Pouco tempo até a estreia na Libertadores

Dois jogos separam o Grêmio da estreia na Libertadores, dia 9, contra o Zamora, na Venezuela.

Se 20 anos não são nada, como cantava Gardel, dois jogos, então, pouco representam em termos de preparação de time, ainda mais um time que se vê prejudicado por uma série de lesões.

Então, não crio expectativa maior em relação ao jogo contra os venezuelanos. Espero a vitória, ou até um empate, mas não uma atuação impactante como a gente viu na reta final da Copa do Brasil, competição conquistada pelo Grêmio – é bom lembrar porque tem gente que parece ter esquecido.

A realidade é que a preparação do Grêmio para a competição continental não empolga. Percebo muita gente irritada nas redes sociais. A maioria esquece que logo de saída o time perdeu seu maestro, o Douglas.

Não sou fã do Douglas, mas vejo nele o jogador fundamental para o esquema armado por Roger e aperfeiçoado nos detalhes por Renato.

Sem Douglas, Renato precisa fazer algumas adaptações, o que sem dúvida repercute na forma de jogar da equipe.

Está aí o tipo de coisa que requer treinamento, insistência, aplicação tática. Mas o torcedor, de modo geral, não tem paciência. Quer resultado logo, o técnico que se vire.

Aí, o técnico perde um volante do calibre de Wallace.

Jailson é a bola da vez para a função. Mas boa parte dos torcedores, com base em três ou quatro jogos – uma amostragem formidável – já decretou que Jailson e Maicon não fecham, não combinam.

São os mesmos, provavelmente, que detonaram a dupla campeã – repito, campeã – logo no início. O alvo principal era Maicon, mas respingava também em Wallace. Os dois simplesmente foram decisivos na conquista de um título depois de 15 anos. Sim, 15 anos. Vocês têm ideia de quantas duplas de volantes o Grêmio teve nesse período? Pois essa acertou, e foi por insistência de Roger.

Assim, acredito que Jailson e Maicon podem jogar juntos, mas precisam treinar, ensaiar. Invejo aqueles que sentenciam coisas com tamanha rapidez.

E isso me faz lembrar Geromel. Quando ele chegou só levou pau. Mas aos poucos, com mais tempo e oportunidades, ele mostrou esse futebol esplendoroso. Fosse pelos apressadinhos teria sido mandado embora na primeira barca.

Não é uma crítica a ninguém, até porque muitas vezes me apresso a rotular alguém, cometendo o mesmo erro. 

Futebol é assim mesmo. 

O TIME

Pelo que tenho visto, o time da estreia na Libertadores terá Léo Moura, não Edilson, por força de lesão. Gosto do Léo Moura, então não vejo como um desfalque mais grave.

A dupla de área está definida. Bem, tem um Gre-Nal pela frente. No ano passado, o Grêmio perdeu Bolanos num Gre-Nal. Medo.

Na lateral esquerda, Marcelo Oliveira mostrou  na Copa do Brasil que é um jogador confiável na hora mais difícil. Vou levar um pau por causa dessa frase, mas é o que penso. No futebol nada pode ser definitivo. O vilão de hoje pode ser o herói de amanhã. MO orientado por Renato é outro jogador.

No meio, Jailson, Maicon e Ramiro;

Na linha mais avançada penso que teremos Bolanos, Luan, e Éverton (Pedro Rocha).

Para começar a Libertadores está de bom tamanho.

Agora, para vencer a competição, o furo é mais embaixo.

ÉVERTON

Insisti muito nesse nome. Já faz tempo. Percebo agora, feliz, que Éverton Ribeiro entrou na roda.

Seria um grande reforço. Assim como Lucas Lima.

 

 

Vaias para os ‘culpados’ de sempre

Os gremistas que mais desdenham o Gauchão são os que mais cobram resultado. 

Estão no seu direito. Torcedor tem direito de vaiar até minuto de silêncio. 

Neste domingo, sobrou para Maicon, que falhou no início do gol de empate do São José – no primeiro tempo, ele deu uma entregada muito pior, e o gol não aconteceu por detalhe.

Dois meses atrás, o capitão calou a boca de todos os seus críticos com atuações exuberantes na Copa do Brasil. Hoje, por causa de um erro nessa fase inicial de reformatação do time, foi dura e injustamente vaiado.

Maicon pode jogar o que for, sempre será, para muitos torcedores, um dos vilões do time, juntando-se a Marcelo Oliveira – este sim segue devendo -, Ramiro – não importa o que jogue sempre será considerado um reserva por grande parte da torcida -, Marcelo Grohe, etc.

São jogadores que a torcida – parte dela – marcou na paleta. 

Vale também para o técnico Renato Portaluppi. Parte da torcida não o suporta, e deixa claro isso seguidamente nas redes sociais. É uma minoria ruidosa.

Sobre Renato, é admirável o trabalho que ele fez com Miller Bolanos. Ninguém destaca isso. O equatoriano é hoje um jogador muito mais comprometido, participativo e solidário.

Resultado: está mostrando todo seu potencial técnico. E tudo indica que ele tem ainda mais futebol para mostrar, calando umas aves agourentas que viam nele uma contratação equivocada, dinheiro posto fora.

No segundo tempo, percebi, com satisfação, que outro jogador está sendo lapidado para a titularidade: Lincoln.

Sei, muitos vão dizer que estou sendo otimista e apressado. Pode ser. Mas gostei do Lincoln que vi entrar no jogo. Por vezes o confundi com Bolanos pelo tipo físico, pelo toque de bola refinado, pela vontade de ser útil também no combate, na marcação.

Sem contar que ele participou do gol do equatoriano. Mas isso, a meu ver, foi só um detalhe.

REFORÇOS

O Grêmio precisa de mais um meia experiente. O nome que me vem à mente segue o mesmo que registrei aqui no final do ano: Éverton Ribeiro. Mas me serve também Lucas Lima.

Mais que um ‘fazedor de gol’, o Grêmio precisa de alguém que crie jogadas para o ataque.

Não adianta ter um ‘fazedor de gol’ se não tiver alguém que crie condições para o time marcar.

Isso ficou claro mais uma vez nesse empate desastroso com o Zequinha.

É óbvio, ao menos para mim, que com Luan e/ou Douglas o Grêmio teria mais criatividade ofensiva.

Então, as lesões começam a prejudicar seriamente o time, que busca quebrar a hegemonia vermelha. Uma missão que não é nada fácil diante de algumas arbitragens que estamos vendo e que já não surpreendem ninguém.

A novidade nesta rodada é que o Grêmio foi também beneficiado por um erro da arbitragem, que não marcou infração no gol de Bolanos.

O tribunal gaudério e a faxina moral e ética

Desde que um auditor tirou o voto do bolso – redigido em casa – num rumoroso caso de doping no futebol gaúcho – por coincidência envolvendo o Inter que seguidamente aparece num rolo desse tipo – para absolver o clube do coração depois de horas e horas de julgamento, é que eu simplesmente não levo a sério o que se passa no tribunal de justiça da federação gaúcha de futebol, assim com minúsculas mesmo.

Pra mim, e muita gente que conheço, esse tribunal gaudério e o tribunal maior, o carioca, fazem qualquer coisa, menos JUSTIÇA, assim com maiúsculas.

Não duvido da idoneidade dos julgadores. O problema é que são torcedores. São movidos à paixão, sem descartar algum outro ‘combustível’, embora, como já disse, são todos homens sérios, votam e decidem com seriedade. Mas a seriedade do torcedor, que sai da arquibancada mas a arquibancada não sai dele.

Aqui Abaixo do Mampituba, no reino noveletiano, é ainda mais difícil votar sem tirar a camisa (azul ou vermelha).

O curioso é que a maioria das decisões volta e meia beneficia apenas um lado, o Inter.

Foi o que aconteceu no julgamento desta quinta, quando o Inter foi agraciado com uma ‘punição’ ridícula, que só não me deixa com cara de palhaço porque eu não esperava nada diferente disso, um prêmio ao clube que deveria ser responsabilizado pelos atos de seus torcedores.

Foi uma decisão absurda. Leiam: http://correiodopovo.com.br/Esportes/Futebol/Inter/2017/02/610470/Procurador-do-TJD-critica-julgamento-do-Inter-Frankstein-juridico

Não vai dar em nada, claro.

O mais grave é que esse tipo de ‘penalização’ estimula novas infrações.

Até que um dia aparece um cadáver, vítima de algum conflito como esse de Veranópolis. 

Se um dia isso ocorrer, desde já responsabilizo, modestamente, todos os que contribuíram por essa sentença que mais uma vez absolve o clube, e faz de conta que pune os ‘torcedores’ de sempre.

É o momento de punições exemplares em todos os campos. 

O Brasil está passando por um processo de higienização moral e ética.

Mas acho que essa faxina nunca chegará ao futebol.

CAMISA 9

Confira a contagem sensacional de centroavantes do Grêmio desde Jardel.

Grande maioria é aipim.

http://cornetadorw.blogspot.com.br/2017/02/atualizacao-dos-9.html

Douglas e aipim: debates chatos na aldeia

Dois debates intermináveis na aldeia: o substituto de Douglas e a fixação histórica (vide excelente pesquisa publicada no cornetadorw que confirma essa paixão) do comando gremista por atacante de área, normalmente um aipim tradicional.

Minha preferência, faz tempo, é por atacantes que participam mais do jogo, recuam e buscam o jogo, tabelam, jogam com inteligência,e se distanciam um pouco mais do miolo da área, a famosa zona do agrião (expressão que teria sido criada por João Saldanha). Nilmar é um bom exemplo. Poderia citar Jonas, mas no Grêmio ele rendeu mais como segundo atacante.

São raros esses atacantes mais centralizados e de bom nível técnico.

Tanto que hoje a imensa maioria das equipes de ponta utiliza atacantes de movimentação.

O Grêmio conquistou dois títulos nacionais nos últimos 15 anos. Em 2001 e 2015. Nos dois, não havia o tal camisa 9. 

Se isso não diz alguma coisa, não sei mais nada.

Outra coisa, tem gente que considera o argentino Pratto um bom jogador para no ataque do Grêmio. Eu não concordo. Respeito, mas não concordo.

Pratto, pra mim, é um outro Barcos: marqueteiro. Se falasse português estaria jogando no Londrina ou no América Mineiro.

Fora o fato de que a presença dele no grupo acabaria detonando ou abalando o esquema vitorioso de atacantes pelas beiradas com meias e volantes entrando na área a todo instante, como fator surpresa.

DOUGLAS

Dito isso, não me preocupo com a lesão de Douglas. Há alternativas interessantes do grupo. É claro que um reforço para o meio de campo é imprescindível. Já era antes mesmo com Douglas.

Agora, é preciso parar com essa lenga-lenga de encontrar alguém à imagem e semelhança de Douglas. O Grêmio pode manter o modelo atual com muito toque, posse de bola e infiltrações precisas sem ‘um Douglas’. 

Bolanos já mostrou que pode fazer o papel do titular – que fica pelo menos meio ano parado, ou seja, está fora dos planos. 

Evidentemente o esquema precisa de adaptações. O padrão de jogo sofrerá alteração.

E quem disse que mudará para pior?

O Grêmio perdeu meia dúzia de títulos com Douglas no time. E aí?

Douglas, como qualquer jogador, não é insubstituível. Pode fazer falta, mas aos poucos aparece outro igual ou melhor.

É assim, a vida continua.

E há vida sem Douglas, podem acreditar.

Mais importante que esse debate – muito estimulado por vermelhos disfarçados – é qualificar o time para entrar na Libertadores com chances muito fortes de título.

A direção sabe disso e busca reforços apesar de toda a limitação financeira.

Agora, mais importante que ter dinheiro, é ter conhecimento e critérios para contratar.

PENETRA

O espertinho que andou postando comentários em meu nome já teve seu momento de glória. Acabou.

Mas eu sei que ele também não é insubstituível…

 

Bolanos mostra que pode substituir Douglas

Se eu tivesse que espremer os 90 minutos no estádio Mané Garrincha para extrair o que de melhor aconteceu – na minhã opinião, claro, porque sou eu que estou aqui teclando -, para o Grêmio, apenas um nome me vem à cabeça:

Miller Bolanos.

O jogo valeu por esse equatoriano, que resolveu mostrar que pode ser titular tanto na armação como mais adiantado, justamente no dia em que o time perde Douglas, seu maestro, o jogador símbolo do esquema implantado por Roger – e que só aconteceu porque havia Douglas.

Douglas vai ficar fora uns seis meses. É tempo demais para um jogador em fim de carreira. Lesão séria, ligamentos cruzamentos. Ruim para um atleta jovem, péssimo para um veterano.

Em princípio, ficou claro nessa derrota do time reserva tricolor- mais do que prevista – para o time titular do Flamengo por 2 a 0, que Bolanos pode mesmo substituir Douglas, mas não sem alterar o modelo de jogo que se mostrou eficiente e vitorioso, provocando inveja até entre a maioria dos colorados.

Imagino que Bolanos vai tornar o time mais rápido na transição defesa ataque. Se Renato quiser manter a proposta de jogo atual e que o levou a ser campeão da Copa do Brasil – é bom enfatizar porque tem muita gente ‘esquecendo’ – terá de encontrar um outro Douglas. Não vai ser fácil.

Sobre o jogo em si, o Flamengo foi muito superior no primeiro tempo.

No segundo, os reservas do Grêmio equilibraram e até mereceram sair de campo com um empate, ou ao menos fazer um gol.

Sobre os outros jogadores, gostei do Thiery, do Léo Moura e do Éverton.

Mas qualquer análise fica comprometida porque era um time reserva, desentrosado.

A lamentar apenas que o Grêmio não tenha jogado com seu time titular, ou pelo menos um time misto.