Respeito ao Pachuca, mas nunca reverência

O Pachuca deve ser respeitado. A maneira mais fácil de ser derrotado é subestimar o adversário.

Ainda mais quando se trata de uma decisão, um campeonato que se decide em 90 minutos. É quando o time com menor poder de fogo pode surpreender e cometer o crime. Um crime sem volta. Não é por nada um que jogo desse tipo é conhecido por mata-mata. Morreu, morreu.

É fazer a mala, enfiar o rabo entre as pernas, e fazer como o Inter naquele vexame de 2010 diante do Mazembe, que inspirou a minha Mazembier.

Então, assim como o Pachuca pode vencer o Grêmio num dia dos mais iluminados de sua história, o mesmo pode acontecer numa suposta final com o Grêmio batendo o Real Madrid.

A lógica é que o Grêmio vença o time mexicano com seu goleiro de futebol de mesa: 1,72 de altura. Penso até que vence com alguma facilidade. A não ser que o Pachuca tenha mais jogo para mostrar do que esse exibido neste sábado diante do Casablanca.

Acredito que o Pachuca é mesmo só o que mostrou. Faz uma campanha sofrível no campeonato mexicano. No Brasileirão, estaria flertando com o rebaixamento.

Assim, vejo o Grêmio virtualmente na final contra o time de Cristiano Ronaldo. Não consigo imaginar o Pachuca lá, não consigo. Nem com muito esforço de imaginação.

Mas, repito, nesses 90 minutos decisivos é preciso enfrentar  o Pachuca com respeito, muito respeito e seriedade, mas nunca reverência.

TRI DA AMÉRICA, PORQUE ESTA TERRA TEM DONO

Reserve logo sua cerveja. Estoque muito limitado, mesmo.

Depois não vem chorar como torcedor colorado quando caiu pra segundona.

TRI da América, a cerveja mais pedida

Demorou, mas a cerveja comemorativa ao TRI da Libertadores está prontinha para ser degustada e depois, garrafa vazia, repousar como um troféu.

Na verdade, eu estava em dúvida sobre lançar ou não mais uma ‘cerveja campeã’, ou ‘cerveja do Grêmio’.

Desde o lançamento da Cerveja 1983, em 2010 – vieram depois a Olímpico, a 1903 e a PENTA -, eu sempre pensei que poderia ter a parceria e o respaldo do clube, mas há obstáculos contratuais. Uma multinacional do setor cervejeiro, segundo fui informado pelo marketing do clube tempos atrás, tem exclusividade no Grêmio na área do líquido dourado.

Então, fiquei meio desanimado. Mas continuei com o projeto, até porque sempre aparece alguém entrando em contato para pedir as cervejas. Para atender essa demanda normalmente tenho um pequeno estoque.

Bem, a cerveja do Tri não iria sair. Mas foram tantos os pedidos que decidi lançar mais uma marca destinada aos gremistas. Seria uma pena, também, deixar em branco conquista que nos enche de alegria e de orgulho.

Por isso, aí está a TRI DA AMÉRICA – nome mais original impossível. Uma cerveja tipo Lager, natural, perfeita para o paladar gremista, amarga para os colorados.

Bem, quem tiver interesse é só entrar em contato comigo ou com a Cevagol – cervejas especiais (www.cevagol.com.br).

Informo, e não é conversa de vendedor, que tenho apenas umas cinco dúzias da TRI. Depois, só com reserva.

O criador do rótulo da TRI é o gremistão Ricardo Groisman Lopes, designer gráfico. Destaque para a frase do lendário Sepé Tiaraju: esta terra tem dono. Sim, é o Grêmio.

Lupicínio e a inveja que paira no ar

O Grêmio fez uma despedida discreta, sem ufanismo, nem oba-oba. Muito diferente da que o Inter fez em 2010.

Foi no dia 8 de dezembro. Quase 30 mil pessoas no Beira-Rio. Aí, o capitão Bolívar pega o microfone, impregnado de soberba, e dispara:

“Podem ter certeza que vamos fazer o melhor e podem ter certeza que no dia 20 estaremos aqui comemorando bi mundial”.

Nunca me esqueci dessa despedida. Muito divertido tudo isso.

O Grêmio faz diferente, talvez até tomando essa atitude colorada como lição. Nada de pensar no Real Madrid. Antes de chegar à final, é preciso superar um obstáculo.

Fora isso, é preciso ficar atento ao comportamento de boa parte da imprensa gaudéria. A maioria só fala no Real Madrid, no Cristiano Ronaldo, etc. Como se não tivesse nenhuma pedra no meio do caminho.

Esse tipo de coisa vai envolvendo o jogador, é difícil não projetar um jogo contra o fabuloso Real Madrid, ainda mais com esse “incentivo amigo”.

O importante é que Renato, que já levou umas rasteiras na vida, conhece a cabeça de seus comandados, e saberá administrar essa situação.

Agora, é impressionante o que ando lendo e ouvindo. O Real Madrid, segundo um e outro ‘especialista isento’, chegou ao fundo do poço (juro, eu li isso, só não lembro onde, acho que foi o Denardin), não é mais aquele, dando a entender que não será difícil vencer o time espanhol.

Viram? sempre o Real, nunca o Pachuca ou o Casablanca, adversários de respeito, superiores ao Mazembe, principalmente o time mexicano.

Agora, o que move certos jornalistas? Tem aqueles colorados que todos conhecem – e eles já sabem que não enganam mais ninguém – e os gremistas que o cornetadorw chama de ‘justinos’.

Parte deles não disfarça que está secando, embora tentem disfarçar que um título mundial ‘fará bem ao futebol gaúcho’, ‘valoriza nosso trabalho’, etc. Uma conversinha pra boi dormir.

Eu sequei o Inter e trabalhava na imprensa. Mas sempre que escrevia o fazia mantendo neutralidade.

Hoje, quando leio e ouço algumas pessoas – a inveja é grande – lembro na hora do Lupicínio com a sua Nervos de Aço:

“Eu não sei se o que trago no peito. É ciúme, é despeito, amizade ou horror”.

Fico imaginando a dor profunda que eles irão sentir se o Grêmio for campeão do mundo de novo.

Será bonito de se ver. Lágrimas e ranger de dentes…

CARTOLA

Parabéns ao vencedor da Liga Boteco do Ilgo: “GRÊMIO 1903 FC”. Entre em contato pelo Twitter ou por e-mail contato@cevagol.com.br para receber o prêmio. O segundo colocado, “O Jejum Virou F.C.” também tem direito a um prêmio, basta entrar em contato.

 

A ‘gurizada medonha’ do Grêmio

Enquanto via, espantado, o time C do Grêmio dar um calor nos titulares do Atlético Mineiro, no estádio Independência completamente lotado, não pude deixar de lembrar do ‘gurizada medonha’.

Quem transitou pela Rua da Praia, nas imediações da rua Uruguai, ali pelos anos 90 e 2000, deve ter deparado com um vendedor de bilhetes com voz de tenor, rosto sofrido, ao lado de um menino com múltiplas dificuldades, numa precária cadeira de rodas.

“Gurizada Medonha”, gritava o vendedor – já falecido se não me engano – para chamar atenção e vender seu produto ou ganhar uma esmola.

Não encontro melhor expressão para definir esse bravo time de jovens do que esse bordão.

Foi uma gurizada medonha tricolor que deu um susto nas estrelas do time mineiro. Foi lindo de ver Robinho e Fred correndo como loucos e nos minutos finais se esgarçando para garantir a vitória por 4 a 3. Um resultado, injusto, festejado como título pelos experientes jogadores do Atlético e sua torcida, que foi ao jogo pensando que veria uma goleada tranquila e acabou sofrendo até o apito final.

Na verdade, o time gremista surpreendeu a todos, inclusive sua própria torcida. Quando vi a escalação do Atlético e a do Grêmio só pensei numa coisa: tomara que não seja por mais de 3 gols a derrota.

Bastaram alguns minutos para começar a mudar de ideia. A gurizada gremista mostrou que é medonha. Saiu três vezes na frente do placar, algo inimaginável, coisa de atordoar o técnico Osvaldo Oliveira, que antes do jogo lamentava que o Grêmio fosse obrigado a improvisar tanto em função de sua situação pré-mundial. Osvaldo, é claro, previa uma vitória fácil, serena, sem sobressaltos.

Bem, vamos ao que interessa: quem teria condições de dentro de alguns meses disputar posição no time titular?

Hoje, ainda sob efeitos da atuação impressionante da gurizada, um time inexperiente que mostrou entrosamento difícil de entender num time que fazia sua primeira apresentação no Brasileirão, eu devolveria a pergunta com outra: quem ficaria de fora?

Sem titubear, apenas o goleiro Bruno Grassi, justo o mais experiente. Ele começou muito bem, mas acabou levando dois gols de falta. O segundo foi de muito longe. Está certo, foi uma bola batida pelo Otero, cobra muito bem, e a bola fez uma curva a poucos metros do Bruno. Mesmo assim, inaceitável.

Logo depois, o Atlético teve um jogador expulso, as luzes do estádio se apagaram. Quando o jogo recomeçou, após uns 10 minutos, a gurizada tricolor foi pra cima e encurralou Fred e cia. Tentaram intimidar os jovens na base da porrada e dedo na cara. Sem efeito.

A lamentar que o craque do jogo, Jean Pyerre, 19 anos, tenha saído por lesão ou cãibra. Com ele em campo para articular as jogadas, o que acabou faltando, o Grêmio poderia ter vencido. Um Grêmio que mostrou em vários momentos no jogo um futebol tão envolvente quanto o dos titulares, evidenciando que aí tem a mão do mestre Renato Portaluppi.

DESTAQUES

Bem, Jean Pyerre abre a minha de lista de destaques, ele que ao lado de Patrick já vinha despontando. Penso que ele Renato deve levá-lo para o mundial.

Num nível logo abaixo colocaria Pepê, um atacante rápido e atrevido. Depois, o atacante  Dionathã, os volantes Balbino e Machado, a zaga Ruan e Emanuel (quase não deixaram o guru dos aipinistas jogar) e o lateral Conrado.

Claro, que o futebol nesta fase é um funil apertado. Poucos passam para o time principal e se destacam.

Mas o fato é que essa geração é muito boa, ao contrário do que parecia. Como dizia o narrador do jogo pela TV, é uma meninada que dá muita esperança e que neste domingo deixou orgulhosa a torcida gremista.