Coloradismo ‘entorno’ da Arena

O deputado Raul Pont está vociferando contra a aplicação de dinheiro público nas obras, indispensáveis, no entorno da Arena.

Está no seu direito. Só tenho lá minhas desconfianças se ele o faz por ser um político realmente preocupado com o dinheiro público ou por puro coloradismo.

Ele já andou retrucando (em resposta ao conselheiro Giuliano Vieceli, que enviou sólidos argumentos contra a posição do deputado petista igualmente publicada no blog de Hiltor Mombach, no CP), que a segunda hipótese é risível, cheia de preconceito e fanatismo.

Não foi por preconceito e algum tipo de fanatismo que a Ford foi embora do Rio Grande do Sul?

Sempre respeitei o Sr. Pont. Raramente concordei com suas idéias no campo da política, mas as respeitei porque via nele um homem honesto, com sólidos princípios éticos. Um homem digno, enfim.

Mas tudo mudou com o episódio do Mensalão, aquele dos 40 ladrões conforme denúncia da Procuradoria Geral da República. Entre eles, homens do alto escalão petista. Gente que era a esperança de milhões de brasileiro.

Peixes graúdos nas malhas da corrupção.

Naquele momento, esperei que os petistas que eu respeitava fossem seguir os passos de Heloísa Helena e Luciana Genro, que tiveram a coragem de abandonar o aconchego do ninho do partido mais poderoso do país pela aventura de criar um novo partido. Luciana, se tivesse imitado Maria do Rosário, talvez hoje fosse ministra.

Sinceramente, mas sinceramente mesmo, eu não tive dúvidas de que a essas jovens idealistas, defensoras ardorosas da doutrina do antigo PT, logo se juntaria o Sr. Raul Pont. Não esperava isso do Olívio, da Maria do Rosário, do Tarso, do Paim.

Mas o Pont, sim. Ele levantaria a bandeira da ética às alturas em meio ao mar de lama de atingia o partido que cresceu combatendo a corrupção e os corruptos.

O Sr Pont oPTou. Foi só mais uma decepção na vida, nem foi das grandes. Pior foi ser goleado pelo Boca Jrs tempos atrás, ou cair pra segundona duas vezes.

O deputado, ao posicionar-se contra dinheiro público investido na Arena, afirma: “O dinheiro público, do Orçamento Público, sempre escasso diante de tantas prioridades deve ser gasto com muito zelo”.

Eu não me lembro de ele ter dito algo sequer parecido quando o governador do seu partido criou 975 contratos emergenciais no ano passado, causando uma repercussão financeira, em 2012, de uns R$ 33 milhões, mais uns R$34 milhões em 2013. Sem falar nas centenas de CCs.

Faltam, pelo que soube, R$ 30 milhões para concluir a obra de ‘mobilidade urbana’ na área da Arena.

Se depender do deputado Raul Pont, a obra não sai. Por preocupação com o dinheiro público ou por coloradismo?

Eu não tenho dúvida. Tenho a coragem de assumir meu ‘preconceito’ e meu ‘fanatismo’.

E ponto.

O melhor de Caio: sacar Douglas

Quem leu e prestou um mínimo de atenção ao que escrevi no comentário anterior não se surpreendeu com a derrota por 2 a 1 para o Juventude, um time modesto comandado pelo treinador que indiquei antes de contratarem Caio Jr.

Se com 45 minutos de bom futebol do Gabriel contra o fraquíssimo time do Canoas o técnico gremista jogou para o alto suas mais caras convicções e armou um esquema com três zagueiros (sem ter um zagueiro sequer realmente confiável), o que vai fazer depois de uma derrota em que seu goleiro, Victor, evitou uma goleada retumbante com grandes, ou melhor, monumentais defesas?

Estou curioso para saber o que fará Caio Jr. Para ser coerente, ele deveria continuar com os três zagueiros. Mas como manter esse esquema que ele tirou da cartola se um, Saimon, cometeu um pênalti desnecessário, e outro, Grolli, foi infeliz ao cabecear contra? É muito guri na zaga. O beabá do futebol ensina que é temerário colocar dois jovens, ainda por cima em busca de afirmação, juntos. O ideal é colocar um veterano, ou experiente, ao lado, como faz o Inter com Rodrigo Moledo.

Não sou contra o esquema com três zagueiros, sou contra a adoção de qualquer esquema em função de 45 minutos de um jogador. Confesso que treinador que muda de opinião assim tão facilmente me preocupa, e muito.

Agora, em meio às nuvens escuras do fracasso no Jaconi, vislumbrei um raio de luz. A substituição de Douglas. Penso que é a primeira vez que Douglas é substituído tão cedo. O talento desse jogador é inegável, mas futebol é, como a literatura, muito mais transpiração que inspiração.

Douglas foi substituído por Marco Antônio, que precisa jogar nessa função para a gente saber se ele tem condições de ser o articulador do time, não tão habilidoso quanto Douglas, mas mais participativo, interessado e comprometido. Pena que Gabriel foi expulso (erro grosseiro do juiz) quando o Grêmio mais pressionava. Isso prejudicou qualquer análise de Marco Antônio.

É o momento de Caio Jr. tomar uma decisão: fazer como os que o antecederam e tentar arrumar um esquema para Douglas, ou substituir o meia de uma vez. É preciso considerar, ainda, que Douglas tem essa questão de renovar ou não o contrato. Douglas, ao natural, não demonstra muita disposição para se doar em campo, imaginem com a cabeça pensando em mudar de ares.

O que dizer do Fernando? Um guri protegendo outros guris. Fernando foi incansável, guerreiro. Marcou por ele e por Léo Gago. Não espero grande coisa de Léo Gago, já escrevi aqui, mas esperava ao menos que ele tivesse pegada, chegasse junto. Alguém viu esse jogador cometer falta? Volante que não chega junto é um meia que não deu certo. Ao Grêmio não serve.

Eu havia escrito antes que ele era o volante que Fábio Rochemback pediu para ser sua sombra. FR é muito, mas muito, superior a Léo Gago. Só que agora já foi. Reservo minha esperança agora em outro guri, o Misael. Mas aí já é gurizada demais para um time em formação. Preocupante.

Por fim, mantenho o que escrevi anteriormente: o Grêmio tem apenas seis titulares. São eles: Victor, que hoje calou os gremistas que o querem fora do time (mas eu sei que eles não vão sossegar enquanto Grohe não entrar na equipe); Mário Fernandes (de preferência como lateral, mas pode ser como líbero no esquema de três zagueiros), Júlio César, Fernando, Marcelo Moreno e Kleber.

INTER

Enquanto o Grêmio navega em águas turbulentas, o Inter segue tranquilo no Gauchão, mesmo com um time reserva. Venceu o Veranópolis por 3 a 1, recuperou Tinga e, conforme eu previ dias atrás, manteve D’Alessandro. Repito: Giovani Luigi vai fazer o diabo para provar que pode ser tão bom quanto foram seus antecessores, e que não é um frouxo como pensa boa parte da torcida colorada.

Luigi, num aspecto está sendo melhor que FC e Pífero: não vende jogador com facilidade, ao contrário.

A continuar assim, com os ventos soprando a favor, o Inter passa pelo Once Caldas.

ARBITRAGEM

Gostei do Daronco no Jaconi. Logo no começo ele acertou ao não marcar pênalti num toque de braço do Mário Fernandes. Teve um comentarista que afirmou que o juiz poderia ter marcado, porque o braço estava afastado do corpo. Errado. MF estava com o braço rente ao corpo. É claro que não estava colado ao corpo, porque ninguém consegue jogar com o braço colado. Talvez o comentarista quisesse isso.

Acertou no pênalti do Saimon e no marcado sobre Marcelo Moreno. Acertou na expulsão do zagueiro do Juventude, mas errou feio ao expulsar Gabriel. Não sei o que disse o auxiliar que estava próximo do lance, mas Gabriel não agrediu ninguém, apenas meteu o braço no peito do adversário numa tentativa de drible.

Os técnicos e a pena de morte

O time do Grêmio começa pelo ataque. Obrigatoriamente. Kleber e Marcelo Moreno se impõem ao natural.

Ontem, numa entrevista, o técnico Caio Jr admitiu isso e ainda comentou que não está acostumado a armar seus times assim, com dois atacantes. “Temos que armar o time para jogar em função deles”, é mais ou menos assim que ele falou.

Caio passou-me a impressão de que isso meio que violenta seu pensamento sobre futebol. Um treinador precisa ser um sujeito flexível, porque só assim saberá trabalhar com os jogadores que possui, tirando deles o máximo em benefício da equipe.

Mas é fundamental que o treinador tenha suas convicções, que podem, é claro, moldar-se à realidade que ele encontra em determinado clube.

Fico imaginando o Celso Roth assumindo um clube em que todos os volantes sejam daqueles que largam a posição e vão faceiros ao ataque. Ele teria que improvisar, mas a tendência é de que fracassaria, porque os seus times sempre contam com pelo menos um volantão. Fora isso, ele se perde.

É por isso que o correto é contratar um treinador a partir de uma convicção de como a gente quer que ele jogue.

Vejamos o Grêmio: o que há em comum entre Renato, Julinho, Roth e Caio Jr? Nada. Talvez Julinho e Roth tenham alguma afinidade em termos de pensamento de futebol.

Parece que não há convicção no Olímpico sobre o esquema que se deseja, o máximo que cobra é um time com pegada, guerreiro, imortal.

Então, se eu sou dirigente, e gosto de um time com dois atacantes, dois volantes e dois meias, vou buscar um treinador que goste de trabalhar nesse sistema. Nunca um Celso Roth, por exemplo.

Eu, particularmente, gosto de um time assim: dois laterais que cheguem com facilidade na frente (tipo Júlio César e Mário Fernandes); dois zagueiros, um mais técnico e outro mais xerifão; um volante tipo para-brisa, que jogue centralizado na frente da área, cobrindo as laterais; dois volantes que marquem forte e saiam para o ataque com velocidade; um meia que se movimente bastante na frente e seja habilidoso, criativo; e dois atacantes que sejam também combativos, participativos.

A partir desse esboço eu iria em busca de um treinador, e contrataria jogadores com as características necessárias.

Assim, não correria o risco de, por exemplo, depois de dois jogos, já começar a cogitar em mudar o esquema colocando três zagueiros só porque um lateral (Gabriel) entrou bem durante um jogo contra um time precário.

Antes de cometer essa tolice, é preciso considerar que o Grêmio ainda não tem sequer uma zaga realmente eficaz e provada, mas tem  meias em profusão.

Se começar a alterar o esquema agora em função de uma vitória sobre o Canoas o técnico Caio Jr estará mostrando que é influenciável e flexível demais. E isso realmente não leva a lugar algum, ou melhor, leva sim, ao fracasso. É o que eu penso.

Respeito empolgações contrárias.

JUVENTUDE

Quando o Grêmio procurava substituto para Roth, sugeri o nome de Antônio Piccolo. Pensamento mágico, porque pouco sei desse treinador. É uma aposta como muitos outros, como o próprio Caio. Mas Piccolo é de Caxias. O Grêmio tem sorte com treinadores vindos de lá. Felipão, Tite e Mano Menezes.

Agora, Piccolo anda fazendo um ótimo trabalho nesse Juventude modesto dos últimos anos. Soube que é um treinador com carisma e liderança. Neste domingo, então, veremos o duelo entre o técnico que eu queria (até por falta de melhor opções) e o técnico que foi contratado só porque estava disponível e tem história no Grêmio.

PENA DE MORTE

Sou a favor da pena de morte. Não para treinadores, não. Nem para juízes de futebol ou dirigentes corruptos. Mas para criminosos como esse de Caxias, que matou um pai e dois adolescentes só por vingança por ter sido demitido da empresa do sujeito. O assassino não tem ficha criminal. Houvesse pena de morte, ele pensaria muito antes de matar. Mas sabendo que depois de alguns anos de cadeia, sustentado por nós contribuintes, ele estará solto…

Os criminosos há muito tempo não se intimidam com a nossa branda legislação penal. Hoje, se mata com muita facilidade.

Os seis titulares e D’Ale

Os seis titulares e D’Ale

As duas principais contratações do Grêmio, Kleber e Marcelo Moreno, simplesmente começaram a confirmar o que deles se espera. São dois atacantes de alto nível.

Ambos foram bem contra o Canoas. Nada de espetacular, porque recém começam a entrar em forma e o entrosamento é mínimo.

Kleber fez um gol e cruzou para Moreno fazer o seu, o terceiro, com um cabeceio preciso, certeiro, entre dois zagueiros. Então, o que temos é que as duas contratações inquestionáveis estão confirmando e tudo indica que ainda jogarão muito mais.

Já as outras contratações é outra história, outro departamento. São apostas, tanto podem dar certo como errado. Léo Gago é um segundo volante de qualidade razoável, nada mais do que isso.

Se alguém do Grêmio pensa que poderá conquistar um título nacional com Léo Gago como titular, está muito enganado. Fábio Rochemback em questão de dias seria titular. Felizmente, está sendo negociado para a China.

É uma boa notícia, que pode se tornar péssima se não vier alguém de melhor qualidade, como o Ibson, por exemplo. Léo Gago para disputar o Gauchão, está bem. Mas é só. No mais, é um reserva importante.

Marco Antônio segue uma incógnita, ao menos para mim. Não sei do que ele é capaz, além de me irritar com a bolinha que jogou contra o “poderoso” Canoas.

Ele foi tão mal que o Gabriel, tão criticado no ano passado sempre que entrou nessa função de terceiro homem de meio-campo, acabou se transformando no melhor do time, isso jogando apenas os 45 minutos finais.

Em resumo, o Grêmio, dentro da minha visão (admito que já não enxergo como antes, principalmente para ler), tem os seguintes titulares para um time que PRECISA ser campeão nacional:

Vitor, Mário Fernandes, Júlio César, Fernando, Marcelo Moreno e Kleber. Sim, o Grêmio tem seis titulares.

Douglas até pode ser o sétimo titular, mas confesso que já perdi a paciência com ele. Se o técnico Caio Jr conseguir fazer com que ele repita o ano todo o desempenho dos três meses do Brasileirão de 2010, então ele me serve. Mas prefiro não arriscar. Gostaria que ele fosse negociado de uma vez e viesse alguém mais aplicado, mais comprometido, mesmo que não tivesse tanta técnica. De repente, Marco Antônio pode ser esse jogador, quem sabe?

Gostei do Grolli. Mas é muito verde. Zagueiro que impõe respeito precisa ter algumas rugas no rosto.

Saimon é outro que não sei o realmente pode dar. Portanto, por enquanto falta uma zaga titular.

Com certeza, não será o Gauchão que irá testar a real capacidade desses dois jovens.

Só para não deixar passar em branco: o gol do Canoas foi marcado depois que um jogador meteu o braço direito na bola, que acabou sobrando para o zagueiro marcar.

Dois jogos, dois erros grosseiros de arbitragem contra o Grêmio.

D’ALE

Se Douglas tivesse a metade do caráter de D´Alessandro, teria o dobro de utilidade para um time de futebol.

D”Ale, com contrato milionário para deixar o Inter, foi o grande destaque colorado na vitória minguada sobre

o Once.

Sem ele, o Inter não teria vencido. Talvez até perdesse.  O que mostra que o time colorado não é mesmo lá essas coisas.

Sem D’Ale o Inter é um time mediano. Sem ele, a Libertadores é só uma miragem.

Eu, um ativista

Eu, um ativista

Porto Alegre está infestada de ativistas. Tem mais ativista do que mosquito.

Só fui me dar conta disso quando vi o centro da cidade parado em função de uma gigantesca e ruidosa passeata de participantes do Fórum Social Mundial. Todos ativistas.

Entre eles não estava um sujeito condenado por assassinato na Itália, o Cesare Battisti. O italiano foi recebido pelo governador Tarso Genro, responsável maior pela não extradição do indivíduo. Depois, eu o vi pela TV passeando no Mercado Público. Disse que não participou da manifestação por causa do calor.

Não pude deixar de lembrar de um programa de humor dos anos 70, em que uma bela norte-americana radicada aqui dizia com um sotaque carregado, depois de levar uma cantada de um brasileiro malandro:

– Brasileiro é tão bonzinho…

Descobri que ele hoje trabalha numa livraria no Rio e nesta quarta lança um livro na Ufrgs. Vida boa. Paga bem essa livraria. Ou será que alguém está pagando para ele vir aqui? Não duvido.

Battisti é hoje um ex-ativista. Pelo menos é assim que se referem a ele. Fui no dicionário. Está lá: “Membro ativo de um partido, de uma organização. Militante”.

Bah, depois de meio século de existência descobri que sou um ativista. Um ativista esportivo.

Integro uma organização fechada, onde só se entra por convite, e ainda após aprovação do grupo.

Antes de tudo é preciso ser gremista e ter um blog sobre futebol, no qual o Grêmio deve ser sempre o assunto principal. Mas esse grupo de ativistas é como metralhadora giratória, atira pra tudo que é lado.

Não posso falar mais sob pena de ser banido. Tudo ali é tratado de forma sigilosa, nada pode vazar. Por isso, como bom militante, silencio.

Agora, é um pessoal atuante, sempre pensando maneiras de tornar o Grêmio mais forte, vencedor. Não sei quando a ‘irmandade’ foi fundada, mas acho que depois de 2001.

Quer dizer, ainda não conquistou nenhum título relevante.

Mas também ainda não matou ninguém. Ainda.