Ruim com Renato, pior sem ele

Não tenho bola de cristal, mas o próximo treinador do Grêmio não ficará até o final do Brasileirão.

Por que? Eu pergunto e explico: os técnicos disponíveis são perdedores de carteirinha ou alguma aposta. A frase que abre este post só perde a validade se for contratado o Felipão, o Tite, ou o Muricy. Não necessariamente nesta ordem.

Cogitam no nome de Diego Aguirre, técnico do Peñarol. É um bom nome se ele puder trazer consigo toda a garra que caracteriza o futebol uruguaio e injetá-la em jogadores como o Douglas, por exemplo. Ele não vai fazer isso, porque é impossível. Portanto, se vier, será um desastre.

Adilson, Cuca e ele, Roth, estão disponíveis. Dando sopa como se diz por aí. Parece que Odone admira muito o Cuca. Não duvido, mas não consigo entender como é que alguém possa admirar o Cuca.

Sei que a direção não me lê, pois se me lesse teria contratado alguém para o lugar de Jonas lá em fevereiro, e não teria disputado a Libertadores com Lins e Viçosa no ataque. Mesmo assim, dou a minha sugestão:

Marcelo Oliveira, técnico do Coritiba. Não é um nome queimado diante da torcida e uma aposta com alguma chance de dar certo em função do excelente trabalho que fez com um time mediano.

Para encerrar, aquilo que tenho dito há muito tempo se confirmou: a direção queria ver Renato longe do Olímpico. Só começou com ele a temporada com medo da torcida, já que Renato havia levado o time à Libertadores.

Com a saída de Jonas, principal nome do Grêmio e até hoje sem substituto à altura (Miralles pelo que vi joga menos que o Jonas), e com a lesão de André Lima, Renato foi obrigado a jogar com jogadores de time de segunda divisão.

Criticam o Renato por insistir com Lins e Viçosa. Mas quem no grupo é melhor? Leandro, sim, mas ele se lesionou. Além disso, ficou claro contra o Avaí que é um guri que precisa de tempo para seu futebol amadurecer. Deve ir entrando aos poucos para não ser queimado.

Então, a direção conseguiu o que queria: transformar Renato de quase unanimidade em um treinador questionável.

Sou da seguinte opinião, diante da carência de treinadores:

Se é ruim com Renato, pior sem ele.

Lanterna esquentou a noite no Olímpico

O ‘Mazendaço’, citado no artigo anterior, aconteceu. O lanterna esquentou a noite fria no Olímpico.

O Avaí fez o que se previa: ficou fechado atrás e explorou contra-ataque. A defesa se impôs ao ataque gremista, o meio-campo manteve marcação dura e o ataque foi ágil e veloz. Teve ainda a felicidade de marcar o primeiro gol no começo.

E aí começam os problemas: a zaga deixou o adversário cabecear livremente, sem pressão, para fazer 1 a 0. A falha maior foi de Mário Fernandes, que teve condições de interceptar o cruzamento, mas ficou parado olhando.

Mário Fernandes só pode jogar como líbero num esquema de três zagueiros, ou de lateral-direito. Fora isso, é reserva.

Rafael Marques a meu ver é titular. Até porque vira e mexe está salvando o time. Tem garra, tem brio, capacidade de indignação e alguma qualidade. Não fosse ele, com seu gol no minuto final, a noite seria trágica.

Gabriel não jogou nada. Bruno Colaço fez o possível, considerando sua juventude e limitação técnica.

No meio, Willian Magrão foi quase uma calamidade. Pior que ele apenas o  Douglas. Mesmo considerando que o meio estava congestionado, eles poderiam jogar melhor. Magrão ao menos teve vontade.

Douglas tem um agravante: foi expulso quando o Grêmio buscava o empate, deixando o time também com dez jogadores. A expulsão não foi por uma falta, uma disputa de bola. Foi por reclamação ostensiva e descabida.

Renato deve aproveitar e armar um time que não precise mais desse jogador. Se não souber fazer isso, que peça as contas.

Ah, na entrevista coletiva, Renato chamou Douglas de craque. Aí fica difícil.

F. Rochemback foi de novo o melhor do time, o melhor em campo. Agora, precisa se controlar. Agrediu um adversário quase no final, naquele esforço gigantesco em busca da reação. Já tinha o amarelo e poderia ter sido expulso. Foi na cara do bandeirinha que anulou dois gols do Grêmio, sendo que ambos os lances foram absolutamente discutíveis. Ele decidiu os dois contra o Grêmio.

Ainda sobre a arbitragem: Mário Fernandes escorregou e caiu com a mão sobre a bola, lance involuntário que alguns colorados da crônica esportiva estão querendo dizer que foi pênalti.

O pênalti sobre Escudero, que entrou bem diante do horror que era o time, pode não ter existido. Mas não dá pra condenar o juiz, que errou para os dois lados.

Leandro e André Lima lutaram. Sentiram a falta de ritmo. Além disso, o espaço para eles era restrito demais. Sempre com dois ou três marcadores.

Miralles entrou muito bem. Mostrou que é um jogador de atua pelos lados, mas que aparece para concluir.

Não há dúvida que o time tende a crescer. Ainda mais com Gilberto Silva e mais um atacante de qualidade.

A partir daí é tudo com Renato. Cabe a ele mostrar que o desempenho que teve no Brasileirão do ano passado, quando tirou o Grêmio do atoleiro, não foi casual e fortuito, como acreditam seus críticos.

Mazendaço e ‘o Sala’

O presidente do Avaí fala em demissão em massa se o time não começar a ganhar; o capitão do time, Marcinho Guerreiro, bateu de frente com o técnico Gallo (dois jogos, duas derrotas), e está afastado. O Avaí é lanterna, com apenas um ponto conquistado.

O Grêmio enfrenta esse clube em crise no Olímpico nesta quarta, às 19h30. Está aí um jogo traiçoeiro.

Se o Grêmio vencer, não terá feito mais que a obrigação. Situação similar a do Inter contra o Figueirense, domingo. Se empatar ou se perder…

O jogo pode ser um divisor de águas para o time de Renato Portaluppi, que, abusando de seu lado fanfarrão, promete que o torcedor que for ao Olímpico sairá satisfeito. Ele não tem como prometer isso só porque terá a volta de André Lima e talvez a estreia do Miralles. Os dois voltam de lesão, estão sem ritmo de jogo e com entrosamento zero.

Mas Renato está tão feliz em poder contar, finalmente, com atacantes de verdade – a primeira vez desde a saída de Jonas e a lesão de André Lima – que já promete coisas que estão fora de seu alcance.

De certo mesmo, é que será uma noite muito fria. Mas uma noite que pode esquentar se Renato não conseguir armar sua equipe de maneira adequada para enfrentar um adversário ferido e que vem disposto a reagir no Brasileiro. É bom não esquecer que o Avaí foi eliminado nas semifinais da Copa do Brasil pelo atual campeão, o Vasco. O time catarinense merece, portanto, mais respeito.

Afinal, não queremos um ‘mazendaço’ no Olímpico.

O SALA

É assim mesmo no masculino. O Sala de Redação fechou 40 anos. O programa não é mais o mesmo.  Lembro-me vagamente dos primeiros programas, comandados por seu idealizador, Cândido Norberto. Paulo Sant’Ana começou a se projetar ali, ele que já se destacava em programas de debates como o Conversa de Arquibancada, na antiga TV Piratini. Gesticulava muito, falava com entusiasmo de seu Grêmio. Dava pau nos árbitros do Gauchão, e sofria com o Grêmio naquele início dos tenebrosos (para nós gremistas) anos 70.

Pouco tempo depois, surpresa!, ganhou uma coluna na ZH. Foi uma bomba. Afinal, ele não era jornalista. Era um torcedor alçado à colunista. Um estranho no ninho. Um dia ele largou em sua coluna o time de cada jornalista esportivo. O pessoal queria o fígado dele. Nessa época eu sequer havia começado o curso de jornalismo. 

Sant’Ana tornou-se o principal nome do programa Sala de Redação. Muitos colorados foram escalados para enfrentá-lo. Um a um, foram caindo pelo caminho. Sem Sant’Ana, o programa perdeu muito de seu brilho, mas segue com a minha sintonia. Com respeito aos demais participantes, o programa cresce e se ilumina quando ele reaparece, o que é cada vez mais raro.

O Sala, agora, perdeu o ‘Professor’, que está pendurando as chuteiras. Não por vontade própria. Ele ainda terá alguns espaços no rádio e no jornal. Infelizmente, é assim. A fila anda. Nada é para sempre. Mas é inegável que o jornalismo esportivo gaúcho perde qualidade sem o mestre Ruy Carlos Osterman.

O ciclo de ouro do rádio-esportivo gaúcho está chegando ao fim. Antônio Augusto, Armindo Antônio Ranzolin, Lauro Quadros, Pedro Carneiro Pereira, são nomes que recordo agora rapidamente. 

Outros nomes surgiram nesse meio tempo, ‘cascudinhos’ que cresceram e juntaram-se aos ‘cascudos’, e agora os substituem. Mudam os nomes, mas o importante é que o rádio gaúcho continua vibrante e digno.

Derrota projeta semana tensa no Olímpico

Os volantes Fernando e Willian Magrão foram os atacantes mais efetivos do Grêmio. Foram eles que tiveram as duas chances mais claras de gol do time, ficando cara a cara do goleiro e chutando como se fossem Herreras. Quer dizer, no corpo do goleiro Renan.

Depois, o gol. Não, não foi de um atacante. Foi um zagueiro, o desprezado Rafael Marques. Foi um gol casual, pura sorte, a mesma que resultou no segundo gol do Botafogo, um pouco antes do apagão.

Não, não estou me referindo ao apagão do time gremista, que repetiu o primeiro tempo melancólico do jogo contra o São Paulo. Informo pra quem não sabe: faltou luz no Engenhão.

Mais uma vez, o time sentiu a falta de atacantes de qualidade. Atacantes que possam fazer a diferença, ou ao menos causar preocupação aos zagueiros adversários.

Quase posso ver os zagueirões que enfrentam o Grêmio rindo entre si quando deparam com o Lins, o Viçosa, o Roberson. Gente promissora, mas que hoje não tem condições de vestir a camisa titular do Grêmio.

Lembro que aos 14 minutos do primeiro tempo vi o Grêmio trocar quatro ou cinco passes no campo de ataque. Até ali, só dava Botafogo.

Estaria enfrentando o Barcelona? Não, era apenas o modesto Botafogo, que só não marcou gols mais cedo porque esse ‘Barcelona’ não tem Messi, tem Herrera.

Hoje, qualquer adversário se transforma em Barcelona contra o Grêmio, que se encolhe, se defende como pode,  se esgarça todo para conseguir chegar na frente, onde invariavelmente seus atacantes vão perder a bola.

E quando esse time ainda tem um jogador expulso de forma imbecil, aí a derrota se torna inevitável. Fernando, um jovem e eficiente volante, já tinha cartão amarelo, mas isso não impediu que desse um tranque forte, na cara do juiz, num guri magrinho, pernas finas, endiabrado, o Cidinho, que recém havia entrado. Cidinho, guardem esse nome.

E assim vai o Grêmio, sempre esperando pelos atacantes que não tem desde o começo da temporada.

Parece que tudo isso é para abalar a imagem de vencedor de Renato perante a torcida.

Enquanto isso, crescem os rumores sobre a queda de Renato Portaluppi. Mais que isso, tem gente torcendo contra Renato, como se ele fosse o grande responsável por esse time que está aí. Surgem especulações.

Adilson, o capitão América, o queridinho de boa parte dessa direção que não fica ruborizada em ver o time jogando sem ataque desde fevereiro, caiu no Atlético Paranaense.

Ah, não gostam do Adilson? Ou do Cuca? Quem sabe, então, o Celso Roth, que está aí, à espreita?

SAIDEIRA

O Inter desemcabulou em casa. Bateu o Figueirense de goleada, 4 a 1. O time catarinense havia sofrido apenas dois gols no campeonato. Tinha a defesa menos vazada.

Por isso, é importante valorizar a vitória, principalmente os três pontos.

É claro que o time continua com problemas, mas uma vitória no dia em que o Grêmio voltou a perder sempre alcança uma dimensão maior.

A tensão agora passa para o Olímpico.

FECHANDO A CONTA

Quarta-feira, no Olímpico, contra o Avaí, Renato poderá contar, finalmente, com uma dupla de ataque digna de clube grande: Miralles e André Lima devem jogar.

Os dois nunca jogaram juntos. Ambos estão voltando de lesão. Ainda assim, afirmo: vão jogar mais, muito mais, do que esses que estão aí se fardando e entrando em campo só porque não há nada melhor no clube.

Renato x direção: quem perde é o clube

No confronto entre Renato e a direção, perde o Grêmio.

A direção não quer Renato, mas não tem coragem de demití-lo. Isso parece estar cada vez mais claro para todos que acompanham futebol, especialmente para os gremistas.

Montou um time sem atacantes para figurar (a quem prefira o verbo disputar, mas não é meu caso) na Libertadores, e começou o Brasileiro com um ataque de time da segunda divisão que luta para não cair pra terceira.

Posso estar enganado, mas essa estratégia suicida foi para tirar a paciência de Renato, forçando-o a pedir as contas.

Sei que parece um desatino pensar assim, mas já vi tanta coisa estranha que não duvido de mais nada.

A cobrança pública por reforços, feita por Renato com aquele seu jeito meio brincalhão, meio debochado, mas colocando o dedo na ferida, escancarou esse conflito no clube.

Antônio Vicente Martins respondeu forte, não economizando ironias, referindo-se a Renato como ‘presidente’, deixando claro que o técnico se mete em tudo.

Não, Renato não quer ser presidente. Quer apenas um time com atacantes dignos de vestir a camisa de um clube de ponta, que deve sempre, SEMPRE, entrar numa competição em condições de brigar pelo título.

O Grêmio não pode, sob qualquer hipótese, entrar numa competição como mero coadjuvante, como acontece neste momento.

Renato comete seus erros, não resta dúvida. Mas quem avaliar com serenidade e sem preconceito com o jeito do Renato, verá que a maioria dos problemas decorre da falta de qualidade do time em algumas posições.

Sei que Renato não é unanimidade entre os torcedores. Nunca foi. Menos ainda agora. Mas se ele pedir demissão, quem tem para o lugar? Quem?

Faltam treinadores, sobra gente para assumir o futebol do Grêmio.

Então, que saiam os dirigentes.

Antes que o Grêmio seja mais prejudicado.

FECHANDO A CONTA

Um exemplo do desespero de Renato: ele testou no treino de hoje o Lins como único atacante. Tem o guri Leandro voltando. É arriscado começar com ele.

Sou da seguinte opinião: se não tem atacante bom, diminua o prejuízo. Jogue com um apenas.

Aliás, diante da carência de atacantes, há tempos preguei aqui esse esquema com 3 zagueiros e 6 no meio de campo. Apenas um maluco correndo na frente.

Num time de futebol de ponta, ainda dá pra jogar com um jogador razoavelzinho. Agora, dois sobrecarregam os demais. 

Não deu certo contra o São Paulo no Morumbi. Mas nesse jogo havia improvisações com resultado calamitoso.

Agora é diferente.  Rezemos.