Alívio…

Alívio…

Ilgo Wink + Felip~Felipão desembarca nesta quarta-feira já como treinador do Grêmio.

Com Felipão, renovam-se as esperanças da torcida gremista. Alguns poucos gremistas ainda resistem, ou por interesse político contrariado ou por algum ressentimento que só Freud talvez possa explicar.

Colorados de todos os segmentos tentam colar em Felipão o rótulo de superado e decadente.

Curioso que nenhum deles se manifestou assim antes da goleada diante da Alemanha. Até ali Felipão era o técnico ideal para levar o Brasil ao hexa.

Com Felipão ficam soterrados nomes como Roth, sempre lembrado pelos mesmos.

Demorou, mas o presidente Koff entrou em campo. Uma grande tacada técnica e política.

Vamos ver agora a resposta de Felipão.

De minha parte, o sentimento é de alívio, porque temia pelo que pudesse aparecer caso Felipão não aceitasse o convite para voltar ao clube do seu coração.

Sem Tite ou Felipão, quem sabe Adilson com Espinosa?

Tite teria respondido que não aceitar treinar o Grêmio. Se é verdade, ele está fora.

Resta Felipão. Não há registro de negativa de Felipão, portanto ele continua na lista.

Está na ponta de cima, mas ao contrário de Tite não é unanimidade.

E Felipão sabe disso, a não ser que tenha se abrigado em algum mosteiro para repensar sua vida.

Deve ser duro para o sujeito que até pouco tempo estava por cima perceber um índice significativo de rejeição por parte da torcida a qual deu tanta alegria duas décadas atrás.

Felipão, pelo jeito, se mantém em silêncio. Deve estar mordido por ser o segundo na parada de sucesso entre os gremistas.

Ele gostaria, claro, de ser aclamado, como seria em outros tempos.

Hoje, se Felipão responder sim, a maior parte da torcida vai festejar, mas já sem o mesmo entusiasmo. Outros vão insistir que ele está acabado ou, remoendo mágoas e rancores, criticar o tempo que ficou distante do clube que diz amar.

Eu receberia Felipão de braços abertos, feliz, empolgado até.

Mas não nego que prefiro Tite.

Felipão é a segunda opção. E isso deve estar mexendo com ele.

Saindo Tite, Felipão assume a liderança e talvez até se aproxime da unanimidade depois que a torcida se der conta dos nomes que restam.

Quando e se isso ocorrer, é capaz de Felipão aceitar.

Agora, a tarefa da direção é das mais espinhosas.

Só espero que o critério para contratação seja técnico, não político, sem preocupação eleitoral.

ESTRANGEIRO

Sou contra técnico estrangeiro neste momento. Para um começo de temporada, sim. Em meio a uma competição que reserva quatro vagas para o rebaixamento, nunca.

O argentino que treina o Palmeiras já perdeu três seguidas. Bateu o desespero lá.

O argentino está tentando montar uma equipe, trocando pneu com o carro andando.

O estrangeiro que viesse para o Grêmio agora faria o mesmo. Não tem como dar certo.

Bem, sempre tem o Renato Portaluppi de plantão para salvar de novo. Seria pela terceira vez.

CAPITÃO AMÉRICA

Entre os nomes que restam, penso que o Adilson Batista seria uma alternativa interessante.

Com ele, Valdir Espinosa como coordenador de futebol.

Adilson e Espinosa: dois vencedores identificados com o Grêmio.

Só dois nomes resolvem: Tite ou Felipão

Até que durou demais o técnico Enderson Moreira, que sequer deveria ter vindo.

Não é treinador para o tamanho do Grêmio, escrevi quando soube que ele havia sido contratado pela dupla Chitolina/Rui para comandar o Grêmio na Libertadores. Na Libertadores!!!!!

O técnico demitido do Inter B estava sendo alçado à primeira linha do futebol brasileiro.

Com o mês de agosto batendo a porta, o Grêmio ainda não tem nem um sistema de jogo nem um time definido.

O técnico Enderson Moreira tem responsabilidade, mas antes dele estão aqueles que o contrataram e o mantiveram por tanto tempo. Dois erros: a contratação e depois dos 4 a 1 no Gre-Nal a permanência.

O discurso de que é normal perder prevaleceu.

Perder nunca é normal para um clube grande como o Grêmio. Algumas pessoas não sabem disso, ou esqueceram disso.

O preço é esse: mais um ano sem título. Sequer um Gauchão para chamar de seu.

A derrota por 3 a 2 para o Coritiba veio em boa hora. Ainda há tempo de reverter a tendência de queda, represada por resultados bons em atuações medíocres.

Fosse mais adiante, seria tarde. Ou alguém acredita, realmente, que o sr. Enderson teria condições de conduzir o time a algum título nacional?

O grupo atual do Grêmio não é nada de espetacular, mas pode render mais. Mesmo sem uma sombra para Barcos, que marcou dois belos gols calando as vaias.

A direção gremista que o multicampeão Fábio Koff com líder tem a obrigação de fazer a coisa certa depois de tantos erros, que começaram com a renovação de Luxemburgo.

Só há dois nomes: Tite ou Felipão. Ambos excelentes.

Eu prefiro Tite, mas acredito que Felipão será o contratado.

Não acredito que ele diga não a um apelo de Koff, seu maior padrinho no futebol.

Os ‘argumentos’ do técnico Enderson

Depois de ouvir a looonga entrevista coletiva do sr. Enderson Moreira, no final da tarde desta sexta-feira, cheguei à conclusão de que o grande legado do treinador em sua passagem pelo Grêmio será levar para o campo de jogo o verbo ‘argumentar’.

O sr. Enderson transformou o jogo de futebol num diálogo, num colóquio.

Ele usou o verbo pelo menos três vezes – perdi alguns trechos da entrevista.

Segundo ele, o Grêmio está ‘argumentando’ bem nos jogos e por isso faz boa campanha.

Ele disse que viu os últimos jogos do Coritiba e constatou que o time de Celso Roth está ‘argumentando’ bem nos jogos.

Usou o verbo ‘argumentar’ também em ações individuais, referindo que o jogador tal ‘argumentou’ bem no treino ou no jogo.

Sobre os  7 a 0 no treino, o técnico tratou de reduzir a importância do placar a pó, o que não chega a ser surpresa partindo de quem conseguiu diminuir a relevância dos 4 a 1 no Gre-Nal.

Segundo o técnico, um sujeito simpático, trabalhador, o time principal teve dificuldades porque ficou preso a determinado posicionamento enquanto o time reserva jogou com mais liberdade, sem igual responsabilidade tática.

Foi mais ou menos isso que o treinador do Grêmio afirmou.

Não sei se é de rir ou de chorar.

Acreditando que foi isso mesmo que ocorreu, minha sugestão é que o sr Enderson deixe o time – pode ser o titular mesmo – sem amarras táticas para enfrentar o Coritiba neste domingo.

Quem sabe não assistiremos a um Grêmio que todos nós queremos – inclusive o treinador -, eficiente na marcação e ágil e competente para atacar e fazer gols?

Um time livre, leve e solto, ‘argumentando’ com naturalidade.

O ‘highlander’ do Grêmio e o da Seleção

Barcos é um caso a ser estudado. Um fenômeno.

Começa pelo fato de que é um centroavante que não faz gol ou, para ser mais preciso, com extrema dificuldade para fazer gol.

Sua noção de tempo e espaço é tão precária quanto meus conhecimentos sobre física nuclear. Ele e a bola dificilmente conseguem estar no mesmo ponto da grande área ao mesmo tempo.

Um exemplo oposto dessa característica absolutamente inaceitável para um centroavante que vive de cruzamentos e lançamentos é Romário. Mas há outros. Dezenas, centenas de outros. O problema é que nenhum está no Grêmio.

Quem está é Barcos. Por ele já passaram Luxemburgo e Renato Portaluppi. Os dois sucumbiram. Enderson resiste, mesmo levando 4 a 1 em Gre-Nal.

Se Barcos não fosse um ‘highlander’ talvez as coisas tomassem outro rumo. Sim, Barcos é indestrutível.

Agora mesmo ele andou manifestando uma lesão, ou, como está na moda, um desconforto muscular ou algo parecido.

Alàn Ruiz, que começa a dar esperança ao torcedor, também sentiu uma lesão.

A questão é que Barcos, que há tempo deixou de ser uma esperança para os gremistas, está recuperado e Ruiz não.

Barcos quase não se lesiona. É um indestrutível. Vai jogar domingo. Ruiz está fora.

O argentino me lembra o goleiro Manga, com quem convivi na década de 70 como estagiário de jornal. Manga nunca se lesionava. E mesmo lesionado ele jogava. Não dava chance para ninguém. Lembro do Ademir Maria treinando, treinando, esperando por uma chance que não vinha nunca.

Dedo destroncado? Manga jogava com todos os dedos destroncados. Permanentemente destroncados. Eu vi. As mãos do grande Manga eram deformadas.

Coisa de filme de terror, como costumam ser as atuações de Barcos, em especial nos últimos tempos. Ele tem perdido cada gol que chego a desconfiar que só pode ser de propósito, porque ninguém tem conseguido ser tão ruim nas conclusões.

Se ao menos Barcos não fosse indestrutível, Lucas Coelho teria, então, uma sequência de jogos pra mostrar se tem condições ou não de ser titular do Grêmio.

Mas além de não sofrer lesão de espécie alguma, nem resfriado, enxaqueca, nariz entupido, unha encravada, nada, Barcos tem muita sorte.

Alguém lembra de alguma falta mais forte que ele tenha sofrido? Eu lembro de uma mais ou menos. Foi contra o Figueirense, mas logo Barcos se levantou lépido e faceiro.

É curioso isso: um atacante passar jogos inteiros sem sofrer uma entrada mais dura.

Assim como a bola nunca o alcança na área – pelo menos a ofensiva, porque pra defender de cabeça ele é melhor que qualquer qualquer zagueiro – não há chuteira que o atinja.

Temos, então, um centroavante que não faz gols e não sofre faltas.

Não que eu deseje o mal de Barcos. Na verdade torço por ele. Gostaria que ele fizesse muitos gols e saísse correndo com a mão tapando o olho.

Mas já perdi a esperança. Esse Barcos está afundando, e com ele a esperança de algum título neste ano.

SEGUNDA CHANCE

Sou favorável a que todos tenham uma segunda chance. Bem, nem todos.

Mas Dunga merece uma nova oportunidade na Seleção. Seu trabalho anterior foi muito bom. Na seleção da Alemanha, que todos enaltecem, e com razão, ele teria sido mantido após a derrota para a Holanda.

Afinal, havia conseguido armar uma equipe competitiva e conseguido ótimos resultados, em especial as vitórias sobre os argentinos. Os argentinos penaram com Dunga de técnico da Seleção. Tem ainda os títulos, mas nada supera as surras nos vizinhos.

Então, sou a favor da volta de Dunga. É briguento, sem dúvida, mas sempre na defesa de seus pontos de vista. Não se intimida e parece gostar de duelar com a imprensa. Parece não, ele gosta, curte muito.

Dunga é um toque de seriedade, transparência e responsabilidade numa CBF comandada por cartolas que talvez nem saibam o significado dessas palavras.

Além do mais, a Seleção Brasileira é um assunto que realmente não me interessa tanto. No ranking das minhas prioridades ela está tão bem colocada quanto alguma música do Chico Buarque na parada de sucessos.

Portanto, pra mim tanto faz, tanto fez.

Mas acho que o Dunga na Seleção funciona melhor do que em clube.

Não tem jogador de clube e de Seleção? Pois Dunga é treinador de Seleção, não de clube.

Dunga, ainda mais que Barcos, é um highlander.

Quando se pensa que ele acabou, eis que está aí de volta, ainda mais forte.