Hora de apostar em Guilherme Biteco

SE Luxemburgo ainda preserva ao menos um pouco da energia, da vibração, da gana de vencer, do entusiasmo, da ambição, da lucidez, da sagacidade, da capacidade motivacional e da sabedoria futebolística que o levou a ser um grande vencedor como técnico de futebol, ele sabe que não poderá começar o jogo com Marco Antônio.

A simples menção de que esse profissional, um atleta correto e trabalhador ao que me consta, deve entrar na vaga de Zé Roberto arrefece o ânimo do torcedor mais confiante e apaixonado.

Se Luxemburgo pensa mesmo em contar com total apoio da torcida, de maneira constante e fiel, transferindo a energia do Olímpico para a Arena, é fundamental que ele ouça e considere a opinião da torcida.

O próprio Marco Antônio não irá se sentir à vontade para jogar seu já modesto futebol. Ao primeiro passe errado, no mínimo haverá um murmúrio inquietante percorrendo as cadeiras, com reflexo na atuação não apenas do jogador, mas de toda a equipe.

A eliminação prematura do Gauchão e, principalmente, a série de atuações preocupantes do Grêmio nos últimos tempos, são feridas abertas no coração da cada gremista.

O torcedor também precisa de carinho e atenção. Precisa de respeito, precisa ser ouvido.

O momento é de unir forças.

Se Luxemburgo quer, de verdade, trazer a torcida de forma maciça para o seu lado basta começar o jogo com Guilherme Biteco. Simples. Guilherme, além de suas qualidades, tem índice de rejeição zero entre os torcedores.

O guri, conhecido como ‘filho de Zé Roberto’, é o jogador talhado para compor o meio de campo ao lado de Elano, até por sua vitalidade e movimentação incansável. Sem contar o fato de ser cria do clube.

Com o filho mais velho do clã Biteco, Elano, que está voltando de longa parada, poderá atuar numa faixa mais reduzida do campo, para que não se desgaste tanto.

Outra possibilidade, seria passar André Santos para a meia, escalando Alex Teles.

Meu amigo Haroldo Santos, da Band, diza que Luxemburgo pensa em escalar Vargas mais recuado, na função de Zé Roberto, com Kleber e Barcos no ataque. Pode ser.

Qualquer alternativa é melhor que a mais conservadora e ineficaz.

Mas é hora de acreditar em Guilherme Biteco, da forma como um dia se acreditou em Ronaldinho – na época em que o Grêmio era tudo para ele -, Anderson e Carlos Eduardo, só para citar jogadores com características assemelhadas.

Enfim, é hora de Luxemburgo mostrar que ainda tem salvação como técnico de ponta, ou se é melhor concentrar-se em atividades relacionadas ao vinho e ao seu sonho de tornar-se presidente do Flamengo.

Hoje, Luxemburgo decide qual o seu caminho. E o do Grêmio.

MEIO AMBIENTE

Assim que estourou a notícia da prisão de gente graúda envolvida com fraudes relacionadas ao meio ambiente, logo surgiram especulações de que o escândalo poderia respingar na Arena.

Isso até pode acontecer.

Mas por enquanto o que se sabe é que existem problemas em relação à reforma do Beira-Rio, obra que estaria ocorrendo sem licença ambiental da Fepam.

Confira:

http://demiandiniz.blogspot.com.br/2013/04/licenca-ambiental-do-beira-rio.html

COPA DO BRASIL

O Inter enfrenta o Santa Cruz, em Recife, pensando em liquidar a disputar logo no primeiro jogo.

Mas sem D’Alessandro acho difícil que consiga vencer por dois gols de diferença. Na verdade, se empatar já estará de bom tamanho.

De qualquer modo, nada tira a classificação do Inter. Mesmo que perca em Recife, desde que seja por um gol de diferença, o Inter vai amassar e triturar o Santa Cruz aqui, no jogo da volta.

Dunga ‘cruz credo’ e o fracasso de Luxemburgo

Depois de muito tempo, vou fazer a defesa de Luxemburgo. Não uma defesa veemente, mas ainda assim uma defesa.

O menos culpado pelo empate em 1 a 1 com o Juventude é Luxemburgo. O problema é o conjunto da obra. E este é comprometedor. Um treinador que ganha o que ele ganha por mês, fora alguns penduricalhos, não pode chegar no quinto mês do ano sem uma equipe entrosada, com mecânica de jogo, jogadas treinadas. Não pode.

Jogadores de alto nível de repente passaram a se nivelar com Marco Antônio, Pará… Quando as individualidades vão mal é porque o esquema está mal.

Mas no jogo desta noite em Caxias – e o Grêmio está saindo do Gauchão sem jogar um domingo de tarde na Arena -, o time não foi mal. Foi até melhor que nos últimos jogos. Sem dúvida.

E teria sido melhor se em vez de colocar MA, que todos nós sabemos que não resolve nada, tivesse optado por qualquer um dos Bitecos, de preferência o Guilherme.

Não podemos desprezar o fato de que o Grêmio teve dois gols anulados. Ambos, a meu ver equivocadamente, em especial o primeiro.

Então, mais do que Luxemburgo, a arbitragem foi decisiva para a eliminação. Tem razão o Rui Costa em reclamar. O Rui que deu uma alfinetada em Dunga, sem citar o Dunga, comentando sobre o ‘treinador que demite assessor de imprensa’.

Ouvi o Reche dizendo na Guaíba que time bom passa por cima da arbitragem. Espero que ele diga o mesmo quando o Inter for vítima de erros humanos das arbitragens. Aliás, vou cobrar isso dele.

Mas vou quebrar uma promessa que havia feito a mim mesmo num dos meus diálogos secretos: comentar entrevista do Luxemburgo.

O futebolzinho do time que ele arma já me irrita o suficiente. E a insistência em colocar Marco Antônio em qualquer situação me irrita ainda mais. Portanto, ouvir aquela conversa mole é demais.

Mas vou comentar uma frase dele ao responder por que não fez outras mudanças na equipe para tentar a vitória, limitando-se a colocar em campo o MA. A propósito, quando MA entrou eu escrevi no twitter, debochando: “Agora vai…”.

A resposta de Luxemburgo é uma pérola, uma confissão de que ele não estava nem aí mesmo para o Gauchão:

– Eu não mudei mais porque queria dar uma encorpada no time para o jogo contra o Santa Fé.

Foi mais ou menos isso o que ele falou, confessando que sua preocupação única é a Libertadores.

Isso é muito grave. Jogo em andamento, vaga escapulindo, e ele não muda o time porque já projetava o jogo seguinte?

É grave, muito grave. Eu ali torcendo, pensando que o técnico estava preocupado em vencer e que faria o que estivesse ao seu alcance para continuar no Gauchão e pegar o Inter…

Opa, será que Luxemburgo tem mesmo medo de enfrentar o Inter? Porque ele poderia ter feito outras alterações. Essa de encorpar o time é conversa fiada, até porque Zé Roberto nem poderá jogar.

Perder a vaga jogando e fazendo de tudo para vencer é uma coisa; outra, bem diferente, é poupar recursos pensando no jogo seguinte.

Isso não dá demissão por justa causa? Não, claro que não. Mas que é de indignar, é.

PÊNALTIS

Agora, uma confissão minha: torci para o Grêmio ser eliminado na hora dos pênaltis. Já se viu que não há time nem treinador para enfrentar duas competições ao mesmo tempo. Portanto, foco na Libertadores.

Até porque parece que nada vai tirar o título do Dunga.

CRUZ CREDO

A frase acima escrevi sábado à noite. Realmente, não tem como o Inter perder o título. Nada mais justo. O Inter concentrou suas energias no Gauchão, Dunga trabalhou bem até aqui, o time está organizado. Assim, o título virá ao natural.

Hoje, vitória apertada por 1 a 0 sobre o Veranópolis. O Inter dominou todo o primeiro tempo e poderia ter feito mais um gol. Não fez. O segundo tempo já foi mais nivelado. Mas sem sobressaltos para D’Alessandro e seus companheiros.

No final, Dunga voltou a manifestar mau humor. Agora com barba, ele chega a ser assustador quando vocifera ao microfone.

Se ele é assim quando vence, imagine quando perder. E se for derrota com erros de arbitragem contra o Inter, então…

Cruz credo. Vade retro.

O ataque de Sant’Ana e o livro do Rei

Algumas pessoas ainda conseguem me decepcionar mais do que já decepcionaram. Roberto Carlos, por exemplo. Tempos atrás, o ‘rei’ que embalou parte da minha vida e foi um companheiro solidário diante de desilusões amorosas com suas canções – como esquecer os ‘detalhes tão pequenos de nós dois’? – retirou do mercado um livro sobre sua vida, um livro que era antes de tudo uma homenagem.

Foi uma decepção. Agora, outra. Ele acionou seu advogado para impedir a circulação um livro sobre a Jovem Guarda, movimento que ele parece desprezar já que não participou de gravações com seus antigos colegas de programa, alguns deles com dificuldades financeiras.

O volume é resultado de uma tese de mestrado de uma admiradora. Motivo da ação: há uma caricatura de RC na capa ao lado de outros da turma. A autora não teria pedido autorização para usar a ‘imagem’ do cantor. Se fosse uma foto, ainda assim seria uma iniciativa ridícula, autoritária.

Já outras pessoas não me decepcionam mais, porque delas nada mais espero. Por exemplo, o colunista Paulo Sant’Ana quando se mete a falar de futebol, em especial do Grêmio. Sobre outros assuntos, como saúde pública, ele é imbatível. Gosto também quando ele se manifesta contra a Copa do Mundo no Brasil. Agora, quando o assunto é Grêmio…

Se dependesse dele, o Grêmio não teria conquistado o Brasileirão de 1981. Ele fez de tudo para afastar o técnico Ênio Andrade e o goleador Baltazar. Poderia citar outros exemplos desse tipo, mas fico por aqui. É claro que algumas vezes ele foi útil ao Grêmio, isso também é inegável.

O problema é que agora ele não poderia ser mais nefasto aos interesses do clube que ele realmente ama. Em sua coluna e em seus espaços no rádio, ele acusou Luxemburgo de não trabalhar, chegando a usar a palavra ócio.

Ora, tudo o que o Grêmio não precisa neste momento difícil é um colunista do porte de Sant’Ana atacar o treinador, que, na verdade, é trabalhador, cobra dos jogadores, dentro do seu estilo. Há quem goste de treinador ‘trabalhador’ que ofende os jogadores com palavrões de forma acintosa, conforme já foi gravado inúmeras vezes.

Sant’Ana diz que foi informado por um colunista que o técnico não trabalha, não treina, por exemplo, cruzamentos em dias de jogos. Se é verdade que um setorista disse mesmo isso, estaríamos diante de um caso de desonestidade profissional, porque se trata de uma inverdade.

Como eu conheço todos os setoristas, só posso atribuir tudo isso a um excesso de Sant’Ana na ânsia desesperada de tentar ajudar o Grêmio ao seu jeito que, como já vimos outras vezes, nem sempre é o mais acertado.

ARENA

O que deveria ser motivo de orgulho de todos os gaúchos, se transformou num pesadelo tudo por culpa da inveja.

Grêmio segue jogando mal em sua casa

O Grêmio entregou o primeiro turno para o Inter. Não sei quem decidiu, se foi o treinador sozinho, a direção. Enfim, asfaltou o caminho para o rival maior ao escalar reservas sem necessidade.

Até agora encontro colorados convencidos de que Luxemburgo pipocou, teve medo de perder a disputa contra o noviço Dunga.

Agora, o Grêmio corre atrás, não do prejuízo como insistem alguns locutores quando determinado time está perdendo e precisa lutar para reverter. O Grêmio corre atrás do lucro.

Mas corre a passos de tartaruga baiana, com todo respeito aos baianos, e nada pessoal.

Ao empatar com o São Luiz e depois vencer nos pênaltis, o Grêmio deixou de decidir com o Juventude na Arena, perdendo uma boa grana. E ainda tem a desvantagem técnica.

Quando o jogo terminou no 0 a 0, eu confesso que larguei. Se Luxemburgo largou no primeiro turno, por que eu não posso jogar a toalha agora?

Melhor cair fora de uma vez do Gauchão para ficar só com a Libertadores do que ficar imaginando que é possível tirar o título do Inter com esse time que passa 90 minutos sem exigir uma grande defesa sequer do goleiro adversário. E o goleiro adversário não joga no Barcelona, no Chelsea, no Huachipato. Não, o goleiro joga do São Luiz.

O nome do goleiro: Oliveira. Prestei atenção nele quando cruzou com Dida. O Oliveira que me irritou fazendo tempo desde o primeiro minuto e que só levou o amarelo em função disso na metade do segundo tempo. Olhei para aquele rosto castigado, sofrido, e senti pena do Oliveira. Imaginei qual seria o seu salário, as dificuldades de jogar em clubes pequenos, de sustentar uma família.

No duelo com o goleiro vitorioso, milionário talvez, confesso que torci para o goleiro sofrido, quase heróico, que fez de tudo para evitar o gol do Grêmio. Fez o seu trabalho com muita dignidade. Se não foi punido logo no começo é por culpa do sr. Daronco. Oliveira fez a sua parte.

O mesmo não posso dizer do time gremista que o sr Luxemburgo não consegue ajustar. Nos últimos seis jogos, três gols. Um deles, contra.

Contra o São Luiz, foram raras as chances de gol. Comparando com o Inter domingo: o goleiro Eduardo Martini foi o destaque do jogo, fazendo grandes defesas. O Inter penou, sim, mas atacou e criou chances de gol.

A melhor chance do Grêmio foi aos 34 minutos, quando o excelente Guilherme foi ao fundo em jogada individual e cruzou para a área. Mamute – que está mais fininho mas continua sem mostrar talento maior a não ser o de ter Machado como empresário – dominou e teve lucidez para encostar para Kleber, quase dizendo: faz.

Kleber não fez. Foi a grande chance do Grêmio em todo o jogo, com a bola sendo desviada por um zagueiro.

O Grêmio, nesse momento, estava com um jogador a mais em campo. Um jogador a mais. O Grêmio seguiu jogando um futebol sem criatividade. Pressionou mais, mas sem organização.

Depois, nos pênaltis, a classificação. O jogo contra o Juventude será no Jaconi. Tivesse o Grêmio vencido, seria na Arena. Domingo à tarde?

Claro que não. A FGF decretou que a torcida do Grêmio poderá ver jogos do Gauchão em todos os dias e horários da semana, menos nos domingos à tarde. Nem mesmo nos sábados à tarde.

Por que? Difícil explicar, de entender, de aceitar. É muita restrição contra a Arena. É proibição de ocupar 9 mil lugares de arquibancada, de entrar com charanga, de tirar a camisa pra festejar.

É tanta proibição que o Grêmio parece acreditar que também é proibido jogar bom futebol em sua Arena.

Vuaden marca perigo de pênalti

O Inter mereceu vencer o Lajeadense, meu segundo clube do Interior – o primeiro é o Avenida.

Não assisti a todo jogo, mas no tempo em que estive diante da TV vi um Inter superior, organizado, pressionando e o Lajeadense bem posicionado, se defendendo, e arriscando alguns contra-ataques.

É inegável que Dunga armou bem o time. Não se pode dizer o mesmo de Luxemburgo, que até agora, final de abril, continua dependendo basicamente de jogadas individuais dos jogadores mais talentosos e também de muita bravura da equipe.

Falta a Dunga um teste de verdade, mas o trabalho dele é correto, coerente, sério.

Agora, voltando ao jogo. Eu percebi que o Lajeadense não tinha chance de vencer – e poderia vencer mesmo sendo dominado, porque o futebol tem dessas coisas – quando aos 29 minutos o sr Leandro Vuaden tomou uma medida preventiva contra um lance que à primeira vista parecia pênalti a favor do esforçado Lajeadense.

Ao ver o atacante rival – rival do Inter, quero deixar bem claro – cair na grande área, o juiz correu já puxando o cartão amarelo. Puniu o jogador por suposta simulação.

Com isso, se o lance tivesse sido dentro da área, como parecia, ele se isentava de marcar pênalti. Por isso, o termo ‘medida preventiva’. Preocupação exagerada, porque a Tv mostrou que a falta, que ele viu como simulação, realmente existiu, mas foi a poucos centímetros da risca da área.

Na verdade, ele marcou perigo de pênalti.

Portanto, não havia pênalti, mas sim uma falta, que até seria perigosa. O sr Vuaden errou ao não marcar a falta – por instinto de preservação, talvez até pensando nas sistemáticas críticas do sr Dunga, que aliás voltou a reclamar mesmo vencendo, como faz sempre – e errou ao punir o atacante do rival – rival do Inter, repito.

No mais, o Inter foi mesmo superior e é, sem dúvida, favorito ao título. Não acredito que Luxemburgo tenha capacidade de vencer esse bem armado time do Dunga, isso se superar o São Luiz nesta segunda-feira e depois, ainda, o Juventude, sempre osso duro de roer.

XERIFÃO

Sobre o Lajeadense: gostei muito do zagueiro Gabriel. Encarou o Damião, marcou um gol e mostrou que é um xerifão. É um jogador que merece investimento do Grêmio. Alguém vai dizer, mas não tem bola para jogar no Grêmio. Eu eu responderei, e o Cris tem?

Ah, mas é do Interior, entrar assim numa Libertadores, é complicado, alguém pode observar. É verdade. Mas o Bressan, ainda mais inexperiente, veio e encarou.

Gabriel, acho que vale a tentativa. Vai custar mais barato que o Cris.

Ah, quando o Inter toma gol de cabeça, mérito do adversário. Quando o Grêmio leva gol de bola aérea, culpa dos zagueiros.

D’ALE

Esse inquieto argentino jogou demais. Defendeu, armou, organizou, atacou. Sofreu algumas faltas, mas reagiu bem. Sem chiliques. Mas li no blog cornetadorw que ele deu uma voadora por trás num jogador do Lajeadense, e não recebeu sequer cartão amarelo.

Por que será que eu não me surpreendo?