Contratações preocupantes e o xeque mate

Acompanho com preocupação os movimentos do Grêmio no tabuleiro das contratações. 

Por enquanto, não vislumbro nenhum xeque mate.

É só movimentação com os peões. 

Não fossem o título da Copa do Brasil e o rebaixamento colorado as redes sociais tricolores estariam fervilhando.

Os nomes até agora anunciados e/ou especulados são desanimadores.

Mas reclamar agora tendo um ano inteiro para acompanhar a agonia, o calvário, vermelho?

Então, ficamos todos nós, assim, anestesiados, contemplativos.

Pois eu acho que é hora de pensar grande, avançar os cavalos, os bispos, as torres e soltar a rainha.

Sei que há severas restrições orçamentárias. O que impede grandes investidas, como um Éverton Ribeiro para o meio de campo.

Sei que é preciso contratar em nível de grupo, investir em apostas baratas.

Mas não consigo entender essa insistência em contratar atacantes estrangeiros de escassos gols e altas pedidas salariais.

O Grêmio quer porque quer gastar (sim, não é investir) em jogadores de currículos discretos, mas de fala espanhola. 

Poderia fazer uma lista maior do que a relação dos envolvidos na Lava Jato só com nomes de ‘gardelons’ que fracassaram por aqui, alguns até com bagagem superior a dos jogadores que estão sendo veiculados. 

Não tenho dúvida que os deuses do futebol estão protegendo o clube dos ‘el toros’ da vida.

Agora, surge o nome de outro jogador sem maior expressão, que nada acrescenta aos atacantes atuais.

Angelo Rodriguez, do Tolima. A lista de clubes que ele defendeu é assustadora. Seu passe custa 1,2 milhão de dólares.

O negócio emperrou porque o empresário do negócio quer dez por cento de comissão. O Grêmio quer pagar bem menos.

Espero que ele não ceda. Virei secador de contratações.

E vou continuar assim até que o presidente Romildo Bolzan solte a rainha no tabuleiro e busque jogadores que realmente possam dar a resposta que o time precisa e a torcida espera para o derradeiro xeque mate: o título da Libertadores.

Dirigentes novatos da dupla começam bem

Tem coisas que só acontecem aqui nessa região Abaixo do Mampituba.

Por exemplo, tem gente criticando o Grêmio nesse caso envolvendo a ‘devolução’ de Gabriel Fernández, um aipim de origem uruguaia.

Aliás, como o Grêmio gosta de atacante ‘gardelón’.

Na real, o clube teve até mais sorte que juízo. 

Mas o que importa aqui é a forma como o Grêmio conduziu esse processo. Li e ouvi um pessoal criticando a direção por não ter apurado melhor as condições clínicas do jogador antes de acertar sua vinda a Porto Alegre.

Ora, as informações básicas já eram de conhecimento do departamento médico. Faltava um exame mais detalhado, que só poderia ser feito aqui. 

Aí, foi constatado que o caso era mais grave do que parecia ou era apregoado pela outra parte do negócio.

Por uma questão de sigilo profissional, os médicos do Grêmio não podem de maneira alguma dizer qual o problema que realmente inviabilizou a contratação de Fernandez. Tampouco o clube pode se manifestar a respeito.

Tem jornalista experiente que classificou a ação como um ‘mico’ do Grêmio, o que me parece uma tentativa nojenta de atingir o vice de futebol Odorico Roman.

É muita vontade de criticar, fazer onda.

Pois Odorico, anteriormente um blogueiro ativo, agiu certo. Da mesma forma em relação ao Kayke.

Resta agora focar na busca de reforços que realmente acrescentem para a dura campanha da Libertadores.

WILLIAM

Outro novato na função, Roberto Melo, vice de futebol colorado, deu uma lição de como se trata jogador metido à besta.

O antes festejado e protegido (da imprensa) William caiu em desgraça perante os colorados ao anunciar que tem o sonho de jogar na Europa.

Bah, se eu fosse falar dos sonhos que tive e que o tempo levou…

O fato é que o ‘cotovelo de ouro’ não quer renovar com o Inter.

Em resposta, Melo disse que pode obrigar o jogador a cumprir seu contrato até o final, mais um ano e quatro meses.

Achei exemplar a decisão.

Os jogadores de futebol ganham muito dinheiro, são tratados com o bibelôs, mas poucos são os que reconhecem o que os clubes fizeram por eles.

A maioria acaba virando o cocho, como porcos imundos – com todo o respeito que os porcos merecem.

São muitos os casos da trairagem, nem vale a pena lembrar.

Mas tudo isso para dizer que gostei dessa atitude de Roberto Melo. Está começando bem, assim como Roman.

 

Léo Moura une o Rio Grande

Não é só o chimarrão, o churrasco e o aipim (frito ou cozido com molho) que são unanimidade (ou quase) no Rio Grande.

O carioca Léo Moura está conseguindo essa proeza. Ao menos nas redes sociais e na crônica esportiva.

Poucos são os que aparecem para defender Léo Moura no Grêmio. Ainda assim sempre com ressalvas. “Até pode ser, mas depende do custo do contrato”, dizem uns poucos. A maioria repudia a contratação.

O curioso é que os mais resistentes são cronistas esportivos de cor vermelha.

No começo, o argumento principal era a idade. “Ah, mas é muito velho”. Aí, aos poucos esse pessoal foi se dando conta que a barreira dos 30 anos foi superada há muito tempo.

João Severiano, o Joãzinho da consagrada dupla com Alcindo, parou de jogar aos 30/31 anos. Hoje, tem gente que aos 30 está no auge da carreira, transbordando energia, vitalidade.

Atleta que se cuida e é magro como Zé Roberto e Léo Moura tem mais chance de alcançar os 40 de idade jogando futebol.

Léo Moura tem 38 anos. Mas em campo parece um guri, como Zé Roberto. 

Interessante também que os mesmos jornalistas que discursam contra o lateral do Santa Cruz (ele foi muito bem lá, jogou quase todos os jogos e fez partidas excelentes porque além de tudo tem muita técnica) não foram tão enfáticos para rechaçar o Ceará. Isso que para trazer Ceará, 36 anos, o Inter teve de pagar (ou pendurou) cerca de 1 milhão de reais ao Coritiba pela liberação do passe.

Léo Moura viria apenas pelo salário, que é bem adequado segundo soube.

Então, na relação custo/benefício, sou a favor de Léo Moura, até para não deixar Edílson pensando que é o rei da cocada preta. 

Bem, eu sou suspeito, porque sempre fui admirador do Léo Moura. No Cartola passado, escolhi Léo Moura muitas vezes como lateral-direito do meu time. E ele nunca me decepcionou, pelo contrário.

É um jogador que sempre quis ver no Grêmio. Outro caso de ‘amor’ é o Paulo Baier, que encerrou a carreira no ano passado, aos 41 anos.

Jogador de nível técnico superior tem todas as condições de superar os 35 anos jogando futebol em clube de ponta.

Vejam o caso de Douglas. Mesmo com aquela barriguinha de cerveja, que ele nem disfarça e que até foi motivo de muitas brincadeiras de gremistas depois do título – seria muuuuito diferente em caso de novo fracasso – terminou o alto em alto nível, apesar de seus 34 anos (35 em fevereiro).

A propósito, renovar com Douglas por dois anos seria uma demasia. Um ano está de bom tamanho.

Reforços do Grêmio e a República do Aipim

Renato Portaluppi e Valdir Espinosa. Eu respeito essa dupla. Respeito mesmo. 

São dois gremistas, dois profissionais vencedores. 

Então, se eles indicam/aprovam Kayke, em princípio eu apoio, tento entender. É mais um jogador de trajetória opaca que o Grêmio tenta recuperar para o futebol mundial. A tendência é que se trata de uma aposta furada, mas no futebol tudo é possível, ou quase tudo (vou morrer sem entender a contratação de Vitinho, que Roger ainda colocou a jogar). Então, quem sabe Kayke mostra ao mundo um talento até hoje oculto?

Se Renato e Espinosa aprovam, quem sou eu pra questionar? 

Agora, mais difícil de engolir é esse novo Loco Abreu, o Gabriel Fernandez, que o Grêmio tanto se esforça para contratar.

Quando alguém (acho que foi um jornalista uruguaio) comparou esse jovem atacante do Racing ao Loco Abreu logo me veio à memória aquele lance em que o uruguaio, um dos piores centroavantes com griffe que vi jogar, enterrou o dedão direito no chão ao cobrar um pênalti no Olímpico. Outro Loco Abreu é demais pra mim que sobrevivi aos anos de chumbo para os gremistas (a década de 70), e à tardia internacionalização do Internacional.

Pode dar certo? Pode, claro. Assim como eu posso ganhar uma megasena a qualquer momento. 

Vou repetir o tenho escrito aqui e nos tempos do Correio do Povo: uruguaio (ou argentino) jovem e talentoso vai pra Europa, não fica aqui para o terceiro mundo usufruir. Se ele fosse bom de verdade estaria no futebol europeu, ou chinês, ucraniano, etc.

Os exemplos estão aí, alguns ainda aqui muito próximos.

A vinda de Raul Rodriguez reafirma que aqui vivemos a ‘cultura do aipim’. Já fui um fã do atacante aipim (em SC eles dizem cone), mas pelo tipo de jogo que o Grêmio pratica não há lugar para um centroavante de carteirinha.

Estamos perto de reviver a situação provocada por Bobô, que levou o técnico Roger a se perder.

Até recentemente eu ainda aceitava um aipim para entrar faltando 10 minutos. Hoje, não mais.

Se um jogador não serve pra começar um jogo, menos ainda para resolver um jogo em poucos minutos, ainda mais se o time não está vocacionado a explorar as ‘virtudes’ comuns aos aipins, essa espécie em extinção no planeta.

Menos aqui na República do Aipim.

EM TEMPO

Kayke não vem mais. Empresário não cumpriu o acertado anteriormente e o Grêmio o mandou em frente.

Parabéns. 

Ações para mitigar a dor do rebaixamento

É comovente o esforço da imprensa gaúcha, em geral, para amenizar o sofrimento dos colorados. O golpe de cair para a segundona foi duro, ainda mais para quem se acreditava acima do bem e do mal, que contava com proteção divina para nunca cair e que ‘esse negócio de segunda divisão’ é coisa de gremista.

Conheço alguns colorados que não se conformam. Estão revoltados. Outros parecem zumbis. Olhar fixo no nada. 

A realidade tem essa mania de transformar sonhos no mais terrível dos pesadelos. Faz parte.

Então, a imprensa, ou boa parte dela, aquela que o cornetadorw rotulou de IVI, passa o dia se esforçando para transmitir boas notícias aos sofridos torcedores do Inter, peixe graúdo no mar de lambaris da segundona.

Quando o Inter contrata um obscuro – gosto desse adjetivo, o mesmo que usei para definir Amato quando o Grêmio nele se interessou pela primeira vez, o que acabou irritando profundamente um dirigente tricolor – zagueiro do Santa Cruz não há nenhum questionamento. Pelo contrário, sobram elogios, discretos e alguns até constrangidos.

Até aí é aceitável dentro desse quadro de dor e de perspectivas sombrias. O problema é o exagero. Houve quem comparasse esse zagueiro, o Neris, ao Gamarra. Incrível. Primeiro, é uma carga enorme sobre esse jovem; segundo, é o tipo de coisa que acaba arranhando a credibilidade de quem faz a comparação.  

Já o atacante Kayke não teve a mesma sorte. Sua trajetória modesta foi destacada, em especial seus poucos gols e outros detalhes negativos.

Quer dizer, não basta enaltecer quem vem para o Inter, é preciso diminuir quem pode vir para o Grêmio. Ainda não entrevistaram o pai do Kayke. Fica a dica.

Nessa proposta de abraçar e de acolher o Inter, há exagero de tudo que é tipo. Uma empresa asiática, que teria fechado parceria de 200 milhões de reais com o Flamengo, estaria disposta a investir  no Inter. Duvido que isso aconteça. Mas fica a mensagem positiva aos colorados, que é a seguinte: mesmo na série B o clube continua grande, atraindo investidores poderosos.

Paralelamente a esse processo de mitigar o sofrimento colorado, é inegável a disposição de buscar aspectos negativos no Grêmio.

E é isso que eu não acho correto. 

CORNETA

Quem quer mais detalhes sobre tudo isso basta acessar o blog cornetadorw, que diariamente publica farto material sobre o assunto.