Ronaldinho e a demissão de AVM

Perder é sempre ruim, mas perder com passe e gol de Ronaldinho é insuportável.

Enquanto Adilson, heróico, se desdobrava para não deixar Ronaldinho se divertir, vi, perplexo, o goleiro Victor dar um presente para o inimigo número 1 dos gremistas.

Victor, que tantas vezes salvou o time, sepultou qualquer possibilidade de reação ao se atrapalhar todo com a bola, que acabou de graça nos pés de R Ronaldinho.

Victor tinha muito crédito. Perdeu tudo num lance ridículo, inaceitável para um goleiro do seu nível.

O mais grave é que naquele momento, metade do segundo tempo, o Grêmio fazia uma partida valente, desprovida de qualidade técnica e tátrica, mas vibrante, interessada, determinada na luta pela bola.

Até acho que o Grêmio não chegaria ao empate, porque apesar dsaa vontade faltou lucidez nos lances finais, faltou aquele penúltimo toque para deixar um companheiro e condições de marcar.

A destacar que o Grêmio evoluiu em relação a si mesmo. Só espero que isso não se deva unicamente ao fato de o adversário ser o festejado Flamengo, o que sempre aumenta a motivação de qualquer equipe.

Confesso que não consegui ver o jogo como eu gostaria. Estava numa padaria/café, a Pane Mio, um lugar muito legal em Jaguarão.

A Tv era de 32 polegadas. Sempre havia alguém passando na frente, ou alguém pedindo um café, uma broa, um pão de queijo fumegante.

Enquanto o Grêmio brigava para conseguir um resultado honroso, havia gente despreocupada, só pensando em comer e beber. Amaioria nem olhava pra tela.

Eu deveria ter feito o mesmo.

Ver R Traíra correndo como um louco, motivado pra vencer seu ex-clube, e depois sair festejando como se nunca tivesse jogado no Grêmio, dá uma sensação desagradável. Seria melhor não ter visto.

DEMISSÃO

Antônio Vicente Martins largou o osso. Correta e digna a atitude dele. Pediu desligamento do futebol depois de ver que seu trabalho está levando o Grêmio para o fundo do poço. Antes dele, o Cidade Dias.

É antes de tudo uma demonstração de gremismo. Diferente de outros que ocuparam o cargo, acumularam fracassos, e ficaram agarrados gritando daqui não saio daqui ninguem me tira.

Vamos ver agora quem entrar no lugar.

Aposto uma 1983 Belgian Ale que vai dar Pelaipe.

SAIDEIRA

O Inter, com toda a sua ambição de brigar pelo título, repete sua rotina dos últimos anos o Brasileiro: deixa de somar pontos em jogos dentro de casa e contra adversários de porte modesto.

O empate por 0 a 0 contra o Atlético Goianiense foi um duro golpe no torcedor que enfrentou a tarde fria e a chuva miúda na expectativa de ver o time subir na competição.

Se o Grêmio está mal, pedindo para ser rebaixado de novo, o Inter está com time para lutar no máximo por vaga na Libertadores.

Quem tem medo de Ronaldinho Gaúcho?

Quem tem medo de Ronaldinho ‘Traíra’ Gaúcho?

Eu não, mas por via das dúvidas estou me exilando no território dos campeões da América.

Quando o Grêmio estiver enfrentando o Flamengo no Maracanã neste sábado, eu estarei na fronteira comprando uns vinhos. Vinhos e as minhas cervejas (1983, Kidiaba e Mazembier) têm sido o meu refúgio nesses tempos de dor e mágoa.

De vez em quando apareço no Box 21 ou no BierMarkt, mas sempre mantendo prudente distância do Olímpico, que virou salão de festas dos adversários.

Se der, vou assistir ao jogo. Aliás, não medirei esforços para ver esse duelo tão aguardado:

Grêmio frente a frente com RG, que está jogando melhorzinho depois que entrou no ar o ‘disque dentuço’.

RG nem foi ao julgamento ontem. Não tenho dúvida que fez isso para mostrar descaso com os auditores e assim ser punido.

RG tem medo, ou apenas vergonha, de enfrentar o clube que ele abandonou em troca de dinheiros, muitos dinheiros.

Felizmente, o tribunal carioca, conforme era previsto, colocou RG em campo. Ele e o Thiago Neves. Melhor assim.

Se o Grêmio escapou de perder para o Figueirense e penou para empatar com o América Mineiro, tanto faz o adversário.

O risco de fracasso é maior que o de sucesso com esse time.

Agora, parece contraditório, acredito que o Grêmio tem condições de surpreender o badalado Flamengo. Aliás, sempre é mais fácil vencer equipes festejadas em excesso, ainda mais se forem cariocas, sob o céu estrelado, ou não, do Rio. Pena que o jogo não é no Maracanã. Estaria ainda mais confiante.

Para vencer, ou até empatar, o técnico Julinho terá de armar um time compactado, com pegada forte no meio de campo, e duas ou três alternativas para escapar em contra-ataque.

A ausência de Douglas contribui para isso. É providencial essa amigdalite no jogador que deixou o campo sob vaias e visivelmente irritado com Julinho. Santa amigdalite.

Espero que Julinho coloque Adilson ao lado de Gilberto Silva, FR. com Marquinhos mais liberado.

Na frente, André Lima e um velocista, de preferência Leandro. O guri parece viver uma crise existencial, o que é natural para quem surgiu como um furacão e hoje não é mais que uma brisa. Só jogando é que ele vai superar essa fase, reencontrar o equilíbrio psicológico. Futebol ele tem de sobra.

A lamentar apenas que o Grêmio não tem um xerifão na área, alguém pra colocar o dedo na cara do RG e dizer, cuspindo fogo:

– É hora de ajustar as contas.

Estarei no Uruguai, mas não posso perder esse jogo. Esperei muito tempo por esse momento.

Grêmio: uma análise, uma contribuição

O vice-presidente de futebol Antônio Vicente Martins está perdido. Posso estar enganado, mas é isso que ele me passa a cada entrevista.

Ele não sabe por que o Grêmio repete a campanha do ano ano passado no Brasileirão. Se ele sabe, não o demonstra.

Depois do empate com o América Mineiro, agora um adversário direto na luta para não cair, AVM jogou parte da responsabilidade sobre Renato, que seria responsável pela indicação de alguns jogadores.

Os jogadores indicados este ano por Renato, salvo engano: Miralles, Gilberto Silva e Rodolpho.  

Alguém questionou esses nomes anteriormente?

Mas isso é o que menos importa: o dirigente é quem decide se contrata ou não. O técnico indica, o dirigente contrata se quiser. Não é ele quem manda?

Bem, se ele não manda, que se demita, dê lugar a outro gremista também tão decidido a ajudar o time do coração.

Tenho dúvidas se AVM manda alguma coisa. Pelo que sei, ele e seus companheiros do futebol não aceitaram o pedido de demissão de Renato ainda no vestiário após empate com o Avaí. Teriam sido, então, atropelados pelo presidente Paulo Odone, que os deixou falar na coletiva e depois foi lá e fez aquela lambança que culminou na saída de Renato.

Aquele era o momento de se impor. Ou cair fora.

Cesar Cidade pediu o boné ontem. Alega questões particulares. Dos três, talvez fosse o melhor. Os melhores são os primeiros a sair quando tolhidos em sua capacidade de decisão.

Se é para dizer amém, melhor voltar para a arquibancada. Eu penso assim. Mas sei que tem gente que gosta de ficar agarrado ao poder de qualquer jeito, mesmo que isso possa resultar em prejuízo ao seu clube.

Ah, é preciso considerar a divisão de cargos no clube pelos movimentos que venceram a eleição.

Se sair um representante de tal grupo, o substituto deve ser da mesma corrente ‘partidária’.

Competência e preparo para determinado cargo é o que menos importa.

É assim que funciona nos governos. Infelizmente, é isso que acontece hoje nos clubes, ao menos na dupla.

Hoje, AVM deu entrevistas dizendo que é possível repetir o ano passado. Sim, tanto é possível que a história de fracasso está se repetindo. Resta saber se é possível repetir a segunda parte da história, aquela que começou com a chegada de Renato ‘salvador’ Portaluppi.

Quem será o Renato agora? Julinho?

Quando Julinho foi contratado eu escrevi que era um engano, um erro, que torceria por ele, mas que não vinha nele condições de assumir um cargo tão importante numa situação tão complicada. Levei umas chineladas em função dessa minha descrença.

Continuo torcendo por ele, até porque se ele fracassar as consequencias serão desastrosas.  Não é uma questão de conhecimento de futebol. A questão é comando de vestiário.

Tivesse Julinho o respaldo de dirigentes fortes, com voz de comando, ele teria melhores condições de vencer.

Mas a impressão que tenho é que Julinho Camargo está só. É uma impressão extraída dos fatos envolvendo os homens do vestiário, o presidente e o futebol do time.

Renato prescindia desse apoio, e isso ficou muito claro o tempo todo. Renato estava mais afinado com os homens da gestão anterior, e disso ninguém tem dúvida. Talvez seus resultados no Brasileirão 2010 tenham muito a ver com essa relação mais afetiva.

Como o momento é de contribuir, deixo aqui minhas sugestões principais:

– como não dá pra mudar a presidência, que se mude o futebol, colocando no comando um dirigente que se imponha e que purifique o ambiente se o vestiário estiver contaminado como parece estar;

– se continuar esse pessoal, que se contrate um treinador com perfil de xerifão do vestiário, alguém com autoridade, mas ao mesmo tempo habilidoso para fazer com que os jogadores joguem por ele pelo menos o tempo necessário para afastar o fantasma do rebaixamento. 

Alguém aí falou Celso Roth?

É a parte que nos resta nesse latifúndio.

O que está ruim sempre pode piorar

Não vi e não gostei. Sou um gremista de pouca fé. Assumo. Pensei em ir ao Olímpico. Ver o time de perto, o que não fiz uma vez sequer este ano.

Sempre que penso em ir a algum jogo do Grêmio me vejo penando na arquibancada como na década de 70, quando ir ao Olímpico era certeza de frustração e raiva.

Não fui. E também não vi o jogo pela TV. Mas ouvi boa parte do jogo pelo rádio. Ouvi depoimentos de torcedores, todos chateados, alguns desesperançados, desiludidos, raivosos. Outros simplesmente conformados, tristes.

Como não ficar triste? A direção contratou os jogadores que julgava necessários e suficientes para enfrentar a Libertadores e o Brasileirão. Eles estão todos aí.

ESTE é o time do Grêmio.

Cheguei a pensar que Renato Portaluppi com os reforços de Gilberto Silva, Miralles e André Lima pudesse recolocar o time nos trilhos. Foi eliminado antes pelos doutos dirigentes do Grêmio.

Hoje, já não sei: Renato talvez não conseguisse mais do que Julinho Camargo.

Nunca saberemos. O que se sabe é que Julinho teve vários dias para ajustar o time, treinar algumas jogadas, mas o Grêmio não decola.

Talvez um técnico mais experiente conseguisse um melhor resultado. Talvez. Mas para mim está claro que falta qualidade na frente.

Fora deficiências em mais duas ou três posições.

Quando Leandro entrou no lugar de Douglas, algo que gostaria de ver desde o início conforme escrevi aqui para uma mudança radical na estrutura de meio campo, pensei que a situação fosse melhorar.

O gol de empate saiu logo em seguida. Miralles, após cruzamento de F. Rochemback, de novo o melhor. Minutos depois, Miralles foi expulso. Já haviam dito que ele é chegado num cartão. Está aí a prova. Quem o contratou sabia disso.

(Agora, como é que Viçosa foi emprestado se esses que estão jogando não são tão melhores do que ele?)

No jogo contra o glorioso Figueirense, o presidente Paulo Odone afirmou no final que o time havia apresentado evolução sob o comando de Julinho, isso depois de Marcelo Grohe evitar a derrota no final ao defender um pênalti numa partida em que os catarinenses sempre foram superiores.

O que ele tem a dizer depois de empatar com o poderoso América Mineiro no Olímpico? Não vou esperar para concluir este texto. Cansei de rolando lero.

Odone continua sendo alvo principal dos torcedores. Ele já mandou Renato embora. Seu próximo passo será mudar o comando do futebol. Trazer de volta Pelaipe.

Depois de Pelaipe, Celso Roth.  

E assim vai o Grêmio. Mais um ano perdido.

Mas é sempre bom não esquecer: o que está ruim sempre pode piorar.

SAIDEIRA

Inter conseguiu o terceiro lugar na Copa Audi. A gurizada que entrou deu boa resposta contra os titulares do Milan. Empate por 2 a 2, e vitória nos pênaltis pelas mãos do goleiro Renan.

O título era o grande objetivo. Apesar de ser um torneio amistoso, um título resultaria num DVD, com certeza.

Não veio o título. Nem a lanterna.

Copa Audi e a vez de Miralles

Até mesmo o gremista mais fanático precisa reconhecer que ser convidado a participar de um torneio ao lado de três dos clubes mais poderosos do planeta é uma honra.

Por isso, os colorados têm razão em sua euforia.

Já aos gremistas, agoniados com essa história, além do despeito, coube brincar com o erro impresso nos ingressos ou nos convites. Saiu Porto Alegre, não Internacional.

É um descuido dos organizadores. Um desrespeito a um clube latino-americano, um intruso na festa dos europeus. 

Já tive meu nome trocado muitas vezes, o que em se tratando de Ilgo não é muito difícil. Estou tão acostumado com isso que já não me importo quando me chamam de Ingo, Hiltor, Hildo, etc.

Agora, trocar Inter por Porto Alegre é negligência, descaso. E também ignorância da organização.

Aos gremistas, esse erro caiu na hora certa. Depois disso, e melhor do que isso, só mesmo um fracasso colorado na Copa Audi para atenuar o fato de o Inter ter ido, não o Grêmio, ou qualquer outro clube do Brasil.

Pois o Inter foi eliminado da disputa do título. O time foi valente. tomou um vareio no primeiro tempo. No segundo, beneficiado com as inúmeras mudanças do time do Barcelona, que há havia começado com apenas três titulares, conseguiu manter uma disputa mais digna.

Caiu nos pênaltis, o que é um consolo. Damião, o melhor jogador do Inter no jogo, autor do gol de empate no finalzinho, desperdiçou.

Amanhã, o Inter disputa o terceiro lugar. Se perder, será o lanterna. E aí a festa gremista estará completa.

Mas não rende uma cerveja chamada Copa Audi.

SAIDEIRA

Enquanto o Inter projeta seu nome, o Grêmio tenta reencontrar o caminho das vitórias, mais do que isso, o equilibrio entre defesa, meio de campo e ataque.

O jogo contra o América Mineiro é daqueles em que se joga obrigado a somar três pontos. Responsabilidade que aumenta diante da situação gremista na tabela de classificação. Por isso, a bola queima no pé, existe ansiedade para resolver logo, e se o gol não sai bate o desespero. A torcida se irrita…

Já vi esse filme.

O Grêmio precisa vencer, e a torcida precisa ajudar.

Agora, chega de brincadeira: Miralles, contratado para preencher a lacuna aberta por Jonas (que aliás volta a Seleção para irritação de seus secadores), precisa começar o jogo. A dúvida entre ele e Leandro é inaceitável.

Miralles precisa jogar até para sabermos se podemos ainda ter esperança nesse time, ou se a hora é mesmo de rezar.