Brincando com fogo

Brincando com fogo

Foi anunciado o gaúcho Fabricio Neves Correa para apitar o Gre-Nal 397.

Por que simplificar se podemos complicar? Esta deve ser a máxima reinante nos corredores e subterrâneos da CBF.

Nove entre dez torcedores gostariam de ver um árbitro de outro Estado.

Esta é uma das raras situações em que gremistas e colorados tem opiniões convergentes.

Nada contra os juízes locais. Boa parte deles é melhor que a maioria dos juízes de outros estados.

A questão é a influência, a pressão, é tudo o que cerca o clássico.

O jogo de domingo, então, promete ser explosivo, mesmo com uma só torcida, no que concordo com a BM.

Se a BM não consegue impedir que torcedores ingressem nos estádios com sinalizadores e outros artefatos como poderá controlar adequadamente torcidas tão dispostas a confrontos físicos?

O fato é que esse primeiro Gre-Nal na Arena tem uma carga emocional intensa desde já.

O melhor que a CBF poderia fazer neste momento é recuar estrategicamente. Fabrício poderia sentir uma lesão muscular e ser substituído. Nada contra Fabrício, que apitou dois clássicos, com uma vitória para cada time. É um bom juiz, mas o seu problema é que ele é daqui, como a Polar, como a 1983, como a usina do Gasômetro…

O Gre-Nal, ao natural, é complicado. Com um juiz da casa, então, pior ainda.

A partir de agora começam as especulações sobre se ele é gremista ou colorado. Tanto faz.

O problema é que ele não é paulista, carioca, mineiro…

Não gostaria de estar na pele do Fabrício, a quem desejo desde já muita sorte e felicidade.

Eu, no lugar dele, viajaria para longe – um lugar sem internet, rádio e TV -, e só voltaria na hora do jogo, descendo de helicóptero na Arena.

SÁBIA DECISÃO

Renato, ao contrário da CBF, não brinca com fogo. Sabiamente, ele afastou Cris da viagem para SP. Entrou Rodolpho na delegação. Souza é outro que viaja.

Em relação ao jogo contra o Corinthians, preocupante que Vargas e Kleber estejam pendurados com cartão amarelo. Pela lei das probabilidades, pelo menos um deles ficará fora do Gre-Nal.

Outra preocupação é com Zé Roberto, que será julgado pelo STJD, e pode ser suspenso, ficando fora do clássico.

EXCESSOS POLICIAIS

Recebo do parceiro de Boteco, o Fábio Rubenich, o seguinte material, que tem tudo a ver com a agressão sofrida por um torcedor gremista domingo na Arena. A diferença é o tratamento dado pela mídia, conforme destaca o Fábio:

Aconteceu no Beira Rio, em 2005. Conforme notícia do próprio site do Internacional:

“A partir de uma briga localizada, de fácil controle, os soldados criaram um tumulto generalizado e passaram a reprimir o restante de torcedores. De maneira exagerada, arremessaram bombas de efeito moral e deram tiros de borracha sobre torcedores inocentes, entre eles crianças e mulheres, que ficaram feridos devido à forma como os policiais agiram.”

Como se vê, foi algo muito mais sério em relação ao tamanho da confusão de domingo na Arena. Contudo, naquela época, absolutamente NENHUM jornalista da Imprensa Esportiva Gaúcha, que alguns gremistas chamam jocosamente de Imprensa Vermelha Isenta (IVI), ousou fazer uso da palava INTERDIÇÃO, muito menos supor que O CLUBE PODE SOFRER SÉRIO PREJUÍZO NO TRIBUNAL, ou então ficar ligando para o tal procurador do STJD e ficar botando lenha na foqueira, como fez nesta segunda-feira um repórter da Rádio Gaúcha.

“Inter x Fluminense era para ser uma festa e acabou com cenas de batalha. Ao final da partida, a Brigada Militar entrou em confronto com a torcida e cenas de guerra foram vistas dentro e fora do estádio, inclusive com muitos feridos”, noticiou o Correio do Povo no dia seguinte.

Grêmio passa por cima do Flu e da arbitragem

Nesses tempos em que não existe muita diferença entre as equipes de um modo geral – aos que leem o que querem e não o que está escrito, alerto que escrevi que não existe MUITA diferença, o que não significa que todas as equipes são do mesmo nível, e a vitória do então lanterna Náutico por 3 a 0 sobre o então líder Inter está aí para confirmar – um jogo pode se tornar mais fácil ou mais difícil por detalhes.

Por exemplo, o Grêmio penou para vencer o Fluminense por 2 a 0. Primeiro, por sua própria culpa, já que ficou todo o primeiro tempo praticamente olhando o adversário trocar bolas sem se impor como deveria, o que acabou acontecendo um pouco no segundo tempo. Segundo, por causa da arbitragem.

O árbitro foi muito mal no jogo, e acho que é por ruindade dele mesmo. Rafael Sobis deu uma cotovelada em Adriano logo no começo, e ficou por isso mesmo. Por lances similares, o Grêmio teve dois expulsos em Criciúma e acabou derrotado em um jogo em que, dentro da normalidade, somaria três pontos.

Depois, Barcos foi puxado e em seguida pisoteado maldosamente dentro da área do Fluminense, junto à linha de fundo. Pênalti que o pipoqueiro que estava fora do estádio viu. Eu vi na hora a falta sobre Barcos. Mas dou um desconto para o juiz, que pode ter concluído que houve troca de puxões no lance e então deixou por isso mesmo.

Foram dois erros que facilitariam a vida do Grêmio, que realmente não fazia uma boa partida.

BATISTA

Agora, pior que o juiz foi o comentarista da RBS TV, o Batista. Mesmo depois de rever o lance ele continuou insistindo que Barcos também havia puxado e agarrado o zagueiro, o que não aconteceu. Batista só pode ter visto o lance através de uma lente vermelha. São raros os lances em que ele se posiciona a favor do Grêmio, mesmo lances tão claros como foi esse para quem via pela TV.

Depois, no segundo tempo, quando o Fluminense perdeu o gol incrível, com a bola batendo na trave e Dida completamente batido, ele parecia estar lamentando a ausência de Fred. Penso que esse tipo de comentário é um desrespeito ao Grêmio e à sua torcida, que não paga o ‘peiperviú’ para ouvir comentarista distorcendo lances como esse envolvendo Barcos.

SEGUNDO TEMPO

Ao contrário do que acontecia até pouco tempo, o Grêmio voltou para o segundo tempo com mais velocidade na frente e com um futebol mais vertical, buscando o gol e apertando a marcação.

Todo o time pegou junto. Com isso, o Fluminense já não ficou tão à vontade para tocar a bola.

Contribuiu para isso, é claro, o gol marcado logo no começo do segundo tempo. Alex Teles, que por si só está justificando todo o investimento feito na contratação de jogadores do Juventude, fez grande jogada, foi ao fundo como um guri impetuoso e cruzou como um veterano. A bola foi na medida para Riveros, que cabeceou com estilo para a rede.

Riveros, aliás, foi muito bem. Mesmo desentrosado, já deu para perceber que aí está uma contratação que acrescenta qualidade, disposição e vigor ao time.

O Fluminense está mal no campeonato, mas seu time é muito bom. Está entre os melhores do campeonato. Então, foi complicado para o Grêmio manter a vantagem.

Não gostei do número excessivo de faltas diante da área. Ainda bem que o Flu não as aproveitou.

Quase no final, aos 39, o mini volante Ramiro deu um passe precioso, coisa de quem tem boa visão de jogo e qualidade, deixando Kleber sozinho para marcar, desviando com muita categoria do goleiro. Está aí o jovem meiocampista do Juventude mostrando que compensa a baixa estatura com marcação firme e boa presença no acabamento de jogadas.

O Grêmio se mantém na linha de frente, e isso é fundamental para quem almeja algo mais do que um papel de coadjuvante. Não fosse o desastre em Criciúma, o Grêmio estaria disputando a liderança, um indicativo de que Renato está mesmo arrumando a casa.

Não espero um futebol vistoso, o que só poderá vir com mais alguns jogos. O importante agora é vencer, inclusive passando por cima de arbitragens ruins e comentários tendenciosos.

AFLITOS

O Inter patinou feio justo na hora em que estava embalado. A sorte que sobrou nos últimos jogos faltou ao time de Dunga na Arena Pernambuco. O Inter teve boas chances para marcar, mas as desperdiçou. Na verdade, os dois times criaram inúmeras oportunidades, mas o Náutico foi mais feliz nas conclusões.

Aliás, o sistema defensivo do Inter voltou a mostrar que não é confiável.

O resultado deixou aflitos os colorados, que andavam empolgados com o crescimento do time.

ARENA

Domingo de sol, grande jogo e público de apenas 30 mil. Esperava no mínimo 40 mil.

Migalhas de felicidade no futebol

Ando vivendo com migalhas de alegria no futebol.

Em outras coisas, minha vida é um prato cheio de felicidade.

Agora, no futebol, é decepção sobre decepção. Frustrações que se acumulam por anos a fio.

Por isso, comemoro qualquer migalha, como o meu cão, o Elvis, que vibra de emoção e contentamento quando jogo para o ar um pedacinho de pão, cenoura, brocolis (sim, ele não despreza nada), migalhas que ele abocanha feliz, e fica abanando o rabo querendo mais.

Eu não abano o rabo, mas fico feliz com certas coisas, mesmo coisas pouco nobres, como rir da desgraça de elementos do futebol que contribuíram para esse acúmulo de frustrações levando o Grêmio a fracassos.

Por isso, vibrei com um levantamento que acabei de ver no blog do paulinho, e que atinge em cheio o Luxemburgo.

Aos admiradores do Luxemburgo, aqueles que gritaram ‘fica’ e até hoje não se arrependeram, minhas desculpas.

Mas é como eu admiti logo acima: estou igual ao meu cãozinho, feliz com migalhas, já que título mesmo, que é bom, nem o Gauchão.

Confiram:

http://blogdopaulinho.wordpress.com/2013/07/26/pofex-sem-libertadores/

CERVEJA 1983 – 30 ANOS

Além de migalhas, me alimento também de lembranças felizes. A vitória do Mazembe, por exemplo, me nutre mais que uma picanha no ponto.

Nada supera, contudo, o que aconteceu em 1983.

Grêmio, primeiro clube gaúcho a conquistar a Libertadores (em 28 de julho) e o Mundial. O segundo a chegar lá esperou 23 anos.

Por isso, enquanto novos títulos não chegam, me divirto fazendo a cerveja 1983, agora com uma edição especial comemorativa aos 30 anos das conquistas que orgulham a todos os gremistas e que estão eternizadas como as primeiras.

Entre a Transiberiana e Marte, melhor lutar

O Grêmio só depende de si mesmo. Tem uma baita torcida, tem o melhor presidente de sua história, tem um treinador mais do que ligado ao clube e, sim, tem um bom time, um time que só precisa encaixar e reencontrar sua identidade para arrancar rumo ao topo.

Estou convencido de que não fossem a imaturidade de Matheus Biteco e a atitude irresponsável de Vargas o Grêmio teria vencido o Criciúma. Mas perdeu, como outros irão perder em Criciúma.

Resta agora reagir. Pouco importa se o Inter encarreirou quatro vitórias seguidas no Brasileirão, se o indivíduo aquele é campeão da Libertadores, e se a OAS já tem autorização para demolir o Olímpico.

Sim, é peso demais. Sou um sobrevivente dos anos 70. Foi a primeira Onda Vermelha. Quase me afoguei, mas recuperei minhas forças com a conquista do Brasileiro de 1981 e, principalmente, com a Libertadores e o Mundial de 1983, títulos conquistados 23 anos antes – vocês sabem do que estou falando – e que completam 30 anos neste sombrio 2013.

O bi da Libertadores na década de 90 e o quase bi mundial, perdido porque pela primeira e única vez na história um jogador – Rivarola – foi expulso por causa das imagens do telão que havia no estádio, e também porque exímios cobradores de pênalti erraram como nunca antes haviam errado.

Era muito olho grande.

O fato é que a maravilhosa década de 90 me fortaleceu e só por isso resisti à segunda Onda Vermelha, na verdade um tsunami arrasador.

Neste exato momento pressinto o mar recuando, um silêncio ameaçador, prenúncio de um novo tsunami, a Terceira Onda Vermelha pode estar a caminho. Não sei se serei forte o suficiente para resistir.

Pensei em viajar. Não gosto de avião. A ideia de sobrevoar o Atlântico ou o Pacífico me assusta. Minha primeira ideia foi conhecer a transiberiana, cruzando a Rússia, a Mongólia e a China. Talvez me estabelecendo na Mongólia.

Mas nesse mundo globalizado não sei se teria alguma eficácia essa viagem. Talvez reclusão em algum mosteiro ou uma temporada – longa, muito longa – no Tibet. A ideia não está descartada.

Pensei até numa viagem para Marte. Uma empresa holandesa abriu inscrições em abril deste ano para levar civis para Marte. Centenas já se inscreveram. Soube que pelo menos um gremista está na lista. Suspeito que seja o inquieto RW, da Corneta, ou o implacável Demian, que, aliás, flagrou um tuíter do MP do Estado saudando a chegada do centroavante argentino Scocco.

Em meio a esse tormento interno e externo, já estava mandando o email quando descobri que a viagem é para 2023, ano em que o PT provavelmente estará em seu sexto mandato – talvez com Lulinha, o filho de Lula, na presidência -, rumo à eternização no poder.

Então, por comodismo ou covardia, decidi ficar aqui. Decidi acreditar. Já passei por situações piores, conforme relatei, por que não enfrentar mais uma?

A forma que encontro é manifestar minha confiança e meu apoio ao presidente multicampeão.

Fábio Koff  é o homem certo para este momento delicado do clube. Já provou isso no caso da Arena.

Fosse qualquer outro, com certeza eu estaria agora jogando a toalha e tratando de comprar um terreno na Lua.

CENI

Está na hora de Rogério Ceni sair de cena.

Ele falhou no gol do Inter. Foi um chute no contra-pé, mas um chute fraco. Um passo para o lado direito e defenderia até sem dificuldade. Faltou reflexo e agilidade. O peso da idade. Ceni tem tomado muitos gols ultimamente.

O time do São Paulo está longe de ser tão desgraçado para acumular tantas derrotas. Nem Autuori é tão ruim para perder quatro seguidas.

O melhor que Ceni faria agora é tratar de uma despedida honrosa. Antes que a torcida comece a pedir a saída de seu maior ídolo dos últimos 10 ou 20 anos.

Inter com a benção dos deuses do futebol

Como eu ia dizendo, jogar em Criciúma é sempre muito difícil.

No comentário anterior, eu havia previsto dificuldades, mas não imaginava que as dificuldades começariam no ‘seio’ do time gremista.

A desgraceira toda começou aos 20 minutos, com a lesão de Werley e a entrada de Cris, o que é sempre uma temeridade.

Mas como eu sempre digo, nada está tão ruim que não possa piorar.

Dois minutos depois, Matheus Biteco, que estava bem no jogo, sofreu falta e ao girar o corpo levou a mão na cabeça do adversário. Foi um tapa que pegou de raspão. Em cima do lance, o juiz não perdoou e vermelhou o guri.

Então, uma coisa puxa a outra: aos 25, gol do Criciúma. De quem? Dele, claro, o W. Paulista, que não joga nada mas sempre faz gol no Grêmio.

Dida saltou tarde na bola. Foi uma falha, não uma FAAAALHA. Mais adiante, ele compensou com importantes defesas.

Foram cinco minutos de terror. Cinco minutos que decidiram o rumo do jogo.

Mas o Grêmio buscou o empate mesmo com um a menos, com Zé Roberto recebendo uma bola enfiada por Ramiro ou Elano. Zé Roberto fez um gol com muita técnica e frieza. Não é para qualquer um.

No segundo tempo, ainda bem estruturado com dez jogadores, o Grêmio foi punido com outra expulsão. Vargas foi flagrado por um bandeirinha acertando um pontapé num adversário, lance que foi recuperado pela TV. Quer dizer, uma irresponsabilidade.

A partir daí, o negócio era garantir o empate.

O Grêmio foi guerreiro, heróico mesmo. Sofreu o segundo gol, mas lutou até o fim. Estão de parabéns aqueles que resistiram e correram o tripo para compensar a ausência de dois inconsequentes.

Agora, é inaceitável esse descontrole emocional que desfalcou o time e o levou a perder três pontos.

Qualquer análise técnica e tática sobre o time nessa derrota por 2 a 1 fica prejudicada.

HOTEL

O técnico Renato reclamou no final do jogo de a delegação ficar hospedada a cerca de 100 quilômetros do local do jogo. Eu não sabia disso. Não justifica nada do que aconteceu nos 90 minutos, mas sinaliza uma falha absurda na logística para o jogo.

Quem cuidou dessa parte também merece um cartão, no mínimo um amarelo.

LUIGI E OS DEUSES DO FUTEBOL

Já não tenho mais dúvida. Além de ser o ‘melhor presidente para negociar do futebol gaúcho talvez de todos os tempos’, Luigi está assim assim com os deuses do futebol.

Não assisti ao jogo do Inter em Caxias. Quer dizer, assisti aos minutos finais, a partir dos 40 minutos. O suficiente para ver Juan marcar o gol da vitória sobre o Flamengo.

Soube que foi um jogo igual, parelho, que o empate cairia bem em termos de justiça no futebol. Mas não há justiça em lugar algum, quanto mais no futebol.

Mas aí entraram em campo mais uma vez nos últimos jogos os deuses do futebol, que elegeram o Inter como bola da vez para vencer até quando o time não faz por merecer.

Contra o Fluminense parece ter havido uma conspiração astral para o Inter vencer. Duas falhas clamorosas, Muriel defendendo tudo, vitória por 3 a 2.

Então, quando um time vence até quando não faz por merecer, é um sinal de que tem a benção dos deuses e anjos do futebol. E aí ninguém segura.

Não há secação que resolva.