Grêmio supera clima tenso e soma 3 pontos

Para um grupo de jogadores que entrou em campo marcado a ferro e fogo como representante do ‘clube mais racista do Brasil’, como rotulou de forma irresponsável a revista Placar, a vitória sobre o Bahia por um chorado 1 a 0, representa uma goleada.

Ainda mais se considerarmos o futebol ruim do time durante quase todo o tempo, consequência talvez do clima pesado criado nos últimos dias. Não faltou sequer a turma do ‘quanto pior, melhor’ para provocar com cantos ofensivos. Se fossem colorados, não fariam melhor para prejudicar ainda mais o Grêmio.

O curioso é que o Grêmio bateu o Bahia, clube do Estado em que há mais negros, embora nunca tenha sido governado por um negro.

Já o Rio Grande do Sul, estado dos alemães e dos gringos, elegeu um negro para governador, um negro, ora vejam só!, gremista, o Alceu Collares, que antes ainda foi prefeito da capital gaúcha. Quer dizer, o clube ‘racista’ deu um governador negro para o RS, um dos primeiros, ou o primeiro, do Brasil.

Relevante, ainda, é o fato de que a vitória gremista foi sobre o Bahia, que há poucos dias aplicou 2 a 0 no Inter em pleno Beira-Rio.

O importante é que o Grêmio num momento de muita tensão. Como lembrou o zagueiro Rodolpho, o Grêmio foi muito bem tecnicamente contra o Santos, mas perdeu. Contra o Bahia, foi mal, mas venceu. E no futebol o que interessa é vencer, somar os pontos para crescer na tabela de classificação.

Quem, como eu, assistiu também a Inter 1 x 0 Palmeiras, jogo cometido sábado em SP, o fim de semana em termos de espetáculo futebolístico foi de lascar.

Mas assim como o Grêmio o Inter venceu e segue na ponta de cima da tabela, zona da qual o Grêmio se aproxima. Aos trancos e barrancos, mas se aproxima.

Vamos ver o que os doutos da justiça desportiva vão fazer para impedir esse avanço.

Em relação ao deplorável episódio de racismo, o Grêmio fez o que tinha de fazer. De resto, não existe como controlar 30 mil pessoas torcendo enlouquecidamente num estádio de futebol.

Cabe punir aqueles que cometeram os atos racistas.

O Grêmio, se querem saber, já foi por demais punido só por ter seu nome ligado a esse tipo de situação. Mas deve seguir atuando forte contra vândalos e racistas.

ATUAÇÃO

Esse lateral Matias precisa mostrar mais para substituir Pará. Mesmo com poucas partidas, tem 3 cartões amarelos. A zaga melhorou. Zé Roberto foi um dos poucos que escapou da mediocridade técnica que foi o jogo.

No meio de campo, Ramiro incansável na proteção e no combate. Giuliano foi mal no primeiro tempo, melhorou no segundo. Foi dele a jogada do gol. Alán Ruiz continua devendo, embora tenha lances de bom jogador. Matheus Biteco entrou muito bem no jogo e acredito que será mantido.

Na frente, Barcos  foi o se de sempre, mas estava atento no lance em que Dudu tocou a bola para marcar o gol. Se Barcos não aparece talvez o goleiro se recuperasse.

Portanto, mais 3 pontos na conta de Barcos.

Juca Kfouri dá exemplo de isenção e ética

Transcrevo texto de Juca Kfouri publicado no blogdojuca.uol.com.br. Nada tenho a acrescentar:

‘O Grêmio está fazendo o que se espera de qualquer clube decente: identificou, comunicou as identificações à polícia e já puniu os que pode punir, por serem sócios da agremiação.

Mais que isso não pode fazer.

Como não pode ser responsabilizado pelos insultos de cinco cretinos numa plateia com mais de 30 mil pessoas.

Uma coisa é você punir um clube por falha na segurança de seu estádio.

Outra é punir pelo que dizem os frequentadores nos estádios.

Daqui a pouco o STJD vai querer que os clubes botem esparadrapo na boca dos torcedores.

Até porque, se a moda pega, daqui a pouco cinco imbecis torcedores do clube A vestem a camisa do clube B e agem para que este venha a ser punido.

O essencial é identificar os criminosos e puni-los.

O episódio de ontem é suficientemente deprimente para que ninguém queira surfar na sua onda.

Patrícia e seus blue caps já apareceram o bastante para a devida execração pública.’

Grêmio imita o Inter

O Grêmio imita o Inter, que foi eliminado da Copa do Brasil em casa. A diferença é a qualidade dos adversários. O Santos é muito superior ao Ceará.

Sei que muita gente vai continuar acreditando, porque torcedor acredita sempre, até o último segundo.

Mas é missão quase impossível jogar na Vila Belmiro, onde o Grêmio normalmente se dá mal, e obter a classificação.

Decididamente, os deuses do futebol abandonaram o Grêmio.

O Santos era completamente dominado, o Grêmio criava situações de gol, sufocava o adversário, mas não conseguia fazer o gol.

Quem não faz leva, regra inabalável do futebol, voltou a prevalecer.

Numa cobrança de escanteio, o Santos fez 1 a 0 , com Davi Braz dando um ‘peixinho’ na marca do pênalti, sozinho, isolado. Atrás dele aquele que deveria acompanhar o zagueiro: o Werley, que assistiu de perto o gol.

Depois, num contra-ataque puxado por Lucas Lima, que dominou a bola com o braço ao dar a arrancada de seu campo, Robinho fez 2 a 0, com a bola desviando em… Werley.

Os deuses do futebol abandonaram o Grêmio.

Contra o Cruzeiro, no Mineirão, foi parecido. Grêmio jogando como nunca e perdendo como sempre.

De positivo, fica o fato de que o time está evoluindo. Está jogando melhor.

Falta acertar a pontaria e falhar menos atrás.

Falta cobrar um escanteio que resulte em gol, o que não acontece faz meses; idem em relação às cobranças de falta.

Será que ninguém treina esses fundamentos?

Resta fazer como o Inter, dedicar-se ao Brasileirão.

Por onde anda o técnico Lisca?

O Inter está obcecado em conquistar o Campeonato Brasileiro. Afinal, são 35 anos de jejum.

Só essa ideia fixa pelo tetra nacional pode explicar o silêncio da direção colorada diante da postura do técnico Abel Braga, que já deixou muito claro que tanto a Copa do Brasil como a Sul-Americana são estorvos, só atrapalham a corrida pelo título do brasileirão.

Ele chegou a comentar que só foi campeão brasileiro com o Fluminense porque, como faz agora, deixou em segundo plano outras competições.

O foco foi sempre o Brasileirão, e ele chegou lá.

Agora, repete a estratégia no Inter, imagino que com a benção da diretoria. Se for um ato de rebeldia, Abel está pela bola 7.

São dois vexames seguidos. Duas derrotas em casa para equipes inexpressivas. O Bahia, que bateu o Inter por 2 a 0 em pleno Beira-Rio, também estava com muitos reservas.

Devo concluir que o grupo dos baianos é melhor que o do Inter? Claro que não, mas é o que o resultado aponta.

Os resultados diante do Bahia e do Ceará apontam ainda como o Grêmio foi incompetente nos clássicos. Todos ganham do Inter, menos o Grêmio.

Mesmo que Abel e a diretoria estejam alinhados nessa ideia fixa de conquistar o Brasileirão e relegar competições paralelas, a torcida não concorda.

Nem foi consultada. E é ela quem mantém o clube e os salários milionários pagos a jogadores que a todo momento são poupados de um ou de outro jogo.

A torcida colorada já está pedindo a cabeça de Abel.

Uma derrota para o Palmeiras neste final de semana, aí pelo Brasileirão, pode mergulhar o clube em crise profunda.

Então, me antecipando, lanço o nome de Lisca, técnico competente e que merece uma oportunidade num clube grande para mostrar seu valor.

Foi isso que li e ouvi à exaustão quando o Grêmio tentava Tite e Felipão.

Parte expressiva da crônica esportiva insistia em sugerir Lisca e também Celso  ‘toc-toc-toc’ Roth.

Roth está desempregado e Lisca não sei.

Por onde anda o técnico Lisca?

Se eu fosse presidente do Grêmio…

O gremista Homero Bellini Jr. apresentou-se oficialmente como candidato à presidência do Grêmio.

A Situação deve responder com o multicampeão Fábio Koff. Não faltam especulações e boatos sobre essa candidatura.

O mais recente é que Koff seria vice de futebol do Romildo Bolzan Jr.

Não sei de onde surgem esses boatos. Não consigo imaginar Koff no vestiário de novo, viajando pra lá e pra cá. Então, é mais uma bobagem.

Admito que para efeitos meramente eleitorais, Koff como vice daria um peso considerável à chapa. Mas duvido que ele fosse manchar sua trajetória entrando como vice e largando o barco logo nos primeiros dias ou semanas da nova gestão.

Penso que um homem da envergadura de Koff jamais se sujeitaria a isso. Sairia com dignidade, de cabeça erguida, como o dirigente mais vitorioso do futebol gaúcho em todos os tempos.

Não faria como certos jogadores de futebol que não sabem a hora de sair de campo, ou de cena. Caso do R. Gaúcho, que estaria se sujeitando a receber por produtividade num clube em crise.

Aí, delirando em meus pensamentos mais delirantes, me imaginei candidato. Em primeiro lugar, isso seria impossível até por questões estatutárias.

Mas seguindo em meu delírio ou devaneio, estou aqui agora teclando e pensando no que eu faria, qual seria a minha plataforma, meu projeto.

De cara, afirmo que não apresentaria  programa de governo num volume com capa dura e letras douradas ou prateadas com um título como ‘Por um Grêmio imbatível’.

Não, nada de promessas vazias, palavreado difícil, nada de firulas e tampouco de juridiquês.

Todos nós sabemos que depois de eleito ninguém abre o tal programa de governo. Vale para o futebol, vale para a política partidária.

O que todos querem é chegar ao poder.

Não, eu decididamente iria direto ao que interessa, a gestão do futebol.

Meu programa de gestão poderia ser rabiscado num guardanapo do Box 21, por exemplo.

Começaria por estabelecer um mantra a ser repetido todas as manhãs pelos meus companheiros de diretoria:

– Não gastar mais do que arrecadar.

Zelaria pelo dinheiro do clube como faço com o meu dinheiro. Nada de esbanjar, comer frango e arrotar avestruz.

Buscaria cercar-me de pessoas competentes, competentes e sabidamente honestas. Acreditem, há muitas. Todas elas gremistas, que fique bem claro. Colorados que se dirijam ao Beira-Rio para trabalhar. Nada contra os colorados, mas prefiro cercar-me de gremistas.

Definido o mantra contra o esbanjamento tão comum no futebol e a diretoria, atacaria nas categorias de base.

Seria a minha menina dos olhos.

Ex-jogadores campeões com a camisa do Grêmio teriam prioridade para trabalhar nessa área. Gente vencedora para moldar vencedores.

Gente que dedicou-se ao Grêmio, ajudou a conquistar o mundial de 1983 e que passa por dificuldades, já estaria trabalhando na base do Grêmio há horas.

Se eu tivesse que buscar jovens de 18 ou 19 anos formados por outros clubes para compor o grupo profissional seria necessário um olhar mais crítico sobre o trabalho na base.

O que estaria acontecendo de errado? Mudanças teriam de ser feitas.

Outra coisa: limitaria drasticamente a atuação de empresários e procuradores no clube, tanto na base como nos profissionais.

Não teria essa de jogador entrar no time só porque tem empresário/procurador forte como parece acontecer em muitos clubes.

Então, antes de sair em busca de reforços externos, avaliaria com cuidado os guris da base.

Para os profissionais, só contratações que viriam para realmente preencher lacunas que a base não resolveu.

Jamais, mas jamais mesmo contratar jogadores mais passadinhos em idade por cinco anos.

Antes de contratar, uma varredura rigorosa na trajetória do atleta, seu comportamento fora de campo, etc.

Outra coisa, buscar jogadores com espírito vencedor. Gente que também tenha tanto orgulho de vestir a camisa do Grêmio como o gremista mais fanático.

Nada de jogador que só tem derrotas em sua carreira ou que não se entusiasme a jogar no Grêmio.

Outra coisa: trabalharia para que o trabalho na base, sendo positivo, fosse mantido pela direção seguinte, algo que não acontece hoje e que claramente prejudica o clube, porque cada um que entra traz junto seus parceiros, que nem sempre são competentes e/ou honestos.

E o treinador? Seria alguém competente e honesto, avesso à picaretagens e conluio com empresários.  Dois que eu gosto: Felipão e Tite.

São alguns dos pensamentos que me ocorrem de vez em quando sempre que alguém sugere que eu entre na política do Grêmio.

Enfim, são frases soltas que colocaria num guardanapo e apresentaria como meu programa de governo.

Quem sabe um dia apareça alguém que leve essas ideias adiante e repita o mantra:

– Não gastar mais do que arrecadar.

Bobagem, outro delírio.

Grêmio começa a incorporar espírito dos anos 90

O espírito do Grêmio vencedor dos anos 90 manifestou-se no segundo tempo do jogo contra o Corinthians. Se até quem estava diante da TV sentiu aquela energia vitoriosa, imaginem aqueles que foram à Arena, que em alguns momentos incorporou a energia do Olímpico de quase duas décadas atrás?

Em campo, o que se viu foi acima de tudo um grupo de jogadores honrando a camisa tricolor. Quando faltou técnica, sobrou raça e destemor.

Se o primeiro tempo foi de certa forma frustrante, ainda mais que o time vinha de boa atuação contra o líder Cruzeiro, fora de casa, o segundo tempo foi de arrepiar.

Sobrou emoção para gremistas e corintianos, e também, por que não?, para colorados. Muitos destes últimos, claro, desligaram a TV e o rádio quando em menos de 4 minutos o Grêmio havia feito dois gols. Difícil secar nessas condições.

O fato é que o Grêmio voltou transmutado.

Com certeza contribuiu para isso a discussão de Barcos com Felipe Bastos à saída de campo e, mais ainda, a palavra forte de Felipão.

Sem trocar jogadores, ele alterou o estado de ânimo da equipe. Em menos de um minuto, Barcos fez 1 a 0, após cruzamento de Zé Roberto. Três minutos depois, Barcos voltou a marcar, em outro cruzamento da esquera, agora por Dudu.

Nesses dois lances, Barcos lembrou Jardel pelo posicionamento e pela eficiência na conclusão. E Dudu foi quase um Paulo Nunes, nesse lance e em muitos outros, quando partiu a dribles sobre a defesa e ainda recuou para marcar o adversário. Ah, e que adversário!

O Corinthians tem time e tem grupo para brigar pelo título.

Mas mesmo uma equipe tão forte fica abalada com dois gols assim de saída, com o Grêmio sufocando, abafando, amassando.

Luan ainda chance de ampliar minutos depois, após receber uma bola preciosa de Barcos.

Na sequencia, o que se viu foi o Corinthians se reerguendo e mostrando seu poderio. Foi aí que o time de Felipão incorporou por completo o Grêmio dos anos 90, resistindo e buscando os contra-ataques, o que tornou o jogo emocionante.

Aos 10 minutos, Guerrero, atacante dos mais perigosos, invadiu a área para marcar. Ele não contava com Marcelo Grohe, que evitou o gol, assim como já havia feito em lance parecido no primeiro tempo. Grohe foi uma muralha e, sem dúvida, a vitória passou pelas suas mãos, porque ele ainda faria mais duas ou três defesas espetaculares. Por instantes, vi Danrlei em campo.

Com Grohe transmitindo segurança, a defesa cresceu. Rodolpho, com a tarja de capitão – outra decisão perfeita de Felipão – não vacilou na hora de dar chutões para a frente e para os lados. Werley foi competente.

O gol corintiano foi em cima de Matías Rodriguez, que me parece ainda muito inibido, sem confiança, o que é natural. Merece continuar na equipe. Até porque a opção é Pará… Na esquerda, Zé Roberto foi bem, melhor do que no jogo contra o Cruzeiro, o que pode ser sinal de que vai evoluir mais nesse retorno à sua antiga posição.

No meio, contrariando muita gente, quero destacar o trabalho de Ramiro. O PGV – Pequeno Grande Volante – é aquele volante cri-cri, um pitbull, que não larga nunca a sua presa. Um Guinazu na disputa pela bola. Rápido nos botes e com uma saída de bola correta ele lembrou Dinho, guardadas as proporções. Ele, como todos os demais, errou alguns lances, mas poucos, o que não diminui o brilho de sua atuação. Destaco, ainda, seu duelo verbal e físico com Ralf. O baixinho não se intimidou, encarou firme.

Giuliano está devendo. Foi discreto, mas ajudou muito no combate ao adversário.  É prematuro cobrar muito mais de um jogador que vinha de lesão e que recém começa a readaptar-se ao futebol brasileiro.

Já Felipe Bastos dá ao time um toque de qualidade, uma pitada de inteligência. Um jogador superior. Nem parece que chegou aqui há tão pouco tempo, porque está mostrando tudo aquilo que o torcedor quer ver em termos de dedicação e de luta. Parece até um jogador criado no Olímpico de tão identificado com o clube e sua torcida.

Na frente, Barcos fez o que se esperar de um centroavante, que esteja dentro da área sempre que a bola chegar à linha de fundo. Barcos estava bem colocado nos dois cruzamentos e concluiu com competência. Já é o atacante estrangeiro que mais gols fez pelo Grêmio. O segundo parece que foi Oberti, outro argentino.

Luan é outro que lutou muito, encarou os marmanjos e não se intimidou. Pelo contrário, quanto mais apanha, mais provoca e pede a bola. É ainda um tanto imaturo, mas nada que mais alguns jogos não possam resolver.

Por fim, Dudu. Outra atuação notável. Ele sempre me pareceu peladeiro, mas com Felipão parece mais lúcido para jogar, mantendo os dribles e sua capacidade de doação ao time nos momentos de dificuldade, quando o time é atacado.  É titularíssimo.

Por trás de tudo isso, o estilo Felipão, o artesão habilidoso que está montando um time à imagem e semelhança daquele multicampeão da década de 90.

PÊNALTI

Os corintianos reclamam pênalti no lance em que a bola tocou no braço de Werley. Lance difícil. Muitos dariam pênalti, outros deixariam passar. Foi o que fez Heber, que talvez tomasse outra posição se o lance ocorresse em São Paulo. A bola bateu no braço de Werley, sem dúvida, mas é lance de interpretação.

Outro juiz talvez marcasse. Heber apenas justificou sua fama de juiz caseiro. Em linhas gerais ele foi bem no jogo, que estava soltando faíscas. Expulsou corretamente o Guerrero pela cabeçada ‘carinhosa’ em Alán Ruiz.

Aliás, Ruiz está se revelando um jogador indignado, que cobra do juiz e encara os adversários.

INTER

Ao vencer o Corinthians, o Grêmio deu uma mãozinha para os colorados.

Sábado, o Inter não se ajudou. Foi melhor que o Atlético em Minas Gerais. Poderia ter vencido, ou ao menos empatado. Seria mais justo.

Mais ou menos o que aconteceu com o Grêmio diante do Cruzeiro, também BH.

ISENÇÃO JORNALÍSTICA

Ouvi muita gente nas rádios querendo a demissão de Abel Braga. Coisa de torcedor. De qualquer modo, Celso Roth está aí. Foi demitido do Coritiba.

Aqueles que especulam Tite, deveriam repetir o que fizeram com o Grêmio após a demissão de Enderson.

Sugerir nomes mais viáveis, como Lisca e Roth. Só por uma questão de coerência e isenção jornalística.

É pedir muito?

Grêmio, uma atuação digna diante do líder

Contra time que está iluminado é sempre assim. O adversário cria as melhores oportunidades, mas acaba perdendo o jogo num vacilo qualquer.

Foi o que aconteceu com o Grêmio, um time em busca de si mesmo, contra um Cruzeiro que se encontrou há quase dois anos.

O gol do Cruzeiro nasceu de uma tentativa de drible de Luan, que perdeu a bola para Dedé. O zagueiro avançou livre como se estivesse na Avenida Ipiranga num domingo de verão, com todos os sinais na cor verde.

Ele avançou até perto da área e viu Dagoberto sem marcação. Quando Dagoberto cabeceou ele tinha o pequeno Pará à sua frente e Werley observando o lance como se fosse um torcedor em lugar privilegiado. Até ali, Werley e Pará haviam feito grande partida. Mas já é costume um vacilo deles em algum momento. Ainda mais contra um time iluminado.

E o gol só poderia ser de Dagoberto. Quando o Grêmio contratou Kleber, Dagoberto estava à disposição. Escrevi que o melhor seria contratar Dagoberto, até para evitar que ele continuasse fazendo gols no Grêmio. Não me leram nem ouviram e ele segue fazendo gols no Grêmio. E será assim até que abandone as chuteiras.

De positivo, a atuação digna do Grêmio. Felipão armou um esquema de marcação forte para neutralizar esse ataque rápido do líder e ainda contou com a alternativa de contra-ataque, basicamente através de Dudu. Aliás, Dudu foi o melhor do time. Criou as melhores chances de gol do jogo e ainda cavou cartões amarelos.

Já Luan decepcionou. Ele teve alguns bons momentos, mas poucos diante dos erros e de bolas perdidas por excesso de individualismo. Mesmo assim, é titular do time, porque tem lampejos geniais, e com certeza tem muito a evoluir.

No finalzinho, Luan foi atropelado no meio de campo por Dedé. O zagueiro levou amarelo. O mas o que me chamou a atenção e me deixou satisfeito foi Alán Ruiz partindo para cima do zagueiro, cobrando a falta grosseira sobre Luan. Há muito que não via isso no Grêmio. Essa indignação.

O jovem Ronan, escalado de última hora em função de lesão de Lucas Coelho, sucumbiu pelo seu próprio nervosismo e também porque era marcado por uma boa dupla de área, Dedé e Léo. Merece novas oportunidades.

Outro destaque do time foi Felipe Bastos. Jogou muito. É inteligente, ótima técnica, visão de jogo, incansável na marcação. Faltou a Felipe melhor companhia na transição defesa/ataque. Mais do que um volante, é um articulador.

O importante é que o Grêmio perdeu um jogo ‘perdível’. Afinal, era o líder do campeonato, o melhor time do campeonato, e jogando em sua casa, diante de sua torcida.

Resta agora aperfeiçoar detalhes e começar a somar pontos nos jogos ‘vencíveis’.

Mas, acima de tudo, jogar todas as fichas na Copa do Brasil.

Grêmio terá torcida do Inter?

Sem Giuliano e Barcos, o Grêmio tem um grande desafio pela frente: vencer o Cruzeiro em pleno Mineirão.

Um Cruzeiro embalado, que pode distanciar-se ainda mais do vice, o Inter, que perdeu por 1 a 0 do São Paulo no Beira-Rio.

O time mineiro é, sem dúvida, o melhor em atividade no país. Está entrosado, tem alguns jogadores diferenciados e penso que nenhum de nível baixo, e ainda por cima tem um grupo qualificado.

Já o Grêmio não conta com nenhum jogador realmente de qualidade superior do meio para a frente.

Luan é o que mais se aproxima disso. Quem sabe Lucas Coelho, que fará seu segundo jogo seguido como titular.

Lucas só recebe essa nova oportunidade porque o argentino está lesionado. Lembra o que houve com Luan, que só entrou no time graças a uma lesão providencial de Kleber, provando que de vez em quando, muito de vez em quando, os deuses do futebol olham com carinho para o Grêmio.

Mas normalmente é assim que os jovens promissores ganham chance de jogar.

Felipão está alterando essa tradição ao lançar Walace, por exemplo. Mesmo com excesso de volantes, inclusive um com perfil de medalhão, Felipão foi buscar o jovem Walace no fundo do vestiário e não teve medo de lançá-lo no Gre-Nal.

Gostaria de ver Tinga ao menos uma vez no time de cima. Mas acho que com Pará por perto isso não irá acontecer tão cedo.

Por falar em Pará, ele está confirmado para voltar ao time. Matías, o lateral goleador, volta ao banco. Como o jogo é no Mineirão, acho que Felipão acerta ao optar pelo Pará, embora eu preferisse Ramiro na posição.

Na esquerda, segue o veterano Zé Roberto. Não sei, acho arriscado. O Cruzeiro vai jogar muito por ali.

No meio de campo, três volantes. Todos eles com capacidade para chegar à frente, em especial Riveros e Felipe Bastos, este uma revelação em termos de técnica e aplicação.

O esquema é um 4-3-3 que se transforma num 4-5-1. Ou será o contrário?

O importante é que o Grêmio jogue sem medo, respeitando o líder, mas sem medo.

É importante uma marcação forte, um certo resguardo defensivo, mas sem abrir mão, nunca, de atacar.

É um Grêmio assim que a torcida espera ver nesta quinta-feira no Mineirão.

Uma vitória mostrará que o Grêmio ainda pode brigar pelo título.

Afinal, é um jogo de seis pontos, talvez mais se considerarmos o interesse do Inter.

ERRO HUMANO

Sempre que um  juiz erra contra o Grêmio, não falta quem diga que foi um erro humano.

Nesta quarta-feira, no Beira-Rio, houve um clamoroso ‘erro humano’.

Num chute de Alexandre Pato, perto do final do jogo, Juan interceptou a bola com o braço esquerdo. A bola tinha endereço certo, o canto esquerdo de Dida, que caía para o direito.

O juiz deixou passar. Eu vi na hora que houve infração. Juan evitou o segundo gol do SP ao estender o braço mais ou menos na marca do pênalti.

Depois, já nos acréscimos, um lance duvidoso foi considerado pênalti pela maioria dos repórteres, mas na verdade foi um lance de disputa de bola que o juiz seria crucificado marcando ou não a infração ocorrida na risca da grande área.

Para quem deixou de marcar aquele pênalti escandaloso de Juan – que a imprensa presente custou a detectar e ainda assim com ressalvas -, nada de anormal.

A derrota interrompeu uma série formidável de cinco jogos com vitória do Inter.

Nesta quinta, o Grêmio vai defender também os interesses do Inter.

Afinal, se vencer, o Cruzeiro livrará cinco pontos de vantagem sobre o time de Abel Braga.

Duvido, porém, que os colorados torçam pelo Grêmio.

Minha dor lombar e o futebol do Grêmio

Não sei o que me dói mais: se a dor lombar que me aflige desde sexta-feira e que me dificulta até amarrar sapato ou ver o Grêmio jogar.

A dor lombar eu sei que vai terminar em breve, tem tratamento, tem solução.

Já o futebol do Grêmio, aquele empolgante, que levanta o astral e, duvida?, até cura dor lombar, esse é uma incógnita.

O que o Grêmio jogou hoje contra o Criciúma foi um futebol equivalente ao que tem apresentado já faz tempo.

Há que se festejar, contudo, o fato de ter vencido, bom para recuperar a confiança, a auto-estima, e, principalmente, para distanciar-se daquela zona que podemos definir como um inferno, onde só faltam as chamas e o demônio.

Então, é bobagem dizer que o Grêmio melhorou, que apresentou algo de novo. Isso fica por conta do maior ou do menor entusiasmo de cada um.

Agora, é preciso destacar que o técnico Felipão está buscando um novo caminho, um novo jeito de jogar. Para isso, não vacila em fazer experiências em meio a um campeonato tão difícil e traiçoeiro como o Brasileiro, onde qualquer descuido pode levar ao abismo.

Felipão tem moral para fazer algumas coisas que no Enderson, por exemplo, nós classificaríamos de invencionice.

Em dois jogos, várias mudanças, algumas surpreendentes.

Não vou entrar no mérito de suas decisões. O que tenho a dizer a respeito é que acredito no Felipão. Crédito ele tem de sobra ao menos comigo. Acredito que também com a imensa maioria dos gremistas.

Resumindo, se Felipão não arrumar a casa agora, ninguém vai arrumar.

Se ele optou por deixar Walace no banco depois da bela atuação no Gre-Nal, tudo bem. Ele lançou Walace, ele pode sacar Walace. Simples.

Giuliano? Não está jogando nada, sai. Simples. Dizem que ele sentia uma lesão, não acredito.

Em menos de duas semanas no clube, Felipão teve olho clínico para tirar Felipe Bastos do ostracismo. Mérito da direção – que tanto critico e responsabilizo pelos fracassos recentes – que além de livrar-se de Kleber trouxe esse volante/meia. Um achado.

Hoje, Felipe Bastos foi talvez o melhor em campo.

Foi um jogo complicado. Todos os jogos são complicados para um time em formação e, agora, com tantas experiências, mais ainda.

Estamos em agosto e ninguém sabe qual o time titular do Grêmio, qual o melhor esquema. Ninguém, nem mesmo Felipão.

A EQUIPE

Pelo que vimos até agora, a dupla de área escolhida é essa mesma, e não adianta reclamar, chorar ou fazer beicinho. É Werley e Rodholpho. Ah, mas tem o Saimon, tem o Geromel. Sério? Muda alguma coisa de verdade?

Na lateral, Matias Rodriguez mostrou qualidade, mas duvido que Felipão o mantenha contra o Cruzeiro, que meteu 3 a 0 no Santos e é, sem dúvida, o melhor time do campeonato. Assim, Pará volta ou na direita ou na esquerda.

Na esquerda, Zé Roberto deu pro gasto. É possível que seja mantido, pela experiência e boa técnica. Talvez Felipão coloque Pará na esquerda e escale Ramiro na direita.

No meio, Riveros é titularíssimo. Fez um grande primeiro tempo e no segundo caiu um pouco. Penso que Giuliano volta como titular, ainda mais se Ramiro for mesmo para a lateral direita.

Desconfio que até Edinho pode voltar. Desconfio. Felipão tá com jeito de que irá armar um retrancão.

Na frente, Luan e Dudu devem ser mantidos. Se Barcos estiver recuperado, ele volta apesar da boa atuação de Lucas Coelho.

Lucas participou do primeiro gol sofrendo falta. Barcos em lance igual não chegaria na bola como Lucas chegou porque não tem arranque. É um fusca 1.0 em matéria de arranque.

Depois, Lucas Coelho fez outra coisa que a gente não vê em Barcos: chute preciso de fora da área. O guri clareou e mandou ver, concretizando o desejo que havia revelado no intervalo. Deixou sua marca.

Mas acho que Barcos volta pela experiência. E não acho que Felipão estará errado se começar com o argentino.

Lucas vai ganhar a posição devagarinho, como quem come o mingau quente pelas beiradas.

Outro camisa 9, o Ronan, teve alguns minutos. Mostrou que leva jeito. É raçudo, tem imposição física.

Bem, enquanto não empolga, é fundamental vencer.

Enquanto o bom futebol não aparece, que venham as vitórias, o melhor analgésico para dor lombar.

GLÉNIO

Conheci Glênio Reis ainda menino. Pela TV. Em preto e branco. Depois, o encontrei no pátio do Olímpico na virada dos anos 70 para os 80. Ele gostava de assistir aos jogos e treinos da base, juniores e juvenis principalmente. Quando eu queria saber quem se destacaria e tinha futuro no futebol, recorria ao Glênio.

Foi ele quem me apontou Assis, ainda no time juvenil. Assis jogava demais. Era um meia goleador. Se o time vencia com 10 gols, Assis fazia uns 8. Nos profissionais, se afastou das agruras da área, onde só sobrevivem os destemidos. Assis procurou a zona de conforto.

Glênio, um grande profissional do rádio. Um grande gremista. Tive a honra de conviver um pouco com ele.

INTER

Por falar em jogar um futebol nada empolgante, por vezes até de doer, o Inter vai bem, obrigado.

Diferente do Grêmio, que perdeu quando jogou mal, o Inter venceu. E por isso está na ponta de cima da tabela.

Pelo jeito, nada vai tirar o Inter do G-4. Não vejo outras equipes melhores despontando. Está tudo muito nivelado.

Por isso, já vejo o Inter ao menos na Libertadores de 2015.

A não ser que insista em continuar jogando mal. Tem uma hora que a sorte abandona, como aconteceu nos dois jogos contra o Ceará.

Quer dizer, até que teve sorte contra os cearenses, porque as derrotas poderiam ter sido ainda mais humilhantes.