Renato e o despeito de Muricy

Só pode ser brincadeira do Muricy.

Talvez por preservar um coloradismo latente em função do clube que o projetou; talvez por amizade aos  nomes citados; ou talvez por não querer admitir que um profissional que não glamouriza a profissão de treinador de futebol esteja se destacando tanto; ou talvez por tudo isso ‘junto incluído’.

O fato é que o Muricy, hoje comentarista de futebol da SporTV – a mesma que escala outro colorado, o Batista para jogos do Grêmio, irritando dez entre dez gremistas -, simplesmente não relaciona Renato Portaluppi entre os três melhores técnicos do futebol brasileiro no momento – penso que Tite não foi citado por não estar em clube no momento, senão o absurdo seria maior.

Muricy cita Jair Ventura, do Botafogo; Fábio Carille, do Corinthians; e Abel Braga, do Fluminense.

Leiam:

“É  Jair, do Botafogo, está fazendo um trabalho de um time consciente, que sabe o que quer dentro de campo, muito bem treinado, e com muito pouco recurso. O Carille é outro fora de série dessa nova geração porque pegou um time que diziam em São Paulo que era a quarta força, aquela coisa toda, e ele soube saber as limitações do Corinthians. E o outro é o Abel Braga, que está fazendo um time de molecada porque o Fluminense não tem dinheiro, está muito mal financeiramente”.

Nenhuma lembrança, por mínima que seja, de Renato, o vice-líder do Brasileirão, e que só não lidera porque andou perdendo pontos por jogar com time reserva e ainda teve aquele ‘crime’ contra o líder Corinthians.

Renato é ‘só’ o treinador do time mais elogiado do futebol brasileiro na atualidade, mais até do que o Corinthians, que mantém aquele futebol pragmático implantado por Tite, no qual está claro que “o melhor ataque é uma boa defesa”.

Sem contar que Abelão andou levando uma surra atrás da outra do Renato.

Não sei, mas no fundo parece um pouco de despeito. Tem muita gente assim, até entre os gremistas, que não consegue elogiar Renato sem colocar um “mas”, um “porém” ou um “todavia”.

ESPERANDO ABELÃO

Tudo que o Inter queria agora é que Abel Braga estivesse desempregado. É o treinador dos sonhos da direção vermelha.

É só por isso que Guto ainda não foi demitido. A direção considera que qualquer outro nome dos que estão no mercado seria uma loteria.

Inclusive Dunga, que voltou a ser citado e que está mais do que disponível. E nome sugerido abertamente por cronistas colorados.

A direção seca o Fluminense na esperança de Abel ser demitido. O que talvez nem demore muito porque o Flu, que hoje perdeu pro Corinthians, faz campanha muito instável.

 

Roger, minha eterna gratidão

A demissão de Roger Machado era pedra cantada. Apesar de ter ganho o regional mineiro, Roger não conseguiu implantar no Galo, nem de longe, o futebol que o consagrou no Grêmio.

Técnico festejado pela mídia nacional por alguns meses, Roger acabou naufragando em sua primeira experiência longe da Arena. Roger não caiu, na verdade, apenas tropeçou.

Sinceramente, eu já previa que Roger teria muita dificuldade no Atlético. Jamais acreditei que ele poderia incutir em jogadores tipo cobra-criada, como Fred e Robinho, o tipo de futebol que implantou no Grêmio.

Se fosse fácil, outros times estariam jogando como o Grêmio, com muita troca de passes, muita posse de bola e paciência para furar bloqueios e vencer a marcação, que é cada vez mais forte e implacável.

Roger teve a felicidade de encontrar no mesmo time jogadores como Douglas, Maicon e, principalmente, Luan, jogadores cerebrais e muito técnicos.

Não sei se eles compraram a ideia de futebol do Roger ou foi o Roger que comprou a ideia deles. Acho que foi uma construção coletiva, que aflorou ao natural depois do insucesso de Felipão.

Roger teve o grande mérito de extrair o melhor do grupo que dispunha e que Felipão não soube aproveitar, talvez muito ancorado no futebol mais verticalizado e com o time voltado a apenas um jogador, o centroavante, o aipim fincado na área a espera de cruzamentos.

Roger disse que nunca armaria um time para jogar para um jogador, no caso o centroavante cabeceador.

No Atlético, foi o que ele encontrou, um centroavante renomado, decadente mas renomado. Ao lado dele, um Robinho também descendo a ladeira.

Mas o principal é que eles precisariam aderir à proposta de jogo de Roger. Pelo que se vê não aderiram. É um sistema que exige muito de cada jogador, muita dedicação, muito empenho, muito esforço físico.

O fato é que Roger foi demitido, e me surpreendi ao ver que um bom número de gremistas ficaram felizes com a queda do cara que montou essa estrutura de jogo, os alicerces de um time que hoje por vezes encanta.

Tudo começou com Roger, que só não foi adiante porque chegou ao seu limite como técnico iniciante, e de reluzente futuro.

Importante registrar que enquete feita com torcedores do Galo apontou que o grupo de jogadores é o culpado pelo mau momento do time, com 53,15%. Roger e a direção dividem o restante da culpa.

É claro que Roger, agora, precisará tirar um tempo para avaliar exatamente o que aconteceu para poder iniciar outro trabalho com mais possibilidade de sucesso.

Eu estarei aqui torcendo para que ele encontre o caminho certo para seguir em frente. No mais, serei eternamente grato ao Roger pelos momentos felizes que ele me proporcionou como técnico gremista.

Só espero que daqui a pouco ele não acabe no Inter, que, pelo jeito, logo estará trocando de treinador.

 

Sant’Ana, antes de tudo um grande gremista

NOTA DO MOVIMENTO GRÊMIO MULTICAMPEÃO

Paulo Sant’Ana surgiu de repente, como um meteoro. E se foi lentamente, como se fossem muitas mortes, uma para cada uma de suas personalidades.

O Grêmio perde um de seus mais fervorosos torcedores. O Movimento Grêmio Multicampeão lamenta essa perda inestimável.

Desde seu começo lá pelos anos 70 como participante alucinado de programas esportivos na televisão – sempre com o manto tricolor – e, depois, no rádio, no longevo programa Sala de Redação, defendendo seu Grêmio com ardor e paixão, como fez ao longo de toda sua trajetória nos meios de comunicação.

Sant’Ana revelou-se um grande comunicador e, rapidamente, conquistou admiradores e, claro, alguns desafetos, porque não poupava adjetivos para o bem ou para o mal.

Foi um guerreiro isolado, qual um Don Quixote, combatendo aqueles que de uma forma ou de outra, na visão dele, queriam prejudicar o clube do seu coração. São antológicos, por exemplo, seus artigos contra a arbitragem gaúcha.

Quando ganhou uma coluna nas páginas de esporte do jornal Zero Hora, Sant’Ana mostrou que chegava para ficar. Causou alvoroço quando assinou uma coluna, bombástica para a época, revelando quem eram os gremistas e colorados da imprensa gaúcha.

A partir daí, alçou um voo que transcendeu a editoria de esportes e pousou na penúltima página, onde passou a escrever sobre os assuntos mais variados, sempre com talento e perspicácia. Não raro, retomava o futebol como tema, buscando na maioria das vezes contribuir com o Grêmio, ao seu jeito, franco e apaixonado.

O gremista Paulo San’Ana tornou-se o colunista mais conceituado do Estado. Sempre polêmico e por vezes poético. Duro e sensível. Implacável contra desmandos de qualquer ordem.  Muitos leitores adquiriram o hábito de ler o jornal de trás para frente.

Só isso já prova o quanto Paulo Sant’Ana foi marcante em todos esses anos. Exagerado, por vezes, mas sempre autêntico na crítica ou no elogio.

Perdemos um grande companheiro. Mas temos convicção de que lá de cima, ao lado de outros grandes gremistas, como Lupicínio Rodrigues, ele estará sempre com o Grêmio onde o Grêmio estiver!

Fique em paz, Sant’Ana. São os votos do Multicampeão!

Fernandinho deslancha nas mãos de Renato

Fernandinho é a prova (mais uma) de que os deuses do futebol, reunidos em algum conclave celeste, decidiram abençoar e proteger o Professor Renato Portaluppi, concedendo-lhe, entre outras coisas, o poder de transformar água do Dmae (ou da Corsan) em vinho, e do bom.

O escanteado Fernandinho, que só entrava no time pra ver se aparecia algum clube pretendente, sob orientação do mestre Renato cresceu e, por seus méritos e insistência do treinador – contrariando a vontade de 9 entre 10 gremistas – se transformou num jogador importante. Por vezes, decisivo.

Foi assim contra o Vitória, em Salvador. Um time ferido, cambaleante, pode ser muito perigoso. Mas o Grêmio, mesmo sem sua estrela maior, Luan, se impôs na casa do adversário e voltou de lá com uma coruscante (de novo imitando o David) vitória.

Fernandinho sofreu falta na entrada da área. Ele mesmo cobrou, ao estilo Luan, e balançou a rede. Depois, numa jogada marca registrada do Grêmio – ninguém faz igual -, ele recebeu de Pedro Rocha, viu a chegada de Arthur e encostou para o guri com delicadeza, como quem diz ‘faz’. E Arthur, que não é bobo nem nada, fez.

No começo da jogada, a visão e a categoria de Maicon, que enfiou uma bola sob medida para Pedro Rocha.

No segundo tempo, o Vitória descontou e até deu um susto. Na torcida. Porque o time já não se assusta com nada. Thiery entrou tão bem que ninguém sentiu a falta do grande Geromel, que sentiu lesão no vestiário, no aquecimento.

Éverton, que havia substituído Lucas Barrios, lesionado, vislumbrou Ramiro chegando de trás e mandou-lhe a bola. Na risca da grande área, o Pequeno Grande Volante dominou e mandou um torpedo: 3 a 1.

Foi mais um momento mágico do Professor Renato e seus pupilos. O Grêmio segue na cola do Corinthians, bafo na nuca.

É o único time que ainda tem condições de preservar um pouco de emoção na briga pelo título com os paulistas, talvez até as últimas rodadas.

A CBF e a rede Globo devem isso ao Grêmio.

O gol do Inter e a regra 11

Ao ler comentário de um analista de arbitragem – que, aliás, todo torcedor não deixa de ser – de que a regra 11 estaria validando o lance de gol do Luverdense basicamente porque Pottker, em posição de impedimento, não tocou na bola no início do lance.

Quem se der ao trabalho de ler o tal artigo no livro de regras lançado pela CBF, edição 2016/2017, verá que a coisa não é tão simples.

O articulista sonegou, por exemplo, um trecho importante, lembrado apenas pelo ex-árbitro Sálvio Spíndola, que criticou a arbitragem por ter validado o gol do Inter.

A regra diz que o jogador (Pottker) estará penalizado se estiver interferindo em um adversário de alguma maneira, como as duas abaixo que copiei do livrinho:

– Impedindo um adversário de jogar ou de poder jogar a bola ao obstruir
claramente sua linha de visão ou;
– disputando a bola com o adversário;

Tirem suas conclusões. Eu concordo com Sálvio. Gol ilegal.

O que me inquieta, e preocupa, é a análise simplista dos ‘analistas de arbitragem’ da aldeia, que se limitaram a um aspecto, o mais conhecido, da regra, que, por coincidência, é o que beneficia o Inter.

Confiram o vídeo de Sálvio, didático e imparcial:

http://cornetadorw.blogspot.com.br/2017/07/analista-humano-acima-do-mampituba.html

http://espn.uol.com.br/video/711897_salvio-explica-por-que-polemico-gol-do-inter-foi-irregular

Caso Aranha: Grêmio precisa reagir

Há uma campanha sórdida em andamento. Um movimento que busca atribuir ao Grêmio a pecha de clube racista. Mais do que isso, o mais racista do país.

Acontecem atos de injúria racial seguidamente em todos os locais. Um jogador do Inter (Victor Cuesta) foi acusado recentemente. E ninguém fala mais nisso. E se fosse um jogador do Grêmio?

Com certeza seria incluído no programa que a TV Globo anuncia para esta quarta-feira, dia 19, quando volta a abordar o caso Aranha dentro da temática do racismo.

A emissora, em seu site, apresenta assim o programa:

‘O repórter Guilherme Belarmino acompanhou o goleiro Aranha, da Ponte Preta, que no último fim de semana jogou em Porto Alegre contra o Grêmio. Durante o jogo, o goleiro foi vaiado toda a vez que pegava na bola. Há três anos, o Grêmio foi desclassificado da Copa do Brasil depois que a torcida atacou o então goleiro do Santos com ofensas racistas.’

O Grêmio já foi dura, e injustamente, punido. Afinal, respondeu pelo desatino de uma torcedora (não de uma torcida, como faz crer a reportagem). De nada adiantou identificar e responsabilizar a infeliz.

O goleiro Aranha, ciente de que seria destaque do programa sobre racismo, veio preparado. Foi um ator o tempo todo. O cinegrafista estava atento, esperando, por certo, outra manifestação racista. Que não veio. Imagino a frustração da equipe de TV.

No final, fez cara de vítima para os repórteres. Bem diferente daquele Aranha agressivo e homofóbico dessa entrevista de abril deste ano.

ARAPUCA

Foi armado um circo dentro da Arena. Eu diria que foi armada uma arapuca. Vai que no clima tenso do jogo aparece outro torcedor desvairado…

Agora, triste também a postura de certos jornalistas da aldeia, aliás os mesmos que cobraram punição exemplar ao Grêmio naquela ocasião e que hoje se calam sobre o caso Victor Cuesta.

Gente que conhece a história do Grêmio e ainda assim o rotula de clube racista. (Uma história que o jornalista Léo Gerchmann conta em detalhes em seu livro ‘Somos azuis, pretos e brancos’.)

Um clube que tem o negro Everaldo, em forma de estrela, em sua bandeira. Que teve em seu Conselho Deliberativo um negro, Alceu Colares, que acabou governador do RS.

Aliás, o estado mais racista, segundo o goleiro, já elegeu um negro.

Penso que está passando da hora de uma tomada de posição mais firme da direção contra essa tentativa de colocar o Grêmio como referência de racismo no futebol.

Se demorar mais um pouco, será tarde demais.

 

 

Sem medo de ser feliz

O Corinthians é o virtual campeão brasileiro/2017, mas está claro que se existe um time que ainda ameace essa conquista este, sem dúvida, é o Grêmio.

Até coloco o Flamengo como uma segunda opção, porque tem muito dinheiro, está mais organizado do que em anos anteriores e segue investindo em reforços de alto nível.

Só espero que não apareça com uma proposta milionária para contratar o melhor treinador do futebol brasileiro no momento, o Professor Renato Portaluppi. Deixando claro que Tite não conta porque não disputa o Brasileirão.

Nesse jogo contra a Ponte Preta, mais uma vez ficaram evidentes as dificuldades do time em impor seu jogo dentro de casa, em especial contra adversários de porte médio, que se fecham, tiram espaços e marcam forte. A PP ainda abusou da cera, sob o olhar negligente do juiz.

Ter levado um gol contribuiu para despertar as piores imagens em minha cabeça. Eu, e penso que muitos gremistas, já previa um filme de terror, com o ‘goleiro aquele’ pegando tudo.

Thiery foi afoito no lance do gol contra, coisa de jogador sem ritmo de jogo. Trata-se de um bom zagueiro, um bom reserva, nada além disso, ainda mais quando se tem como parâmetro Geromel (outra atuação fantástica) e Kannemann. Há um abismo entre a dupla titular e a dupla reserva.

Ir para o intervalo com um gol sobre os ombros era um fardo pesado demais, ainda mais que o Grêmio pouco havia criado. O ‘goleiro aquele’ quase não trabalhou, a não ser para fazer tempo e quebrar o ritmo mais veloz que o Grêmio pretendia dar.

O Grêmio voltou mais rápido no segundo tempo, mas ainda com poucos lances de área. Muita posse de bola, pouca produção ofensiva. A entrada de Fernandinho deixou o time mais agressivo, mas ainda ineficiente. Até que Pedro Rocha, até então um tanto apagado, fez grande jogada pelo lado esquerdo e tocou para Lucas Barrios empatar. A bola ainda desviu na zaga.

Doze minutos depois, aos 23, Luan lançou Fernandinho, que foi puxado por trás, pênalti! Barrios cobrou em meio a um clima tenso na Arena. Será que vamos perder outro pênalti? Era a questão que pairava. Mas Barrios chutou muito bem e colocou o Grêmio em vantagem.

Aí, a Ponte parou com seu joguinho lenga-lenga. Foi bom de ver a pressa do adversário, oposto ao que havia feito até então. De nada adiantou. Com o sistema defensivo bem organizado – mesmo sem Arthur -, o Grêmio praticamente não deu chances ao ataque adversário.

No final, um golaço dentro do padrão de qualidade que o time mostrou em seus melhores momentos desde a conquista do Penta. Luan lançou Ramiro, que cabeceou consciente para Éverton, que vinha de trás, cabecear para a rede deixando estatelado o ‘goleiro aquele’.

A vitória por 3 a 1 foi  justa, e teve a mão do treinador, que sacou um volante no intervalo, colocou um atacante, bloqueou os contra-ataques do adversário e foi pra cima sem medo de ser feliz.

SEGUNDONA

O Inter segue em seu calvário.

O time de série A na série B não está demonstrando em campo essa definição propagada pela imprensa gaúcha.

Esse tal ‘time de série A’ estaria hoje na lanterna da série A de verdade.

A direção colorada acreditou nessa lorota ufanista reiterada pelo lado vermelho da mídia. Se quebrou.

Agora, corre em busca de reforços. Não são muitos os bons jogadores que aceitam disputar a segundona. Não é o que diziam quando o Grêmio caiu?

Pois é, agora tentam Camilo para ser o articulador, companheiro de Dalessandro, que anda se arrastando.

Assim, a culpa recai sobre o técnico. A maior parte da imprensa culpa Guto Ferreira, nome que muitos enalteceram e agora querem sua cabeça.

A direção colorada ouviu muito seus jornalistas preferidos no ano passado. Deu no que que deu.

 

 

Recordar é viver – 1 –

A partir de hoje vou publicar alguns textos que cometi no meu primeiro blog, a partir de 2006.

O texto abaixo foi publicado dia 31/03/2006, véspera de um Gre-Nal. O jogo terminou em 0 a 0, com arbitragem calamitosa do Simon, pra variar. Foi aquele Gre-Nal do recuo de bola para o Clemer. Confiram parte do texto sobre o jogo, que foi no dia 1º de abril, abaixo do comentário principal, que, a meu ver, permanece atual:

O Gre-Nal e o General

Esta véspera de Gre-Nal é marcada pelo golpe de 64, dia 31 de março. Já se passaram 42 anos, período exaltado em nota oficial, nesta sexta-feira, pelo comandante do Exército, o mesmo do carteiraço no vôo da Tam na quarta-feira de cinzas.

A gente anda por aí e vê muita gente com saudade dos militares no Poder. É gente cansada, espichando o salário para chegar ao fim do mês sem fazer mais dívidas. Gente sem acesso a um atendimento digno de saúde. É gente desamparada, desiludida, decepcionada.

Gente que esperava muito do governo Lula. Gente que lê e ouve aqui e ali pessoas elogiando a política econômica que privilegia bancos, dívida externa, FMI, tudo que antes de chegar lá em cima abominava, execrava. Gente que ve tudo subindo, menos o seu salário. Gente que mal se dá conta que o Brasil, na América Latina, só cresceu mais do que o Haiti em 2005.

Vê-se agora que os discursos indignados dos anos 80 até 2002 não passavam de uma escada para chegar lá no alto, afastar as “elites” para depois agir como se elite fosse. Comprar lençóis de linho egípcio, reformar o palácio com 20 milhões do nosso dinheiro, comprar avião como se este fosse um país milionário, com saúde, educação e segurança para todos.

Por isso, tem gente com saudade daqueles anos em que mensalão não era sinônimo de corrupção, de deboche, de afronta, de provocação…

Mas é bom não esquecer que naqueles anos a imprensa era calada, sufocada.

Seria impossível escrever o que estou escrevendo sem sofrer algum tipo de punição. E não era pouca punição.

Apesar de tudo que está aí, ainda prefiro ter liberdade para escrever o que quiser, enquando espero por mais um Gre-Nal.

PARTE DO TEXTO PUBLICADO APÓS O JOGO:

‘A arbitragem do sr. Carlos Simon foi uma calamidade. Uma sucessão de erros que começou naquele absurdo de não marcar infração de Clemer, que pegou a bola com a mão no recuo de Bolívar, aos 6min. Um escândalo que ficará por isso mesmo.

Para ser indicado árbitro brasileiro na Copa do Mundo, o sr. Simon passou numa série de provas. Pelo que vi neste 1º de abril, fico me perguntando se foi realizado um exame oftalmológico nesses testes da Fifa. Acho que não, como pudemos ver nesse Gre-Nal de 0 a 0.’

Léo fecha o gol e Grêmio reassume vice-liderança

Fazia tempo que a estrela do treinador Renato Portuluppi não estava tão coruscante – finalmente consigo usar esse adjetivo que li em algumas colunas do coruscante David Coimbra – como nesta noite na Ilha do Urubu, na vitória por 1 a 0 sobre o Flamengo, reassumindo a vice-liderança.

Foi um brilho tão intenso que ofuscou os urubulinos (não podia deixar escapar essa por causa do apelido do estádio) de plantão, que já se preparavam para atacar em caso de nova derrota do Grêmio Show.

Confesso que fui para esse jogo, confortavelmente instalado no sofá, temeroso de um resultado ruim. Aquela confiança que tinha até alguns jogos atrás restou abalada. Mas agora voltou.

A ausência de Marcelo Grohe num jogo tão importante, contra um adversário que está crescendo e vai crescer mais ainda, me deixou preocupado. Não sabia como o jovem Léo reagiria diante do tamanho da responsabilidade.

Pois Léo não deu saudade de Grohe. Não fez nenhuma defesa para fotógrafo, mas foi seguro, eficiente e frio – atributos essenciais para um goleiro -, além da sorte.

Sorte que ele teve quando Éverton acertou o trave e, principalmente, na pixotada quase no final, quando chutou em cima de Damião. Por detalhe a bola não entra. Seria um lance para marcar qualquer goleiro. Felizmente foi só um susto. No mais, Léo esteve impecável.

Outro desfalque importante foi Pedro Rocha. Renato optou por Fernandinho, como se previa. Taticamente ele correspondeu, mas tecnicamente jogou um futebol precário. O certo seria Renato colocar Éverton ali pelos 20 minutos do segundo tempo no lugar de Fernandinho, que ficou até o final.

Renato desafiou as estrelas, os astros. Mas sua estrela brilhou. Por exemplo, nunca tinha visto o time de Renato fazer tantas faltas próximas da área. Algo temerário, ainda mais com um goleiro que busca afirmação. A dupla de área venceu praticamente todas as bolas cruzadas tanto pelas faltas como pelos inúmeros escanteios cedidos.

Outro desfalque foi Miller Bolanos, que, em forma, seria substituto natural de Pedro Rocha, ou poderia entrar no decorrer do jogo em meio ao desespero do Flamengo e de sua torcida. É importante que o clube recupere esse jogador o quanto antes. Na reta final da CB e da Libertadores será necessária muita qualidade.

O destaque desse jogo foi o espírito aguerrido e compenetrado de todo o time. O Flamengo tem alguns jogadores que desequilibram, mas que dessa vez esbarraram numa defesa bem postada e numa marcação dura e implacável no meio de campo.

O melhor do jogo, a meu ver, foi o goleiro Léo, que saiu da fogueira sem ser chamuscado. Depois dele, Geromel e Kannemann.

Na frente, Luan errou lances fáceis, mas fez o principal: o gol, num lance que só não foi inteiramente individual porque ele acabou ‘tabelando’ com um zagueiro antes de concluir. Desconfio que Luan sentiu a falta de Pedro Rocha. Quase tanto quanto Renato…

Já Fernandinho mostrou, mais uma vez, que é jogador para entrar ali pela metade do segundo tempo. Nunca para sair jogando.

Bolaños volta a deixar o Grêmio na mão

Mesmo que o Brasileirão não seja prioridade, o Grêmio tem obrigação de disputar cada jogo como se fosse o último nesse período sem confrontos pela Libertadores e Copa do Brasil.

O jogo contra o Flamengo é um desafio – o clube carioca vem crescendo e já é segundo colocado – e também uma oportunidade: nada melhor do que uma vitória sobre o time queridinho da influente mídia carioca para mostrar que o Grêmio segue vivo na disputa, apesar de recentes resultados negativos, frustrantes.

A lamentar, portanto, as ausência de Grohe, Pedro Rocha e, principalmente, Bolaños.

Por que ‘principalmente Bolaños’? Ora, dos três o único a ter unanimidade perante a torcida gremista é o equatoriano.

Grohe, para uma parcela significativa e ruidosa de gremistas, não tem condições de ser titular.

Para esses, a ausência de Grohe nesta quinta, no Rio, é um presente dos deuses. Afinal, se Léo fechar o gol estará abrindo caminho até para a titularidade. Será o primeiro passo para Grohe sair, assim como aconteceu com o também execrado Victor, hoje endeusado pelos atleticanos.

Isso que tem ainda o Paulo Victor, goleiro de trajetória irregular, mas que pode mostrar no Grêmio o que não conseguiu exibir com consistência até hoje.

Léo Moura e Cortez estão aí para provar que o Grêmio tem esse poder de reabilitar e consagrar jogadores com carreira instável ou em declínio.

Outro que sofre resistência de uma boa parte da torcida é Pedro Rocha. É verdade que alguns já estão reconsiderando, mas basta mais um gol perdido que o atacante volta a ser bombardeado nas redes sociais.

Sei de gente disposta a levá-lo ao aeroporto se ele for negociado, como se especula.

Assim, unanimidade na lamentação só o Bolaños. O técnico Renato foi muito criticado até poucos dias atrás por não colocar o equatoriano para jogar. É aquela história, a tal de economia interna.

Renato, Espinosa e Roman fizeram e estão fazendo o possível e o impossível para usar o jogador, peça considerada fundamental para a disputa da Libertadores e da CB.

No ano passado, Bolanos desfalcou o time por causa de uma agressão covarde, o que prejudicou bastante a campanha da Libertadores.

Agora, vítima de si mesmo, não de uma cotovelada assassina, Bolanos sinaliza que mais uma vez o time não poderá depender de seu talento pra coisa alguma.

Está fora do jogo contra o Flamengo por “problemas particulares”, conforme divulgou o clube.

RACISMO

O STJD, se for provocado, pode abrir um procedimento contra Victor Cuesta, sob acusação de injúria racial. O juiz nada registrou na súmula a esse respeito.

Quem quiser abastecer o STJD com informações pode mandar o material para o e-mail stjd@cbf.com.br.

Se houve racismo, que não fique impune. E que a punição seja exemplar como aconteceu quando o Grêmio foi envolvido.