Grêmio encaminha classificação na CB

O sempre criticado Roger Machado escapou de linchamento. Ousou escalar três volantes, sendo que um deles foi outra ‘geni’ do time, o PGV (Pequeno Grande Volante) Ramiro.

Sem contar que, desprezando o bom senso e desafiando os astros, manteve Douglas no time em jogo fora de casa, onde decididamente ele não joga bem.

Pois não é que deu certo? O Grêmio fez uma de suas melhores atuações fora da Arena neste ano.

Se a proposta de Roger desse errado, as críticas cairiam como avalanche em sua cabeça.

Mas Roger, felizmente, acertou a mão. 

No primeiro tempo, só deu Grêmio. Algo que nem o gremista mais fanático acreditou que pudesse acontecer na piso sintético do Atlético Paranaense.

O gol da vitória foi o que se pode definir como o feitiço virou contra o feiticeiro.

O piso foi molhado por algum motivo, talvez para a bola correr ainda mais. O fato é que um escorregão de um atleticano no meio do campo proporcionou o contra-ataque, a bola escorregada de calcanhar por Douglas para Bolanos, que chutou cruzado na saída do goleiro.

Foi a única ‘metida’ de Douglas no jogo.

No segundo tempo, o Atlético voltou melhor, chegou a assustar até os 15 minutos. Depois, o Grêmio foi acumulando situações de gol.

Bolanos, Luan e Éverton entraram livres na área em lances de contra-ataque. Sem exagero, o Grêmio poderia ter goleado o Atlético Paranaense com o esquema com três volantes.

Aliás, antes do jogo sugeri esse esquema, mas com Maicon e não Ramiro. Ah, e sem Douglas. Mas o veterano meia parece mesmo ser ‘imexível’. 

O que importa é que o Grêmio encaminhou sua classificação na Copa do Brasil.

Domingo, contra o Atlético Mineiro espera-se que consiga fazer duas belas atuações consecutivas – coisa rara ultimamente – e vença o jogo para seguir na ponta de cima e com chances reais de título.

ATUAÇÕES

De um modo geral, todos jogaram bem. 

Kannemann foi discreto e eficiente em sua estreia.

Bolanos fez o gol, mas a meu ver precisa jogar mais e se comprometer mais com o jogo.

Wallace foi o grande nome do jogo. Soberbo.

Jogo para ‘poupar’ o maestro Douglas

O técnico Roger Machado fez treino secreto pensando no Atlético Paranaense. O adversário, dirigido pelo Paulo Autuori, fez o mesmo.

Uma tentativa de esconder aquilo que todos conhecem. Difícil ocorrer uma surpresa de qualquer lado.

Se Roger fosse mais ousado, sacaria Douglas do time. Já escrevi aqui que existem dois Douglas: o leão que se agiganta na Arena em especial contra adversários de grande porte, e o gatinho ron-ron que se enrola no novelo lã em jogos fora de casa.

É fato que o Grêmio cai de rendimento fora de casa. Se Douglas é o responsável maior por isso, há controvérsias, mas eu defendo essa hipótese.

Isso talvez aconteça até em função da idade de Douglas – Roger já admitiu várias vezes que armou um esquema especial para seu veterano e nada atlético meia.

Diante desse raciocínio, eu sacaria Douglas em todos os jogos fora de casa. Talvez com alguma exceção. E começaria pelo jogo desta quarta-feira, 19h30, contra o Atlético.

SErá um confronto duro, áspero. Na última vez que os dois se encontraram na Copa do Brasil o Grêmio foi inoperante ofensivamente e acabou eliminado sem fazer um golzinho sequer.

Bem, o que fazer? Primeiro, sacar Douglas. Segundo, dar sua camisa e suas funções a Luan. Simples.

Outra coisa que eu faria: Jailson na função de meia (sua origem), com Wallace e Maicon como volantes. Jailson jogando pelo lado direito, fazendo o corredor como dizem agora os doutos do futebol. No outro lado, Éverton. Na frente, Miller Bolanos.

Mas eu não sou treinador do Grêmio – infelizmente para o clube.

É claro que Roger não irá sacar seu guru, seu maestro, seu tutor, seu tudo.

Independente de quem jogue, é fundamental entrar em campo determinado a vencer, sem cogitar sequer do ‘pontinho fora’, praga difundida e enraizada na região abaixo do Mampituba.

Se a vitória não for possível – o adversário está bem, joga em seu piso sintético e ainda por cima tem um juiz que não dá ‘sorte’ ao Grêmio. Em 19 jogos com o sr Ricardo Ribeiro, o Grêmio venceu apenas DOIS jogos.

Apesar de tudo, e do retrospecto desestimulante em jogos fora de casa no Brasileirão (DEZ PONTOS EM TRINTA), eu acredito que o time reúne condições de voltar de Curitiba com vitória. Chances que aumentam se Douglas estiver fora.

Derrota previsível diante do histórico tricolor

Ao contrário da imensa maioria dos gremistas, considero a derrota diante do Flamengo um resultado natural, que não foge ao histórico do time neste Brasileirão.

Todos sabem, e não cansam de repetir, que o Grêmio fora de casa é fraco, uma caricatura do time poderoso que normalmente amassa seus adversários na Arena – com exceções absurdas como o empate com o Santa Cruz.

Em casa, o Grêmio de Roger Machado é um leão. Fora, um gatinho dócil, de unhas devidamente aparadas.

Então, todos os gremistas sabem disso, mas, torcedor é assim, sempre acredita que ‘desta vez mais ser diferente’. Não foi. o Grêmio cometeu um primeiro decepcionante. Não fosse Marcelo Grohe (alguém sabe me dizer se ele treina chutes com a bola rolando?), o Flamengo teria terminado com uma vitória mais larga.

Portanto, a derrota não me surpreendeu. Até porque o time já sai de Porto Alegre determinado a buscar o tal pontinho fora, o que acaba determinando uma certa acomodação. Não, o Grêmio, fora ou dentro de casa, deve sempre jogar pela vitória, e deixar isso muito claro em todas as entrevistas, do porteiro ao presidente.

É claro que eu me postei diante da TV, tomando chimarrão, sonhando com uma vitória. No final, depois que Henrique Almeida marcou o gol gremista, passei a considerar o ponto fora um bom resultado dentro das circunstâncias desalentadoras.

Os desfalques contribuíram para a atuação e resultado ruins. Não tenho dúvida de que com Luan, Wallace e Edilson o Grêmio venceria, porque esse Flamengo é fraco. Mostrou isso quando o Grêmio assumiu uma postura mais agressiva no segundo tempo.

Leio e ouço muita gente dizendo que o Grêmio está alijado da disputa do título. É difícil, mas é difícil para todos os que estão na ponta de cima já há várias rodadas. Todos com credencial para brigar pelo título até a última rodada.

O Palmeiras segue na ponta, mas a apenas quatro pontos do Grêmio, que, como todos sabem e parecem esquecer, está com um jogo a menos.

Bem, é fora de casa, contra o Botafogo, e esse é um risco. Espero que até lá o time incorpore a ideia de que pontinho fora não leva ao título.

Por fim, lamentar outra atuação frustrante do Miller Bolanos. A impressão que dá é que ele joga contrariado, sem ânimo, sem disposição.

Outra coisa, espero que Roger abandone de vez o Wallace Oliveira, que voltou a jogar mal.

Espero também que Luan e Wallace voltem com grande disposição para vestir a camisa tricolor depois dessa exitosa passagem pela seleção brasileira.

Se isso acontecer, o título brasileiro pode deixar de ser um sonho e se materializar.

OURO

Foi só depois que a dupla gremista, Wallace e Luan, entrou no time que a seleção brasileira passou a jogar um futebol realmente competitivo.

Os dois deram equilíbrio ao time, o que compensou o excesso de individualismo dos atacantes.

O time que só jogava para Neymar e a correria dos Gabriel, passou a jogar também com Luan, uma espécie de maestro nas jogadas de ataque.

Brasil é ouro no futebol, um título inédito que passou pelos pés de Luan e Wallace.

Ah, e pela sabedoria de Tite, que fez uma visitinha à seleção depois dos dois empates iniciais.

 

Não tenho dúvida de que a escalação da dupla gremista passou por Tite.

REBAIXAMENTO

O Inter não vai ser rebaixado. O time está há treze rodadas sem vencer. Perdeu a maioria dos jogos nesse período. E continua fora da zona de rebaixamento.

Tem muito time ruim se esforçando pra cair. O Inter está entre eles, mas tem potencial maior para escapar.

Ou não.

O desafio de sempre manter alto desempenho

Depois do eletrizante espetáculo deste domingo, na Arena lotada e frenética, ficou a certeza de que o Grêmio ‘só’ precisa manter maior regularidade de performances de alto desempenho nos jogos para assumir o posto não apenas de candidato – que já é, apesar de algumas atuações frustrantes -, mas de favorito ao título do Brasileirão/2016.

Não é fácil, mas se não puder repetir as atuações de nível superior que teve contra São Paulo, na 16ª rodada, que ao menos não tenha os desempenhos constrangedores – para não dizer brochantes porque este é um ambiente familiar – apresentados contra América Mineiro e Santa Cruz, os dois mais fortes candidatos ao rebaixamento.

Ninguém espera que os jogadores do Grêmio repitam contra equipes menores o entusiasmo e a gana seguidamente vistos nos grandes confrontos, mesmo naqueles em que o time não saiu vitorioso.

É da natureza humana crescer diante de grandes desafios.

Com certeza o comando gremista – dirigentes e comissão técnica – está atento a isso e tomando as providências necessárias para que o time jogue contra o Coritiba – integrante da turma de baixo – com a mesma vontade com que irá encarar o Flamengo e o Atlético Mineiro nas duas próximas rodadas.

Que enfrente o Coritiba como se fosse o Corinthians, porque os pontos em disputa são os mesmos.

DIA DOS PAIS

Antes tarde do que nunca: feliz Dia dos Pais a todos que usufruem da dádiva de terem colocado filhos neste mundo. Para os pais gremistas, de novo um dia especial porque nesta mesma data o Grêmio aplicava outra goleada: 5 a o no coirmão. 

DOUGLAS

Pode ser coincidência, mas o fato é que o Grêmio cresce muito quando Douglas joga bem. E o veterano meia deu um show de técnica, aplicação tática e gana de vencer. Escrevi dias atrás que existem dois Douglas, aquele de América e Santa Cruz, e o Douglas brilhante que marcou o gol da vitória sobre o São Paulo e que neste domingo iluminado foi maestro, solista e carregador de piano. 

Sem querer chocar os preconceituosos de plantão, este Douglas me serve e de mim só merece aplauso.

GEROMEL

O Grêmio mereceu a vitória nessa briga de cachorro grande.

Mas não fosse Geromel o time paulista teria marcado ao menos um gol. Pode-se dizer o mesmo para Grohe, que fez duas defesas sensacionais, e até Marcelo Oliveira, que evitou o gol paulista quase no final. Do outro lado, Cássio também foi muito exigido.

O grande problema é que Tite estava na Arena. E viu o gigante na zaga tricolor ao lado do sempre firme e seguro Wallace Reis.

Temo pela convocação de Geromel.

Outro que deve ser chamado para a seleção principal é Luan, que anda arrebentando nas Olimpíadas do Rio.

Aí fica difícil pensar em título.

PEDRO ROCHA

Ninguém jogou mal no time gremista. Ninguém. Todos tiveram atuação no mínimo acima da média.

Maicon e Jailson foram ‘apenas’ espetaculares. Na frente, Pedro Rocha, que vinha de atuações ruins, desabrochou. Fez um golaço, ganhou confiança e agora só tende a evoluir. Éverton voltou muito bem, inclusive com um gol.

Dos trio ofensivo, o que menos me agradou foi Miller Bolanos, que também deixou sua marca, o que pode contribuir para que melhore seu desempenho. 

 

Crise colorada e os bombeiros da mídia

É comovente o esforço do lado vermelho da crônica esportiva AM (Abaixo do Mampituba) para amenizar os efeitos da crise instalada no clube já faz algum tempo e que não parece com jeito de ceder.

Tem um colunista, entusiasmado com o mutirão liderado por FC, que decretou: o Inter não cai mais.

É o tipo de afirmação perigosa, como aquela Taison x Messi.

São os bombeiros tentando apagar o fogo.

A volta de Celso ‘fecha casinha’ Roth deixou muita gente entusiasmada. Tem gente que critica, mas que no fundo, nem tão no fundo assim, adora uma retranca. Faz parte da cultura do nosso futebol.

A cultura dos três zagueiros, dos três volantes, do bico pro alto, da ligação direta, do calção embarrado e do sangue escorrendo na testa.

A cultura do centroavante durão, grande e espadaúdo, que não distingue uma bola de uma moranga. Ah, a cultura do volantão, o cabeça-de-área.

Eu já fui assim, mas fui me reciclando.

Celso Roth é um remanescente dessa época não tão distante. Talvez por considerar que o futebol não mudou dos anos 90 até hoje é que ele não tenha conseguido sucesso nos últimos anos. Desde o fiasco com o Mazembe que Roth vive uma espécie de inferno astral, mas um inferno sempre muito bem remunerado. Sorte dele.

Voltando à crise colorada.

A Justiça determinou que o presidente não antecipe receitas de um período que ultrapasse o da sua gestão, que termina em dezembro.

Ele havia sentado em cima da reforma do estatuto, aprovada faz algum tempo, mas agora ele, o estatuto está valendo.

Crise pouca é bobagem.

Confira: http://gaucha.clicrbs.com.br/rs/noticia-aberta/inter-justica-proibe-piffero-de-antecipar-receitas-do-clube-174059.html

DUELO DE IDEIAS

Eu abri esse boteco para expor minhas ideias sobre futebol, focando principalmente no Grêmio.

Uma espécie de terapia para alguém que ficou tantos anos trabalhando na crônica esportiva, onde eu, por dever de ofício, não poderia fazer o que faço aqui: escrever sem preocupação de manter a isenção clubística, a imparcialidade.

Aqui, eu sou um gremista escrevendo apenas quando quero, quando tenho vontade.

Então, esse boteco é um refúgio. É minha trincheira, compartilhada por muita gente.

A maioria não conheço pessoalmente, mas que já considero pessoas amigas.

Eu nem sempre concordo com o que leio. Sei que muitas vezes os botequeiros não concordam comigo.

Eles também muitas vezes não concordam entre si.

Aí, surge o saudável duelo de ideias.

Por vezes, os ânimos ficam mais exaltados e aparecem algumas ofensas, agressões verbais que em nada contribuem.

O agravante é que esse clima mais tenso acontece entre gremistas.

Todos querem o melhor para o clube, mas cada um a seu jeito.

Espero que os debates continuem, acirrados ou não, mas sempre com educação e respeito.

É o que desejo, é o que espero.