sérgio); Bergson (Vinícius) e Alex (Everaldo). Técnico: Andrey Lopes.

Desses, apenas Fernando realmente teve e tem sucesso. E rendeu um bom dinheiro ao clube. Os demais estão aí no chove não molha. Saimon talvez ainda se afirme, embora considere isso muito difícil. O Neuton merece nova oportunidade como lateral-esquerdo. O Bergson, que muito defendi, é outro que vai seguir jogando em times médios, a não ser que aconteça algum milagre.

Então, é importante, é imprescindível investir e acreditar na base, mas que não se espere demais dessa gurizada.

De minha parte, se surgirem uns dois ou três jogadores de qualidade nessa safra de verão, já estará de muito bom tamanho.

PREVIDI

O jornalista, escritor e polemista de carteirinha, o José Luiz Prévidi está lançando mais um livro, o 11º livro. É o “A Porto Alegre Deles – Histórias de Famosos que Passaram por Aqui”. Ele explica:

– Poderia ter escolhido dezenas, centenas de personalidades que moraram na cidade ou que de alguma forma tiveram alguma relação com Porto Alegre. Mas escolhi apenas onze pessoas, que poderiam ser os primeiros dessa Calçada da Fama, mesmo que, em alguns casos, numa homenagem póstuma – explica Prévidi.
Deu um trabalho danado, comenta, porque na maioria dos casos não existe nada documentado e muito menos fotos. “Ainda bem que contei com os amigos, como o pesquisador Marcello Campos. Se não fossem as colaborações o livro não sairia. E alguns lances de sorte, como textos que ‘surgiram’ num momento de desespero”, lembra ele. E completa: E fundamental o apoio da Cia. Zaffari, na pessoa de Airton Zaffari.

Em ordem alfabética, os primeiros nomes da Walk of Fame do Prévidi:
Ancheta, Caetano Veloso, Elke Maravilha, Figueroa, Geraldo José de Almeida, João Gilberto, Noel Rosa, Paulo Coelho, Ray Charles, Richard Gere e Rubem Braga.

– Ótimo que as pessoas estranhem alguns nomes ou mesmo não identifiquem num primeiro momento. Mas todos têm histórias maravilhosas com Porto Alegre. Acreditem!
A Porto Alegre Deles – Histórias de Famosos que Passaram por Aqui” vai ser lançado no próximo 22 de dezembro, uma segunda, a partir das 18 horas, no Tapa’s Bar (Rua da República, 30 – Cidade Baixa – Porto Alegre).

– Como nas vezes anteriores, sem aquela irritante fila de autógrafos. Programe-se para uma simples happy hour: bater papo, dar risada e tomar e comer umas coisinhas. De quebra, tem o livro.

Estarei lá para comemorar com o Previdi e adquirir o livro, claro. Estão todos convidados.

Ah, mais detalhes no site: previdi.com.br

Quem não conhece não sabe o que está perdendo. Tem muita informação sobre jornalistas e jornalismo.

O radialista e o velho Luxa de guerra

Há menos de duas semanas, participando do programa Cadeira Cativa, Ulbra TV, canal 21, afirmei que Tite não treinaria o Inter enquanto D’Alessandro lá estivesse e também porque ele não tem o perfil da diretoria que acabou eleita, e que era amplamente favorita, o que ficou ratificado nas urnas.

Acompanhei com um sorriso irônico toda essa pirotecnia em envolvendo a ‘disputa’ de Corinthians e Inter por Tite. De um lado a imprensa paulista garantindo que Tite estava contratado e de outro a imprensa gaúcha sustentando que não, que Tite seria do Inter, que estaria apalavreado com o presidente eleito Vitório Píffero.

Conhecendo o perfil da nova diretoria colorada, que de pronto descartou Abel e depois deu a entender que gostaria de ficar com ele a partir da classificação colorada, afirmei no mesmo programa que o Inter acabaria contratando Mano Menezes ou Luxemburgo.

O que eles têm em comum? São técnicos que participaram ativamente das contratações. Em sua passagem pelo Grêmio, Luxemburgo mostrou que ataca em várias frentes, um misto de empresário, procurador, treinador, manager e porteiro, sim, porteiro porque ele é quem fica com a chave do vestiário.

Leio que site do Globo que o Inter fez propostas ‘astronômica’ por Luxemburgo. É muita vontade de ter esse profissional. E aí isso me remete ao radialista Fernando Carvalho. Já faz algum tempo, também no programa do Reche, ele revelou que gostava muito desse profissional multifunção e que até já havia tentado sua contratação.

Minha conclusão é que o multicampeão FC está dando as cartas no Inter. O próximo passo é a volta de Chumbinho.

Agora, pela reação de colorados nas redes sociais e nos programas esportivos, talvez o Inter recue. E volte para Mano, que está desempregado e custa menos.

Mas, assim como bancou Roth para ser bi da América, acredito que o radialista não irá se intimidar, avalizando a contratação do velho Luxa de guerra.

Curioso agora para saber o que é exatamente essa proposta ‘astronômica’.

A ser confirmado Luxemburgo, aguardo a volta de Pará para Porto Alegre. Ah, e quem sabe Fábio Aurélio.