Enfim, um articulador no Grêmio

É possível recolher coisas positivas até nos momentos ruins como os que acabaram determinando a derrota gremista por 2 a 1 contra um Vasco que teve, pasmem, Carlos Alberto jogando 9o minutos, e bem.

Por exemplo, eu poderia destacar aqui o gol anulado de Miralles. Depois, o pênalti que Moreno desperdiçou. Dois erros da arbitragem, o gol anulado e o pênalti inexistente.

Eu poderia enaltecer a pouca eficiência do ataque nas conclusões, e que me fez lembrar o Bayern contra o Chelsea no sábado, com o time inglês festando o título da Liga dos Campeões depois de tomar um banho de bola.

Eu poderia criticar o esforçado Pará, que não tem culpa de estar no Grêmio, por ter deixado Alecsandro cabecear sozinho e fazer o gol da vitória.

Poderia criticar o Luxemburgo por ter poupado alguns titulares, mas pensando bem os que entraram estão praticamente no nível dos titulares. Então, nada mudaria, talvez apenas a questão de entrosamento, o que é um dado insignificante porque o que faltou mesmo é qualidade nas conclusões. Sem esquecer que em São Januário o Grêmio normalmente se dá mal e desta vez até foi superior em campo.

Enfim, eu poderia ser, como dizem alguns, mais uma vez amargo e pessimista, se eu lembrasse aos distraídos que esse resultado, na Copa do Brasil, seria desastroso. Mas não vou fazer isso.

E sabem por que?

Porque neste domingo, na abertura do Campeonato Brasileiro, que teve o Inter confirmando seu favoritismo e batendo o misto do Coritiba, eu percebi que, apesar da derrota, injusta por sinal, o título da Copa do Brasil é possível.

Nem é pela atuação firme e determinada da equipe como um todo, apesar de algumas individualidades comprometedoras. Realmente, é inegável que o time parece mais seguro, mais confiante.

Ainda assim seria pouco para colocar o Grêmio em condições de brigar pelo título. É preciso algo mais. E esse algo mais eu verifiquei hoje.

É o começo do fim de Marco Antônio no time titular. Que rufem os tambores! Luxemburgo tem agora uma opção para a função de articulador, alguém que enxerga o jogo, que não se esconde e aparece para trabalhar a bola, que ousa e tenta o drible. Quem viu o jogo sabe de quem estou falando:

Rondinelly. O guri entrou com personalidade, não se assustou, não sentiu o peso da camisa, não se escondeu. Foi dele o passe para o gol de Fernando.

Uma luminosidade ofuscante na escuridão criativa do meio campo.

Luxemburgo também gostou, mas, como manda o figurino, foi discreto nos elogios. Afinal, como ele mesmo disse, trata-se de um jovem que ainda terá altos e baixos até atingir o ponto de equilíbrio. Rondinellu, prometeu o técnico, estará no banco contra o Bahia.

Mas é por pouco tempo. Ele é muito melhor que o titular, que ontem deu uma entregada no final daquelas que nem o Douglas ousaria. Na sequencia, para evitar o terceiro gol do Vasco, cometeu falta.

Repito o que escrevi aqui dias atrás. O título da Copa do Brasil, sem o Kleber e o Júlio César, e com MA de articulador, é impossível.

Agora, ‘para nooooossa alegriaaaaa’, os dias de MA estão contados.

Na vida, a gente precisa ter lucidez e sabedoria para perceber os sinais que apontam o rumo certo a seguir. Nem sempre esses sinais são facilmente visíveis.

Só espero que Luxemburgo perceba que a chegada de Rondinelly em cima do laço, ainda a tempo de inscrever na Copa do Brasil, pode ser um desses sinais de indicam o caminho do paraíso.

Luxa vence o Rei da Bahia

Um grande resultado e uma atuação razoável. A vitória por 2 a 1 praticamente coloca o Grêmio na fase semifinal. Provavelmente, Grêmio x Palmeiras, Luxa x Felipão. Vai sair faísca.

O fato é que agora o Grêmio, podendo contar com Kleber e Júlio César, e não tendo mais desfalques, poderá fazer frente ao Palmeiras e quem sabe chegar à final.

Outro aspecto interessante: o Grêmio foi o único dos quatro jogos desta fase que venceu fora de casa. Prova de que Luxemburgo está sabendo armar o time para o mata-mata. Acho que ele aprendeu apanhando do Felipão na gloriosa década de 9o.

Agora, uma revelação: a vitória aconteceu graças a mim. Modéstia à parte.

Eu tenho um poder que só uso em ocasiões muito especiais: se eu critico ferozmente um jogador, ele logo me contradiz. Se eu elogio demais, também sou desmentido.

Não aguentando mais ‘não ver’ o carimbador Marco Antônio em campo – até o narrador da TV percebeu isso -, entrei no twitter para escrever que o Luxemburgo gosta de jogar com dez, mantendo a nulidade do MA, que só serve pra cobrar escanteio e olhe lá.

Quando escrevi essas linhas eu pensei ‘só falta esse cara me sacanear e fazer um gol’. Claro, seria uma sacanagem a ser comemorada.

Tive esse pensamento porque nos meus tempos de Correio do Povo eu tinha mesmo essa fama de ‘boca santa’ ao contrário.

No minuto seguinte, gol do Grêmio. Marco Antônio gritou o narrador. O que eu recebi de twitter de gente me gozando, mas feliz da vida, não foi brincadeira. Alguns pediram pra eu falar mal do André Lima, outros para criticar o Leandro. E por aí vai.

Soube há pouco que o juiz deu o gol para o zagueiro Naldo. Ufa!

Mas não importa. O que interessa é que o Grêmio venceu e encaminhou sua classificação. Está superando a minha expectativa.

Sobre as atuações. Gostei do sistema defensivo como um todo. Luxemburgo está jogando para não levar, e depois arriscar um golzinho. É isso aí. Ele sabe que o time é limitado.

Fernando fez um gol e mostrou de novo que é um jogador de exceção. Souza e Léo Gago fizeram o feijão com arroz, foram eficientes. Souza decaiu de rendimento em relação ao seu início. Em breve ele voltará ao normal.

Marco Antônio só apareceu nas cobranças de escanteio e no gol. Muito pouco para quem tem a missão de organizar o time do meio para a frente, articular, criar jogadas, etc.

Na frente, gostei mais até do André Lima do que do Moreno. Pelo menos foi mais participativo.

Sei que muita gente vai desprezar esse fato, em especial os fãs de Falcão, mas a realidade é que Luxemburgo venceu o duelo com o Rei da Bahia.

TINGA

Com mais cinco meses de contrato pela frente, Tinga acertou sua saída para o Cruzeiro. O negócio estava sendo alinhavado há alguns dias, segundo informou o presidente Giovani Luigi no programa Cadeira Cativa, hoje.

Estou curioso para ver como será Tinga no Cruzeiro, pois ele e Roth não se bicam.

Outro que saiu foi o Anápio. Aparentemente por razões pessoais, particulares. Assumiu Luciano Davi, um dirigente que já passou por todos os setores do Inter. Eu o conheci no programa do Reche. É inteligente. Não tenho dúvida de que irá se dar bem no futebol.

O problema é que ele assume num momento que parece ser de transição no clube.

NILMAR

O Luigi, no programa, negou que esteja negociando Damião. Garantiu que sequer há proposta, mas senti que ele faz negócio se aparecer uma proposta realmente atraente.

A reposição, pelo que percebi na conversa que tive com ele até antes do programa, será Nilmar.

Grenalização na terra do acarajé

Até os baianos entraram nessa de grenalização. Temos agora a grenalização tipo exportação. Deveria ser como a Polar que não sai daqui.

A grenalização chegou ao ‘exterior’. A imprensa baiana diz que o jogo de hoje é como um Gre-Nal, citando os colorados Falcão e Julinho Camargo, e os ex-jogadores colorados Zé Roberto, Souza e Danny Moraes. A imprensa daqui, claro, repercute isso, e dá força.

Tudo bem, uma pimenta a mais nesse acarajé não vai agravar as coisas.

O jogo é de alto risco ao natural. Felizmente, o Souza não deve jogar. Souza contra o Grêmio vira Ronaldo Fenômeno.

Vejo que algumas pessoas consideram o Grêmio favorito. Ninguém consegue sustentar minimamente isso, mas em caso de derrota determinados setores poderão aumentar a dimensão do fracasso, criando uma crise. Afinal, como o favorito Grêmio conseguiu perder para o modesto Bahia, que há sequer ganhava um título regional.

Estarão em campo logo mais à noite duas equipes médias. O Grêmio, como clube, é muito maior que o Bahia, mas o que conta nos 9o minutos é quem está em campo.

Não vejo o Paulo Roberto, o Oberdan, o De León, o Airton, o Roger, o Dinho, o Valdo, o Renato Portaluppi, o André Catimba, o Alcindo. Esses nomes ajudaram a construir a história do Grêmio, mas eles não jogam mais.

Hoje, o que temos é Edilson, Pará, Léo Gago, Marco Antônio, André Lima. Nenhum deles poderia sequer entrar no vestiário em que os jogadores citados anteriormente se fardavam.

Mas estes são os jogadores que o clube conta no momento. Jogadores médios, semelhantes aos do Bahia.

Assim, nivelados, o time baiano tem a vantagem de jogar em casa.

Se o Grêmio garantir o empate com gols, será como uma vitória.

Sem querer ser pessimista, mas analisando friamente, não acredito que o Grêmio consiga algo mais que um empate diante do Bahia.

Agora, passando pelo Bahia, o Grêmio terá condições de brigar pelo título, porque aí terá alguns titulares de volta.

Só espero que nenhum titular importante se machuque, principalmente o melhor deles, Fernando, que tem sido o principal jogador desse time mediano que restou após as lesões.

Além disso, é fundamental que surja alguém para tirar Marco Antônio, o Carimbador, do time. Minha aposta agora é Rondinelly, que nunca vi jogar, mas que deve ser melhor que o MA.

Liga do Boteco no Cartola

Atenção!

Inscreva-se já na Liga do Boteco para participar do Cartola. Desconfio que esta é a única liga que dá prêmio ao vencedor.

No ano passado foi Rodrigo Fernandes, cuja foto está no facebook da Cerveja Campeã, a 1983, sempre imitada, mas nunca igualada, até porque o primeiro sempre será o primeiro.

A inscrição pode ser feita através do banner que está aí ao lado, à sua direita, bem no alto.
Mais claro, impossível.

Ou através deste link.

Mais uma vez atenção!

O Brasileirão começa neste final de semana. Vamos ver se vocês são bons apenas de corneta ou se sabem mesmo montar um time.

O meu time é o Todo Poderoso – uma homenagem sutil ao Mazembe – Alfredo, nome do meu avô gremistão, que me fez gremista e brizolista.

Atenção de novo!

O primeiro colocado vai receber uma camisa 1983, um copo 1983 e três cervejas: Kidiaba, Mazembier e a 1983.

O segundo leva duas cervejas.

O terceiro, uma cerveja.

Espero vocês.

SELEÇÃO DA FGF

Entrei em contato hoje no início da tarde com a FGF.

Pedi informações sobre como foi realizada a eleição dos melhores.

Achei exagerada a presença de jogadores do Caxias entre os destaques.

Curioso, por exemplo, é o presidente do Caxias ser eleito o melhor dirigente, e ao mesmo tempo é o cara que demitiu o técnico eleito como o melhor, o Paulo Porto.

Estou aguardando os dados solicitados. Já encerrou o expediente na entidade.

Vamos ver se amanhã sai.

Festa no Ape e as 'punições'

Sandro Silva, que tem conceito de bom moço, meteu-se numa confusão no Ape do Pilar, um bar que fica ali na Fabrício Pilar quase esquina com Quintino. Zona nobre.

Pelo que vi no site, é um lugar agradável, frequentado por belas jovens. Não é um lugar bagaceira. Não tem histórico de baixaria.

Mas sempre tem uma primeira vez.

Sandro Silva teria discutido com alguns frequentadores. É claro, tinha mulher no meio, conforme relatos. Ouve troca de socos. Pelo se que se sabe, o jogador entrou em confronto com três ou quatro sujeitos – gremistas?- Levou a pior, apanhou bastante, sofreu um corte na perna e escoriações leves.

O intrigante na história é que ele estaria acompanhado de Gilberto e Moledo. Os dois colegas, mui amigos, não teriam se metido na briga.

Quer dizer, viram o companheiro apanhar e não fizeram nada? Muito estranho.

O resultado é que Sandro Silva desfalca o time na estreia no Brasileirão. Um desfalque importante. Por isso, entendo o tom de voz pesaroso de alguns radialistas esportivos diante do episódio.

O fato é que é mais um incidente extra-campo envolvendo jogadores colorados.

Agora, diferente de Jô e Jajá, não chega a ser um ato de indisciplina, mas de qualquer modo é algo que a direção colorada deve analisar, porque afinal de contas é um profissional do clube, que recebe até uma verba polpuda como direito de imagem.

Então, o jogador de futebol, principalmente de grande clube, precisa ter consciência de que é uma figura pública e que, portanto, deve ter muito cuidados com seus atos também fora de campo e do horário de trabalho.

PUNIÇÃO

A direção colorada, não tenho dúvida, gostaria de aplicar uma punição exemplar em Jô, que é reincidente. Os vizinhos do jogador – acho que toda a torcida colorada – gostariam que o Inter rompesse o contrato e ele fosse embora. Teriam mais sossego.

Mas não é tão simples assim. O jogador tem os seus direitos, e eles parece que são infinitos. Os clubes, hoje, praticamente estão reféns dos jogadores.

O jogador, bem orientado, pode obter a justiça do trabalho, a liberação do seu vínculo, como aconteceu com Oscar. Ele sai, joga aonde quiser, e o clube fica ali chupando o dedo. Depois de algum tempo, em segunda instância, se descobre que o jogador não tinha razão, e que ele precisa voltar, etc.

Para se ver livre de Jô, o Inter teria que indenizá-lo em mais de 5 milhões de reais, o que corresponde aos quase três anos que ele ainda tem de contrato.

Perguntinha inconveniente: quem é o responsável por um contrato tão longo com um jogador que dificilmente tem mercado na Europa?

Se conseguisse livrar-se do Jô, o Inter bancaria facilmente a manutenção de Sandro Silva.

Aí, o Inter aplica uma multa sobre o direito de imagem. Pelo menos é o que dizem, tenho minhas dúvidas sobre a veracidade disso.

Punir um jogador porque não ficou triste após a derrota para o Fluminense e saiu pra fazer festa? Ah, parece que havia uma ordem para ninguém deixar a concentração. Castigo?

Era uma ordem por escrito?, pode indagar um advogado do jogador.

Jajá teria sofrido a mesma multa.

Os dois agora treinam separadamente. Cuidado, o mesmo advogado pode alegar discriminação.

Não quero dar uma de Wianey Carlet no caso Oscar, praticando ilegalmente a advocacia, mas acredito que esse risco existe. Os jogadores hoje estão blindados, protegidos.

Isso talvez explique o cuidado do gerente Fernandão, hoje, ao falar sobre os dois jogadores ‘punidos’. Fernandão fez questão de frisar que Jô e Jajá treinariam em separado para aperfeiçoar a forma porque ‘estão parados há quase uma semana”. Uma clara tentativa de não caracterizar a tal discriminação.

Afora essas questões delicadas juridicamente, o Inter ainda precisa tratar Jô com, digamos, algum cuidado especial. Afinal, é jogador do mesmo empresário que facilitou a vinda de Oscar para o Beira-Rio.

A saída, portanto, é encontrar um clube para Jô, um clube que aceite pagar os quase 2oo mil reais mensais que o jogador recebe para jogar o que vem jogando e apresentar o que vem apresentando.

Ser dirigente de futebol tem suas vantagens, mas também tem seus problemas.

Facundo fora na reta final

O time do Grêmio já não me entusiasmava, ao contrário. Mas agora, com a lesão de Facundo Bertoglio, vejo que a situação ficou dramática.

Mais uma lesão muscular. De lesão muscular em lesão muscular o time vai se esfacelando e minhas esperanças virando pó.

Na verdade, o título da Copa do Brasil agora só virá por milagre.

A lesão de Facundo reafirma a minha tese: jogador ruim dificilmente se machuca, e quando se machuca volta logo, cheio de vontade e ruindade.

O argentino é o único meia atacante criativo, driblador e ousado que o Grêmio tem para escalar imediatamente. Gosto do Biteco, que talvez pudesse ser testado.

Sei que há quem não goste do Facundo, sei. Outros não vão entender essa importância que dou ao jogador. Mas não tenho dúvida de que a maioria dos torcedores está tão desalentada quanto eu neste momento.

Jogador para tocar a bola pro lado e trombar com zagueiros o Grêmio tem. Mas quem vai ousar o drible, a jogada em velocidade e deixar Marcelo Moreno em condições de concluir?

Mas, como disse o Luxemburgo há pouco, esse é o time que o Grêmio tem para ser campeão da Copa do Brasil.

Resta torcer por um empate com gols na Bahia, e deixar tudo com a torcida no Olímpico.

Alex e a 'não-festa' na Goethe

O Grêmio volta a investir em Alex, agora que terminou o campeonato turco. O Fenerbahçe perdeu o título no sábado no empate com o Galatasaray.

Foi o que coloquei no twitter ali pelas 19 horas. Muita repercussão. Alguns tuiteiros me perguntaram qual é a fonte. Ora, não posso revelar a fonte. Não atuo mais profissionalmente na imprensa, mas ainda sou jornalista.

Teve um gaiato que me provocou dizendo se ele chegaria com o Lugano, só porque tempos atrás postei que o Grêmio estava negociando para trazer o zagueiraço uruguaio. Não tenho culpa se os negócios não se concretizam.

Lembro que certa vez, repórter do Correio do Povo, publiquei que o Grêmio iria tentar a contratação de Edmundo. Foi logo após aquela tragédia no trânsito, que resultou em morte de pessoas inocentes.

Edmundo estava sem clima para continuar no Rio. Telefonei para o então presidente Fábio Koff para dar a ideia. Ele na mesma hora topou.

É claro que o CP deu a manchete, e a concorrência ficou alvoroçada. Foi no tempo em que dava muito furo, um atrás do outro, boa parte deles baseado apenas em intuição e dedução. Eu chamava a concorrência de peneira.

Koff tentou mesmo, mas não conseguiu. Edmundo foi jogar no futebol paulista.

Antes disso eu havia sugerido a contratação do Dener, em litígio com a Portuguesa na época, discussão sobre contrato. Eu conhecia um representante do Dener e ele me garantiu que o jogador aceitaria conversar.

Telefonei para o Koff – eu fazia setor do Grêmio sem sair da redação, um fenômeno -, que foi à luta e acabou contratando o Dener, um dos melhores atacantes que vi na vida. Era um jogador tipo o Neymar, de drible fácil, velocidade. Enfim, dava gosto ver jogar.

Hoje, aqui no Estado, não vejo ninguém que me motive a sair de casa e pagar ingresso. Aliás, nem de graça.

Alguns tuiteiros questionam por que Alex, se já tem Zé Roberto. Primeiro, qualidade nunca é demais. Além disso, os dois não são mais crianças.

Mas o principal é que eles podem e devem jogar juntos. O Zé Roberto pode jogar como articulador, mas ele é mais um volante/meia pela esquerda. Alex, sim, é um articulador de carteirinha, com registro na Associação Mundial dos Articuladores, que eu ajudei a fundar no meus tempos de guri.

A propósito, Marco Antônio teve seu pedido de registro negado pela AMA.

O fato é que o Grêmio precisa do Alex. Já imagino Fernando, Souza, Zé Roberto e Alex. Na frente, Moreno e Kleber.

Alguns colorados, nervosos com essa possibilidade, escreveram dizendo que o Grêmio está formando um time de velhos. Prefiro velhos de talento do que jovens enganadores.

GAUCHÃO E A GOETHE

O Inter conquistou merecidamente o título do Gauchão. Por enquanto, tem o melhor time do Estado. Se o Grêmio não tivesse perdido Mário Fernandes e Kleber talvez a história fosse diferente.

Mas foi merecido o título. O Caxias deu um susto nos colorados, mas eu não tinha dúvida de que no segundo tempo o Inter iria impor seu futebol e principalmente seu preparo físico, muito superior ao dos caxienses.

Destaque do jogo: Wangler, guri da base do Caxias. Jogou demais.

O Caxias fez como o Inter contra o Fluminense: perdeu com dignidade.

Acabei de passar pela Goethe. Fui levar minha mãe pra casa. Fui por ali pra conferir se haveria festa. A avenida estava quase deserta. Havia dois carros da BM e um grupo de 15 colorados. Nada mais.

Acho que os colorados perderam a única possibilidade de comemorar um título neste ano.

Brasileirão, com esse time, nem nos sonhos mais delirantes.

Jô e Jajá, os bois de piranha

A final do Gauchão é tão fria quanto a temperatura. O Caxias não tem a menor condição de fazer um enfrentamento capaz de proporcionar um pouco de emoção.

Mesmo jogando de salto alto, literalmente, o Inter ganha o jogo.

Duvido que a torcida colorada vá em grande número ao estádio. Os colorados mergulharam no abismo escuro da depressão profunda. Acreditaram que o Inter havia armado um grupo – considerado pela mídia vermelha o melhor do país – estava pronto e ajustado pela conquistar o tri da Libertadores.

Alguns colorados sequer lamentaram a ausência de D’Alessandro, porque acreditavam e Datolo como um substituto de alto nível. Pois Datolo fracassou nos dois jogos decisivos contra o Flu. Não tenho dúvida de que contra o Caxias fará pelo menos dois gols na goleada que irá acontecer.

Os colorados levavam também muita fé em outro reserva, o Jajá, que eu já defini como um Wolmir maçaroca sem a alegria dos dribles do velho ponta que defendeu o Grêmio nos anos 7o.

Agora, Jajá é afastado porque saiu para se divertir após o jogo no Rio. Ele e o Jô. Aqueles que querem punir apenas o centroavante, dizem que Jajá foi ‘arrastado’ pra noite, como se Jajá fosse um guri recém saído da base. Eles teriam saído e voltado ao hotel somente pela manhã.

Ora, após um jogo normalmente há uma folga. Se os outros jogadores estavam abatidos com a derrota, os reservas Jojô e Já, digo, Já e Jojô, parece dupla de pagodeiro, sairam pra festejar. Ninguém pode acusá-los de falta de profissionalismo.

A não ser que a direção, como castigo, tenha decidido punir com clausura todo o grupo. O que seria um absurdo. Nos velhos tempos, acompanhei Grêmio e Inter em viagens e era normal o pessoal mais animado sair à noite, beber, caçar. É lógico que eu também não ia dormir.

Então, desconfio que a dupla de pagodeiros tenha aprontado algo mais grave.

Ou apenas estão sendo usados como boi de piranha, pra mudar o foco do desastre do ano que foi a eliminação da Libertadores, prioridade das prioridade de Luigi e seus companheiros.

A verdade irá vazar.

Mas de uma coisa não tenho dúvida: Jô será punido severamente, até por reincidência e não ser do agrado dos torcedores, diferente do Jajá. Agora, duvido que ocorra dispensa. Como justificar uma demissão pelo fato de o jogador sair após um jogo. Pior, muito pior, foi não ter viajado com a delegação naquela outra vez.

Enquanto isso, o Grêmio se prepara para enfrentar o Bahia. Só vejo chance de passar se o Bahia ficar muito desgastado no jogo contra o Vitória, e, além disso perder uns dois ou três titulares, em especial o Souza, que costuma fazer gol no Grêmio.

Não que o Bahia tenha um time de qualidade, mas porque o Grêmio é inconfiável.

Não me preocupo com Julinho Camargo nem com Falcão. Os dois farão de tudo para vencer o Grêmio. Mas os dois juntos não dá um Luxemburgo.

Inter caiu com dignidade

O sabor amargo de uma derrota se torna ainda mais insuportável quando se fica com aquela sensação de que a classificação estava ali, tão próxima, tão ao alcance.

Imagino que é mais ou menos isso que estejam sentindo os colorados depois da derrota por 2 a 1 para o Fluminense.

O Inter foi superior, mostrou que tem mais time, mesmo sem contar com seu maior destaque individual, o D’Alessandro.

O Fluminense marcou dois gols de bola parada, ambos muito parecidos, quase idênticos, mostrando que a marcação da zaga falhou.

Fez pouco o Fluminense. O Inter não fez muito mais, mas foi superior. Meteu pressão e o gol não aconteceu por detalhe. A bola passou inúmeras vezes cruzando a área do time carioca pedindo por um pé vermelho.

Com o fracasso na Libertadores, o Inter desce à planície.

Posso antever o que dirão os colorados da imprensa. Não faltarão críticas a Dorival Jr por não começar dois dois atacantes. Vão reclamar a ausência de Dagoberto desde o início – nenhum deles cobrou isso antes do jogo. Vão questionar por que D”Alessandro, que treinou bem ontem, sequer viajou para ficar no banco. Enfim, aquele clima de terra arrasada. Um dia excelente para ouvir os programas de rádio. Muita choradeira.

O fato é que o Inter foi digno. Perdeu porque é do futebol.

Tem agora o Gauchão para conquistar. Desconfio que é o único título que irá comemorar neste ano. Damião será vendido e talvez mais um ou outro. A direção apostou todas as fichas na Libertadores. Agora vem a conta. A banca paga e recebe.

Acho que o Dorival vai dançar.

Já o Grêmio sabe que terá pela frente o Bahia de Falcão. Vai decidir em casa, o que é bom.

Mas terá de jogar muito mais do que vem jogando se quiser se classificar à semifinal da Copa do Brasil.

O Bahia não é lá essas coisas, mas tem um jogador que vira craque quando enfrenta o Grêmio, o centroavante Souza. Torci pela Portuguesa. Se o Marco Antônio era craque lá, o que sobra para o resto do time?

O Inter perdeu seu grande objetivo na temporada. O Grêmio ainda sonha com a Copa do Brasil, mas tenho a impressão de que vai ficar nisso, um sonho.