Férias

Férias

Pessoal, tirei uns dias de férias. Volto no dia 4.

Mas nao posso deixar de referir a coluna do Diogo Olivier na ZH de hoje.

Ele fala em prejuizo institucional do clube se jogar no Olímpico, nao na Arena.

E o prejuizo de uma eliminacao na Libertadores se jogar no gramado ruim da Arena, destestado pelos jogadores?

O prato-feito e a relação Grêmio/OAS

O bom senso começa a prevalecer na relação entre Grêmio e OAS.

A direção atual do clube herdou um prato-feito. Reclamou do bife ‘nervos de aço’, do feijão aguado e do arroz tipo ‘unidos venceremos’, coisas que eu comia e me lambuzava nos tempos de estudante de jornalismo no Restaurante Universitário da Ufrgs.

Mas eu era um ‘pobre rapaz latino-americano sem dinheiro no bolso…’

Hoje, continuo sem dinheiro no bolso e latino-americano, já não sou um rapaz – as queridas, como diz o Reche, me chamam de ‘tio’ -, mas fiquei mais exigente.

No caso da Arena, o presidente Fábio Koff não está sendo exigente, mas simplesmente exercendo o direito de receber um produto de qualidade, um prato-feito com filé suculento, fritas crocantes, feijão e arroz dignos e, de quebra, uma saladinha com folhas tenras regadas com azeite de oliva.

O Grêmio quer a Arena em plenas condições de uso. E não abre mão disso. Cabe a OAS providenciar para que o seu cliente seja atendido da maneira que merece: com respeito e atenção.

Chegará o momento em que o Grêmio irá receber as ‘chaves’ da Arena, transferindo-se física e espiritualmente para a sua nova casa. Em troca, entregará as ‘chaves’ da velha morada.

Mas esse momento será quando o Grêmio considerar a obra realmente concluída, inclusive com um gramado compatível com a magnitude da Arena. Não quando a empreiteira desejar.

Antes disso, as chaves do Olímpico devem continuar com o clube. Só por precaução.

Facilita, vem um bife ‘nervos de aço’ de novo no lugar do filé.

Mas o importante, a boa notícia, é que Grêmio e OAS estão se acertando, chegando a um acordo que contemple os interesses de ambos de forma satisfatória, e igual.

Afinal, quer queiram quer não, um depende do outro. Por 20 longos anos.

Se a OAS se fresquear, ela que fique com a sua Arena para shows do Roberto Carlos.

E aí, esse gramado de areia, grama rala e piso duro, já não fará qualquer diferença.

HABITE-SE

Ao negar o Habite-se da Arena, a Prefeitura de Porto Alegre surpreende. Afinal, se um estádio em obras foi por ela liberado para a realização de jogos com presença de público, por que não liberar a Arena?

De certa forma, a decisão da Prefeitura ajuda o Grêmio, já que obriga a OAS a executar os ajustes necessários o mais rápido possível.

Koff anunciou hoje que o interesse é enfrentar o Caracas na Arena dia 5 de março. É o que quer a OAS, que agora corre contra o tempo para obter o Habite-se ou algum documento provisório que permita a realização do jogo.

Por ironia, no momento em que encontrava problemas na Arena, um site publicava pesquisa mundial apontando a Arena do Grêmio como a melhor de 2012, com ampla vantagem sobre o estádio colocado em segundo lugar.

O link me foi passado pelo Marcos, integrante da RBS (Rede Botequeira do Sul):

http://stadiumdb.com/competitions/stadium_of_the_year_2012

NOVELETÃO

Depois de receber um presente de Luxemburgo – um time escalado para perder – no Gre-Nal, o técnico noviço Dunga foi agraciado com uma eliminação surpreendente do Lajeadense.

Lá em Lajeado, onde me criei e forjei esse elemento que aqui escreve, o furo seria mais embaixo.

Agora, contra o Esportivo, é jogo jogado.

O Inter vai vencer com facilidade e encaminhar a conquista do título do primeiro turno.

Dunga pode agradecer a Luxemburgo o presente de pai pra filho.

Não é nada não é nada, Dunga estreia como treinador, de verdade porque seleção é uma fantasia, conquistando um campeonato.

Sim, o Inter será campeão gaúcho.

Luxemburgo tem o seu projeto pessoal, um projeto do qual título regional não faz parte.

ARBITRAGEM

Não sei por que, mas ao ler esta notícia me lembrei do Fluminense no Brasileirão 2012.

http://sportv.globo.com/site/programas/arena-sportv/noticia/2013/02/aristeu-tavares-e-demitido-da-comissao-de-arbitragem-da-cbf.html

GRÊMIO LIBERTADOR

A quem interessar possa, minha participação no programa de TV do site:

http://www.gremiolibertador.com/

Mas é só isso que o Inter tem?

O Grêmio está realmente priorizando a Libertadores. Não é meia prioridade, é prioridade por inteiro.

“…E que tudo mais vá pro inferno”, poderia cantar Luxemburgo, lembrando um antigo sucesso de Roberto Carlos.

Eu defendi que o Grêmio deveria ir para o Gre-Nal com o máximo de titulares possível, deixando fora o Barcos, o Elano e o Zé Roberto, os únicos realmente essenciais a meu ver.

Diante do que aconteceu no ano passado – Mário Fernandes e Kleber, expoentes do time, foram vítimas da violência no Gauchão – não posso criticar a decisão de jogar apenas com reservas – exceção de Dida e Werley.

A contusão sofrida por Alex Telles indica que cautela e canja de galinha não fazem mal a ninguém. Está certo, é mais um Gre-Nal perdido, e isso realmente não é agradável.

Mas, e se fosse o Barcos a sair de campo com o nariz estourado? Estaríamos todos agora lamentando sua escalação.

O risco existe em qualquer atividade. Lesões sérias acontecem em treinos, mas são mais comuns em jogos oficiais. O que o Grêmio fez foi reduzir o risco.

Pagou com uma derrota. Com um pouco mais de qualidade no time, poderia ter vencido o jogo. E este é um dos aspectos positivos. O outro, é que o time titular não conseguiu mais do que esse apertado 2 a 1. Cabe, portanto, o indagação do meu amigo Ricardo, lá de Cruzeiro do Sul: “Mas isso é tudo o que o time titular do Inter tem?”.

Realmente, o Inter tinha a obrigação de jogar mais, fazer mais, e vencer com mais facilidade. Quando fez 2 a 0 começou a trocar passes, estimulando a torcida colorada a gritar olé nas arquibancadas do Centenário.

Logo depois, o pênalti, aliás, surpreendentemente muito bem assinalado por Jean Pierre. Douglas Grolli sofreu um violento empurrão numa cobrança de escanteio. Nenhum repórter atrás da goleira viu. Mas Jean Pierre viu e, o que é mais importante, marcou.

Talvez até porque minutos antes Bertoglio havia invadido a área a drible pela direita, fundo de campo, e levava perigo mesmo desequilibrado, quando sofreu um empurrão de Moledo, que jogou sua barriga sobre o corpo do argentino, que acabou caindo porque estava mesmo tentando se ajeitar após driblar o zagueiro. Seria um pênalti de barriga, algo que dificilmente um árbitro marca.

Destaco esse lance porque a vitória colorada, do time titular colorado, esteve por um fio. Bastava um empurrão com a barriga para o desequilibrado Inter desabar no gramado.

Com mais dois ou três titulares, o Grêmio talvez estivesse agora na disputa do título do primeiro turno, podendo ficar mais tranquilo no returno.

Para ser mais claro: se o Grêmio tivesse um lateral melhor que o Tony e um meia superior ao M. Antônio, aumentaria sensivelmente suas chances de vitória. E mais ainda se tivesse alguém melhor para o lugar de Welliton, que perdeu um gol ‘feito’ ainda no primeiro tempo.

Agora, o Inter foi superior a maior parte do tempo. Mereceu a vitória, sem dúvida alguma. Mas seu futebol segue na linha do razoável, e isso contra um Grêmio B. É evidente que a direção colorada já viu isso, tanto que está em busca de reforços.

Não vi nenhum grande destaque no clássico. Alguns conseguiram ver grande desempenho de Forlan, que para mim foi apenas discreto. O melhor do Inter foi D’Alessandro, pelo conjunto da obra. Depois, Damião e Moledo. Gabriel também jogou relativamente bem, ainda mais comparando com Tony, que decididamente, está na divisão errada.

No Grêmio, destaco o zagueiro Werley e os volantes Adriano e Mateus Biteco, apesar do pênalti que cometeu. Bertoglio acrescentou qualidade ao setor ofensivo.

O torcedor colorado comemora. A direção colorada festeja dois Grenais vencidos em fevereiro, desprezando o fato de o Grêmio ter jogado com reservas.

Tudo bem, tem mais é que comemorar, mas continua pergunta:

– É só isso que o Inter tem?

COTAÇÃO DO  ‘AVALIADOR DE FORA’

GREMIO

Dida – Um entregadinha que comprometeu – 6

Tony – Não adianta insistir com ele. 3

Werley – muito firme, liderando a zaga. 7

Groli – Grande chegada no Damião. 8

Bressan – Zagueiro com muito futuro. 7

Alex – Boa técnica e personalidade. 7

Adriano – Encarou o D’ale, marcou e deu bons passes. 8

Mateus Biteco – Apesar do pênalti desnecessário, foi bem. 7

M. Antônio – Um dia ainda vou descobrir por que ele está no Grêmio. 4

Welliton – O melhor que fez foi perder um gol de cabeça. 4

Marcelo Moreno – Nem gol de cabeça perdeu. 3

Bertoglio – Deu alma e vivacidade ao ataque. 8

Willian José – Mostrou que pode ser reserva imediato de Barcos. 7

Guilherme Biteco – Tivesse entrado antes… 8

INTER

Muriel – Não foi exigido. Por ter se fardado. 7

Gabriel – Boa partida, joga com inteligência. 7

Moledo – Muita imposição física. 8

Juan – Jogou basicamente na experiência. 7

Fabrício – Só falta conseguir pensar enquanto corre. 6

Igor – Marcou com eficiência. Cansou. 7

Josimar – Confuso. Cometeu pênalti imbecil. 5

Fred – Muita movimentação e iniciativa. 7

D’Alessandro – O maestro do time, apesar de nervosinho. 8

Forlan – Muito participativo, mas precisa jogar mais. 7

Damião – Sentiu a marcação, mas deu trabalho. 7

Elton, Gilberto e Vitor Jr. – sem nota.

Manual Prático do Avaliador no Futebol

Considerando que domingo tem Gre-Nal, sempre um jogo polêmico antes, durante e, principalmente, depois;

Considerando que as avaliações dos jogadores nos jogos causam sempre muita controvérsia e, muitas vezes, revolta, em especial da torcida gremista;

Considerando a frequente falta de critério na distribuição das notas, razão maior da irritação de torcedores;

Considerando a discrepância entre a nota e o comentário emitido em alguns casos;

Considerando que a tarefa de aplicar notas e conceitos é mesmo muito difícil, porque há um forte componente de subjetividade;

Considerando que é dever de todos contribuir para a paz e a harmonia no futebol;

Considerando que uma avaliação mais criteriosa e fiel à realidade dos fatos vai ser útil para melhorar a relação mídia/torcida, o Boteco do Ilgo sente-se na obrigação de publicar os principais trechos do Manual Prático do Avaliador no Futebol – árduo trabalho em andamento e que já ultrapassou mil páginas -, para auxiliar os avaliadores ‘mãos pesadas’, feliz expressão extraída do conceituado e sempre atento blog www.cornetadorw.blogspot.com.br;

Considerando tudo isso e mais o que foi esquecido agora, aqui estão os princípios básicos de uma avaliação justa e adequada:

1 – o avaliador deve, obrigatoriamente, despir-se de qualquer coloração clubística para não deixar que a paixão interfira no trabalho;

2 – o avaliador não pode permitir que eventual antipatia com esse ou aquele atleta interfira em sua nota;

3 – o avaliador, quando tiver dúvida sobre uma nota, deve ter humildade de consultar os colegas mais experientes, mas sempre com um pé atrás, porque a opinião pode vir contaminada de gremismo ou coloradismo;

4 – o avaliador, ao final da cotação, precisa somar as notas para conferir se o total está de acordo com o desempenho do time como um todo. Por exemplo, em Fluminense 0 x 3 Grêmio, a nota geral do Grêmio, que fez uma partida considerada por todos fantástica, foi de APENAS 6,9. O MÍNIMO aceitável, nesse caso, seria nota OITO.

5 – o avaliador precisa adotar um critério diferenciado para os goleiros. No jogo referido, o goleiro Dida levou nota SEIS, que é a nota mínima para passar no exame da OAB. Quando o goleiro sai de campo sem sofrer gol – sua missão no jogo -, mesmo que não seja muito exigido e desde que não tenha cometido falhas, o MÍNIMO que ele deve receber é uma nota SETE. Se ele fez uma ou duas grandes defesas, essa nota deve obrigatoriamente ser ainda maior.

6 – Quando se afirma que determinado jogador de defesa foi um ‘gigante’, sua nota deve ser superior a SETE, nota atribuída a Pará contra o Fluminense;

7 – Quando uma dupla de área se mostra eficiente na marcação de um goleador perigoso como Fred, tanto que ele praticamente não concluiu a gol, o MÍNIMO que esses jogadores, no caso Werley e Cris, merecem é OITO. Afinal, cumpriram a missão com total sucesso.  No caso de Cris, citar que ele cometeu pênalti – na verdade, lance discutível – tendo poucas palavras para escrever, indica uma certa tendenciosidade;

8 –  Quando um atacante como Barcos é agarrado escandalosamente na área nas cobranças de escanteio, é obrigatório, em nome da isenção, citar que ele sofreu pênaltis não assinalados pela arbitragem – apesar dos auxiliares que ficam no fundo do campo. Essa obrigação é ainda maior quando na mesma cotação é frisado que o zagueiro do mesmo time, Cris, cometeu pênalti, repito, duvidoso.

9 –  As equipes de esporte devem estabelecer um critério – algo sempre exigido dos árbitros, por exemplo – para ser seguido por todos os avaliadores, porque há aqueles que costumam estar de mal com o mundo e costumam dar notas muito baixas, desconsiderando o empenho dos atletas e seus acertos no jogo, e superdimensionando eventuais erros. Por outro lado, há os que são generosos demais nas notas;

10 – As avaliações devem sempre ficar a cargo dos jornalistas mais experientes, equilibrados e conhecedores, o que pelo visto não acontece, considerando-se as reclamações constantes dos leitores.

O Boteco do Ilgo espera ter contribuído para que as avaliações individuais nos jogos sejam mais coerentes com a atuação dos jogadores, deixando de gerar tanta polêmica e contrariedade de torcedores.

Um guri boliviano

Um guri boliviano

Kevin Douglas Beltrán Espada, 15 anos, gostava de futebol. Era fã de Kaká. É o que li em algum lugar.

Era um guri como qualquer outro, de qualquer nacionalidade.

Gostava de ir aos jogos acompanhado do pai. Era torcedor apaixonado pelo San Jose.

O guri boliviano viu o gol do Corinthians contra o seu time, aos 5 minutos de jogo.

Em questão de segundos, tudo terminou. Um sinalizador com alto poder destrutivo o atingiu.

O médico responsável pelo atendimento, relatou que o falecimento foi imediato.

– Houve perda de massa encefálica em razão do projétil, um tubo de plástico, que penetrou até a cavidade cranial, então, a morte foi imediata, relatou o médico.

Doze torcedores do time paulista foram detidos. Dois deles, com sinais de pólvora nas mãos, estão em situação mais complicada, acusados do disparo. Os outros foram denunciados por cumplicidade.

Estamos diante de uma quadrilha.

A TV boliviana já divulgou imagens que identificam os assassinos.

O presidente do Corinthians, um infeliz, disse que foi uma fatalidade.

Como pode ser fatalidade se um grupo de marginais entra no estádio com inúmeros sinalizadores – vários foram apreendidos – dispostos a disparar contra a torcida rival, conscientes de que podem provocar ferimentos muito graves?

O Corinthians, como outros clubes, inclusive a dupla Gre-Nal, apoia de alguma forma esses grupos.

Hoje, é o Corinthians, amanhã pode ser o Grêmio. Ou o Inter.

Os clubes não podem mais manter qualquer vínculo com essas ‘torcidas organizadas’. Elas que se organizem, mas sem qualquer incentivo dos clubes.

No momento que ficar caracterizado apoio financeiro ou logístico para esses grupos, a responsabilidade passa a ser do clube. Parece ser o caso do Corinthians agora.

O clube dificilmente escapará de punição rigorosa. Talvez a eliminação na Libertadores.

Hoje, é o Corinthians. Amanhã, pode acontecer com Grêmio ou Inter.

Inevitável. A não ser que providências sejam tomadas imediatamente.