De Elton John para Luan Santana

O Grêmio do primeiro tempo com o Deportes Iquique não jogou, deu show. Foram 3 a 0, placar que não refletiu o que houve em campo. 

Firme na defesa, compacto e ao mesmo tempo movediço no meio de campo, e rápido, objetivo e insinuante no ataque.

Em resumo, esse foi o Grêmio armado por Renato Portaluppi, que, de quebra, apresentou algumas jogadas ensaiadas eficazes, diferente da maioria do que se vê por aí. Consequência de treinamento, orientação correta e grupo afinado com a proposta do técnico.

Bem, foi uma atuação soberba, sem reparos. Era para terminar em 4 ou 5 a 0. Pedro Rocha, que reafirma sua condição de perdedor nato de gol, apesar de sua importante contribuição técnica e tática, perdeu gols feitos no primeiro tempo e mais um no segundo.

Por falar em segundo tempo, se o primeiro foi um show de Elton John, o segundo foi quase uma apresentação de Luan Santana ou de uma dessas duplas que cantam coisas como ’50 reais’…

O time chileno mostrou por que lidera o campeonato local. O time encurralado, dominado e completamente envolvido do primeiro tempo pela máquina tricolor comandada por Luan, Miller e Léo Moura, deu lugar a um time mais audacioso, que adiantou a marcação e foi para o tudo ou nada.

Quase conseguiu tudo, porque chegou a marcar dois gols – aproveitamento fantástico do Iquique – e deu um susto na torcida.

Até nesse período em que o time chileno cresceu, o Grêmio foi superior, com mais controle da bola e ainda com boas situações de gol. Em alguns lances de definição, houve excesso de preciosismo dos atacantes. 

Não tenho dúvida de que Renato vai alertar para isso. Em Libertadores (nas outras competições também) NÃO pode haver espaço para jogadas de efeito, aquela tentativa do gol bonito. Isso fica para os amistosos.

Nunca se pode subestimar o adversário, mesmo que ele aparente estar batido como sinalizou o Iquique ao final do show tricolor no primeiro tempo.

Basta um detalhe qualquer para que um sonho mágico se transforme num pesadelo.

O importante é que o Grêmio venceu e, pelo seu primeiro tempo, convenceu.

Está aí um time em condições de disputar o título.  

ATUAÇÕES

Todos os jogadores foram bem. Ninguém destoou. Alguém vai lembrar Marcelo Oliveira. Para alguns, MO joga mal sempre, mesmo quando joga bem. Ele foi muito bem nesta noite.

Miller Bolanos voltou a ter lances de brilho, mas errou mais passes do que de costume. Ele forçou demais em alguns lances, o que permitiu a recuperação da bola pelo adversário. 

Luan foi o grande nome do jogo. Léo Moura foi bem até que cansou. Maicon é outro que dá um toque de qualidade ao time.

Destaco ainda o Edilson, de grande atuação mais uma vez. A sombra (e também a presença) de Léo Moura parece fazer efeito.

Dos que entraram no segundo tempo, gostei do Fernandinho. É mesmo um bom reserva. Michel entrou meio perdido, era o momento em que o time chileno buscava reagir.

Já Lucas Barrios nada acrescentou. Recebeu poucas bolas, e não as aproveitou adequadamente.

Barrios repete Renato no gol do Mundial

Já escrevi aqui que é preciso estar ligado para perceber os sinais e o que eles podem significar.

O gol de Lucas Barrios, sábado, na Arena, pode ser um sinal. Não apenas um sinal de que se trata de um atacante de área, não um aipim nem um atacante pelos lados, que os mais antigos chamavam de ponta. Lucas Barrios está na galeria de atacantes como Careca – talvez o melhor que vi jogar -, Romário, Jonas, Nilmar e tantos outros.

Todos atacantes de área, mas com técnica, inteligência e mobilidade para jogar tanto no esquema ‘truvisca no fedor que a bola entra’ como no esquema de toque de bola, triangulações, aproximação. Barrios é dessa família, mas num nível – por enquanto – abaixo dos que citei, lógico.

Mas o sinal que me chamou a atenção e me fez sonhar e sorrir é que gol do paraguaio lembra bastante o de Renato – então ainda Gaúcho, não Carioca – na final do Mundial de 1983. Um corte para dentro, outro corte para fora e o chute cruzado no canto oposto ao do goleiro, o canto direito, conforme lembrou meu amigo Lino Tavares.

Será um sinal, um prenúncio de…

Melhor deixar assim, e voltar para a realidade.

E a realidade que eu vejo é que o Grêmio está no caminho certo. Méritos da direção (Ico Roman, que não é o criador da expressão IVI, autoria de Ricardo Worthman), da comissão técnica e, principalmente, do treinador, o professor Renato Portaluppi, que alguns insistem em diminuir sabe-se lá por que. Nem Freud explica.

Conheço colorados que respeitam mais o Renato treinador que muitos gremistas. Realmente, nem Freud explica.

A goleada sobre o Veranópolis é um indicativo que a preparação para a Libertadores está correta.

Claro que não se pode desconsiderar que o gol logo aos 50 minutos foi um duro golpe para um time que havia perdido por 2 a 0 o primeiro jogo e tinha toda uma estratégia que não previa, claro, um gol assim tão cedo. É para desestruturar qualquer equipe.

O fato é que o Grêmio jogou uma bola redonda. Sem chutões e bola trabalhada, o time comandado pelo professor (forma de tratamento de alguns jogadores) já  Renato se impôs da maneira que deveria acontecer sempre nesses confrontos contra adversários mais modestos. Se isso acontecesse sempre, não seria futebol, um esporte que abre espaços generosos para a surpresa, as zebras.

O Grêmio jogou dentro do padrão lançado por Roger, mas a meu vez mais veloz e objetivo. Nesse sentido, cabe destacar Miller Bolanos, um articulador moderno, de movimentação intensa, rapidez no toque e jogadas agudas, verticais, abrindo caminho para muitas ‘metidinhas’.

É importante destacar também que Léo Moura e Luan ajudam na articulação. Essa responsabilidade não fica apenas com um jogador, o que é muito bom.

Gostei do Grêmio, que só não me deixou empolgado mesmo por causa daquele gol logo no começo, que desestabilizou o Veranópolis e deu moral ao Grêmio para criar inúmeras situações. A goleada poderia ser ainda maior.

Vamos ver se contra o Novo Hamburgo o Grêmio repete o futebol desses dois jogos contra o Veranópolis.

Se isso ocorrer, vai para a final, provavelmente contra o Inter.

E aí, com arbitragem local, tudo fica nivelado.

O CASO DO ‘PDF’

Acredito que o STJD irá convocar o jornalista Guerrinha para depor.

Afinal, ele chegou a citar no ar o nome de um tal Rogério Maia, de Salvador, como fonte para documentos que seriam favoráveis ao Inter.

Guerrinha é o caminho para o tribunal descobrir tudo sobre o caso de documentos que a perícia comprovou serem fraudulentos.

Aqueles que realmente defendem a moralidade no futebol brasileiro querem a verdade.

Afinal, se aconteceu uma vez, quem garante que já não aconteceu antes? 

O STJD precisa ir fundo.

Pesadelo colorado ainda não terminou

Segue matéria publicada no globo.com. O Inter sofrendo nova derrota no tapetão. O time de engravatados está conseguindo superar a campanha do time de chuteiras no Brasileirão/2016.

É derrota atrás de derrota. A mais preocupante agora é a do STJD, que negou pedido do Inter (o tal ‘paladino da moralização do futebol brasileiro’) de colocar ponto final nessa história de suposta falsificação de documentos, o caso ‘PDF’.

O STJD – tão defendido aqui na aldeia pelo caso de racismo no Grêmio, e hoje tão atacado pelos mesmos cronistas esportivos – , vai fundo nessa história.

O pesadelo colorado ainda não terminou…

 

Confiram a notícia:

Após a Corte Arbitral do Esporte (CAS) negar a análise da apelação colorada e decidir que não tem competência para analisar a matéria no caso Victor Ramos, o Inter segue envolvido no inquérito da suposta falsificação de documentos utilizados. Nesta quinta-feira, o clube gaúcho sofreu duas derrotas no Pleno do Superior Tribunal de Justiça Desportiva. Horas depois da resposta do órgão suíço, o STJD indeferiu os pedidos do jurídico colorado em extinguir o inquérito e mudar o relator da investigação.

O departamento jurídico do Inter alegou que o prazo de 15 dias para a formulação do inquérito foi excedido e também disse que não teve vista do inquérito. Mas com a decisão do STJD, por seis votos a zero, o inquérito seguirá sendo presidido pelo auditor Mauro Marcelo de Lima e Silva.

– O Inter não teve acesso a esse inquérito e entendemos que houve um prejuízo ao direito de defesa. Vamos continuar trabalhando no inquérito para esclarecer a verdade dos fatos que é de que não houve qualquer falsificação por parte do Inter – afirmou o vice jurídico do Inter, Gustavo Juchem.

Segundo Juchem, o Inter apresentou duas perícias para comprovar a autenticidade dos e-mails utilizados como prova no caso. As análises enviadas pelo clube gaúcho vão na contramão da perícia apresentada pelo STJD. Em 30 de março, o Tribunal anunciou que a perícia comprovou falsificação de e-mails por parte do clube gaúcho no processo, em episódio denunciado pela CBF no final do ano passado.

– Já o fizemos e apresentamos (as perícias) ao Tribunal. Ao todo, são duas perícias e dois pareceres, demonstrando a cadeia de circulação desse e-mail. Mostra que, desde que esse e-mail foi enviado com o conteúdo que foi apresentado ao Tribunal, não foi alterado. Portanto, não foi alterado por ninguém do Inter e por ninguém por onde circulou esse e-mail. As diferenças existentes entre o conteúdo apresentado pelo Inter e aquele na ata notarial produzida pela CBF, não corresponde alterações relevantes de conteúdo, de sentido do texto. Entendemos que não há crime de falso ou de uso de documento falso – argumenta Juchem.

 

http://globoesporte.globo.com/rs/futebol/noticia/2017/04/stjd-nega-pedido-em-inquerito-sobre-e-mails-inter-apresenta-nova-pericia.html

Inter perdeu no campo e sai perdendo no tapetão

Assim como foi batido duas vezes em campo pelo Vitória no Campeonato Brasileiro – e ainda assim quer a vaga do time baiano -, o Inter está na iminência de outro fracasso, mas agora no tapetão.

Com três derrotas terá direito de pedir música no Fantástico.

No ‘primeiro tempo’ do jogo entre os engravatados, o Vitória saiu vitorioso.

Declaração do advogado do Vitória (eram dois contra cinco do Inter):

“Fizemos uma argumentação preliminar pedindo para que os árbitros analisassem a competência para julgar o caso. Consideremos que o Tribunal não é competente pata julgar a matéria. Não caberia ao TAS realizar uma alteração nessa decisão do procurador. Os árbitros suspenderam a audiência para analisar a preliminar. Foi uma vitória do Vitória e da CBF porque o mérito sequer foi analisado”.  

Foram cinco horas de audiência. 

Os advogados do Vitória, seguindo o exemplo dos jogadores, foram mais competentes que seus adversários, que deixaram Porto Alegre passando para o torcedor e para a imprensa – que abraçou a causa colorada com fervor e devoção – que eram os favoritos para o confronto do tapetão.

O modo como a equipe vermelha de advogados saiu daqui me lembrou a soberba do time colorado quando embarcou para enfrentar o Mazembe.

Deu no que deu, um vexame histórico. 

A QUEM ESTÁ CHEGANDO AGORA

O Internacional recorreu ao CAS após a Procuradoria de Justiça Desportiva negar a denúncia de irregularidade na inscrição do zagueiro Victos Ramos no Brasileirão 2016. Na argumentação do colorado, o rubro-negrou entrou em campo com o jogador de forma irregular.

Caso isso seja comprovado, o time baiano pode ser punido com perda de pontos. Desta forma, o Leão entraria na lista dos rebaixados, no lugar do Inter.

O caso foi foi arquivado no Brasil e o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) informou que o Inter apresentou documentos adulterados para comprovar a denúncia.

Quer dizer, o Inter ainda terá de prestar contas sobre essa adulteração.

Vitória por 2 a 0 tranquiliza Renato

O gol de Lucas Barrios é tranquilizador. Ao marcar 2 a 0, o Grêmio vai para o segundo confronto com o Veranópolis, sábado que vem, na Arena, mais despreocupado.

Com um olho no Gauchão e outro na Libertadores, o técnico Renato Portaluppi poderá armar um time sem alguns titulares que julgar conveniente preservar. Ele pode até entrar com força máxima, mas seu time não precisará jogar a 110% para confirmar a classificação.

Tudo graças ao gol do paraguaio, quase no final, numa estocada inteligente e precisa do Gastón Fernandez.

À beira do campo, Renato, que se desesperava a cada gol perdido, vibrou e logo se aquietou. Pode, agora, seguir o planejamento da comissão técnica, que era justamente esse: encaminhar a vaga em Veranópolis.

Na realidade, o Grêmio mereceu golear. Foram muitas situações claras de gol. 

IMPRENSA

Foi uma atuação convincente, alentadora, embora alguns analistas tenham pretendido ao longo do jogo diminuir o esquema aplicado, de novo com Léo Moura deslocado para o meio, e também individualidades como o próprio Léo e, em especial, Miller Bolanos.

São analistas visivelmente abalados, perturbados com o que acontece hoje no futebol gaúcho, e que não conseguem avaliar com a isenção necessária. Aos poucos, perdem credibilidade. E isso é o pior que pode ocorrer com um jornalista, seja em que área for.

Sua opinião sempre será colocada sob suspeição: “Será que ele pensa isso mesmo ou a cor clubística fala mais alto?”, eis a questão.

Nas redes sociais, percebe-se que alguns cronistas estão mesmo com a imagem abalada. Será difícil reverter.

O TIME

Tudo indica que o time da Libertadores será esse que jogou neste domingo. Léo Moura – cuja contratação eu comemorei aqui e em outros espaços , não canso de repetir – está ganhando posição.

Renato faz o óbvio: escala os melhores. Ele tem dois bons laterais na direita. Jogam os dois. No Gauchão, funciona, vamos ver na Libertadores, onde o nível de exigência é maior. Eu penso que o Renato está certo. Com o material humano que tem é isso mesmo. Edilson e Léo Moura juntos no time, se revezando, inclusive com Ramiro tendo liberdade para sair de trás e chegar na frente, como aconteceu no segundo gol, em que ele correu pela direita, chamou a atenção da marcação, enquanto Gastón enfiava a bola milimétrica para Barrios.

Ramiro, além de bom jogador técnica e taticamente, é inteligente. É difícil um time conquistar títulos sem alguns jogadores inteligentes.

BARRIOS

Ele entrou bem e aproveitou a chance que se apresentou para marcar. É isso que se quer de um atacante tipo ‘aipim’: conclusão fria e mortal.

Agora, o esquema adequado segue sendo o com atacantes que se movimentam e abrem espaços, confundindo a marcação. 

Barrios está mostrando que pode ser uma boa alternativa de jogo.