A sorte colorada na tabela do ‘charmosão’

Se a tabela do Gauchão/2014 fosse dirigida para favorecer o Inter não teria o sucesso que teve o sorteio que definiu os locais dos jogos, por exemplo.

Sim, sou informado que houve um sorteio, que não foi o presidente Francisco Noveletto quem definiu tudo, asfaltando o caminho do clube do seu coração.

Devo acreditar que houve um sorteio, nem tenho por que duvidar. Afinal, Noveletto é um empresário bem sucedido, embora já não possa dizer o mesmo sobre sua performance no comando do futebol gaúcho, que só caiu desde sua posse.

Quer dizer, engano meu: a FGF nunca foi tão rica. E os clubes? Bem, seus presidentes fazem turismo de graça uma vez por ano. No mais, quase todos estão na penúria.

Estou convencido de que Noveletto não perderia seu tempo manipulando a favor do Inter e contra o Grêmio. Seria muita pequenez, muita mesquinharia. Mas o fato é que o Grêmio saiu prejudicado.

Talvez nem tanto, porque não ouvi nenhuma voz tricolor erguendo-se contra a tabela definida nesse sorteio aparentemente sem testemunhas. Espero que elas, as testemunhas, surjam para afastar as nuvens escuras que atormentam os gremistas nas redes sociais. Espero que haja fotos, documento assinado. Essas firulas que dão veracidade às decisões de gabinete.

Sei que o foco da direção gremista é a Libertadores, mas penso que um pouco mais de atenção ao regional em que o Inter acumula títulos seria interessante. Até para mostrar que o clube está atento, não muito interessado, masvigilante.

O Grêmio poderia lamentar publicamente sua má sorte no tal sorteio. Vejam que coincidência: as duas maiores forças do Interior são Juventude e Caxias, certo?

Pois o Grêmio enfrenta esses dois clubes em Caxias do Sul. O Inter aonde? Em casa.

Outra pedreira, ainda mais em sua casa, é o Brasil. O Grêmio já jogou no Bento Freitas e teve a sorte de arrancar um empate. O Inter vai pegar o Brasil em casa, Beira-Rio ou sei lá onde.

Eu poderia parar por aí, mas tem o Zequinha. Nenhum clube gosta de jogar no piso sintético, onde o Zequinha está acostumado e costuma vencer.

O Grêmio padeceu no piso instalado pelo Noveletto e perdeu o jogo. O Inter não precisará passar por esse sofrimento: não irá jogar no Passo d’Areia. Muito menos à tarde.

Como eu ia dizendo, se fosse uma tabela dirigida para beneficiar o Inter e prejudicar o Grêmio no ‘charmosão’ não conseguiria um resultado tão positivo.

Imaginem essa falta de sorte gremista transferida para o Brasileirão…

Incrível, M. Antônio está de volta

Cada vez fico mais convencido de que no futebol a gente não pode deixar por perto aqueles que já comprovaram insuficiência para jogar em clube de ponta.

Quando soube que Léo Gago havia voltado – curioso como um jogador que foi titular do Grêmio em dezenas de jogos não despertou interesse de grandes clubes que pudessem atender seus anseios profissionais – fiquei assustado. Fiquei intrigado também com o fato de o Palmeiras não ter se esforçado para continuar com ele. A coisa piorou quando li que estava treinando com o grupo. E, numa escalada aterrorizante, ele acabou ficando no banco de reservas.

Paralelamente, descobri que Marco Antônio estava por aí, meio escanteado, à espera de proposta. A proposta não veio, claro. Será que nem a Portuguesa ond, dizem, ele jogou uma enormidade, não quis o talentoso MA de volta?

Hoje, estourou a bomba, confirmando que quem está por perto acaba sendo chamado, se fardando e até jogando.

MA está de volta. Teve seu contrato renovado ou algo assim.

A notícia surge ao mesmo tempo com a informação de que o Grêmio estaria contratando Júlio César, o que seria um golpe em Marcelo Grohe. Mais um golpe.

Hoje, desconfio que a vinda de JC foi apenas uma cortina de fumaça para encobrir a terrível realidade:

Marco Antônio está de volta.

Bem, pra mim não muda muita coisa, pois já joguei a toalha há algum tempo.

Se bem que eu ainda tinha alguma esperança, que agora se acabou.

E se o Grêmio não tivesse goleado?

E se o Grêmio não tivesse goleado? Tivesse vencido com um gol, de pênalti – cobrado por Kleber, claro – ou até mesmo empatado? Perdido, não, porque nem o mais enlouquecido ficcionista poderia imaginar uma vitória do lanterna Aimoré sobre os titulares do Grêmio em plena Arena.

A corneta seria inevitável. Os arautos do apocalipse e os portadores de ansiedade aguda estariam profetizando uma hecatombe  tricolor na Libertadores, competição que é prioridade do clube.

Entendo que tanto um eventual resultado negativo como a goleada ocorrida devem ter uma avaliação discreta, cautelosa, sem arroubos. É isso, aliás, que as pessoas de modo geral estão fazendo.

Só não concordo com aqueles que conseguiram ver um time mais ofensivo e com jogadas ensaiadas a partir de um jogo contra adversário inexpressivo.

Em situações assim, tudo parece maravilhoso, as jogadas fluem com mais facilidade e dão a impressão de que ali está um time realmente promissor. Então, tenho muito cuidado e não me deixar levar por manchetes ufanistas, que mais servem para iludir e criar falsas expectativas.

Agora, descontando a fragilidade do adversário, o Grêmio fez uma partida. Fez a sua parte: goleou.

Mas não posso desvincular o que vi do que pretendo ver: um time forte para VENCER a Libertadores. Neste aspecto, falta muito ainda.

Por isso, sou cauteloso em relação ao jovens que estão surgindo e a esse ‘novo’ time titular, comandado agora pelo Enderson Moreira.

Confesso que estou impressionado com algumas análises a partir dos 4 a 0 sobre o modesto time de São Leopoldo, cotadíssimo para voltar à segundona gaúcha.

Houve quem percebesse avanços significativos na estreia do time principal no Gauchão.

Quando leio e ouço análises tão entusiasmadas sinto-me mal, muito mal, por não ter visto tanta qualidade, tantos progressos. Fico quase convencido de que não entendo nada de futebol.

COTAÇÃO

Mesmo desconfiado de que preciso me reciclar como analista de futebol e corneteiro do bem, ouso fazer uma rápida análise do que vi no domingo à noite na Arena. Repito, sempre dando um bom desconto em função do adversário.

Marcelo Grohe fez três defesas espetaculares. Tão impressionantes que o ‘Gênio da Padre Chagas”, como diz o RW – cornetadorw – nem tocou no assunto futebol em sua coluna desta segunda-feira. Tivesse Grohe falhado, não escaparia de uma ‘homenagem’ na tal coluna, que foi ocupada estranhamente por amenidades.

Os dois laterais foram relativamente bem. Pará esforçado como sempre e Wendell mostrou que pode ser titular, mas ainda precisa provar.

A zaga foi eficiente, nada além disso. Destaque para Bressan por sua presença na área rival, inclusive com um gol.

O time ‘ofensivo’ de Enderson recuperou o volantão, figura cada vez mais próxima da extinção, mas que tem sua utilidade em jogos encardidos. Edinho estreou bem, e até fez algo muito raro em sua carreira, um gol. Seu posicionamento para aproveitar o cruzamento me pareceu algo ensaiado. Aí, mérito do técnico.

Edinho teve a companhia de dois volantes, Ramiro e Riveros, este um pouco melhor que o colega de função. O paraguaio fez dois gols, um anulado equivocadamente. O trio teve a ajuda constante de Maxi Lopez, que, melhor preparado na pré-temporada, teve fôlego para ajudar no combate no campo defensivo, articular e chegar à frente. Maxi jogou bem, mas ainda não vi nele condições de ser titular de um time que busca a Libertadores.

Na frente, a dupla Kleber/Barcos. É o que a casa oferece. Barcos fez um golaço e algumas boas jogadas. Kleber esteve um pouco abaixo.

Confesso que estou traumatizado com esses dois. Hoje, afirmo que nada espero deles. Talvez com o tempo eu possa superar esse trauma. Torço por isso.

INTER

O time B do Inter está indo muito bem. Alguns guris estão despontando bem – o mesmo ocorreu com a gurizada gremista. Por enquanto, todos são promessas, algumas mais rutilantes.

É sempre preciso considerar o nível sofrível dos times do Interior.

Mesmo assim, é bom perceber que estão surgindo novos talentos.

CONFRATERNIZAÇÃO

O I Encontro dos Botequeiros e Simpatizantes pode ser realizado na semana que vem. Penso no Box 21, mais discreto; no Wunderbar – na parte baixa da DR. Timóteo; ou no Bar do Beto, o da Getúlio Vargas. O dia pode um sem rodada do Gauchão. Seria em torno das 20h. Que tal convidar o RW, o Demian e o Seu Algoz?

A catequese do juiz e a zaga ‘garfo e faca’

O árbitro Luís Teixeira Rocha caiu em desgraça. Cometeu o ‘crime’ de não ter expulso nenhum jogador do Novo Hamburgo no jogo contra o Inter, em especial o Luís Henrique.

O zagueiro do NH foi afastar a bola num lance dentro da área e na sequencia elevou demais e perna, que acabou atingindo Raphinha. Havia mais jogadores na lance e o árbitro achou por bem que não era lance para expulsão.

Não consigo esquecer outros lances muito mais graves, imensamente mais graves e com consequencias dramáticas, que também não resultaram em expulsão, sequer em cartão amarelo.

Por exemplo, o Gre-Nal em que o zagueiro Jackson deu um carrinho/voadora em Mário Fernandes, então um dos destaques do time. Mário ficou mais de três meses sem jogar, prejudicando a campanha tricolor no Gauchão.

O agressor nem levou amarelo do experiente Leandro Vuaden. Se fosse o contrário, quem sabe qual seria a decisão do festejado árbitro?

Há também o lance em que Damião agrediu violentamente um jogador do Santa Cruz, nos Plátanos. A cinco metros da agressão, outro juiz bem cotado na FGF, Jean Pierre, só deu amarelo depois de sentir a reação dos jogadores do SC.

Poderia ir além nos exemplos, mas esses episódios já são suficientes para sinalizar que esse juiz que ousou não expulsar ‘agressores’ dos jogadores colorados precisa ‘melhorar’ muito para crescer no quadro de arbitragem.

De acordo com o que li na coluna do Diogo Olivier, Rocha levou um puxão de orelha da comissão de arbitragem e foi submetido a uma sessão de vídeo com lances do jogo, onde aparecem lances da zaga “garfo e faca” – gostei da expressão, muito criativa, mas um tanto exagerada.

Quer dizer, ojuiz novato começou a ser catequizado.

Espero que façam isso com todos os árbitros que forem tolerantes com lances violentos independente das cores das camisetas envolvidas.

Ah, e que os árbitros não se acanhem na hora de exibir um cartão vermelho para jogadores do Inter.

Afinal, 50 jogos do Gauchão sem expulsão de colorado já está demais.

COTAÇÃO ZH

Nota do meia-atacante Luan no jogo contra o Lajeadense: 8.

Concordo. Só não dá pra aceitar a frase ‘Cavou o pênalti”. Não, ele não cavou nenhuma falta.

Ele sofreu uma falta. O certo seria: “Sofreu o pênalti”.

Aliás, esse Luan mostrou que tem futebol, muito futebol.

Rodolpho, sucesso graças ao esquema de Renato

Tudo indica que o Grêmio está perdendo Rodolpho. Pelo que tenho lido e ouvido, os dirigentes do futebol gremista já admitem a saída do zagueiro. Penso que será mesmo numa transação envolvendo Souza, mais dinheiro.

Aí, sem o volante titular, estende-se um tapete vermelho para Edinho assumir a posição sem a contestação que haveria com Souza no grupo.

O futebol fora de campo é um jogo de xadrez. As peças são movidas já prevendo as próximas jogadas.

Rodolpho foi a melhor contratação do Grêmio no ano passado. Incontestável. Indicação do eternamente polêmico Renato Portaluppi. A única indicação dele. Cem por cento de aproveitamento. Os pitbulls que perseguem Renato não gostam que se lembre as coisas boas deixadas por ele. Por isso, faço questão de repetir: Rodolpho foi a única indicação de Renato.

Deixando a provocação de lado, se Rodolpho sair será uma perda – ou perca, como dizem alguns menos atentos ao idioma pátrio.

Agora, não será uma perda irreparável. Zagueiro é fácil de achar, talvez não tão eficiente, mas não demora aparece um igual ou até melhor.

Difícil é encontrar gente que crie e faça gols. O Grêmio é uma prova disso.

Sobre Rodolpho, que, repito, é muito bom, quero dizer que ele talvez tenha feito no Grêmio sua melhor campanha em campeonato brasileiro. Logo ele que vinha de atuações questionáveis no São Paulo, tanto é que foi liberado sem maiores dificuldades.

E por que Rodolpho foi tão bem, assim como Bressan, seu companheiro na maioria dos jogos?

A meu ver porque ele foi favorecido pelo esquema de Renato. Se Barcos e Kleber foram prejudicados – como dizem eles mesmos e outros luminares -, alguém deve ter sido favorecido. Os homens da defesa, claro.

Primeiro, com o esquema de três zagueiros. Os zagueiros se sentem mais fortalecidos e protegidos. Depois, com o mesmo efeito, com três volantes de marcação constante e aplicada.

Teve efeito semelhante ao da presença de Caçapava para Figueroa nos anos 70.

Então, sem o esquema de Renato – primeiro garantia o zero para depois buscar um golzinho -, desconfio que Rodolpho voltará a ser o que sempre foi: um bom e eficiente zagueiro.

Não esse zagueiraço que em pouco tempo conquistou a torcida gremista.