Grêmio supera clima tenso e soma 3 pontos

Para um grupo de jogadores que entrou em campo marcado a ferro e fogo como representante do ‘clube mais racista do Brasil’, como rotulou de forma irresponsável a revista Placar, a vitória sobre o Bahia por um chorado 1 a 0, representa uma goleada.

Ainda mais se considerarmos o futebol ruim do time durante quase todo o tempo, consequência talvez do clima pesado criado nos últimos dias. Não faltou sequer a turma do ‘quanto pior, melhor’ para provocar com cantos ofensivos. Se fossem colorados, não fariam melhor para prejudicar ainda mais o Grêmio.

O curioso é que o Grêmio bateu o Bahia, clube do Estado em que há mais negros, embora nunca tenha sido governado por um negro.

Já o Rio Grande do Sul, estado dos alemães e dos gringos, elegeu um negro para governador, um negro, ora vejam só!, gremista, o Alceu Collares, que antes ainda foi prefeito da capital gaúcha. Quer dizer, o clube ‘racista’ deu um governador negro para o RS, um dos primeiros, ou o primeiro, do Brasil.

Relevante, ainda, é o fato de que a vitória gremista foi sobre o Bahia, que há poucos dias aplicou 2 a 0 no Inter em pleno Beira-Rio.

O importante é que o Grêmio num momento de muita tensão. Como lembrou o zagueiro Rodolpho, o Grêmio foi muito bem tecnicamente contra o Santos, mas perdeu. Contra o Bahia, foi mal, mas venceu. E no futebol o que interessa é vencer, somar os pontos para crescer na tabela de classificação.

Quem, como eu, assistiu também a Inter 1 x 0 Palmeiras, jogo cometido sábado em SP, o fim de semana em termos de espetáculo futebolístico foi de lascar.

Mas assim como o Grêmio o Inter venceu e segue na ponta de cima da tabela, zona da qual o Grêmio se aproxima. Aos trancos e barrancos, mas se aproxima.

Vamos ver o que os doutos da justiça desportiva vão fazer para impedir esse avanço.

Em relação ao deplorável episódio de racismo, o Grêmio fez o que tinha de fazer. De resto, não existe como controlar 30 mil pessoas torcendo enlouquecidamente num estádio de futebol.

Cabe punir aqueles que cometeram os atos racistas.

O Grêmio, se querem saber, já foi por demais punido só por ter seu nome ligado a esse tipo de situação. Mas deve seguir atuando forte contra vândalos e racistas.

ATUAÇÃO

Esse lateral Matias precisa mostrar mais para substituir Pará. Mesmo com poucas partidas, tem 3 cartões amarelos. A zaga melhorou. Zé Roberto foi um dos poucos que escapou da mediocridade técnica que foi o jogo.

No meio de campo, Ramiro incansável na proteção e no combate. Giuliano foi mal no primeiro tempo, melhorou no segundo. Foi dele a jogada do gol. Alán Ruiz continua devendo, embora tenha lances de bom jogador. Matheus Biteco entrou muito bem no jogo e acredito que será mantido.

Na frente, Barcos  foi o se de sempre, mas estava atento no lance em que Dudu tocou a bola para marcar o gol. Se Barcos não aparece talvez o goleiro se recuperasse.

Portanto, mais 3 pontos na conta de Barcos.

Juca Kfouri dá exemplo de isenção e ética

Transcrevo texto de Juca Kfouri publicado no blogdojuca.uol.com.br. Nada tenho a acrescentar:

‘O Grêmio está fazendo o que se espera de qualquer clube decente: identificou, comunicou as identificações à polícia e já puniu os que pode punir, por serem sócios da agremiação.

Mais que isso não pode fazer.

Como não pode ser responsabilizado pelos insultos de cinco cretinos numa plateia com mais de 30 mil pessoas.

Uma coisa é você punir um clube por falha na segurança de seu estádio.

Outra é punir pelo que dizem os frequentadores nos estádios.

Daqui a pouco o STJD vai querer que os clubes botem esparadrapo na boca dos torcedores.

Até porque, se a moda pega, daqui a pouco cinco imbecis torcedores do clube A vestem a camisa do clube B e agem para que este venha a ser punido.

O essencial é identificar os criminosos e puni-los.

O episódio de ontem é suficientemente deprimente para que ninguém queira surfar na sua onda.

Patrícia e seus blue caps já apareceram o bastante para a devida execração pública.’

Grêmio imita o Inter

Grêmio imita o Inter

O Grêmio imita o Inter, que foi eliminado da Copa do Brasil em casa. A diferença é a qualidade dos adversários. O Santos é muito superior ao Ceará.

Sei que muita gente vai continuar acreditando, porque torcedor acredita sempre, até o último segundo.

Mas é missão quase impossível jogar na Vila Belmiro, onde o Grêmio normalmente se dá mal, e obter a classificação.

Decididamente, os deuses do futebol abandonaram o Grêmio.

O Santos era completamente dominado, o Grêmio criava situações de gol, sufocava o adversário, mas não conseguia fazer o gol.

Quem não faz leva, regra inabalável do futebol, voltou a prevalecer.

Numa cobrança de escanteio, o Santos fez 1 a 0 , com Davi Braz dando um ‘peixinho’ na marca do pênalti, sozinho, isolado. Atrás dele aquele que deveria acompanhar o zagueiro: o Werley, que assistiu de perto o gol.

Depois, num contra-ataque puxado por Lucas Lima, que dominou a bola com o braço ao dar a arrancada de seu campo, Robinho fez 2 a 0, com a bola desviando em… Werley.

Os deuses do futebol abandonaram o Grêmio.

Contra o Cruzeiro, no Mineirão, foi parecido. Grêmio jogando como nunca e perdendo como sempre.

De positivo, fica o fato de que o time está evoluindo. Está jogando melhor.

Falta acertar a pontaria e falhar menos atrás.

Falta cobrar um escanteio que resulte em gol, o que não acontece faz meses; idem em relação às cobranças de falta.

Será que ninguém treina esses fundamentos?

Resta fazer como o Inter, dedicar-se ao Brasileirão.

Por onde anda o técnico Lisca?

O Inter está obcecado em conquistar o Campeonato Brasileiro. Afinal, são 35 anos de jejum.

Só essa ideia fixa pelo tetra nacional pode explicar o silêncio da direção colorada diante da postura do técnico Abel Braga, que já deixou muito claro que tanto a Copa do Brasil como a Sul-Americana são estorvos, só atrapalham a corrida pelo título do brasileirão.

Ele chegou a comentar que só foi campeão brasileiro com o Fluminense porque, como faz agora, deixou em segundo plano outras competições.

O foco foi sempre o Brasileirão, e ele chegou lá.

Agora, repete a estratégia no Inter, imagino que com a benção da diretoria. Se for um ato de rebeldia, Abel está pela bola 7.

São dois vexames seguidos. Duas derrotas em casa para equipes inexpressivas. O Bahia, que bateu o Inter por 2 a 0 em pleno Beira-Rio, também estava com muitos reservas.

Devo concluir que o grupo dos baianos é melhor que o do Inter? Claro que não, mas é o que o resultado aponta.

Os resultados diante do Bahia e do Ceará apontam ainda como o Grêmio foi incompetente nos clássicos. Todos ganham do Inter, menos o Grêmio.

Mesmo que Abel e a diretoria estejam alinhados nessa ideia fixa de conquistar o Brasileirão e relegar competições paralelas, a torcida não concorda.

Nem foi consultada. E é ela quem mantém o clube e os salários milionários pagos a jogadores que a todo momento são poupados de um ou de outro jogo.

A torcida colorada já está pedindo a cabeça de Abel.

Uma derrota para o Palmeiras neste final de semana, aí pelo Brasileirão, pode mergulhar o clube em crise profunda.

Então, me antecipando, lanço o nome de Lisca, técnico competente e que merece uma oportunidade num clube grande para mostrar seu valor.

Foi isso que li e ouvi à exaustão quando o Grêmio tentava Tite e Felipão.

Parte expressiva da crônica esportiva insistia em sugerir Lisca e também Celso  ‘toc-toc-toc’ Roth.

Roth está desempregado e Lisca não sei.

Por onde anda o técnico Lisca?

Se eu fosse presidente do Grêmio…

O gremista Homero Bellini Jr. apresentou-se oficialmente como candidato à presidência do Grêmio.

A Situação deve responder com o multicampeão Fábio Koff. Não faltam especulações e boatos sobre essa candidatura.

O mais recente é que Koff seria vice de futebol do Romildo Bolzan Jr.

Não sei de onde surgem esses boatos. Não consigo imaginar Koff no vestiário de novo, viajando pra lá e pra cá. Então, é mais uma bobagem.

Admito que para efeitos meramente eleitorais, Koff como vice daria um peso considerável à chapa. Mas duvido que ele fosse manchar sua trajetória entrando como vice e largando o barco logo nos primeiros dias ou semanas da nova gestão.

Penso que um homem da envergadura de Koff jamais se sujeitaria a isso. Sairia com dignidade, de cabeça erguida, como o dirigente mais vitorioso do futebol gaúcho em todos os tempos.

Não faria como certos jogadores de futebol que não sabem a hora de sair de campo, ou de cena. Caso do R. Gaúcho, que estaria se sujeitando a receber por produtividade num clube em crise.

Aí, delirando em meus pensamentos mais delirantes, me imaginei candidato. Em primeiro lugar, isso seria impossível até por questões estatutárias.

Mas seguindo em meu delírio ou devaneio, estou aqui agora teclando e pensando no que eu faria, qual seria a minha plataforma, meu projeto.

De cara, afirmo que não apresentaria  programa de governo num volume com capa dura e letras douradas ou prateadas com um título como ‘Por um Grêmio imbatível’.

Não, nada de promessas vazias, palavreado difícil, nada de firulas e tampouco de juridiquês.

Todos nós sabemos que depois de eleito ninguém abre o tal programa de governo. Vale para o futebol, vale para a política partidária.

O que todos querem é chegar ao poder.

Não, eu decididamente iria direto ao que interessa, a gestão do futebol.

Meu programa de gestão poderia ser rabiscado num guardanapo do Box 21, por exemplo.

Começaria por estabelecer um mantra a ser repetido todas as manhãs pelos meus companheiros de diretoria:

- Não gastar mais do que arrecadar.

Zelaria pelo dinheiro do clube como faço com o meu dinheiro. Nada de esbanjar, comer frango e arrotar avestruz.

Buscaria cercar-me de pessoas competentes, competentes e sabidamente honestas. Acreditem, há muitas. Todas elas gremistas, que fique bem claro. Colorados que se dirijam ao Beira-Rio para trabalhar. Nada contra os colorados, mas prefiro cercar-me de gremistas.

Definido o mantra contra o esbanjamento tão comum no futebol e a diretoria, atacaria nas categorias de base.

Seria a minha menina dos olhos.

Ex-jogadores campeões com a camisa do Grêmio teriam prioridade para trabalhar nessa área. Gente vencedora para moldar vencedores.

Gente que dedicou-se ao Grêmio, ajudou a conquistar o mundial de 1983 e que passa por dificuldades, já estaria trabalhando na base do Grêmio há horas.

Se eu tivesse que buscar jovens de 18 ou 19 anos formados por outros clubes para compor o grupo profissional seria necessário um olhar mais crítico sobre o trabalho na base.

O que estaria acontecendo de errado? Mudanças teriam de ser feitas.

Outra coisa: limitaria drasticamente a atuação de empresários e procuradores no clube, tanto na base como nos profissionais.

Não teria essa de jogador entrar no time só porque tem empresário/procurador forte como parece acontecer em muitos clubes.

Então, antes de sair em busca de reforços externos, avaliaria com cuidado os guris da base.

Para os profissionais, só contratações que viriam para realmente preencher lacunas que a base não resolveu.

Jamais, mas jamais mesmo contratar jogadores mais passadinhos em idade por cinco anos.

Antes de contratar, uma varredura rigorosa na trajetória do atleta, seu comportamento fora de campo, etc.

Outra coisa, buscar jogadores com espírito vencedor. Gente que também tenha tanto orgulho de vestir a camisa do Grêmio como o gremista mais fanático.

Nada de jogador que só tem derrotas em sua carreira ou que não se entusiasme a jogar no Grêmio.

Outra coisa: trabalharia para que o trabalho na base, sendo positivo, fosse mantido pela direção seguinte, algo que não acontece hoje e que claramente prejudica o clube, porque cada um que entra traz junto seus parceiros, que nem sempre são competentes e/ou honestos.

E o treinador? Seria alguém competente e honesto, avesso à picaretagens e conluio com empresários.  Dois que eu gosto: Felipão e Tite.

São alguns dos pensamentos que me ocorrem de vez em quando sempre que alguém sugere que eu entre na política do Grêmio.

Enfim, são frases soltas que colocaria num guardanapo e apresentaria como meu programa de governo.

Quem sabe um dia apareça alguém que leve essas ideias adiante e repita o mantra:

- Não gastar mais do que arrecadar.

Bobagem, outro delírio.