O cruzeirense Moacyr Scliar morreu sem ter visto o renascer do seu clube.

O Cruzeiro eliminou o Inter da disputa pelo título do primeiro turno do Gauchão e neste domingo jogou como o velho Cruzeiro. Enfrentou o Grêmio, no Olímpico, com valentia. Não fosse o goleiro Victor poderia ter complicado o jogo ainda mais.

O Cruzeiro caiu de pé, como se dizia naqueles tempos do velho Cruzeiro da Montanha. Hoje, o Cruzeiro do Montanha, apelido do abnegado Ernani Campello, repórter da rádio Guaíba. Montanha acreditou num sonho, e este sonho está concretizado.

Scliar teria orgulho desse Cruzeiro que vimos jogar hoje no Olímpico.

Fico feliz pelo ressurgimento do Cruzeiro. Além do mais, o Cruzeiro prestou um serviço ao Grêmio. Com um elenco de nomes modestos – alguns de qualidade, como o zagueiro Léo -, o time estrelado escancarou problemas que parecem ser crônicos em seu adversário.

Um pouco antes das férias, alertei para algumas coisas. Uma delas, a facilidade como os jogadores rivais cabeceiam na área do Grêmio. Continua mesma coisa. Cheguei a sugerir que o Roger, aluno de Felipão, mestre em treinar zagueiros, fosse utilizado para resolver o problema.

Quando um time que almeja o título da Libertadores leva dois gols de cabeça – o primeiro deles de um jogador de metro e meio de altura – de um time como esse do Cruzeiro, que tem como meta máxima permanecer na série A gaúcha, é porque a coisa está feia, pior do que parece.

Mário Fernandes, conforme li tempos atrás, não joga na zaga porque é fraco na bola aérea. Será que ele está jogando e eu não percebi? Será que ele está disfarçado de Paulão ou de Rodolfo?

A bola aérea foi mandar o Grêmio pro espaço. Algo precisa ser feito urgentemente. Se não tem como melhorar a zaga, que se reforce o meio de campo para que o número de bolas alçadas para a área diminuam.

Renato precisa tomar providências imediatas.

Outro problema: Gilson não pode ser titular da lateral-esquerda. Ainda mais agora com Bruno Colaço jogando o que está jogando. E tem ainda o Lúcio.

No meio, Carlos Alberto e Douglas se sobrepõem. Eles quebram o galho contra times mais fracos. Quem quiser se enganar que se engane.

O mesmo no ataque. André Lima e Borges são jogadores de área. Gostam de ocupar o mesmo espaço. Renato, na falta de melhores alternativas, insiste com a dupla. Mas talvez seja hora de testar melhor o Viçosa, que entrou bem fazendo jogada pelo flanco e até cavou um pênalti em jogada de brilho individual.

Alguns dizem que sou pessimista, outros que sou realista.

O fato é que com esse futebol que jogou hoje contra o Cruzeiro o Grêmio terá vida curta na Libertadores.

Nem eu sei se estou sendo pessimista ou realista.

É isso: as férias não melhoraram meu humor, tampouco reduziram meu enfoque crítico.

SAIDEIRA

Destaques do Grêmio nesta vitória por 4 a 2. Pela ordem: Gabriel, Douglas, F. Rochemback e Borges. Gostaria de ver o Borges assim contra times mais qualificados e com marcação mais dura.