Arrancada final rumo ao Hexa da CB

O Grêmio está a quatro jogos do título da Copa do Brasil. Mesmo assim, ainda hoje há quem defenda que o clube tomou a decisão errada, deveria ter privilegiado o Brasileirão. Argumento: não ganha essa competição há duas décadas. Grande coisa!

Mesmo que fosse um século, ainda assim a decisão mais sensata, equilibrada, seria a Copa do Brasil. Comemorar o HEXA, consolidar a fama de copeiro e garantir vaga na Libertadores de 2018.

A campanha absurda do Corinthians indica que o Grêmio fez a opção certa.

Claro, tem aquele jogo contra o Sport, na terceira rodada. Tem gente que não se conforma, chora pelos cantos e tem pesadelos.

Ora, o jogo foi no dia 28, em Recife. Grêmio foi de time reserva. Por que? Ora, três dias depois teria confronto decisivo, no Rio, contra o Fluminense de um Abel mordido pra vencer o Grêmio de qualquer jeito.

A direção agiu acertadamente. Até acho que poderia ter deixado uns titulares para entrar no segundo tempo em caso de necessidade. Foi uma decisão radical demais, mas aconteceu, jogo jogado, e chega de lamúrias.

Ficar lamentando o leite derramado é fazer o jogo dos setores vermelhos da imprensa, que não param de bater nessa tecla.

Vamos ao que interessa, o jogo desta noite contra o Cruzeiro, outro que está mordido e louco para bater o Grêmio.

Gremista que é gremista se abraça ao clube, à direção e ao time. Deixa de lado suas teses e simplesmente faz o que sabe fazer de melhor: torcer.

Todos na Arena. O Cruzeiro é um adversário forte. Precisamos vencer e não levar gol. Nesse sentido, torcendo para que Marcelo Grohe volte a ser o grande goleiro de outros tempos. Se isso acontecer, será meio caminho andado para ir à final.

Lincoln, a boa notícia em nova derrota

O Grêmio já tem um forte candidato a substituir Luan. É Lincoln. O técnico Renato Portaluppi chegou a declarar que ele tem um ‘plano B e um plano C’. Desconfio que Lincoln, pelo que mostrou hoje contra o Botafogo, no Rio, num duelo entre reservas, é o plano C. O plano B seria Miller Bolaños.

Como o equatoriano não se resolve na vida, o guri da base pode passar a plano B. Fiquei empolgado com o primeiro tempo do Lincoln. Passes precisos, simplicidade nas jogadas, personalidade para chamar o jogo, como faz Luan. Fora isso, tem aquele drible de craque na entrada da área, que resultou em falta, que resultou em pênalti. Bem, pênalti que Marcelo Oliveira desperdiçou, embora o goleiro Gatito Fernandez tenha seus méritos.

GOLEIRO

Aliás, todos nós sabemos que um time campeão começa pelo goleiro. Esse Fernández é o tipo de goleiro que muitas vezes leva o time nas costas. Esse pênalti, aliado a mais uns 7 ou 8 que ele defendeu no Brasileiro, mostra que estamos diante de um goleiro diferenciado.

Marcelo Grohe já teve uma fase assim, mas hoje, infelizmente, tenho de reconhecer que embora seja mesmo um bom goleiro, acima da média, Grohe não é o cara para levar um time a grandes conquistas, como uma Libertadores, por exemplo.

Sei que alguns gremistas, uma minoria ruidosa, acha que Paulo Vitor pode ser esse goleiro. Não, não pode. Nunca foi. Até acho que ele não teve culpa no gol do Botafogo – fosse Grohe o goleiro, estaria sofrendo nas redes sociais. E o que dizer daquela bola rasante, no segundo tempo, que ele deixou percorrer e pequena área de ponta a ponta? Fosse Grohe seria taxado de ter braços curtos, etc.

Então, hoje, entre os dois, ainda continuo com Grohe. Sem entusiasmo. Fico na esperança de que ele possa ser um goleiro tipo Cássio e Gatito, dois que conduzem um time ao topo.

No mais, como o Brasileiro está mesmo perdido, considero boa a decisão de jogar com reservas. É uma oportunidade de conferir o futebol de jogadores da base, alguns apontados como grandes promessas.

Pela amostra de hoje, nenhum dos jovens pouco conhecidos me empolgou. Claro, foi uma amostra minúscula, com pouco tempo e ainda entrando num time desentrosado. Renato deve continuar dando oportunidades para jogadores como Dionatã, Patrick, Jean Pyerre, Batista e Kaio. Eles são o futuro do Grêmio.

Sobre o jogo, o Grêmio levou o gol de bobeira na marcação. Depois correu atrás, criou chances de empatar, mas acabou perdendo. Resultado injusto. O empate seria mais adequado.

 

 

 

Cheiro de ‘Ronaldinho’ no ar

A novela ‘Ronaldinho PSG’ parece estar sendo reeditada. Novos protagonistas, algumas diferenças no enredo, mas tudo se encaminhando para o mesmo final.

É essa a percepção que tenho do rumo que a novela ‘Ronaldinho, parte II’, agora com Luan como personagem principal, tomou nas últimas horas.

Quando tudo se encaminhava para um negócio muito bom para as partes envolvidas, eis que Luan aparece na TV declarando que foi aconselhado por Neymar e sei lá mais quem a não se transferir para o futebol russo.

Até aí eu concordo. Luan pode mais. Não é jogador para ficar escondido, e sim para brilhar nos melhores palcos.

O problema é que até agora não apareceu proposta de clubes de ponta do futebol mundial, apenas especulações.

Proposta mesmo, efetiva e adequada aos interesses do Grêmio, e também do atleta e seu empresário, só a do Spartak. A coisas indicavam um final diferente da novela anterior. Aí, Luan veio com essa, conversinha pra boi dormir.

Depois, deixou escapar que pode continuar no Grêmio pelo menos até o final do ano. A galera gremista ficou excitada. Tudo que o gremista quer é continuar com Luan no segundo semestre.

O problema é que ao vir com esse discurso me-engana-que-eu-gosto, Luan planta esperança no coração dos torcedores que só enxergam o time e não olham para o clube.

Acontece que se Luan ficar no Grêmio até dezembro, sem ter sido negociado na transação que seria ideal, tipo ‘pague agora e leve depois’, em março ou abril ele estará livre.

Igualzinho ao Ronaldinho, que jurava amor eterno ao Grêmio enquanto assinava pré-contrato com o PSG.

A coisa foi se arrastando, se arrastando, até que veio o golpe final: Ronaldinho saiu de graça. Amealhou uma fortuna com essa jogada.

O mesmo pode acontecer com Luan. Pelo menos é essa a impressão que retiro dos mais recentes capítulos dessa novela que pode, como a outra, terminar de forma trágica para o Grêmio.

Ambição, cobiça, ganância, falsidade e traição são temperos sempre presentes nas novelas e também quando muito dinheiro está em disputa.

ESPINOSA

O Grêmio deve ter fortes motivos para demitir seu único treinador campeão do mundo.

Foi um risco calculado, espero. A reação contra a decisão é muito forte, chega a ser agressiva.

Alguns sustentam que o Grêmio deveria esperar melhor momento para anunciar a demissão de um ídolo da torcida. A medida caiu do céu para o lado vermelho do Rio Grande.

Mas não posso condenar a decisão sem saber de todos os detalhes.

Agora, reconhecendo a competência da atual direção, acredito que a demissão não poderia mais ser postergada.

Que Espinosa supere esse duro golpe e entenda de uma vez por todas que ninguém é campeão indefinidamente.

O título mundial de 1983 é o maior orgulho dos gremistas. Está presente, por exemplo, nas paredes, em DVD, na minha cerveja, a 1983, e, principalmente, em nossos corações.

Vá em frente Espinosa, com nossa eterna gratidão.

Essa palavrinha que, infelizmente, não cabe no mundo milionário do futebol, como nos ensinou Ronaldinho PSG.

Vitória em campo, derrota fora dele

O torcedor do Grêmio é, antes de tudo, um forte. Outra torcida ficaria no meio do caminho diante da tranqueira (o pessoal que fala sobre o trânsito no rádio diz que é retenção) para chegar à Arena.

É impressionante o descaso do poder público, que tapa os olhos para o que acontece na região do Humaitá. O mesmo poder público que facilitou tudo para o Inter, e ainda facilita descaradamente.

Os heróis que resistiram e conseguiram chegar no início da partida, logo de cara levaram um susto daqueles que despertar os piores pesadelos, de reavivar tragédias traumáticas. Eu fiquei assustado, confesso.

O gol do Godoy Cruz, além de seu começo assustador, sinalizava para uma noite de sofrimento. A falha de Marcelo Grohe no lance do gol argentino. contribuiu para reforçar temores. Felizmente, o time se ajustou, quase não permitiu ataques ao adversário e Grohe praticamente não foi mais exigido.

Em tempo: o goleiro do Godoy deu uma boa ajuda.

A verdade é que a partir do gol, o Grêmio foi pra cima, se impôs com alguma dificuldade, e chegou ao empate. Grande lance do Lucas Barrios, concluído com precisão por Pedro Rocha, que de ‘perdedor’ de gol virou ‘fazedor de gol’, aquele que a gente queria faz tempo. Agora são dois: PR e Barrios.

No gol da vitória, de Lucas Barrios apareceu na área, livre, após passe milimétrico de Luan. Chute na trave, rebote de PR: 2 a 1. O Grêmio ainda poderia ter feito mais, mas na Libertadores o maior luxo é vencer, nem que seja por 1 a 0. Goleada só em noites de gala, porque o bicho pega e a arbitragem, como a deste jogo, é daquelas capazes de tudo.

Eu diria que o Grêmio passou por cima dessa arbitragem. A lamentar a expulsão ridícula de Michel, que, além de tudo, fez uma partida por vezes comprometedora. Muito diferente do Michel que se consolidou como titular. Levou dois cartões amarelos em lances desnecessários.

Por fim, quero frisar que na minha opinião Renato acertou ao começar com Maicon, que, no momento, é mais jogador que Arthur. Maicon é uma liderança que não pode ser ignorada. Arthur tem um futuro resplandecente, mas hoje Maicon é mais importante que ele para o time.

No mais, é comemorar a classificação.

BRONCA

Gostei do protesto/desabafo do Ico Roman após o jogo. Bateu forte nas entidades públicas que nada fazem para melhorar o acesso à Arena. O prejuízo é de milhares de pessoas, entre as quais os habitantes da região, uma área pobre. Se a Arena estivesse fixada num bairro nobre as coisas já estariam ajeitadas há muito tempo.

É mais fácil superar adversários violentos e arbitragens nefastas do que conquistar o apoio dos órgãos públicos para resolver o entorno da Arena.

LUAN

Luan pode não ter feito sua despedida. Existe a chance de um negócio em que ele fique no Grêmio até dezembro.

Não existe ‘jogo jogado’: todos na Arena

A possível saída de Luan para um futebol quase secreto ocupa amplos espaços na mídia. Não faltam nem suposições sobre como será o Grêmio sem Luan.

Ora, será como foi quando perdeu Renato Portaluppi – que saiu quase de graça para o Flamengo -, e Valdo, pra ficar apenas nesses que estão na galeria dos melhores jogadores que vi com a camisa tricolor.

Nunca mais apareceu um Renato ou Valdo, mas vieram outros igualmente talentosos, e até com características similares às dos que partiram – alguns pela porta dos fundos como quem rouba.

Enfim, o Grêmio sobreviverá, sem dúvida. E continuará grande, forte, porque tem uma torcida que se mantém ao seu lado nos bons e nos maus momentos até que a morte nos separe, amém.

No momento, para seguir sua trajetória vitoriosa nesta temporada dos sonhos – não me acordem – será preciso continuar na Libertadores. Para isso, é preciso superar esse obstáculo chamado Godoi Cruz. Tem gente aí opinando que o time argentino é ‘galinha morta’, que a vitória virá ao natural, sem maior esforço.

Quem diz esse tipo de coisa é:

-um gremista otimista demais, meio fora da casinha;

-um mal-intencionado, querendo criar clima de já ganhou até pra não ir muita gente à Arena;

-um saudosista que imagina ainda estar em algum lugar do passado em que os clubes menores tremiam diante dos mais fortes;

-um neófito, que sabe droga nenhuma de futebol, seus dramas, suas tragédias, como a vitória imposta pelo glorioso Mazembe a um clube hoje chafurda na segundona.

Felizmente, a maioria dos torcedores já sabem que não existe jogo jogado. O argentino Kannemann, que conhece bem seus conterrâneos, está alertando para um jogo muito difícil nesta quarta, 19h15. Diz ele que será um jogo disputado no limite, e eu não tenho dúvida disso.

Já li hoje na imprensa que o Grêmio tem larga vantagem. Desde quando vitória por 1 a 0 é larga vantagem? Esse tipo de afirmação é coisa de gente mal-intencionada, que quer uma Arena com pouca gente – o horário contribui para isso, infelizmente.

Assim como o time em campo terá de jogar no limite para evitar uma surpresa, cabe ao gremista se esforçar para ir ao jogo e torcer por um resultado que mantenha o clube na briga pelo tri da Libertadores.

De minha parte, vou ao jogo mais tranquilo porque a direção decidiu poupar titulares contra o Atlético-MG. O Grêmio terá força máxima, com exceção de Edílson. Mas quem tem Léo Moura não se preocupa com esse desfalque.

 

Outro motivo para ir à Arena: ver de perto a arte de Luan com o manto tricolor. Vá antes que acabe…

Enfim um reserva à altura de Grohe

Além da conquista de três pontos fundamentais para seguir nos calcanhares do Corinthians e consolidar sua posição na vice-liderança, o jogo do misto gremista contra os reservas do Atlético Mineiro serviu para que o goleiro Paulo Vitor apresentasse seu cartão de visitas.

Nas poucas vezes em que foi exigido, o ex-goleiro do Flamengo mostrou segurança. Mas foi ao defender um pênalti cobrado pelo veterano Robinho, no ‘apagar das luzes’, como diziam os locutores na antiguidade do futebol, foi que Paulo Vitor conquistou a torcida gremista.

A atuação segura do estreante sinaliza que Marcelo Grohe agora tem uma sombra de respeito no banco de reservas. Sei que um jogo é muito pouco para aferir as reais condições de um jogador, principalmente de um goleiro, mas já serve como alento para enfrentar com mais tranquilidade o funil que se aproxima nas Copas Libertadores e do Brasil.

 

Sobre o jogo de ontem, destaque para Léo Moura (já era fã dele nos tempos de Flamengo), Arthur e Maicon, este mostrando que dispensa carteiraço para ser titular. Joga muito. Dentro e fora de campo – prestem atenção nas entrevistas dele.

Destaco também o Fernandinho, provando que Renato tinha razão em insistir com ele, contrariando a opinião da maioria da torcida, inclusive a minha. Fernandinho é mais uma evidência de que Renato enxerga muito.

Luan voltou e deu o toque de qualidade nas jogadas ofensivas. Uma pena que ele esteja na iminência de deixar o clube, uma pena.

Gostei também do Pedro Rocha e do Éverton. Essa dupla enlouquece qualquer marcação.

Na verdade, o time inteiro fez uma partida de bom nível, inclusive os dois zagueiros. O outro estreante, Bruno Rodrigo, que muitos aqui queriam ver no time no lugar do Bressan, mostrou por que, no momento, é a quinta opção para a zaga ao cometer um pênalti desnecessário, poucas vezes assinalado, mas legítimo.

Luan, Douglas e o problema chamado Bolaños

Ainda me recuperando do fartão que tive com o vainãovai do Neymar, e com a reação impressionante da mídia dos pampas – havia gente torcendo enlouquecidamente para Neymar não sair do Barcelona porque se trata de ‘um clube superior ao PSG’ -,  quero manifestar minha preocupação com a possível saída do Luan.

Com Luan, o Grêmio é o time que vence e encanta – até os colorados; sem Luan, mantém qualidade, mas perde o glamour. Quem acompanha os jogos percebe que o time se torna um pouco mais comum. Perde o seu maior diferencial técnico e tático.

Sei que o clube anda navegando no mar revolto do dinheiro insuficiente para fechar a conta a cada final de mês, mas é preciso manter Luan, mesmo que ele seja negociado. Tipo, pague agora e leve depois.

Douglas

Menos mal que Douglas está voltando, já inscrito na Libertadores, no lugar do Gastòn enrolador. Não entendo jogador que sai do seu país e logo depois fica incomodando lutando pra voltar, e praticamente de graça, com prejuízo a quem o contratou.

Entre Douglas e esse argentino sou mais o maestro pifador. Não me incluo entre os admiradores do Douglas – aliás, duvido que a cerveja dele seja melhor que a minha -, mas vejo nele o jogador ideal, dentro do grupo, para substituir Luan no caso de uma negociação.

Bolaños

Bolanos também faria bem essa função, mas não tem a capacidade de retenção de bola do Luan. O Grêmio mudaria um pouco sua característica do meio para a frente, e talvez até melhorasse.

O problema que Bolanos, antes de ser uma solução, é um problema. Um baita problema. Não entendo como o clube investiu tanto num jogador sem verificar seu histórico fora de campo.

Será que sabiam e acreditaram no pensamento mágico de que aqui qualquer jogador com problema melhora e se destaca?

Foi com esse pensamento que trouxeram o Beto da Silva, um jogador que treina, se lesiona, treina, se lesiona…

Quem contrata jogador problemático assim deve explicações à torcida, que é quem acaba pagando essa conta.

E não é a primeira vez que o Grêmio faz esse tipo de negócio.

Atlético Mineiro

Grêmio e Atlético vão para o jogo deste domingo com times desfalcados de titulares importantes. Os dois priorizam a Libertadores, e tem jogo no meio da semana.

Realmente, não tem como manter o time titular em todos os jogos, embora tenha gente que insista nisso, contrariando a realidade amarga dos fatos.

Churrasco

Domingo, a partir do meio-dia, estarei na sede do Movimento Multicampeão. Vou assar uns salsichões da Borrússia e umas carnes pra gente beliscar enquanto o ‘show’ não começa.

Estão todos convidados.

A sede, minúscula no tamanho mas gigante na capacidade de acolhimento de gremistas, fica bem em frente à Arena, no centro da agitação pré-jogo.

Grêmio faz a sua parte e vence o lanterna

Depois de um primeiro tempo em que não seria injustiça se fosse para o intervalo perdendo, o Grêmio voltou mais agressivo no segundo. O técnico Renato Portaluppi adiantou a marcação, passou a pressionar a saída de bola do adversário.

Afinal, com todo respeito, o lanterna do campeonato não pode ter qualidade técnica para sair tocando a bola, ainda mais se for marcado na frente. Renato se deu conta disso e foi para cima em busca da vitória, quase uma obrigação por sinal.

Sacou Arthur e colocou Lincoln, um jogador mais habituado a jogar nas imediações da área, deixando o time ainda mais ofensivo. O Grêmio realmente melhorou. O Atlético Goianiense teve de explorar a ligação direta, o que facilitou a marcação.

Como empilhar jogadores ofensivos não é sinônimo de potência ofensiva, Renato, percebendo que faltava alguém na articulação e também para reforçar o meio, colocou o veterano Léo Moura, que está voltando de lesão.

Léo entrou no lugar de Pedro Rocha. Muita gente deve ter criticado essa alteração. Mas o time ganhou consistência no meio de campo e um toque de bola mais inteligente. A lateral direita continuou com Leonardo, que aos poucos começa a mostrar que pode ser útil.

Então, posicionado na meia esquerda de ataque gremista, Léo Moura lembrou o maestro pifador. Eram 37 minutos quando ele enfiou uma bola milimétrica para Linconl (foi a melhor atuação do guri nos últimos tempos), que recebeu em condições de chutar a gol. Mas não foi fominha, foi inteligente e preciso no passe, meteu para a pequena área onde apareceu Michel.

O ex-jogador do Atlético Goianiense aparou de primeira e mandou a bola para a rede. Michel foi o carrasco de seu ex-clube.

Depois disso, o Grêmio administrou a vantagem e pouco permitiu ao adversário, que tinha em Walter seu maior perigo na frente.

O Grêmio fez a sua parte, somou três pontos mesmo sem jogar lá essas coisas.

O Corinthians, por outro lado, também venceu. Já é a melhor campanha de um clube no primeiro turno nessa fórmula (chata) dos pontos corridos.

O importante para o Grêmio, que tem como prioridade a Libertadores e depois a Copa do Brasil, é manter-se na ponta de cima.

GRINGO

Quase final de jogo, o Grêmio administrando a vantagem. Aí, o Kannemann dá uma de louco e chuta uma bola alta em direção ao Cortêz, que estava na linha da lateral esquerda ofensiva. Muito perto de Renato.

Foi um lance desastrado do argentino. Renato, mantendo o bom humor e revelando o clima de camaradagem do grupo, gritou algo assim:

-Gringo, não adianta mandar a bola pra mim que eu não tô jogando.

Meu último encontro com o eterno presidente Hélio Dourado

O texto abaixo foi publicado no dia 26 de outubro de 2012. Eu acabara de concluir a cerveja Olímpico. Decidi presentear o homem que sem ajuda de empreiteira, mas movido à paixão e determinação, havia concluído o Olímpico Monumental, mobilizando a maior torcida do Estado, a nação gremista.

Ao reler esse texto me vem à mente cada minuto que estive frente à frente com o maior gremista que conheci, um homem que deu parte de sua vida ao Grêmio, clube que atingiu esse patamar glorioso muito graças a esse gremista lendário.

Bem, segue o texto, minha última homenagem:

“No final da manhã retiro da gráfica os rótulos da minha nova cria: a cerveja em homenagem ao Estádio Olímpico Monumental, a OLÍMPICO.

Às 13h, depois de rotular as primeiras long neck com seu líquido precioso, telefono para um sujeito a quem devo muito, o cara que interrompeu a longa e tenebrosa noite dos títulos sucessivos do Inter na década de 70 ao vencer o Gauchão de 1977, me proporcionando uma alegria que me deixa emocionado até hoje.

O eterno presidente Hélio Dourado atende. Depois de saudações efusivas e “quanto tempo pra cá, quanto tempo pra lá”, combino de ir ao apartamento dele no final da tarde.

– No começo da tarde não dá porque tenho que ir ao banco -, diz Dourado, entre um e outro ‘érre’ engolido, me deixando feliz por saber que está ativo e plenamente lúcido, contrariando uns e outros que não gostam de ouvir vozes que opostas a seus interesses e projetos.

Passam alguns minutos das 17 horas quando o homem que concluiu o Olímpico Monumental na raça e na coragem abre a porta sorridente. Está mais magro, encolheu, como diminuem de tamanho todos os que chegam aos 82 anos.

Para mim, o homem que se mostra emocionado ao rever um antigo setorista tricolor continua um gigante.

– Como é bom encontrar o pessoal daquele tempo -, diz Dourado, enquanto nos acomodamos na sala. Coloco o kit presente com duas Olímpico e uma Mazembier sofre a mesa de centro. Ele percebe, mas não liga. Quer falar do passado, do Grêmio, do Olímpico, da Arena.

Natural de Santa Cruz do Sul, como eu, Dourado contou que é sócio do Grêmio desde 1941, logo que chegou a Porto Alegre. ‘Foi no dia do meu aniversário de 11 anos, dia 21 de março. Quem me levou foi minha mãe, que era muito gremista’, lembrou.

Quando o assunto passa a ser o Grêmio, Hélio Dourado não disfarça sua desolação e seu desgosto.

Diz que não vai a jogos no Olímpico há mais de ano. “Só voltei lá pra votar no Koff, que foi meu diretor de futebol em 1976′, revelou.

Pergunto se ele já foi visitar a Arena. “Outro dia o Odone me convidou, mas eu não aceitei. Não tenho curiosidade”, garantiu.

Quem sabe a gente vai junto, provoquei. “Não, lá eu não piso”, rebateu enfático.

Ao longo da conversa percebi que ele é capaz de ir na festa de inauguração.

A maior mágoa dele, ficou claro pra mim, é que o projeto do arquiteto Plínio Almeida para modernizar e ampliar o Olímpico sequer foi considerado.

Dourado se entusiasmou quando deu detalhes da proposta do homem que projetou o Olímpico. Criticou duramente a localização da Arena e o acordo firmado com a empreiteira. “O estádio será realmente do Grêmio apenas depois de 20 anos. Em que condições estará?”, questiona.

– Mas não há mais o que fazer, presidente. A Arena está aí, é fato consumado -, pondero.

Dourado não se conforma. Mas deixa evidente que sua mágoa seria amenizada se o Olímpico permanecesse em pé. A dor seria menor.

– Porto Alegre não tem um estádio para o futebol amador. O governo do estado, a prefeitura, sei lá, eles poderiam comprar essa área, impedindo a demolição do Olímpico e a construção de espigões no lugar. Mas ninguém se preocupa com isso. O Olímpico é um patrimônio do futebol gaúcho -, reforça, lembrando por momentos o grande líder que conduziu o Grêmio a conquistar seu primeiro título de campeão brasileiro, em 1981, abrindo as porteiras do Rio Grande para o Brasil e o mundo.

Não tenho dúvidas: se fosse mais jovem, Dourado mobilizaria lideranças do clube e a torcida para remodelar o Olímpico em fez de erguer a Arena, preservando o patrimônio do Grêmio.

Depois, falamos de futebol. Ele contou histórias e citou dois jogadores como símbolos de sua trajetória como presidente: De León e Oberdan. “Dois grandes jogadores, dois líderes, profissionais de caráter. Todo o time precisa ter um jogador assim, uma voz forte dentro de campo, só o treinador não resolve”, ensinou o velho mestre, lamentando que o time hoje (em 2012) não possui um jogador com esse perfil.

Dourado ainda tem muito a contribuir. Agora, ele aguarda que daqui a algum tempo o presidente eleito Fábio Koff o visite. “Ele prometeu que viria aqui para falar do Grêmio”, diz, com os olhos brilhando.

Antes de me despedir, entrego as cervejas. Pegou a Olímpico, leu o rótulo em voz alta. Pedi licença pra tirar uma foto. Senti que Dourado ficou feliz com o presente/homenagem.

– Vou colocar na estande como um troféu, mas antes vou beber, claro -, falou, abrindo um sorriso.

Percebi que ele estava emocionado com a homenagem. Nada comparado, porém, com as emoções que senti em 1977, quando ainda não era jornalista, e em 1981, quando Baltazar marcou aquele golaço no Morumbi na conquista do Brasileiro.

Continuo devendo muito ao presidente Dourado.”