A volta do Obinês

A volta do Obinês

Alguns gremistas adotaram ultimamente o Obinês, um idioma surgido no início do século no bairro Azenha.

O Obinês apareceu logo depois da Hecatombe ISL, fenômeno que fragilizou um poderoso clube e que deixou esqueletos em seu armário sombrio e misterioso. De vez quando um esqueleto aparece, como agora no caso envolvendo o presidente da CBF, o sr. Ricardo Teixeira, acusado de receber alguns milhõezinhos de dólares da empresa suiça.

Os primeiros sinais de que surgia uma nova lingua apareceram ali por 2003 e 2004. Seu criador: Flávio Obino, então presidente do tal poderoso clube, o Grêmio.

O Obinês é, em síntese, uma forma de fugir da realidade. Se o time perceu o campeonato, levou uma goleada, foi rebaixado pra segunda divisão, etc, é imprescindível ter capacidade de, em meio à desgraça, encontrar um alento, um sopro de vida e de esperança.

Flávio Obino, herdeiro do que sobrou do clube após o devastador tsunami ISL, diante de tragédias sucessivas que não soube enfrentar da maneira mais adequada, aos poucos foi buscando aspectos positivos, que ele parecia mesmo acreditar que eram relevantes.

Em suas entrevistas, à medida em que a desgraça se avolumava, nunca deixou de registrar ‘conquistas’, para ele fundamentais, que ele não conseguia entender por que não eram valorizadas pela imprensa e pela torcida, mais preocupadas com coisas ‘banais’ como mais uma quedazinha pra segundona.

Então, no olho do furacão, aparentando serenidade, de cabeça erguida, lembrava, solene:

– Mas o melhor site é do Grêmio. O melhor ônibus também.

Não sei se em algum momento alguém adepto do Obinês não lembrou de algum título de futebol de botão, ou de peteca, ou de alguma beldade gremista ter sido eleita miss ou musa de alguma coisa.

O fato é que o Obinês, que parecia sepultado, voltou. Hoje, alguns gremistas buscam alguma coisa aqui ou ali para reagir a avalanche colorada, que acaba de arrastar mais uma Libertadores e avança rumo ao bi mundial.

De vez em quando um gremista solta algo assim:

– É, mas o Gauchão quem ganhou foi o Grêmio. No Brasileirão, nós estamos à frente deles.

É o Obinês mostrando, como qualquer lingua, que é vivo, dinâmico, tem variações.

Eu, por exemplo, me refugiei na cerveja 1983. Criei esse marca como forma de reagir diante da iminência do bi colorado. Como eu sei que dói muito não ter sido o primeiro clube gaúcho campeão do mundo, e o quanto foram massacrantes esses 23 anos de espera para os colorados, lancei a 1983.

Agora, respeito quem recorre ao título do Gauchão, prêmio consolação desde que a dupla Gre-Nal conquistou o Brasil, as Américas e o Mundo.

Cada um reage como pode.

Preocupante, mesmo, é quando o Obinês aparece em declarações de dirigentes, como tem acontecido na atual gestão do Grêmio.

Se a realidade é ruim, deve ser enfrentada, nunca atenuada ou jogada pra baixo do tapete.

Só falta, terminada a temporada, o presidente Duda, no caso de o Inter ser bi do mundo (toc-toc-toc), sair por aí dizendo:

– É, mas aqui no Rio Grande do Sul quem manda é o Grêmio…

O pedido de desculpas e a sabedoria dos quero-queros

O presidente Duda Kroef pediu desculpas por não ter trocado de técnico antes. Um mês atrás, um pouco mais, ele enalteceu o trabalho do dirigente de futebol que manteve no cargo até a corda no pescoço apertar de forma insuportável. O mesmo dirigente que se agarrou no Silas, a quem chamei de aprendiz desde março/abril. Esse dirigente só não caiu antes, e com ele o aprendiz, porque Duda não quis.

O mesmo Duda que não aceitou Renato Portaluppi na Libertadores do ano passado quando Celso Roth foi demitido. Duda deve muito mais que um pedido de desculpas por não ter contratado Renato antes. O preço de ser tão contemplativo, de deixar o comando do futebol totalmente nas mãos de subordinados, é esse: uma série de fracassos e um título conquistado, o glorioso Gauchão.

De nada adianta qualquer pedido de desculpas. Menos ainda lembrar que recebeu muitos emails de gente criticando quando contratou Renato em agosto. Deve ser o mesmo pessoal que elogiou a contratação de Paulo Autuori. A grande maioria dos gremistas vibrou com a contratação de Renato, até porque não havia opções melhores.

Já o Renato lamenta ter chegado tão tarde. Ele pegou o time na metade final do primeiro turno. O time estava entre os quatro da ponta de baixo, com sério risco de rebaixamento, o que seria inevitável com Silas no comando por mais tempo.

O Grêmio hoje está entre os quatro melhores do campeonato. Tem a melhor campanha do returno, o ataque mais efetivo e o goleador do campeonato.

O Grêmio tem tudo para garantir o quarto lugar. Basta empatar com o Botafogo no Olímpico. O Botafogo de outro treinador milagroso, o Joel Santana. Depois, é só torcer pelo Estudiantes contra o Goiás, zebra na final da Sul-Americana.

Agora, para vencer o Botafogo o Grêmio terá de jogar mais do que jogou em Campinas. Não fosse Victor, o jogo talvez não terminasse com final feliz.

Muitos jogadores estiveram abaixo do que andavam rendendo. Aliás, nos dois últimos jogos o time não jogou bem. Em ambos não teve Gabriel, um jogador que dá importante acréscimo de qualidade, contribuindo para o futebol de Rochemback, Douglas e Jonas, com os quais dialoga em outro patamar, uma linguagem que Ferdinando, por exemplo, não entende.

O importante é que o time mais uma vez venceu. Não me lembro de ver o Grêmio vencendo tantas vezes fora de casa num Brasileirão.

Diego Clementino, antes alvo de ironias e deboches, mais uma vez sacudiu o time e mostrou que é um atacante perigoso, capaz de dar alternativas ofensivas nos momentos mais difíceis.

Ele entrou, fez boas jogadas e cavou um pênalti, que houve mesmo. Era um momento tenso do jogo, em que o Guarani ameaçava o empate. Depois, Clementino recebeu um passe milimétrico do Jonas e fez o seu com muita categoria.

Diego Clementino, outro acerto de Renato, por sua vez o maior acerto do presidente Duda. Pena que ele demorou tanto. E não foi por falta de aviso aqui dos botequeiros, de sócios, torcedores, conselheiros e até dos quero-queros do Olímpico.

O bom dirigente de futebol é o que escuta as pessoas certas, mas para isso precisa ter sabedoria, e talvez um pouco de humildade e menos comprometimentos políticos, para identificá-las.

SAIDEIRA

Anunciei há muito tempo que o Corinthians seria campeão. Estava tudo armado. Me quebrei? Acho que sim. Parabéns aos que apostaram no Fluminense. Temos mesmo um campeonato honesto. Será?

O Heber vai receber o troféu também?

Vamos aguardar a última rodada, só por precaução.

Cinco Anos da Batalha dos Aflitos

Liguei o rádio de manhã pra ouvir o programa do Mendelski, na Guaíba. Entrou o Reche, sempre muito animado apesar do horário, e logo depois do Juremir.
Alguém levantou a bola: dia 26 de novembro, cinco anos da Batalha dos Aflitos. Um dos grandes momentos da história do Grêmio.
O Juremir, claro, cheio de despeito, há anos diz que foi o ‘barraco dos Aflitos’.
Fosse o Inter a vencer um jogo com sete jogadores, num ambiente hostil, a definição seria outra. O Inter também teria feito um DVD e sabe-se-lá-o-que-mais.
Que o Juremir e outros colorados queiram diminuir o feito épico, histórico, antológico do Grêmio, eu entendo e não questiono. Faz parte da nossa rivalidade. Um sempre querendo diminuir o outro, e isso só contribui para tornar os dois grandes.
Ao longo do dia, porém, deparei com textos de gremistas (?) tentando abafar o eco estrondoso daquele jogo mágico que ficará pra sempre na minha memória.
As expulsões, a revolta, o pênalti defendido pelo Gallato e o gol do menino Anderson. As lágrimas.
Lágrimas não podem ser recolhidas. Vencer o Náutico naquelas circunstâncias é algo memorável, algo que deve ser festejado.
Não importa se foi pra sair da segunda divisão ou sobre os porquês de o Grêmio ter chegado à última rodada naquela situação terrível, por culpa de um ano que começou mal planejado pela diretoria da época, mas que depois acertou o passo.
O fato é que todos (eu repito, todos) os torcedores gostariam de ver o seu time protagonizando uma façanha desse tipo, algo sem precedentes no futebol mundial.
Mas quem fez isso foi o Grêmio.
Para uns, causa inveja. E a inveja é uma merda.
Para mim, causa orgulho.
Acho que vou lançar uma nova cerveja…

Da série TEU PASSADO TE CONDENA ou ESQUEÇAM O QUE EU ESCREVI ou
EU TENHO DIREITO DE MUDAR DE OPINIÃO ou SE ARREPENDIMENTO MATASSE

Trecho da coluna do Juremir publicada no CP dia 30/11/2005:

Milagres e estilo

O Internacional é um time de pobres. Nós. Nunca terá convicções de gremista. São duas visões de mundo. O Grêmio é a cara do Rio Grande: arrogante, fanfarrão, pachola, varzeano e, por isso mesmo, capaz de se impor e de vencer em qualquer situação. O Inter, como qualquer pobre de caricatura, está sempre meio envergonhado, vai logo dizendo, ‘desculpe qualquer coisa’, intimida-se com facilidade. Na casa dos ricos, tem medo de sujar o sofá. Como todo pobre complexado, quer jogar bonito, ganhar com elegância, mostrar boas maneiras. O Grêmio, como rico prepotente e seguro de si, não está nem aí para os bons modos: quer é resultado, a qualquer preço. Ao ser roubado, contra o Corinthians, Tinga já levantou se explicando. O Inter discutiu durante três minutos e acatou a decisão do árbitro. Já em Recife, os jogadores do Grêmio peitaram e chutaram o juiz, criaram um clima terrível, condicionaram tudo e levaram varzeanamente o resultado. O pênalti deveria ter sido batido novamente, pois o goleiro gremista se adiantou. Mas o juiz já estava apavorado, louco para expulsar alguém do Náutico e se ajoelhar diante dos gremistas. Acho que Anderson cobrou a falta para ele mesmo na hora do seu gol impossível. Que importa? O Grêmio já tinha vencido a batalha da ‘catimba’.


Renato e os diretores de futebol remunerados

Está certo o Renato. O Grêmio não precisa de mais um diretor de futebol remunerado. Não foi possível o Rodrigo Caetano, paciência.

Renato se diz satisfeito com o atual diretor, o Cicero Souza, profissional de sua confiança.

Não sei se o Cícero é bom, mas se tem o apoio do técnico, é o que interessa.

Se o Caetano pudesse vir seria ótimo. É um profissional reconhecido, e testado. Seu torno seria também a correção de um erro (mais um) cometido pela atual direção.

Confesso que fiquei apavorado com alguns nomes que foram citados na imprensa desde a recusa do Caetano.

Um, do Atlético de Minas. Sim, do Atlético, que ainda luta para fugir do rebaixamento; do Atlético que pagou uma fortuna por Luxemburgo; do Atlético da parceria com a Traffic.

Inacreditável. Só pode ser especulação, chute mesmo, da imprensa. Só pode. Mas sempre tem alguém pra soprar esses nomes. Repórter não inventa.

Outro nome citado é o de um dirigente vascaíno, da era Eurico Miranda, e atualmente no Bahia.

O Grêmio não precisa de gente estranha, gente sem qualquer compromisso com sua história, sua tradição. Podem até ser profissional altamente capazes, mas devem custar caro. Melhor investir em gente aqui da aldeia, identificada com o tricolor.

Tem um cara que demonstrou capacidade para o cargo, o Paulo Deitos. Gremista e conhecedor das coisas do futebol.

Mas se o Renato está satisfeito com o Cícero está na hora de mirar o foco em jogadores.

A cerveja Celso Roth

A cerveja Celso Roth

O Grêmio de 2011 vai apostar mais nos jogadores formados nas categorias de base.

Quem me garantiu isso é o futuro assessor do futebol, César Dias, depois do programa Cadeira Cativa, do Reche, na UlbraTV, ontem à noite.

É vantajoso investir na base em todos os sentidos. Num cálculo por cima, se colocar dez jogadores formados no clube no grupo principal, entre os profissionais, em vez de buscar esses jogadores fora, a economia chega a uns R$ 600 mil reais por mês só em salários.

É o que me contou o César, que mostrou estar muito preparado para assumir o posto. Ele ainda frisou o lucro que pode gerar cada guri que se alcançar projeção maior. Então, o foco é mesmo investir na gurizada formada no Olímpico.

A notícia é boa, porque essa é um tecla que eu e alguns botequeiros, principalmente o Chico Coelho, batemos há anos.

Entrei nesse assunto com o César, que lamentou a não contratação de Rodrigo Caetano, porque algumas pessoas podem achar que o Renato não gosta de investir na base.

Afinal, em poucos dias ele trouxe vários jogadores de fora, abrindo mão de alguns guris que vinham despontando. Caso do Bérgson, por exemplo. Mas logo que chegou, ele deu chance para alguns da base, e a resposta não foi das melhores.

Então, diante da emergência, no desespero para tirar o time da zona de rebaixamento, Renato foi às compras. E fez muito bem, conforme comprovam os resultados.

Tem muito guri bom na base, mas tem muito enganador também. O importante é ter olho clínico, insistir com aqueles que tem maior potencial, dar as chances que normalmente são dadas apenas aos que vêm de fora.

Um que merece oportunidade é o Mythiuê. O próprio Bergson merece ser melhor observado. O Pessali, que anda em má fase, o Matheus Magro, etc.

SAIDEIRA

Boa notícia vinda da Itália: Eto’o foi suspenso e não joga mais o italiano. Melhor assim. Diminuem as chances de que ele também se lesione. Logo ele, o goleador da Inter.

Já o Inter está a mil. Todos os jogadores à disposição do Celso Roth, que normalmente se atrapalha com o excesso de qualidade.

Por falar em Roth, um lote de 25 long neck da ‘1983’ (ontem presenteei o Reche com um kit) não deu certo. Joguei as cervejas fora.

Batizei o lote de “Celso Roth”. Por que?

Porque estava sem gás…