Grêmio goleia e se credencia a brigar por títulos

Foi um festival de gols perdidos, mas o que importa é que ao golear o Zamora por 4 a 0 numa Arena que poderia ter mais público se houvesse uma melhor política de preços, o Grêmio garantiu a terceira melhor campanha da Libertadores/2017. Não é pouca coisa, como se verá mais adiante nos confrontos de mata-mata. 

O primeiro lugar só não foi alcançado – faltaram 3 gols para isso – porque o Grêmio perdeu gols de todos os jeitos. O goleador Barrios só não fez mais por que o goleiro venezuelano parecia estar de bronca com ele. Fez defesas espantosas. E também porque o próprio Barrios finalizou mal em pelo menos duas oportunidades.

Outro que abusou de perder gol, mas fez uma partida muito acima de sua média recente, foi Pedro Rocha. Foi dele a bela jogada que abriu o caminho para a goleada, num momento em que o goleiro se consagrava. Ele aplicou um elástico no adversário e cruzou na medida para Luan marcar sem maiores dificuldades. Aqueles que não conseguem ver qualidade nesse jogador prata da casa morderam a língua.

Mais adiante, Pedro Rocha chutaria uma bola nas nuvens e em outra atrasou para o goleiro ao tentar um gol por cobertura, sem contar um lance em que adiantou demais a bola que ficou dócil nas mãos de goleiro. Ele ainda marcaria o quarto gol, após receber uma ‘metidinha’ perfeita de Gata Fernandez (mostrou muitas qualidades), driblando o goleiro. 

Enfim, PR é um atacante de grande potencial. Vale a pena investir nele, para desespero de seus críticos mais ácidos.

Luan foi o nome do jogo. Armou, combateu, organizou e fez gols, um de pênalti, sofrido por Cortez, de ótima atuação, mesmo considerando a fragilidade do time venezuelano. Depois, no segundo tempo, Luan perdeu a chance de elevar para 5 a 0 o placar ao bater pênalti (sofrido por Fernandinho) nas mãos do goleiro.

O defeito de Luan nesse jogo foi de prender demais a bola e tentar lances de efeito fora de hora, comprometendo a fluidez do time na frente.

O jogo confirmou o que começava a ficar evidente: o Grêmio tem grupo para fazer uma excelente campanha na Libertadores. Se não perder nenhum de seus destaques (Arthur já é visado pelo futebol europeu, assim como Luan), e ainda puder contratar pelo menos mais um meia de qualidade (Éverton Ribeiro, por exemplo), o Grêmio pode até brigar pelo título do Brasileirão e da Copa do Brasil.

Hoje, o Grêmio não deve nada a qualquer um dos times festejados do centro do país.

E tem o melhor treinador. 

 

Grêmio vence, convence e lidera

Nada pode ofuscar a vitória gigante sobre o Atlético Paranaense, que até este domingo só havia sofrido quatro derrotas em sua grama sintética, uma delas para o próprio Grêmio. Muito menos a vacilada de Marcelo Grohe.

Grohe exagerou na ‘cera’, e o juiz foi rigoroso, porque já vi cera muito pior (por exemplo, o goleiro Aranha no tristemente famoso jogo do racismo), e nada aconteceu. Grohe confiou que nada aconteceria, e se deu mal.

Por sorte, o time armado com sabedoria pelo técnico Renato Portaluppi ganhou maturidade e tem qualidade suficiente para resistir 15 minutos e garantir a vitória por 2 a 0, mantendo 100% de aproveitamento (o que não faz uma folga no momento certo…) no Brasileirão.

Se outros candidatos ao título da série A vacilarem como Grohe, o Grêmio vai, como diria um velho amigo dos tempos de redações da Caldas Júnior, ‘abiscoitar’ o tri do Brasileirão. O Grêmio, realmente, está ‘supimpa’.

Voltando ao jogo de Curitiba (cidade que me faz lembrar aqueles dolorosos 4 a 0), espero que os gremistas aliviem as críticas ao grande goleiro gremista, que pensem em suas grandes defesas e esqueçam eventuais falhas ou deslizes.

Deixem isso para os colorados. Acompanhem: eles usarão seus espaços para atacar Grohe, que tem seus defeitos, como todos os goleiros, mas que deve ser defendido pelos gremistas, que precisam colocar a paixão pelo time acima de teses e/ou preferências pessoais.

Não vi até hoje nenhum torcedor dar volta olímpica com troféu na mão por ter confirmada uma tese qualquer. 

Grohe deve ser preservado, até porque não tem substituto à altura, embora Léo tenha entrado bem. Mas isso não impede que Renato tenha uma conversinha ao pé do ouvido com seu goleiro.

Dito isso, só elogios ao Grêmio, que lidera o Brasileiro com 6 pontos e já começa a ser olhado de forma diferente pelos palmeirenses, corinthianos, flamenguistas, atleticanos, sempre apontados como favoritos ao título.

Mais uma vez a defesa foi uma muralha. A dupla de área foi impecável. Os laterais foram eficientes, com destaque para Cortez, que começa a levar jeito de titular.

No meio de campo, Ramiro foi de novo espetacular. Enchem a bola do Rodrigo Dourado, um volante muito bom, mas esquecem que Ramiro é superior, é ele quem dá equilíbrio ao time, e ainda ajuda a fazer gols, quando ele mesmo não os faz. O PGV, apelido que lhe dei há dois anos, está demais.

O novato Arthur mais uma vez encheu os olhos. Só é preciso cuidado com elogios de fonte suspeita, com terceiras e quartas intenções. Pés no chão.

Michel não chegou a brilhar, mas foi correto e importante na marcação, no combate incessante.

Na frente, Pedro Rocha foi taticamente importante, mas precisa jogar mais se quiser continuar na titularidade.

Por fim, o fazedor de gols. Lucas Barrios voltou a marcar e já alcança uma marca invejável.

Confesso que não esperava tanto dele. É, pra mim, uma grata surpresa.

PENALTI

Diferente dos tais observadores de arbitragem, não vi pênalti de Kannemann. A bola bateu em seu corpo e ricochetou no braço esquerdo.

Acertou o juiz.

Só falta dizerem que Grêmio ganhou com erro de arbitragem.

 

O empate do ‘time de jornal’

O empate do Inter com ‘goleador de série A’ ficou apenas no empate por 1 a 1 com o modesto ABC, em pleno Beira-Rio.

Um duro golpe para a agenda positiva que parte dos meios de comunicação fazem desde que a queda foi consolidada com o fracasso também nos tribunais daqui e do exterior.

O que vão dizer aqueles que nos últimos dias não cansam de dizer que o Inter vai se classificar com seis rodadas de antecedência.

Até pode acontecer, mas o resultado deste sábado diante do esforçado time montado por Geninho (melhor treinador que Zago, com certeza) indica que será preciso muito mais que uma mídia ufanista, que faz de tudo para elevar a auto-estima colorada.

O que se viu no Beira-Rio lembrou-me um jogo que vi lá no início dos anos 80.

Estádio Floresta, em Lajeado, completamente lotado (não precisava mais do que 3 ou 4 mil torcedores para isso). Em campo, Lajeadense x Grêmio. Eu estava lá pelo jornal, a Folha da Tarde, dos tempos em que a imprensa noticiava e não tentava empurrar esse ou aquele time.

Jogo encardido. Agarrado no alambrado, um torcedor do Lajeadense cuspia fogo. Era um alemão que parecia um armário de quatro portas, um gigante raivoso. Lá pelas tantas, jogo em 0 a 0, ele gritou, e eu não me esqueço:

-Esse Grêmio tem um time de papel, um time criado pela imprensa. Não é de nada!

Lembrei-me dessa história quando soube que o Inter, dentro de sua própria casa, com apoio de sua torcida iludida por formadores de opinião descompromissados com a realidade, não foi capaz de vencer o ABC de Natal.

Tem uma hora que o ‘time de papel’ precisa entrar em campo. E aí a realidade desaba sobre a cabeça.

Grêmio vira o jogo com maturidade e determinação

Teve a falha de Grohe no gol do Fluminense logo no início – antes de algum jogador suar a camisa -, os dois gols de Lucas Barrios, um autêntico ‘fazedor de gols’; a atuação exuberante de Luan; o desempenho estupendo da dupla Geromel/Kannemann – vacilo apenas no gol do adversário -; o gol de Arthur, a descoberta do ano; e, claro, a arbitragem que deixou o pau comer e permitiu a caça a Luan, e que, espertamente, só passou a usar o cartão amarelo quando o jogo já estava decidido.

Eu poderia me deter nesses aspectos do jogo, mas fico com algo maior, mais abrangente, algo que dá ao torcedor gremista – não a todos, claro – a convicção de que o Grêmio está se revelando um time maduro, consciente de seus problemas e de suas virtudes. Afinal, largar sofrendo um gol logo aos 4 minutos, de um time forte como o treinado por Abel Braga – e ter serenidade e determinação para buscar o empate – com o juiz conivente com a violência dos cariocas,  e depois virar, podendo ainda aplicar uma goleada, não é pouca coisa. Não é pra qualquer um.

Se tivesse havido um resultado negativo do Grêmio – previsto pelos que não confiam no trabalho de Renato e da diretoria de futebol – o discurso nas redes sociais seria marcado mais uma vez pelo mantra da ‘terra arrasada’, que nada presta e tudo precisa ser mudado. Não faltariam aqueles, sempre os mesmos, para dizer que Renato havia levado um nó tático.

Curioso, quando o Grêmio ganha, ninguém diz que Renato deu o tal ‘nó tático’. No caso, seria o festejado e endeusado – aqui na aldeia – Abel Braga, que só parou de mascar chiclete quando sofreu a virada.

GOLS

A virada começou com Arthur invadindo a área depois de tabelar com Barrios. Ele driblou o goleiro com a tranquilidade de um veterano e empatou.

No segundo tempo, outro gol de jogada ensaiada de um técnico que ‘não treina, só quer saber de jogar vôlei’. Luan cobrou, Kannemann desviou para a segunda trave, onde apareceu Lucas Barrios.

O terceiro gol começou com Éverton, que viu Cortez. E este, com visão de jogo e precisão, cruzou na medida para Barrios dominar e meter a bola no canto oposto ao do goleiro.

Quero registrar que ali pelos 18 minutos do segundo tempo, jogo ainda indefinido, houve pênalti em falta cometida sobre Léo Moura. 

INTER

Já o Inter perdeu para o Palmeiras. Foi 1 a 0. Para um time da série B, pode-se dizer que perder por 1 a 0 não chega a ser mau resultado.

O Palmeiras, festejado por muitos aqui na aldeia – não por mim – penou para bater o time da segundona, revelando que não está com essa bola toda.

Digo mais, o Inter tem todas as condições de reverter na volta, no Beira-Rio. 

Grêmio mostra que folga fez muito bem ao time

Sem toda a pompa que cercou a estreia vitoriosa do Inter na Série B, o Grêmio aplicou 2 a 0 no Botafogo e poderia ter feito muito mais, jogando um futebol semelhante ao que o levou a conquistar o título da Copa do Brasil há pouco mais de cinco meses.

Mesmo com alguns desfalques, o técnico Renato Portaluppi que soube aproveitar bem a folga tão criticada pelos mal-humorados de plantão e os dias de treinamento. O Grêmio voltou mais encorpado, marcando sob pressão, tocando a bola quando necessário e explorando lançamentos mais longos, verticalizando o jogo.

Qualquer um que consiga analisar com um mínimo de isenção percebe que esse time tem a mão do treinador, que por vezes falha, comete erros, mas que decididamente tem um conceito de futebol, uma ideia que ele busca colocar em prática quando possível.

Então, a estreia vitoriosa no Brasileirão tem influência do técnico. A atuação coletiva do time merece uma nota 8. Só não é maior porque a bola pelo alto continua sendo um perigo e o ataque segue desperdiçando oportunidades incríveis de marcar.

Nesse aspecto, ninguém superou Luan, o menino de ouro do Grêmio. O maior projeto de craque esteve bem no geral, inclusive com alguns lances que justificam o preço do ingresso, mas abusou de perder gol, e isso como se viu recentemente pode custar muito caro.

Em compensação, há Ramiro. O Pequeno Grande Volante jogou demais, voltando a ficar mais liberado para fazer seu incansável vai e vem. Só de olhar o PGV correndo eu perco uns três quilos. Ramiro marcou dois gols e por detalhe não fez o terceiro.

Depois de Ramiro, o melhor em campo foi Léo Moura, que deu uns piques de muito garotão não consegue dar. É claro que na primeira vacilada que ele der – e vale também para Ramiro – não vai faltar gente querendo ele longe do clube. Mas, tudo bem, futebol é assim mesmo. É preciso provar a cada jogo. Caso contrário, o torcedor cai de pau.

A propósito, a maior Geni tricolor fez uma partida de fazer a gente refletir. Marcelo Oliveira foi muito bem, marcando e atacando. Até o próximo jogo ele está a salvo de cornetas e agressões verbais. O mesmo vale para Marcelo Grohe, que fez intervenções precisas.

No meio-campo, a confirmação de Arthur. O guri mostrou um futebol exuberante. Renato acreditou nele. Talvez não o escalasse se Edilson pudesse jogar, mas isso fica no terreno das especulação. Os anti-Renato vão morrer dizendo que Arthur só jogou porque não havia alternativa, porque foi forçado a isso. Pode ser, mas o fato é que Arthur é um acréscimo de peso para uma temporada tão árdua, com tantos jogos.

Até mesmo Michel deu uma resposta muito positiva, inclusive aparecendo bem na frente, a exemplo de Ramiro, mas sem a assiduidade deste.

Na frente, gostei de Pedro Rocha e de Lucas Barrios, que mostrou que é muito mais que um homem de área, um atacante tipo aipim.

Vamos ver o time consegue repetir o que apresentou diante do Botafogo. Nem precisa jogar tanto, desde que tenha um percentual maior de aproveitamento e corrija o problema da bola pelo alto.

SÉRIE B

Confesso que quase fui às lágrimas com o esforço da crônica esportiva gaúcha em pintar a estreia colorada na Segundona com tintas de jogo épico, heróico.

O Inter fez o que tinha de fazer diante de um adversário muito modesto. Aplicou 3 a 0 e, segundo alguns ufanistas vermelhos, já encaminhou sua volta ao grupo de elite. 

Não assisti a todo o jogo. Fiquei mais no Flamengo x Atlético Mineiro. Um grande jogo.

São dois times fortes, mas nada que o Grêmio, com todos seus titulares, não possa superar.

Outra hora me detenho mais sobre o time de Roger Machado, flamante campeão mineiro.