Fé no Luxemburgo

Fé no Luxemburgo

Saí do programa Cadeira Cativa, na Ulbra TV, com a melhor das impressões do Vanderlei Luxemburgo. Quem assistiu ao programa apresentado pelo Reche deve ter sentido o mesmo.

Eu sempre vi o Luxemburgo como um sujeito arrogante e esnobe, mas o cara que conheci me pareceu muito simples, simpático, sempre disposto a ouvir, e que não deixa nada sem resposta. É enfático na defesa de suas ideias e convicções. Enfim, um cara para sair e tomar umas cervejas na maior camaradage. (ah, depois do programa conversamos sobre as minhas cervejas.

Durante a propaganda do slicer mix, enquanto a apresentadora descrevia as maravilhas do aparelho e falava em batatinha frita, o Luxemburgo sorriu e disse baixinho que caía bem uma cervejinha naquela hora.

Eu estava disposto a fazer alguns comentários e perguntas sobre a má qualidade do time, especialmente do meio de campo, mas na conversa que tivemos antes ficou claro que pensamos da mesma maneira. A diferença é que ele não pode expor seu pensamento verdadeiro a respeito do time que a direção lhe entregou. Tem que defender seus jogadores.

Agora, as ações dele mostram que ele sabe onde está pisando e o que falta para o time. Perguntei sobre o Pará e o Werlei, e disse que a torcida espera reforços de mais qualidade, em especial para o meio de campo, que é muito fraco.

Ele disse que não comenta isso publicamente, mas ficou claro que Alex, que ele adora, é a bola da vez. Cogitei do Zé Roberto, campeão com ele pelo Santos. Mas ele nada comentou. Senti que o Alex vem aí. Outro que pode vir é o zagueiro Alex Silva. Ele revelou que gosta muito do Uéliton, zagueiro do Flamengo.

Quer dizer, Luxemburgo está usando sua influência para trazer jogadores importantes. O time será qualificado.

Se o Grêmio não ganhar nada agora -Copa do Brasil ou Brasileiro- terminará o ano com um elenco muito caro e uma herança terrível para quem assumir o clube.

Mas estou levando fé no Luxa. Pronto, me entreguei.

Já nem me incomodo que no próximo jogo, contra o Ceramica, terá o pior meio de campo do Grêmio nos últimos anos:

Fernando, Marquinhos, Léo Gago e Marco Antônio.

Sei que isso vai durar pouco tempo.

Escombros, a novela colorada

Escombros, a novela colorada

A novela Escombros, que narra as desventuras do Inter para reformar o seu estádio em parceria com a Andrade Gutierrez e com respaldo do Banrisul, é quase um ménage à trois. O banco foi convidado, mas não quis participar do leito nupcial, onde os parceiros vivem entre tapas e beijos.

Seria um enredo sexual, onde um parece querer ferrar o outro, enquanto o terceiro se esquiva, mas está muito mais para uma novela de mistério.

A empreiteira, que é a terceira maior do país -atrás da Odebrecht e da Camargo Corrêa-, mas com diferença mínima, decidiu atazanar a vida do Inter. Por que? É aí que está o mistério.

A AG, segundo o jornal O Globo, em matéria de maio do ano passado, divide com a Odebrecht, C. Corrêa e Queiróz Galvão, a bagatela de R$ 138 bilhões em obras realizadas no país. As quatro trabalham praticamente apenas com dinheiro público -federal, estadual e municipal. A AG tem 72% do seu faturamento oriundo do setor público.

A empreiteira, que é maior do que a OAS, teria faturado no ano passado R$ 10 bilhões. E agora se mixa para bancar os R$ 250 milhões necessários para concluir o Beira-Rio. Mistério.

Parece evidente que a AG verificou que seu lucro será pequeno, ou que o risco de ter prejuízo é grande, mas como é que só agora se deu conta disso. Foram meses de negociações. Não posso acreditar que de repente a AG se deu conta de que o casamento com o Inter é uma furada. Com toda a sua experiência, a AG não teria fechado um acordo dessa natureza se não tivesse visto vantagens significativas no negócio.

Ao não apresentar as garantias exigidas pelo Banrisul, a AG sinaliza que quer cair fora, mas que pode seguir jogando se conseguir mais vantagens, mais ou menos o que obteve a OAS recentemente para levar adiante o projeto Arena.

O Inter está como o sujeito que espera a noiva no altar. Ela não chega nunca. Começa a bater o desespero.

O presidente Giovani Luigi já dá sinais de que percebeu que entrou numa enrascada sem tamanho. Um nó difícil de desatar. Está nas mãos da AG, refém de uma das maiores empreiteiras do Brasil, que, se quisesse, concluiria o estádio com dinheiro próprio, mas aí não seria a AG, que, como suas ‘concorrentes’, só brinca com dinheiro dos outros, de preferência, dinheiro público.

O pior, para Luigi, é que um final infeliz nessa novela pode refletir no futebol, comprometendo a Libertadores.

E, sem a AG, como vai ficar o estádio colorado?

Não queria estar na pele do Luigi.

Ainda mais que a Copa pode parar na Arena.

Os engravatados deslumbrados

Os engravatados deslumbrados

O Caxias foi melhor, a arbitragem foi correta e o Grêmio mereceu perder.

Antes do jogo escrevi que não acreditava que Luxemburgo cometeria um dos erros que liquidaram Caio Jr, que é jogar com Marquinhos na função de volante e o fantasminha camarada, mais conhecido por Marco Antônio, como articulador. O certo seria escalar Marquinhos na meia, deixando o craque da Portuguesa no banco. Como terceiro volante, poderia ser o Misael ou o Gilberto Silva. O importante era manter o esquema, a estrutura que deu certo no Gre-Nal.

Foi um jogo parelho, mas quem chegou com mais perigo foi o Caxias. Victor foi mais exigido que o bom goleiro do Caxias. No final do jogo, Victor fez uma defesa espantosa evitando o gol da vitória do Caxias, um cabeceio mortal.

O esquema com dois volantes ajudou Fernando a afundar. No primeiro tempo, o guri foi liberado para avançar, com Souza mais fixo. Outro erro de Luxemburgo. Fernando mais adiantado é um volante comum. Fora isso, nesse jogo ele abusou de errar, dando umas entregadas que lembram Douglas.

Aliás, Douglas parado em campo aparece mais que o Marco Antônio. O ruim para o Grêmio é que esse meia apático acerta um ou dois lances em 90 minutos e isso parece apagar tudo o que ele deixou de fazer no restante do tempo. No Gre-Nal, ele meteu uma bola óbvia para Kleber marcar o gol da vitória. Ouvi o W. Carlet dizer antes do jogo que Marco Antônio havia feito partida ‘extraordinária’ no Gre-Nal. Eu enlouqueço.

Hoje, ele cruzou para Kleber fazer 1 a 0. Até ali eu não o tinha visto em campo. Depois, deu um passe para Kleber, que chutou mas a bola desviou num zagueiro. Ora, Douglas parado em campo fazia muito mais.

Depois, nos pênaltis, Marco Antônio errou. Ora, é visível que esse jogador tem dificuldade de personalidade. Ele sabe jogar, tem boa técnica, mas se esconde no jogo. Por que escalar esse jogador para cobrar pênalti? Ninguém ajudou Luxemburgo a escolher? Ao analisar a lista de cobradores apontei dois que poderiam errar: M. Antonio e Fernando, que poderia estar abalado pela má atuação.

Enfim, Luxa, que eu defini como iluminado, continua iluminado. A derrota nos pênaltis para esse time modestíssimo do Caxias, que estava pedindo para perder, vai impedir que alguns outros ‘iluminados’ do Olímpico pensem que o time, por ter vencido o Gre-Nal, tem potencial para vencer algo mais do que o Gauchão.

As derrotas têm esse dom: abrir os olhos dos deslumbrados engravatados do clube, que se exibiram faceiros após a vitória no Gre-Nal, inclusive se achando no direito de fazer provocações inoportunas e inconvenientes.

Hoje, eles estão calados. Afinal, ser eliminado pelo Caxias depois de vencer o Inter, decididamente não estava nos planos.

Luxa, o iluminado

Luxa, o iluminado

Vanderlei Luxemburgo é um sujeito iluminado. Que ninguém duvide disso. De lateral medíocre a técnico da Seleção Brasileira e do Real Madrid, um multicampeão.

É tão agraciado pelos astros que segue sendo um profissional valorizado e requisitado depois de tudo o que já aprontou e de alguns projetos fracassados, como o instituto que criou tempos atrás e que serviu apenas para desviar seu foco do principal: treinar equipes de futebol, todas de ponta, ressalte-se.

Luxa nasceu virado pra lua.

Mais uma prova disso é que mal ele chegou a Porto Alegre e os ventos que assolavam o Grêmio hoje tumultuam o rival vermelho. Essa crise envolvendo a empreiteira, o Banrisul e o clube não é pouca coisa. Acreditem, pode refletir no desempenho colorado dentro de campo, a não ser que seja abafada logo, o que parece muito difícil.

Mas o que interessa é a bola rolando. O Luxa chega e o Grêmio, comandado pelo competente Roger, acabou com a alegria colorada dentro do Beira-Rio. Era o que Luxa precisava para começar seu trabalho sem pressão.

Agora tem esse jogo contra o Caxias. Os deuses do futebol se uniram para ajudar Luxemburgo. O insosso Léo Gago ingeriu algum medicamento proibido e está fora do jogo. Com isso, Luxemburgo pode colocar Misael na equipe. O guri, pelo que ouvi dizer, está muito bem nos treinamentos.

O problema é que estão falando agora em Marquinhos para a função de Gago. Equívoco.

Quero acreditar que é outro erro dos meus ex-colegas, que antes do Gre-Nal anunciavam que Gago e Marco Antônio (outro que não tem futebol para ser titular- ficariam no banco. Eles foram escalados e até deram uma boa resposta em termos competitivos.

Marquinhos deve disputar posição com Marco Antônio. Fora isso é invenção.

O Grêmio vai enfrentar um time com muito mais pegada do que foi o Inter no meio da semana.

Se não quiser escalar Misael ou outro volante de verdade que exista no grupo, Luxemburgo pode adiantar Gilberto Silva e escalar outro zagueiro.

Aliás, é o que acredito que o iluminado Luxa irá fazer.

FECHANDO A CONTA

Escrevi as mal iluminadas linhas acima nesta manhã de domingo ao som de um velho vinil de Glen Campbell, que embalou minha adolescência em Lajeado e arredores.

Meu amigo Ricardo, de Cruzeiro do Sul, sempre quis afanar esse meu disco. Não levou.

O 23 e as coincidências da vida

As coincidências aguçam a minha curiosidade. Elas sempre têm um sentido, um significado. Por isso, sempre que me deparo com uma coincidência – e elas nos acompanham ao longo da existência e talvez até fora dela, em outro plano – procuro estudá-la. Não acredito em coincidência sem algum sentido. Sempre há um significado. Nem sempre o descobrimos. Outras vezes ele é muito claro. Não descarto, porém, que existam coincidências que são… coincidências.

Quem frequenta o botecodoilgo (alerto de novo que é virtual), sabe que no sábado retrasado eu mudei de residência. Creio que foi a minha 23ª (!!!!) mudança. Ainda estou ajeitando as coisas. Tenho apego as coisas antigas, dificuldade para me livrar delas, não adianta. Sempre acho que um dias elas irão servir para alguma coisa.

Bem, o casal que me vendeu a casa comprou um apartamento na rua onde eu estava morando, e praticamente em frente, com o número invertido, 218 para 281. As duas partes só ficaram sabendo disso depois. Baita coincidência.

O que isso significa? Nada. Ou será que tem algum significado oculto?

Mas não termina aí: contratei um empreiteiro para fazer umas reformas (casa meio antiga). Quase caí de costas quando o empreiteiro me contou, impressionado e emocionado com a coincidência, que ele próprio havia construído a casa há uns 20 anos.

Terá tudo isso algum sentido? Não sei. Pode ser mesmo uma coincidência sem nada nas entrelinhas.

Algo muito diferente do caso da camisa número 23 entregue pelo Grêmio ao técnico Luxemburgo, que tinha ao seu lado no momento de receber o mimo o presidente do Grêmio, um sorridente Paulo Odone, do PPS, partido que por coincidência (???) tem o número 23.

Luxemburgo disse que 23 é seu número de sorte. Que ele havia pedido o número 33, mas este pertence a Edilson; aí sugeriu o 23, embora este seja do Bruno Colaço. Mesmo assim, ele não sugeriu outro.

História mal contada.

Não parece haver dúvida de que estamos diante de uma ‘coincidência’ com um significado muito escancarado. Se foi mesmo algo planejado, foi uma bobagem sem tamanho, porque serviu apenas para reforçar o sentimento de uso político do clube.

Uma pisada de bola que não combina com o histórico do experiente presidente tricolor.  Parece mais coisa de assessor puxa-saco. Mas…

Por via das dúvidas vou jogar no bicho, no grupo da cabra (ou do veado), que engloba os números 21, 22, 23 e 24.